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Laryssa Silva Martins

08/04/2011

às 13:49

A romaria aos muros da escola Tasso da Silveira

O muro da escola Tasso da Silveira: homenagens às vítimas (Foto: Rafael Lemos)

O muro da escola Tasso da Silveira: homenagens às vítimas (Foto: Rafael Lemos)

Realengo é um bairro ferido. Na manhã desta sexta-feira, o muro da Escola Municipal Tasso da Silveira, onde ocorreu o massacre de 11 estudantes, transformou-se em ponto de romaria. Flores, faixas, homenagens e orações se repetem desde o início do dia.

Os nomes das crianças são exibidos junto a pequenos arranjos de flores. Uma grande inscrição pede “Paz”.

Um grupo de motociclistas, de uma cooperativa de entregadores, passa quase de hora em hora. Param em frente à escola, aceleram os motores e partem. É o único som que movimenta a atmosfera pesada da rua.

A romaria à escola Tasso da Silveira ocorre em meio a uma movimentação de peritos e de autoridades no município. Pela manhã, foram recolhidos objetos, amostras de sangue e feitas mais imagens do interior das salas onde ocorreu o massacre.

Do lado de fora, alunos da escola ainda tentavam se encontrar em meio à violência da manhã de quinta-feira. Luciana Araújo, 14 anos, aluna do 9º ano, escapou da morte. No momento do massacre ela estava na educação física. Uma dor em especial atormentava a estudante: ela perdeu a amiga Milena dos Santos. “Eu não admito que a minha melhor amiga me deixou. Tive que ir até a casa dela e vir aqui ao colégio para acreditar”, contava Luciana, desolada.

Jornalistas e guardas municipais que estavam em frente à escola precisaram socorrer Maria Madalena, de 73 anos. Ela é avó da menina Ana Carolina, última vítima identificada na noite de ontem. Confusa, ela foi até a escola em um ato desesperado, dizendo querer buscar a neta. “Ela era sempre a primeira a chegar à escola”, contava, enquanto era amparada.

Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

08/04/2011

às 12:22

“Isso não é coisa de brasileiro, não é coisa nossa”, diz padrinho de Laryssa


Mais de mil pessoas se uniram às famílias de três meninas mortas no massacre de Realengo, na zona oeste do Rio, para os primeiros sepultamentos de vítimas da tragédia. No cemitério do Morundu, foram realizados na manhã desta sexta-feira os enterros de Laryssa Silva Martins, 13 anos, e Mariana Rocha de Souza, 12 anos.

O padrinho da Laryssa desabafou. “Ela não gostava de faltar a aula. Ia à escola mesmo doente, cheia de alegria. E um cara, com um tiro, consegue acabar com todos os sonhos dela e destruir a vida da nossa família. É uma atitude louca, de um sujeito que devia ver televisão o dia inteiro, e copiou as coisas que ele via no noticiário dos Estados Unidos. Isso não é coisa de brasileiro, não é coisa nossa. Nunca aconteceu uma coisa assim antes”, disse Gerson da Silva Guilherme, 45, motorista de ônibus.

Gerson, a mulher e as filhas estudaram na escola Tasso da Silveira. “Era um lugar perto de casa, onde passávamos com muita frequência. Soube disso tudo pela TV e entrei em desespero”, conta.

Irma de Laryssa, Camila Silva Martins, 21 anos, era a mais emocionada. Desesperada, ela balbuciava o nome da irmã enquanto recebia atendimento médico. “Me leve no lugar dela, meu Deus”, dizia. Mãe de Larissa, Maria José Silva também precisou de atendimento médico.

Parentes tentaram evitar que a mãe de Mariana visse o corpo. Mas ela fez questão de dar adeus à filha, e desmaiou. No Cemitério do Morundu também está sendo velada Géssica Guedes Pereira. Ela será sepultada Às 15h, no cemitério de Ricardo de Albuquerque, também na zona oeste.

O prefeito Eduardo Paes esteve nas capelas e prestou condolências às famílias. “O momento não é de palavras, mas de solidariedade”, disse Paes. “Ontem, quando cheguei em casa, meus filhos perguntaram o que ia acontecer com as crianças da escola”, disse o prefeito, que chorou.

Um helicóptero da Polícia Civil lançou pétalas de rosas para homenagear as vítimas.

Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro

 

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