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Anna Carolina Jatobá

27/03/2010

às 1:40

‘Justiça’ e ‘Vitória’

Estrela da noite, o promotor Francisco Cembranelli saiu do Fórum de Santana para conceder uma entrevista coletiva e foi recebido aos gritos de ‘Justiça’ e ‘Vitória’ por dezenas de pessoas que aguardavam do lado de fora.

 ”Nada me abalou, a certeza que eu tinha sempre foi total de que o resultado seria alcançado”, afirmou aos jornalistas pouco antes de fazer uma análise de todo o julgamento. Disse que a defesa cumpriu o papel dela, dando condinções para que o júri pudesse atuar com dignidade. “Por melhor trabalho que tenham feito, as provas incriminavam os acusados e não podiam ser desprezadas.”

Uma das coisas mais dífíceis, na visão dele, foi recontar passo a passo a história da morte de Isabella para que os jurados pudessem entender tudo o que se passou e votar da melhor forma. Ele voltou a destacar o trabalho da perícia e da polícia nas investigações. Disse que não viu a reação dos réus quando receberam a sentença e que não acredita em modificação da sentença, mesmo com o recurso já apresentado pela defesa.

Sobre o clamor público, disse considerar normal que as pessoas se emocionem com casos como esse e  que pretende continuar atuando por muito tempo no Tribunal do Júri, por sentir que é mais útil à sociedade nessa função. “Resultados como o de hoje me incentivam”, afirmou.

No momento crucial, Francisco Cembranelli não se esqueceu de Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella. Fragilizada pelo longo período em isolamento no Fórum, ela não teve condições de comparecer ao anúncio da sentença. Como estava muito ansiosa por saber, porém, Cembranelli encarregou sua assistente de passar o resultado para ela por mensagem de celular.

(Mirella D’Ellia)

27/03/2010

às 0:30

Nardoni pega 31 anos de prisão, e Jatobá, 26

Após cinco dias de julgamento, o júri chegou ao veredicto: o pai, Alexandre Nardoni, e a madastra, Anna Carolina Jatobá, são os culpados pela morte da menina Isabella, de apenas 5 anos, em 29 de março de 2008.

Pelo homicídio triplamente qualificado da filha, Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, e Anna Jatobá, a 26 anos e 8 meses. O casal também foi condenado a mais 8 meses de prisão cada um em regime semi-aberto, além de 24 dias-multa, por fraude processual.

“As circunstâncias demonstram frieza emocional e insensibilidade dos réus”, disse o juiz Maurício Fossen, que decidiu também manter a prisão preventiva – ou seja, mesmo havendo recurso, o casal continuará preso.

Durante a leitura da sentença, os manifestantes que aguardavam o anúncio do veredicto começaram a comemorar a decisão tão logo o juiz pronunciou a palavra “culpados”. Os réus não choraram ao ouvir a condenação e mantiveram a cabeça erguida.

27/03/2010

às 0:14

À espera do veredicto

Manifestantes aguardam decisão do júri.

Foto: Agência Estado

Foto: Agência Estado

26/03/2010

às 22:09

As questões para os jurados

Ao final da tréplica da defesa, o juiz Maurício Fossen apresentou o questionário a ser respondido pelos jurados – na prática, será o penúltimo rito do julgamento. O corpo de júri terá uma hora para responder as questões, a contar das 22h, quando termina o recesso reservado ao jantar. Fossen apresentou questões relativas a cada um dos crimes de que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são acusados: homicídio triplamente qualificado e fraude processual. As respostas deverão se referir especificamente a um ou outro réu. Confira a seguir algumas das perguntas:

Para Alexandre Nardoni:
1) A vítima Isabella Nardoni foi submetida a processo de esganadura, provocando ferimentos, sendo essa uma das causas da morte?
2) Ela foi lançada pela janela a 20 metros de altura, sendo essa uma das causas de sua morte?
3) Foi Alexandre Nardoni quem lançou a vítima pela tela cortada da janela do apartamento?
4) Houve omissão de socorro por parte de Alexandre Nardoni?
5) Houve crueldade, já que depois de ferida a vítima foi lançadas pela janela?
6) Alexandre Nardoni mudou objetos de local, lavou roupas, limpou o sangue na cena do crime para induzir a perícia e os policiais a erro?
7) O jurado absolve o réu?

Para Anna Carolina Jatobá:
1) Anna Carolina Jatobá apertou o pescoço de Isabella praticando esganadura para que houvesse asfixia mecânica?
2) Anna Carolina Jatobá colaborou com a morte de Isabella?
3) Anna Carolina Jatobá prestou apoio moral a Alexandre Nardoni, tendo presenciado as agressões que ele teria cometido contra Isabella?
4) O jurado absolve a ré?

Depois de receber as respostas dos jurados, o juiz terá uma hora para elaborar a sentença do caso – que poderá ser conhecida por volta da meia-noite.

(Mirella D’Elia e Marina Dias)

26/03/2010

às 22:00

Literatura, cinema e imprensa

O advogado Roberto Podval mencionou autores de direito, filmes e até o trabalho da imprensa em seu apelos aos jurados para que absolvam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

O defensor fez um paralelo entre o estardalhaço em torno da morte de Isabella Nardoni e o filme A Onda, em que um professor explica para alunos que o próprio direito admitia o nazismo. “Talvez isso ajude a explicar por que o caso Isabella virou um caso tão diferente”, afirmou.

Podval também mencionou o clamor público e a cobertura da imprensa. “As pessoas lá fora clamam, a imprensa também clama, mas não viu (o crime). Talvez amanhã se diga que fizeram justiça”, declarou, olhando para os jornalistas na plateia.

O advogado estava rouco e visivelmente cansado.

(Mirella D’Elia e Marina Dias)

26/03/2010

às 21:31

“Ele não merece a dúvida da inocência

Ele foi econômico. Em apenas 45 minutos, o advogado de defesa Roberto Podval reforçou a estratégia de desqualificar a investigação da polícia sobre a morte de Isabella Nardoni. Questionou exames e perícias feitos ao longo do processo.

Em um dos pontos mais enfáticos, disse que não foram localizadas manchas de sangue na roupa de Alexandre Nardoni. “Pingou sangue em todo lugar, no apartamento inteiro, na roupa dela (Isabella). Na roupa dele (Alexandre) tinha que ter um pingo de sangue”, disse. “Ele não merece a dúvida da inocência”, completou, olhando fixamente para os jurados.

O defensor disse que estava “apelando para a consciência” do júri e que havia “absoluta ausência de provas”. E pediu a absolvição dos réus.

Logo depois que a sessão foi suspensa, o pai de Alexandre, Antonio Nardoni foi visto chorando copiosamente nos corredores do Fórum de Santana. A irmã de Alexandre, Cristiane, também chora muito e é amparada por familiares. A família de Ana Carolina de Oliveira está sentada bem perto.

(Mirella D’Elia)

26/03/2010

às 21:15

Número de manifestantes aumenta

Por volta das 20h30, o número de pessoas que se aglomeravam em frente ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, só aumentava. Já eram centenas de manifestantes com faixas e cartazes gritando por “justiça” e xingando o advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval. Policiais militares fazem a segurança reforçada neste que deve ser o último dia de julgamento.

Chama a atenção o número de crianças que estão em frente às portas fechadas do Fórum, grudadas na grade e também aos berros. Um homem tentou pular o portão, mas foi impedido pelos policiais imediatamente. No momento, apenas a imprensa tem acesso ao interior do Fórum.

(Cecília Araújo e Marina Dias)

26/03/2010

às 21:15

Defesa usa apenas 45 minutos da tréplica

O advogado de defesa Roberto Podval tinha direito a duas horas de tréplica, mas decidiu ser breve em sua última participação antes dos jurados decidirem se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são culpados ou inocentes da morte de Isabella Nardoni. Ele iniciou sua última explanação às 20h15 desta sexta e, pontualmente às 21 horas, encerrou a tréplica.

O juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, determinou pausa de uma hora para o jantar. A partir das 22 horas, os jurados devem se reunir para decidir o futuro do casal Nardoni. Eles terão prazo de uma hora para dar o veredicto. Depois, o juiz terá mais uma hora para elaborar a sentença.

(Marina Dias e Mirella D’Elia)

26/03/2010

às 20:43

Fim do julgamento deve atrasar

A tréplica da defesa do casal Nardoni teve início às 20h15 desta sexta-feira, depois de um pequeno intervalo da réplica do promotor Francisco Cembranelli. O tempo esperado para a fala do advogado Roberto Podval é de duas horas e, em seguida, após um intervalo de uma hora para o jantar, os jurados deverão se reunir em uma sala secreta para decidirem se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são ou não culpados pela morte de Isabella.

Essa reunião deve levar pelo menos uma hora e estava prevista para ter início às 22h30. No entanto, os trabalhos no Fórum de Santana estão atrasados e o início da elaboração da sentença do juiz Maurício Fossen, que também deve levar uma hora, deve começar após às 23h30.

(Marina Dias)

26/03/2010

às 20:38

Cronograma do crime

Para finalizar sua réplica, o promotor Francisco Cembranelli insistiu em apresentar o cronograma do dia do crime. Segundo ele, a linha do tempo começa às 23h30 do dia 29 de março de 2008, quando o celular de Anna Carolina Jatobá vibrou e a ré pensou que seria uma ligação de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni.

Às 23h36, o Ford Ka, veículo do casal acusado, foi desligado e, logo depois - sem tempo cronometrado -, o vizinho escutou uma criança gritando “para, pai”. Nesse momento da explicação de Cembranelli, o advogado de defesa Roberto Podval interferiu dizendo que não havia como saber de quem eram os gritos. “Exigem que a perícia seja mágica, não muda nada se o grito era de Isabella ou de seu irmão, Pietro”, pontuou o promotor. “A defesa se apega a detalhes que nós só teríamos se tivessemos filmado o crime”, completa.

Para Cembranelli, a queda de Isabella Nardoni ocorreu às 23h49 e, alguns centésimos de segundos depois, o vizinho ligou para a emergência. “O único que não ligou para a polícia foi o réu. Ele ainda teve tempo de pedir ligações para a família. Se fosse eu, teria descido pela janela, mas o réu não socorreu a filha, ficou discutindo sobre um possível furto e ele e Jatobá partiram para a agressão contra o porteiro”, explica o promotor.

O advogado de defesa questionou o fato de a polícia ter dado ou não o horário correto das ligações de emergência feitas no dia do crime. Cembranelli, porém, manteve a posição de cronometrar a noite daquele sábado, afirmando que não seria possível Alexandre estar fora do apartamento na hora em que Isabella foi jogada pela janela.

Por fim, o promotor ainda lembrou que um dos advogados de defesa, “senhor Levorin”, prometeu deixar o caso quando tivesse certeza de que a culpa era dos réus – “e ele deixou”. Podval protestou nesse momento, alegando deselegância por parte do promotor. O juiz Maurício Fossen precisou intervir nas provocações entre promotoria e defesa.

O promotor terminou sua fala com frases de efeito. “Para Anna Jatobá, no momento da esganadura, Isabella era a miniatura de Ana Carolina Oliveira [...] Me desculpem os excessos, mas esse é um caso ao qual me apeguei”.

(Gabriele Jimenez e Marina Dias)

 

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