Blogs e Colunistas

Atirador de Realengo

11/04/2011

às 17:15

Policial volta à escola, mas evita a escada


Pela primeira vez desde a trágica quinta-feira, quando 12 estudantes foram assassinados na escola Tasso da Silveira, em Realengo, o terceiro sargento Márcio Alves voltou ao prédio. O policial militar transformou-se em herói ao balear o assassino Wellington Menezes de Oliveira, evitando que o maníaco chegasse ao terceiro andar da instituição.

Márcio Alves foi à escola a pedido do deputado federal Mendonça Prado (DEM-SE), para explicar como foi sua atuação no dia do massacre. “Quando estou em casa, fico o tempo todo tentando esquecer, mas venho para cá e tudo volta na minha cabeça”, contou o policial.

Apesar da disposição de explicar detalhadamente como agiu para impedir uma tragédia ainda maior, o militar não quis subir a escada onde baleou o atirador. “Naquele dia, subi as escadas para que isso não se tornasse a Columbine brasileira. Hoje não quis subir para não reviver tudo o que aconteceu”, disse.

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

11/04/2011

às 16:35

Na devolução de mochilas, mais comoção em Realengo

Nilza e os livros da neta: doação para a escola (Foto: Cecília Ritto)

Nilza e os livros da neta: doação para a escola (Foto: Cecília Ritto)

Para as famílias das vítimas da chacina de Realengo, a segunda-feira foi de mais comoção. A direção da escola municipal Tasso da Silveira passou a entregar aos pais e responsáveis pelos alunos as mochilas, cadernos, livros e demais pertences abandonados nas salas de aula. Os objetos são como uma ponte no tempo entre o momento da fuga desesperada na manhã da última quinta-feira, quando o maníaco Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola disparando contra os estudantes, e a dor dos enlutados de agora.

Nilza da Cruz, 63 anos, avó da menina Karine Lorraine de Oliveira, de 14 anos, recebeu da direção da escola a mochila da neta. Tudo impecavelmente limpo e organizado. Comovida, Nilza ainda tem a capacidade de pensar nos estudantes que sobreviveram e vão continuar sua trajetória. “Ela tinha muitos livros, cadernos. Só vou levar o caderno para a irmã mais nova. Os livros estão novos e alguém pode precisar. Para nós, não tem mais utilidade”, disse, à saída do prédio.

O muro da escola, transformado em uma espécie de memorial temporário de homenagem às vítimas, agora acumula flores castigadas pelo sol e papéis amarelados, com mensagens dirigidas aos que se foram. Antigos alunos se uniram em uma corrente que tentar transferir força para que a Tasso da Silveira seja reerguida. Entre as mensagens, está a de uma turma de 36 anos atrás: “Turma de 1975 – 40 anos depois, mesmo na dor, estamos unidos para fazer um novo começo”.

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

09/04/2011

às 9:46

Suspeitos de vender arma a Wellington estão presos

Isaías de Souza e Charleston Souza de Lucena são suspeitos de vender uma das armas do crime a Wellington de Oliveira, que matou 12 crianças em Realengo (Foto: Simone Marinho/Agência O Globo)

Isaías de Souza e Charleston Souza de Lucena são suspeitos de vender uma das armas do crime a Wellington de Oliveira, que matou 12 crianças em Realengo (Foto: Simone Marinho/Agência O Globo)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu dois homens suspeitos de negociar e vender uma das armas utilizadas por Wellington Menezes de Oliveira no massacre na escola em Realengo, zona oeste da cidade, na quinta-feira. A informação foi dada pela Divisão de Homicídios (DH), na madrugada deste sábado.

O chaveiro Charleston Souza de Lucena, que seria vizinho do assassino, e o desempregado Isaías de Souza foram detidos por policiais militares do 21º Batalhão, de São João de Meriti (Baixada Fluminense), no bairro de Santa Cruz, também na zona oeste. Os PMs foram informados por uma terceira pessoa sobre a conversa entre Charles e Isaías, na qual a dupla afirma que a arma vendida para o Sheik (apelido de Wellington, que usava barbas longas até dias atrás), estava “afiadinha”.

De acordo com a polícia, a negociação teria começado quatro meses antes do crime. Os dois suspeitos inicialmente negaram ter vendido a arma para Wellington, mas em depoimento acabaram confessando a venda. Na madrugada deste sábado, a Justiça concedeu o pedido de prisão preventiva da dupla. Um deles já tinha passagens pela polícia por porte ilegal de armas e uso de documento falso.

Preço – O revólver calibre 32 teria sido vendido por 260 reais, mas Charles e Isaías teriam ficado apenas com 30 reais cada. O nome que seria do dono do revólver, fornecido pela dupla ao delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Renato Ettore, aparece nos dados da polícia como desaparecido ou morto. O outro revólver está com a numeração raspada.

No dia do crime, o ex-chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro e deputado estadual pelo PT, Zaqueu Teixeira, afirmou que Wellington Menezes de Oliveira era um conhecedor de armas e passou por treinamento. Ele considerou impossível um leigo recarregar armas com a destreza demonstrada pelo assassino. “Com a minha experiência de policial, tenho certeza de que ele passou por treinamento. O modus operandi mostra que ele tem conhecimento de armas”, comentou.

(Com Agência Estado)

08/04/2011

às 19:34

‘Puros’ e ‘impuros’ esqueceram o corpo de Wellington

Wellington, em foto de documento

Wellington, em foto de documento

O assassino que friamente planejou e executou um massacre sem precedentes na história do Brasil, com 12 crianças assassinadas dentro da sala de aula, programou também como queria seu funeral. Em carta, Wellington Menezes de Oliveira exigia, entre outras loucuras, um lençol branco, e que “os impuros” não o tocassem.

Até o momento, ninguém, nem “puro” nem “impuro”, seja lá o que o perturbado assassino quis dizer com isso, reclamou seu corpo. E, se dentro de 15 dias ninguém se pronunciar, ele será enterrado como indigente – e aqui caberá um pedido de perdão a todos os indigentes, pela inclusão incidental do criminoso nessa classificação.

Wellington Menezes de Oliveira entrou para a história como o assassino de Realengo. Apesar da dura recordação que deixou aos brasileiros, ou exatamente pelo trauma que representa, sua família parece tentar esquecer desde já a tragédia e o envolvimento com o rapaz. Ninguém se lembrou de ir ao Instituto Médico Legal (IML) reclamar o corpo.

Encerrado o prazo de 15 dias para que a família procure o IML, Wellington será enterrado como ‘sepultado não reclamado identificado’. Esse é o novo termo usado para substituir a palavra indigente. Enquanto ninguém da família se manifesta, o corpo do assassino permanece na geladeira do instituto.

A primeira frase da carta deixada por Wellington era o pedido para que o seu corpo não fosse tocado por ‘impuros’ sem luvas. “Somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem luvas”, escreveu, antes de matar 11 crianças na escola municipal Tasso da Silveira. Ele também pediu que fosse enterrado nu e com um pano branco. “Os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco”, diz um trecho da carta.

As luvas estão sendo usadas. Não por qualquer consideração à solicitação do morto, mas por precaução do próprio IML. Também está nu, como regra do instituto. Os demais pedidos, como ser envolvido em um pano branco, só serão atendidos se alguém da família quiser enterrar o assassino.

No final da carta, usa a memória dos pais mortos para convencer os leitores a seguirem os seus desejos. “Eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que pedi.” Sem qualquer consideração pelos pais dos 11 jovens que morreram alvejados por ele, sua própria família ainda não se solidarizou com os pedidos finais do assassino.

Cecília Ritto e Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

08/04/2011

às 19:13

‘Vamos reconstruir essa escola’, diz diretor

O diretor Luiz Marduk passou os últimos 30 anos na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. O choque com o massacre operado pelo ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, em que 12 alunos terminaram mortos e outros 12 feridos pelos tiros o coloca, agora, em uma missão para a qual ninguém parece preparado o bastante. “Vamos reconstruir essa escola”, afirma o professor, que, por enquanto, não pensa em aposentadoria.

Marduk é do tempo em que bullying não era uma expressão conhecida – quando começou, sequer havia sido criada, tal como se entende hoje. E as brincadeiras que causam certo constrangimento a alguns alunos não eram vistas como a ameaça que hoje representam. “O bullying é um problema que não é novo, mas só começou a ser discutido agora. Deveríamos ter discutido isso há muito tempo. Hoje nós vivemos as conseqüências de um trabalho que não foi feito no passado”, analisa, com preocupação, diante das suspeitas de que Wellington, antes de cometer sua monstruosidade, pode ter amargado horas difíceis, agravadas por possíveis problemas mentais e por sua personalidade fechada, quase impenetrável.

A escola permanecerá fechada por pelo menos uma semana. Na próxima sexta-feira, direção, professores e representantes da Secretaria Municipal de Educação vão se reunir para decidir se há condições e clima para reabrir na segunda-feira seguinte.

Na tarde desta sexta-feira, o diretor, a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, e o ministro da Educação, Fernando Haddad, explicaram, no pátio da Tasso da Silveira, as providências de atendimento aos alunos, professores e famílias.

O fechamento da escola está descartado. E, como explicou a secretária, não há planos para isolar as unidades de ensino – o que, segundo Cláudia Costin, vai na contramão do que se entende como segurança para unidades de ensino. “Em primeiro lugar, é importante entender que o que aconteceu aqui aconteceria mesmo com porteiro armado. Não há proteção contra um psicótico que queira entrar em uma escola. O que não nos exime de refletir sobre infraestrutura e segurança. Todos os dias há incidentes referentes a segurança em instituições”, ponderou.

“Experiências internacionais mostram que quanto mais a escola for aberta à comunidade, mais segura ela é. O pior que pode acontecer no momento é resolver fechar a escola”, defendeu Cláudia Costin.

O atendimento psicológico e social aos alunos vai acontecer de forma individual, nas casas de cada um dos 999 alunos da Tasso da Silveira. Os professores receberão assistência de segunda a sexta, na escola.

O ministro da educação entende o episódio como uma tragédia que foge às possibilidades de prevenção. “Nenhuma escola ou outro espaço público estará preparada para uma coisa como esta. Uma pessoa doente, diagnosticada como tal, que se arma fortemente e retorna a um lugar que ela freqüentou para perpetrar um crime desses”, lamentou.

Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

08/04/2011

às 13:49

A romaria aos muros da escola Tasso da Silveira

O muro da escola Tasso da Silveira: homenagens às vítimas (Foto: Rafael Lemos)

O muro da escola Tasso da Silveira: homenagens às vítimas (Foto: Rafael Lemos)

Realengo é um bairro ferido. Na manhã desta sexta-feira, o muro da Escola Municipal Tasso da Silveira, onde ocorreu o massacre de 11 estudantes, transformou-se em ponto de romaria. Flores, faixas, homenagens e orações se repetem desde o início do dia.

Os nomes das crianças são exibidos junto a pequenos arranjos de flores. Uma grande inscrição pede “Paz”.

Um grupo de motociclistas, de uma cooperativa de entregadores, passa quase de hora em hora. Param em frente à escola, aceleram os motores e partem. É o único som que movimenta a atmosfera pesada da rua.

A romaria à escola Tasso da Silveira ocorre em meio a uma movimentação de peritos e de autoridades no município. Pela manhã, foram recolhidos objetos, amostras de sangue e feitas mais imagens do interior das salas onde ocorreu o massacre.

Do lado de fora, alunos da escola ainda tentavam se encontrar em meio à violência da manhã de quinta-feira. Luciana Araújo, 14 anos, aluna do 9º ano, escapou da morte. No momento do massacre ela estava na educação física. Uma dor em especial atormentava a estudante: ela perdeu a amiga Milena dos Santos. “Eu não admito que a minha melhor amiga me deixou. Tive que ir até a casa dela e vir aqui ao colégio para acreditar”, contava Luciana, desolada.

Jornalistas e guardas municipais que estavam em frente à escola precisaram socorrer Maria Madalena, de 73 anos. Ela é avó da menina Ana Carolina, última vítima identificada na noite de ontem. Confusa, ela foi até a escola em um ato desesperado, dizendo querer buscar a neta. “Ela era sempre a primeira a chegar à escola”, contava, enquanto era amparada.

Rafael Lemos, do Rio de Janeiro

08/04/2011

às 13:25

Enterro teve mais de 100 atendimentos médicos

Mais de cem pessoas precisaram de atendimento médico no Cemitério do Morundu, em Realengo, onde foram sepultadas na manhã desta sexta-feira duas das vítimas do assassino que invadiu a escola Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio. No local também foi velada uma terceira vítima, a menina Géssica Guedes Pereira. Ela será sepultada Às 15h, no cemitério de Ricardo de Albuquerque, também na zona oeste.

Para o enterro das meninas Laryssa Silva Martins, 13 anos, e Mariana Rocha de Souza, 12 anos, a prefeitura improvisou um posto de saúde com unidades móveis. Foram levados para o cemitério duas ambulâncias e uma tenda, com 25 profissionais de saúde, entre eles oito médicos.

Técnicos de enfermagem, psicólogos e assistentes sociais coordenavam os atendimentos. Oito pessoas precisaram ser removidas para uma clínica. Trinta pessoas receberam calmantes e anti-hipertensivos.

A mãe da menina Mariana, Maria José, foi uma das removidas. Depois de passar mal, ela não conseguiu acompanhar o enterro da filha.

Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro

08/04/2011

às 12:22

“Isso não é coisa de brasileiro, não é coisa nossa”, diz padrinho de Laryssa


Mais de mil pessoas se uniram às famílias de três meninas mortas no massacre de Realengo, na zona oeste do Rio, para os primeiros sepultamentos de vítimas da tragédia. No cemitério do Morundu, foram realizados na manhã desta sexta-feira os enterros de Laryssa Silva Martins, 13 anos, e Mariana Rocha de Souza, 12 anos.

O padrinho da Laryssa desabafou. “Ela não gostava de faltar a aula. Ia à escola mesmo doente, cheia de alegria. E um cara, com um tiro, consegue acabar com todos os sonhos dela e destruir a vida da nossa família. É uma atitude louca, de um sujeito que devia ver televisão o dia inteiro, e copiou as coisas que ele via no noticiário dos Estados Unidos. Isso não é coisa de brasileiro, não é coisa nossa. Nunca aconteceu uma coisa assim antes”, disse Gerson da Silva Guilherme, 45, motorista de ônibus.

Gerson, a mulher e as filhas estudaram na escola Tasso da Silveira. “Era um lugar perto de casa, onde passávamos com muita frequência. Soube disso tudo pela TV e entrei em desespero”, conta.

Irma de Laryssa, Camila Silva Martins, 21 anos, era a mais emocionada. Desesperada, ela balbuciava o nome da irmã enquanto recebia atendimento médico. “Me leve no lugar dela, meu Deus”, dizia. Mãe de Larissa, Maria José Silva também precisou de atendimento médico.

Parentes tentaram evitar que a mãe de Mariana visse o corpo. Mas ela fez questão de dar adeus à filha, e desmaiou. No Cemitério do Morundu também está sendo velada Géssica Guedes Pereira. Ela será sepultada Às 15h, no cemitério de Ricardo de Albuquerque, também na zona oeste.

O prefeito Eduardo Paes esteve nas capelas e prestou condolências às famílias. “O momento não é de palavras, mas de solidariedade”, disse Paes. “Ontem, quando cheguei em casa, meus filhos perguntaram o que ia acontecer com as crianças da escola”, disse o prefeito, que chorou.

Um helicóptero da Polícia Civil lançou pétalas de rosas para homenagear as vítimas.

Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro

07/04/2011

às 21:03

Sobe para 12 número de alunos mortos no Rio

Subiu para 12 o número de crianças mortas no massacre da escola Tasso da Silveira, em Realengo. No início da noite foi confirmada a 12ª morte – ainda não há o nome da vítima.

Dez das vítimas são meninas. Todos têm entre 12 e 14 anos. Uma delas apenas não tem identificação.

O assassino, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, também morreu, depois de ser baleado e, segundo a polícia, atirar contra a própria cabeça.

Os nomes confirmados são:

1- Karine Lorraine Chagas de Oliveira, 14 anos
2- Rafael Pereira da Silva, 14 anos
3- Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
4- Mariana Rocha de Souza, 12 anos
5- Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos
6- Bianca Rocha Tavares, 13 anos
7- Luiza Paula da Silveira Machado, 14 anos
8- Laryssa Silva Martins, 13 anos
9- Géssica Guedes Pereira (idade a ser confirmada com documento)
10- Samira Pires Ribeiro, 13 anos
11- Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos

07/04/2011

às 20:27

“Ele tinha um olhar transtornado”, diz policial


Chamado de herói pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, o policial militar que baleou o assassino de Realengo rejeita esse rótulo. “Evitamos uma tragédia ainda maior. Se ele chegasse ao quinto andar, haveria mais mortes. Mas agi com outros policiais e cumpri o dever que o estado me entregou”, disse, usando as formalidades militares de quem não está acostumado com os holofotes, o terceiro sargento Márcio Alves, do 14º Batalhão da PM (Realengo).

Márcio estava a duas quadras da escola municipal Tasso da Silveira, em uma blitz. A rotina de trabalho da manhã foi interrompida por um aluno baleado, que conseguiu chegar até a viatura da polícia e avisou: “Tem um homem atirando na escola”.

“Seguimos até a escola e ouvimos disparos no 2º andar. Quando subimos, ele vinha saindo de uma sala com a arma em punho. Ele apontou a arma em minha direção e eu efetuei o disparo. Consegui certar o tiro. Ele caiu e depois tirou a própria vida, atirando em sua cabeça”, contou o sargento.

“Ele tinha um olhar transtornado, mas determinado. Parecia que ir ao terceiro andar era um objetivo dele. Se chegasse lá, a tragédia seria maior”, conta o policial.

Márcio Alves teve pouco tempo de ver e entender a cena, ainda repleta de corpos e de feridos. Havia a suspeita de que outro criminoso estaria na escola. As crianças só foram liberadas depois que Alves, com os cabos Edinei Feliciano da Silva e Denílson Francisco de Paulo, terminou uma varredura no prédio.

No meio da debandada em desespero, uma menina, antes de fugir correndo, quis agradecer. “Ela subiu na cadeira e perguntou se podia me dar um beijo. Ela me beijou e saiu correndo”, contou Márcio.

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados