08/04/2011
às 13:49A romaria aos muros da escola Tasso da Silveira
Realengo é um bairro ferido. Na manhã desta sexta-feira, o muro da Escola Municipal Tasso da Silveira, onde ocorreu o massacre de 11 estudantes, transformou-se em ponto de romaria. Flores, faixas, homenagens e orações se repetem desde o início do dia.
Os nomes das crianças são exibidos junto a pequenos arranjos de flores. Uma grande inscrição pede “Paz”.
Um grupo de motociclistas, de uma cooperativa de entregadores, passa quase de hora em hora. Param em frente à escola, aceleram os motores e partem. É o único som que movimenta a atmosfera pesada da rua.
A romaria à escola Tasso da Silveira ocorre em meio a uma movimentação de peritos e de autoridades no município. Pela manhã, foram recolhidos objetos, amostras de sangue e feitas mais imagens do interior das salas onde ocorreu o massacre.
Do lado de fora, alunos da escola ainda tentavam se encontrar em meio à violência da manhã de quinta-feira. Luciana Araújo, 14 anos, aluna do 9º ano, escapou da morte. No momento do massacre ela estava na educação física. Uma dor em especial atormentava a estudante: ela perdeu a amiga Milena dos Santos. “Eu não admito que a minha melhor amiga me deixou. Tive que ir até a casa dela e vir aqui ao colégio para acreditar”, contava Luciana, desolada.
Jornalistas e guardas municipais que estavam em frente à escola precisaram socorrer Maria Madalena, de 73 anos. Ela é avó da menina Ana Carolina, última vítima identificada na noite de ontem. Confusa, ela foi até a escola em um ato desesperado, dizendo querer buscar a neta. “Ela era sempre a primeira a chegar à escola”, contava, enquanto era amparada.
Rafael Lemos, do Rio de Janeiro
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