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conselheiro paulino

12/01/2011

às 20:19

Cidades devastadas estão sem água, luz e telefone

Homem usa pinguela improvisada para atravessar o que já foi uma rua no bairro Caleme, em Teresópolis

Foto de Sylvio Maffei/Teresópolis Jornal

Além do saldo assustador de mortes, a tragédia que atingiu três cidades da Região Serrana do Rio devastou a infraestrutura de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis. Nesses locais, milhares de moradores vão passar a primeira noite depois da catástrofe sem energia elétrica, telefone e água potável. Há ainda o risco de novos deslizamentos, pois, como alertam os serviços de meteorologia, a formação de uma nova frente fria pode trazer mais chuvas durante amadrugada.

A falta de comunicação aumenta a angústia dos moradores, sobretudo aqueles que possuem parentes ou amigos entre os desaparecidos. Esse é o cenário nos bairros Caleme e Campo Grande, os dois mais afetados em Teresópolis. Ambas as localidades ficam fora do centro de Teresópolis e foram densamente ocupados nos últimos anos, com muitos loteamentos – inclusive legalizados – em áreas de risco.

O Caleme é uma região originalmente ocupada por chácaras e grandes casas. Mais recentemente, recebeu condomínios de classe média alta. O bairro foi o epicentro da tragédia – mais precisamente no cruzamento da Estrada do Triunfo, a principal do Caleme, com a Rua Canário. Ali, a queda de uma única barreira arrastou 30 casas durante a madrugada. Por toda a cidade, vêem-se carros empilhados e destruídos depois de serem arrastados ladeira abaixo, muros derrubados, ruas transformadas em rios de lama – para atravessar algumas, é preciso passar por pinguelas improvisadas.

A estrada Teresópolis-Itaipava está interditada. A Rio-Teresópolis abriu e fechou ao longo do dia, e a CRT, concessionária que opera a rodovia, está fazendo barreira no pé da serra para impedir a subida de caminhões, porque uma barreira que caiu em Ponte Nova fechou a BR-116. O ginásio municipal foi transformado em base de apoio para desabrigados. No IML local já deram entrada mais de cem corpos.

Em Petrópolis, a região mais castigada foi o distrito de Itaipava, considerado um destino turístico nobre. Com o comércio fechado, as pessoas enfrentam dificuldades para comprar água mineral e comida. A prefeitura abriu três postos de captação de donativos. Os itens de maior necessidade são produtos de limpeza, higiene pessoal, água mineral, colchonetes, roupa de cama e toalhas.

Pelo menos 30 famílias passarão a noite em um abrigo montado na escola Antunes Rabello, na localidade de Lajinha, distrito de Itaipava. Estima-se que mais de 40 pessoas estejam desaparecidas no município. Em Nova Friburgo, um dos bairros mais castigados foi Conselheiro Paulino, onde já foram contabilizados 59 mortos e há inúmeros desaparecidos.

(Por Lucila Soares e Rafael Lemos, do Rio de Janeiro)

 

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