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amistoso

07/06/2011

às 23:56

Seleção perde Ronaldo, mas ganha o jogo – e uma chance de ver encontro único entre passado e futuro, com Neymar

Neymar e Ronaldo: dupla afinada (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)

Neymar e Ronaldo: dupla afinada (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)

O placar não importava tanto; o desempenho, também não – pelo menos para a torcida, que foi ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite desta terça-feira, para se despedir de Ronaldo. No fim das contas, o saldo até que foi positivo. A seleção brasileira perdeu seu segundo maior artilheiro, que se despediu numa participação marcante – curiosamente, não pelos gols que fez, mas sim pelos que deixou de marcar. O time do técnico Mano Menezes, porém, ganhou o amistoso contra a Romênia, 1 a 0, gol de Fred, ainda no começo da partida, e também uma chance única: a de presenciar, ao mesmo tempo, o passado e o futuro da seleção. Isso porque a dupla Ronaldo e Neymar, que durou pouco mais que 15 minutos e jamais voltará a ser reeditada, funcionou muito melhor do que qualquer um imaginava. O mais promissor jogador brasileiro da atualidade costurou três jogadas de gol para o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Ronaldo perdeu as três, mas ficará na lembrança o entrosamento instantâneo entre os dois. Com Ronaldo já fora de campo, o segundo tempo fez jus à classificação de amistoso, com muito pouco a oferecer à torcida – que preferiu continuar gritando o nome de Ronaldo. A seleção volta a se reunir dentro de algumas semanas – agora para disputar uma competição oficial, a Copa América, na Argentina.

A definição da lista de convocados para o torneio, aliás, era uma das expectativas da noite para os jogadores. Uma das dúvidas do técnico Mano Menezes, tanto para o amistoso como para a Copa América, era a posição de armador – e ele surpreendeu colocando Jadson na função que foi de Elano no amistoso anterior, como homem mais avançado entre os três ocupantes do meio (no treino, ele tinha ensaiado Henrique na função). O meia do Shakhtar, da Ucrânia, decepcionou na sua primeira chance, no amistoso contra a Escócia, em Londres – tímido demais, deu lugar a Lucas. Nesta terça, porém, o atleta revelado pelo Atlético-PR apareceu muito mais. Logo aos 3 minutos, por exemplo, foi derrubado na entrada da área – a arbitragem deu só falta, não pênalti. Aos 8, Jadson acionou Neymar pela esquerda, mas o novo astro da seleção teve seu chute bloqueado. E aos 11, ele puxou um contra-ataque que deixou Neymar frente a frente com o goleiro – o camisa 11 chutou por cima. Neymar voltou a levar perigo aos 18 minutos, entortando um zagueiro no lado esquerdo da área e levantando para Fred soltar um voleio, que não levou perigo. Aos 21 minutos, depois de tanto ameaçar, o Brasil enfim abriu o placar. Maicon subiu pelo lado esquerdo e virou para Neymar na esquerda. Ele fez uma linda finta e acionou Fred, quase embaixo do travessão, só completar.

Em vantagem no placar e com liberdade para jogar, a seleção passou a aprontar o terreno para a entrada do dono da festa. A torcida já gritava seu nome desde os 15 minutos – e enquanto o jogo corria, o telão do Pacaembu mostrava Ronaldo no vestiário, se aquecendo, sempre com a companhia dos filhos, Ronald e Alex. Às 22h22 desta terça, aos 27 minutos de partida, Ronaldo subiu ao gramado – e deixou tudo o que se passava em campo em segundo plano. Com todos os olhares direcionados à lateral do gramado, Fred, o autor do gol, foi o escolhido para dar o lugar ao maior artilheiro da história das Copas. A equipe passou a buscar Ronaldo sempre que possível. Ele demorou a pegar na bola, mas aos 33, depois de um cruzamento rasteiro de Neymar, o Fenômeno finalizou na pequena área – só para o goleiro Tatarusanu rebater e fazer o papel de estraga-prazeres da festa. Aos 39, Ronaldo teve uma chance mais clara ainda, de novo graças a Neymar, que iniciou o lance. Recebeu de Robinho a bola limpa, na altura da marca do pênalti, e bateu de chapa, com o pé direito, seu melhor. Isolou a bola – e caiu na gargalhada. Aos 41, Neymar – de novo – disparou pela ponta e ainda esperou Ronaldo chegar antes de cruzar, para o Fenômeno chutar rasteiro – e de novo esbarrar no goleiro romeno.

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Foi a última chance de gol de um artilheiro que ficou marcado por aproveitá-las ao máximo. E o último lance importante da primeira etapa, concluída com o início da homenagem programada para durar todo o intervalo. Ronaldo deu volta olímpica, vestiu a bandeira brasileira, falou um “muito obrigado” e fechou um capítulo da história da seleção. Enquanto descia ao vestiário, a seleção voltava ao gramado – com Nilmar na vaga que era do Fenômeno -, com a tarefa de assegurar a vitória, tentar ampliar o placar e deixar uma boa impressão antes de se apresentar para a disputa da Copa América, em julho, na Argentina. A temperatura do jogo, porém, despencou. Neymar, Robinho e Jadson ainda tentavam acelerar o ritmo da partida, mas os lances mais contundentes eram raros. A seleção encaixou dois belos ataques – aos 17, com Nilmar, em um chute rasteiro defendido pelo goleiro, e aos 18, de novo com Nilmar, de novo com defesa de Tatarusanu. Aos 21, Lucas, que vinha sendo pedido pela torcida, entrou – mas no lugar de Robinho, troca que desagradou à torcida. Era chegada a hora de dar alguns minutos de jogo a quem ainda não tinha atuado desde o amistoso anterior, como Luisão e Thiago Neves. Desentrosados, os substitutos tentaram mostrar serviço, mas sabiam que a noite não era deles, e sim de quem já estava no vestiário havia um bom tempo.

(Giancarlo Lepiani)

04/06/2011

às 18:10

Depois de um começo morno, vaias e Neymar despertam o Brasil. Mas a Holanda segura o empate no Serra Dourada

Robinho testa Krul: holandês fechou o gol (Foto: Weimer Carvalho/Folhapress)

A seleção brasileira não jogava no país desde 2009, quando frustrou sua torcida com um empate sem graça contra a Venezuela, por 0 a 0, em Campo Grande. O reencontro com o público brasileiro, neste sábado, não foi muito diferente: outro empate sem gols, desta vez contra a Holanda, no Estádio Serra Dourada, diante de 36.449 pessoas. A má notícia para o técnico Mano Menezes, que fazia sua primeira partida como comandante da seleção no país, foi a cobrança exagerada da torcida – o Brasil não jogou mal, e ainda assim acabou sendo vaiado. No primeiro tempo, o público até teve motivo para chiar: a seleção apresentou um futebol modesto demais para quem pensa em ser campeão da Copa América e, mais adiante, da Copa do Mundo de 2014, como anfitrião. Depois das vaias no fim da etapa inicial, a seleção despertou – principalmente por causa de Neymar, que acendeu o time e chegou a levantar as arquibancadas. Mas nem o talento do jogador mais promissor da nova geração do futebol brasileiro foi capaz de alterar o placar. No apito final, novas queixas da torcida goiana, que reclamou do empate com mais uma forte vaia. Agora, o time de Mano embarca rumo a São Paulo, onde pega a Romênia, na terça, no amistoso de despedida de Ronaldo.

Para o jogo do Pacaembu, fica pelo menos uma lição: o Brasil precisa começar o jogo sem o freio de mão puxado. A partida começou truncada, com o meio-campo embolado e poucas jogadas trabalhadas no ataque. A Holanda, com desfalques importantes, principalmente Sneijder – o cérebro da equipe e o maior destaque laranja na última Copa -, tentava se organizar no gramado com um quarteto ofensivo formado por Affellay, Kuyt, Van Persie e Robben. Affellay e Van Persie jogavam mais centralizados, buscando mais o jogo no meio e acionando Kuyt, pelo lado esquerdo, e Robben, no direito. Os holandeses, porém, demoraram a se entender. Enquanto isso, o Brasil, que estreava nova formação, com Robinho e Neymar abertos pelos lados, também tinha problemas para conseguir criar chances de gol. Na melhor delas, aos 12 minutos, Ramires empurrou para o gol completando um cruzamento, mas o lance acabou sendo invalidado por causa de um impedimento bastante difícil de ser marcado. A falta de entrosamento começou a ser amenizada por volta dos 20 minutos, numa etapa do jogo em que o duelo ficou bem mais aberto – as duas equipes passaram a agredir muito mais, dando trabalho aos defensores.

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O primeiro susto para o Brasil veio aos 21, quando Affellay conseguiu ficar cara a cara com Júlio César. O goleiro brasileiro fez uma grande defesa. Júlio brilhou mais uma vez aos 29 minutos, mais uma vez contra Affellay, que soltou uma bomba e exigiu grande reflexo do camisa 1. O sistema defensivo do Brasil trabalhava duro para dar conta do quarteto de frente holandês. No ataque, a firme marcação dos volantes De Jong e Strootman, ajudados pelos laterais Van der Wiel e Pieters, barrava as tentativas de Neymar e Robinho. A Holanda seguia conquistando mais chances: aos 37 minutos, após cobrança de falta, Van Persie subiu livre na área para escorar de cabeça, mas o atacante do Arsenal mandou para fora. O lance lembrou a jogada que proporcionou a virada holandesa na Copa do Mundo da África do Sul. Ainda no primeiro tempo, a torcida começou a gritar o nome do jovem Lucas, revelação do São Paulo. E no fim da primeira etapa, a seleção desceu para o vestiário sob vaias. Um final decepcionante para os primeiros 45 minutos da seleção de Mano Menezes jogando em território nacional.

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O início da segunda etapa prometia um Brasil muito melhor. Com menos de um minuto, Neymar invadiu a área, deu uma cavadinha e quase enganou o goleiro Krul – já caído, ele conseguiu espalmar. Apenas três minutos depois, Neymar voltou a levar perigo aos holandeses: ele recebeu no lado esquerdo da área e disparou firme, rasteiro. Krul deixou escapar e Fred quase pegou o rebote. Neymar botou fogo no jogo de vez ao dar um chapéu num zagueiro holandês e iniciar outra jogada perigosa. E aos 9 minutos, puxou um ataque que terminou com Ramires invadindo a área e cruzando com perigo – Fred não alcançou. Nos minutos seguintes o Brasil aumentou ainda mais a pressão, enfim levantando a torcida. O lance mais inacreditável desse bombardeio brasileiro aconteceu aos 14 minutos, quando Robinho soltou uma bomba à queima-roupa em Krul. A bola desviou no pé do goleiro e passou por baixo das pernas dele, abafando o tiro e dando tempo para a zaga afastar o perigo e impedir a conclusão de Fred. A pressão era tamanha que o técnico holandês Bert van Marwijk resolveu transformar a equipe.

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De uma só vez, saíram De Jong, Kuyt e Van Persie para a entrada de Maduro, Elia e Huntelaar. Mas Mano Menezes não quis dar tempo para a Holanda se achar em campo e também mexeu no Brasil: colocou Lucas no lugar de Elano e Sandro na vaga de Lucas Leiva. Mas quem continuava brilhando era Neymar. Aos 23 minutos, Daniel Alves cruzou da direita e o jovem craque pegou em cheio na bola. O goleiro holandês pegou no susto. Leandro Damião substituiu Fred, que não agradou à torcida goiana, e Elias ocupou a vaga de Robinho, mudando a formação da equipe. Neymar passou a ocupar o lado esquerdo, e Lucas, a faixa direita, com Elias mais avançado no trio de volantes. Cansada e sem inspiração, a Holanda ameaçava pouco, mas ainda contava com as arrancadas de Robben – que, num pique pelo lado direito, foi atingido por Ramires. O volante já tinha levado um cartão amarelo em lance bobo no primeiro tempo e acabou sendo expulso. Foi o que bastou para a Holanda reequilibrar o jogo, mantendo a posse de bola por mais tempo e empurrando o Brasil para seu campo defensivo. E foi o que acabou confirmando o placar de 0 a 0 – o segundo consecutivo nos jogos da seleção em casa.

(Giancarlo Lepiani, de Goiânia)

 

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