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Caso Isabella Nardoni

27/03/2010

às 1:40

‘Justiça’ e ‘Vitória’

Estrela da noite, o promotor Francisco Cembranelli saiu do Fórum de Santana para conceder uma entrevista coletiva e foi recebido aos gritos de ‘Justiça’ e ‘Vitória’ por dezenas de pessoas que aguardavam do lado de fora.

 “Nada me abalou, a certeza que eu tinha sempre foi total de que o resultado seria alcançado”, afirmou aos jornalistas pouco antes de fazer uma análise de todo o julgamento. Disse que a defesa cumpriu o papel dela, dando condinções para que o júri pudesse atuar com dignidade. “Por melhor trabalho que tenham feito, as provas incriminavam os acusados e não podiam ser desprezadas.”

Uma das coisas mais dífíceis, na visão dele, foi recontar passo a passo a história da morte de Isabella para que os jurados pudessem entender tudo o que se passou e votar da melhor forma. Ele voltou a destacar o trabalho da perícia e da polícia nas investigações. Disse que não viu a reação dos réus quando receberam a sentença e que não acredita em modificação da sentença, mesmo com o recurso já apresentado pela defesa.

Sobre o clamor público, disse considerar normal que as pessoas se emocionem com casos como esse e  que pretende continuar atuando por muito tempo no Tribunal do Júri, por sentir que é mais útil à sociedade nessa função. “Resultados como o de hoje me incentivam”, afirmou.

No momento crucial, Francisco Cembranelli não se esqueceu de Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella. Fragilizada pelo longo período em isolamento no Fórum, ela não teve condições de comparecer ao anúncio da sentença. Como estava muito ansiosa por saber, porém, Cembranelli encarregou sua assistente de passar o resultado para ela por mensagem de celular.

(Mirella D’Ellia)

26/03/2010

às 22:00

Literatura, cinema e imprensa

O advogado Roberto Podval mencionou autores de direito, filmes e até o trabalho da imprensa em seu apelos aos jurados para que absolvam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

O defensor fez um paralelo entre o estardalhaço em torno da morte de Isabella Nardoni e o filme A Onda, em que um professor explica para alunos que o próprio direito admitia o nazismo. “Talvez isso ajude a explicar por que o caso Isabella virou um caso tão diferente”, afirmou.

Podval também mencionou o clamor público e a cobertura da imprensa. “As pessoas lá fora clamam, a imprensa também clama, mas não viu (o crime). Talvez amanhã se diga que fizeram justiça”, declarou, olhando para os jornalistas na plateia.

O advogado estava rouco e visivelmente cansado.

(Mirella D’Elia e Marina Dias)

26/03/2010

às 21:31

“Ele não merece a dúvida da inocência

Ele foi econômico. Em apenas 45 minutos, o advogado de defesa Roberto Podval reforçou a estratégia de desqualificar a investigação da polícia sobre a morte de Isabella Nardoni. Questionou exames e perícias feitos ao longo do processo.

Em um dos pontos mais enfáticos, disse que não foram localizadas manchas de sangue na roupa de Alexandre Nardoni. “Pingou sangue em todo lugar, no apartamento inteiro, na roupa dela (Isabella). Na roupa dele (Alexandre) tinha que ter um pingo de sangue”, disse. “Ele não merece a dúvida da inocência”, completou, olhando fixamente para os jurados.

O defensor disse que estava “apelando para a consciência” do júri e que havia “absoluta ausência de provas”. E pediu a absolvição dos réus.

Logo depois que a sessão foi suspensa, o pai de Alexandre, Antonio Nardoni foi visto chorando copiosamente nos corredores do Fórum de Santana. A irmã de Alexandre, Cristiane, também chora muito e é amparada por familiares. A família de Ana Carolina de Oliveira está sentada bem perto.

(Mirella D’Elia)

26/03/2010

às 21:15

Número de manifestantes aumenta

Por volta das 20h30, o número de pessoas que se aglomeravam em frente ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, só aumentava. Já eram centenas de manifestantes com faixas e cartazes gritando por “justiça” e xingando o advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval. Policiais militares fazem a segurança reforçada neste que deve ser o último dia de julgamento.

Chama a atenção o número de crianças que estão em frente às portas fechadas do Fórum, grudadas na grade e também aos berros. Um homem tentou pular o portão, mas foi impedido pelos policiais imediatamente. No momento, apenas a imprensa tem acesso ao interior do Fórum.

(Cecília Araújo e Marina Dias)

26/03/2010

às 20:43

Fim do julgamento deve atrasar

A tréplica da defesa do casal Nardoni teve início às 20h15 desta sexta-feira, depois de um pequeno intervalo da réplica do promotor Francisco Cembranelli. O tempo esperado para a fala do advogado Roberto Podval é de duas horas e, em seguida, após um intervalo de uma hora para o jantar, os jurados deverão se reunir em uma sala secreta para decidirem se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são ou não culpados pela morte de Isabella.

Essa reunião deve levar pelo menos uma hora e estava prevista para ter início às 22h30. No entanto, os trabalhos no Fórum de Santana estão atrasados e o início da elaboração da sentença do juiz Maurício Fossen, que também deve levar uma hora, deve começar após às 23h30.

(Marina Dias)

26/03/2010

às 20:38

Cronograma do crime

Para finalizar sua réplica, o promotor Francisco Cembranelli insistiu em apresentar o cronograma do dia do crime. Segundo ele, a linha do tempo começa às 23h30 do dia 29 de março de 2008, quando o celular de Anna Carolina Jatobá vibrou e a ré pensou que seria uma ligação de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni.

Às 23h36, o Ford Ka, veículo do casal acusado, foi desligado e, logo depois - sem tempo cronometrado -, o vizinho escutou uma criança gritando “para, pai”. Nesse momento da explicação de Cembranelli, o advogado de defesa Roberto Podval interferiu dizendo que não havia como saber de quem eram os gritos. “Exigem que a perícia seja mágica, não muda nada se o grito era de Isabella ou de seu irmão, Pietro”, pontuou o promotor. “A defesa se apega a detalhes que nós só teríamos se tivessemos filmado o crime”, completa.

Para Cembranelli, a queda de Isabella Nardoni ocorreu às 23h49 e, alguns centésimos de segundos depois, o vizinho ligou para a emergência. “O único que não ligou para a polícia foi o réu. Ele ainda teve tempo de pedir ligações para a família. Se fosse eu, teria descido pela janela, mas o réu não socorreu a filha, ficou discutindo sobre um possível furto e ele e Jatobá partiram para a agressão contra o porteiro”, explica o promotor.

O advogado de defesa questionou o fato de a polícia ter dado ou não o horário correto das ligações de emergência feitas no dia do crime. Cembranelli, porém, manteve a posição de cronometrar a noite daquele sábado, afirmando que não seria possível Alexandre estar fora do apartamento na hora em que Isabella foi jogada pela janela.

Por fim, o promotor ainda lembrou que um dos advogados de defesa, “senhor Levorin”, prometeu deixar o caso quando tivesse certeza de que a culpa era dos réus – “e ele deixou”. Podval protestou nesse momento, alegando deselegância por parte do promotor. O juiz Maurício Fossen precisou intervir nas provocações entre promotoria e defesa.

O promotor terminou sua fala com frases de efeito. “Para Anna Jatobá, no momento da esganadura, Isabella era a miniatura de Ana Carolina Oliveira [...] Me desculpem os excessos, mas esse é um caso ao qual me apeguei”.

(Gabriele Jimenez e Marina Dias)

26/03/2010

às 19:57

Termina réplica do promotor

O promotor Francisco Cembranelli finalizou sua réplica às 19h50. Após um intervalo de 10 minutos, será a vez do advogado de defesa Roberto Podval falar. Seu tempo de explanação não pode ultrapassar duas horas.

Anna Jatobá, que já teve que ser retirada do salão do júri nesta tarde de sexta-feira, saiu da plenária mais uma vez durante a segunda metade da réplica de Cembranelli e permaneceu ausente até o final.

(Cecília Araújo e Nathália Goulart)

26/03/2010

às 19:36

“Anna Jatobá é um barril de pólvora”

Além de insistir na qualidade da perícia do Instituto de Criminalística (IC), o promotor Francisco Cembranelli fez questão de destacar o comportamento agressivo de Anna Carolina Jatobá. “Ela brigava constantemente com Alexandre, e essas discussões descambavam para agressões violentas. São relatos dos vizinhos e das avós de Isabella, que sempre mantiveram contato”.

Cembranelli afirmou que Anna Jatobá estava sob estresse constante, tomava calmantes e antidepressivos, não tinha empregada doméstica e dependia financeiramente da família do marido. “Ela era um barril de pólvora prestes a explodir contra qualquer um, inclusive contra Isabella, de quem ela já tinha reclamado de ciúmes antes”, afirmou o promotor. 

De acordo com Cembranelli, o temperamento de Anna Carolina Jatobá foi responsável pelo decorrer dos fatos no dia do crime. “Eu nunca afirmei que o casal planejou a morte de Isabella. Anna Jatobá venceu alguns obstáculos e não deixou que seus impulsos fossem freados em meio a um desentendimento com o marido”. Nesse momento, o advogado de defesa, Roberto Podval, interveio: “Qual é a prova que o senhor tem de que foram eles que cometeram o crime?” O promotor continuou descrevendo o comportamento “desequilibrado” da ré. “Havia marcas de unhas dela em Isabella. A mania de se descontrolar fazia parte do cotidiano dela, e não dele”.

(Marina Dias e Nathália Goulart)

26/03/2010

às 19:24

“Isabella não foi colocada na cama pelo réu”

Uma das estratégias do promotor Francisco Cembranelli para convencer os jurados de que o casal Nardoni é culpado pela morte de Isabella foi mostrar fotos do quarto da menina no dia seguinte ao crime. No telão, todos os presentes no salão do júri puderam ver um quarto desarrumado, com bonecas e folhas de caderno espalhadas em cima da cama e a janela aberta. “Nada foi mexido neste quarto desde sábado (29 de março de 2008). Em meio a essa bagunça, fica claro que nada nele foi preparado pelo acusado para a chegada da filha (como afirmou Alexandre Nardoni)”, explicou a promotoria.

Dessa forma, o promotor tem a intenção de desmentir o depoimento do réu, que afirma ter colocado Isabella na cama, fechado a janela e descido para a garagem para buscar Anna Carolina Jatobá e seus outros dois filhos.

(Marina Dias e Nathália Goulart)

26/03/2010

às 19:16

“A defesa trabalhará com a dúvida até o fim”

No início da explanação, o promotor Francisco Cembranelli falou diretamente aos jurados, em tom muito baixo.  Mais uma vez, chamou a atenção para a desqualificação da defesa acerca da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística (IC). Reforçando o que já tinha dito em seu primeiro discurso, afirmou que em nenhum momento participou de uma negociação obscura juntamente com os advogados de defesa do casal Nardoni. “Se isso tivesse ocorrido, por que os policiais ou delegados presentes não denunciaram isso antes?”, questionou.

Cembranelli fez questão de desconstruir todos os argumentos do advogado de defesa Roberto Podval. “A polícia entrou na obra ao lado do edifício London e foi por isso que o pedreiro Gabriel Santos teve a falsa impressão de que a obra havia sido invadida. Isso não aconteceu. Foram apenas os policiais da investigação”. O promotor afirma que Podval quer achar uma solução para o caso, dizendo que alguém entrou na obra, pulou um muro alto e entrou no edifício onde morava o casal Nardoni, “subindo ao sexto andar e esperando alguma coisa acontecer. Isso não existe”.

Por fim, Cembranelli ainda lembrou que o questionamento de Podval sobre o fio de cabelo encontrado na tela de proteção da janela não tem nenhuma importância e, se tivesse, a defesa poderia ter pedido um exame de DNA na época do crime, o que não o fez. “A defesa trabalha com a dúvida e tenho certeza que ele (Podval) vai encerrar assim”, concluiu.

(Marina Dias e Nathália Goulart)

 

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