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Arquivo da categoria Terremoto e tsunami no Japão

16/03/2011

às 20:40

Cônsul do Japão diz que dekasseguis não querem voltar

O cônsul-geral do Japão no Brasil, Kazuaki Obe, afirmou nesta quarta-feira não haver demanda por parte dos dekasseguis para retornar para seu país de origem. Obe explicou que, apesar de somarem 260 mil pessoas, os brasileiros se concentram nas regiões oeste e leste do Japão. O terremoto e o tsunami da última sexta-feira devastaram o nordeste do país.

Leia também: Apesar dos receios, dekasseguis querem ficar e trabalhar

Não há registro de brasileiros entre os mortos, mas uma missão do consulado do Brasil no Japão já resgatou 26 brasileiros da região atingida pelas águas. “Não tenho informação de uma grande quantidade de pessoas querendo retornar ao Brasil”, disse o cônsul.

Kazuaki Obe e outros sete representantes da comunidade japonesa no Brasil reuniram-se no início da noite com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado.

O governador convocou os enviados para prestar solidariedade ao povo japonês. Alckmin colocou-se à disposição para divulgar o número de uma conta corrente que receberá doações em dinheiro para as vítimas do tsunami. A conta será criada nos próximos dias pela Cruz Vermelha. “Como a distância até o Japão é muito grande, não temos como ajudá-los com mantimentos”, explicou.

Risco nuclear – O cônsul japonês mostrou confiança no trabalho das equipes que tentam impedir o vazamento de material radioativo da usina de energia nuclear de Fukushima. “O governo japonês e a empresa envolvida nesse incidente estão fazendo toda a força para evitar a crise”, disse Obe. “A gravidade não chega ao nível do risco de afetar diretamente a saúde dos humanos. A informação que tenho é de que o risco está controlado. Temos de ter calma.”

(Carolina Freitas, de São Paulo)

16/03/2011

às 10:37

Apesar dos receios, dekasseguis querem ficar e trabalhar

Não bastasse o medo dos tremores, das ondas gigantes e da radiação, os dekasseguis temem uma nova crise econômica. A fábrica de peças de copiadoras para a qual Adriana Ferrari trabalha está praticamente parada desde segunda-feira. A brasileira, de 31 anos, recebe por hora trabalhada, assim como a maioria dos dekasseguis. Ela só voltará a trabalhar na próxima segunda-feira.

Por sorte, os dias de descanso forçado serão descontados das férias e Adriana não levará prejuízo no final do mês. Só não poderá descansar mais. Ela teme, no entanto, que o ritmo de produção da fábrica continue em marcha lenta. “Não tenho comprado nada além de comida, papel higiênico, coisas de necessidade. Preciso economizar”, conta. Apesar dos receios, Adriana garante que não deixará o Japão. “Estou aqui e vou ficar. Vou enfrentar mais essa crise.”

Daniel Omura, de 40 anos, é recrutador de mão-de-obra brasileira para as fábricas da província de Gunma, a noroeste de Tóquio. Otimista, ele tenta tranquilizar outros dekasseguis, dizendo que a situação voltará ao normal. “Sei que minha opinião parece fria, mas não adianta se desesperar.” Segundo Daniel, as centenas de operários que ele emprega continuam trabalhando no mesmo ritmo. A diferença é o horário de entrada e saída, agora modificado diariamente por causa do racionamento de energia.

A falta de combustível é outra preocupação. Sem gasolina, as peças não chegam, e isso certamente prejudicará a produção. Planejar o orçamento doméstico e se preparar antes de deixar o país são os conselhos de Daniel. “Voltar para o Brasil às pressas vai custar mais caro”, garante.

(Karina Almeida, de Ebina, Kanagawa)

16/03/2011

às 10:31

Informações para os brasileiros – e em português

Sabendo que grande parte dos imigrantes não domina o idioma japonês, o governo do Japão preparou um material informativo em diversas línguas, incluindo o português.

Além da relação de links dos órgãos oficiais, há alertas contra golpes, como correntes de e-mails com informações falsas. Segundo o documento, essas mensagens estão circulando pela internet e deixando a população em pânico.

O governo japonês pede que as pessoas desconsiderem as correntes e repassem apenas informações oficiais. Outro pedido é que todos colaborem no racionamento de energia elétrica.

Para conferir o documento na íntegra, basta clicar no link da página oficial (o arquivo é no formato PDF).

(Karina Almeida, de Ebina, Kanagawa)

16/03/2011

às 5:31

Em Shizuoka, medo é do Grande Terremoto de Tokai

Inês: "Não consigo dormir, nem comer direito e já avisei ao meu chefe que não vou trabalhar mais”

Enquanto a população dos arredores de Tóquio teme uma tragédia nuclear, na província de Shizuoka, um pouco mais ao sul do país, o medo é de que tenha chegado a hora do Grande Terremoto de Tokai.

O tremor de 6,4 graus na Escala Richter ocorrido por volta das 22h30 (10h30 no horário de Brasília) de terça-feira, na cidade de Fujinomiya, deixou a população em alerta. Apesar de aparentemente tranquilos, muitos japoneses buscaram abrigo nas áreas de refúgio e os brasileiros seguiram os passos deles.

De malas prontas para o Brasil – Inês Higuti, de 49 anos, moradora de Fujinomiya, ficou apavorada e no dia seguinte estava com a passagem de ida para o Brasil em mãos. “Chorei muito. Não consigo dormir, nem comer direito e já avisei ao meu chefe que não vou trabalhar mais”, conta.

Na sexta- feira, 11, quando aconteceu o terremoto seguido de tsunami em Miyagi, Inês já havia cogitado a ideia de deixar o Japão. Ver todas as louças, eletrônicos e demais pertences quebrados ou caídos no chão, quatro dias depois, foi a gota d’água. “Parece uma cadeia de tremores, tenho muito medo. Olho para o Monte Fuji (vulcão adormecido), aqui pertinho de casa, e tenho receio de que aconteça algo ainda pior”.

Claudio: apesar da tensão, confiança no sistema de alerta japonês

Claudio Endo, de 41 anos, confia no trabalho dos especialistas japoneses. “Ficamos tensos quando começa a acontecer um terremoto atrás do outro. Mas ouço os especialistas explicando que isso não tem nada a ver com o Terremoto de Tokai, e me sinto mais tranquilo”.

Endo fica de olho nas informações divulgadas pela TV e sabe para onde correr, caso haja necessidade. No entanto, antes de pensar em fugir para um abrigo, ele checa a intensidade do tremor e as orientações das autoridades. Há 16 anos em Shizuoka, o brasileiro nunca precisou sair correndo de casa. “O que me dá mais segurança é a eficiência desse sistema de aviso não só pela TV, mas também pelo celular”.

Em tempo: o Grande Terremoto de Tokai é um terremoto que pode passar de 8 graus na Escala Richter e costuma ocorrer a cada 100 ou 150 anos, na região de Tokai (províncias de Shizuoka, Aichi, Gifu e Mie) – a de maior concentração de brasileiros. O último foi há 157 anos, por isso, os especialistas acreditam que ele pode acontecer a qualquer momento. O Monte Fuji chegou a expelir fumaça.

(Karina Almeida, de Ebina, Kanagawa)

15/03/2011

às 12:55

Prestadores de serviços pedem desculpas à população

Em condições normais, os japoneses impressionam pela excelência na prestação de serviços. Agora, diante de uma tragédia sem precedentes, mantêm a mesma postura. Faltam comida, energia, gasolina e o sistema de transporte público está comprometido. No entanto, não há notícias de baderna, quebradeira, nem sequer reclamações.

Devido ao racionamento de comida, por exemplo, supermercados e lojas de conveniência exibem cartazes com pedidos de desculpas. “O que mais me impressiona é a preocupação em se explicar ao cliente o que está acontecendo. Eles agem como se tivessem culpa por não poder oferecer os produtos de sempre”, diz o tradutor brasileiro Julio Cesar Caruso, de 35 anos, que trabalha em Tóquio.

Para evitar um apagão, a Tepco, companhia de energia elétrica de Tóquio, implantou um sistema de rodízio. Cada bairro fica sem energia por cerca de três horas por dia, e os moradores são avisados com antecedência. A ideia é que todos economizem um pouco para que não falte para ninguém.

Mesmo com os semáforos desligados, o trânsito flui sem transtornos, graças ao trabalho dos policiais nos principais cruzamentos. O serviço de emergência das operadoras de celular é outro exemplo. O assinante pode gravar em seu aparelho uma mensagem, dizendo estar bem ou informando sua localização: ela será ouvida mesmo quando as linhas estiverem congestionadas.

“Também fiquei impressionado com a eficiência da companhia de gás”, conta Caruso. Por causa do grande terremoto, o abastecimento foi desligado automaticamente. Sem saber disso, Caruso entrou em contato com a companhia e ouviu a explicação em uma gravação eletrônica. “Primeiro, ouvi um pedido de desculpas pelo fato de as linhas estarem ocupadas. Em seguida, um aviso dizendo que o gás foi desligado pelo sistema de segurança e a orientação para religá-lo.”

(Karina Almeida, de Ebina, Kanagawa)

15/03/2011

às 12:17

Dilema dos moradores de Tóquio: ficar ou partir

Em meio a especulações sobre as explosões na usina nuclear de Fukushima, os moradores da região metropolitana de Tóquio estão confusos e divididos. “O governo pode estar escondendo a verdade para que nós não entremos em pânico”, diz Tomoe Habara, de 33 anos.

Funcionária de um banco na capital japonesa, Tomoe está atenta e não desliga o rádio nem para dormir. No entanto, ela prefere não tomar nenhuma atitude radical antes de ter certeza do que está acontecendo. “Eu poderia voltar para a casa da minha mãe em Osaka (cerca de 500 quilômetros ao sul de Tóquio), mas já tenho a minha vida em Tóquio e preciso pensar também no trabalho”, justifica.

Por enquanto, a bancária apenas segue as medidas preventivas para se proteger da radiação. “Quando saio de casa, uso máscara e não deixo a minha pele exposta. Só não sei se isso funciona.”

Uma família de Tóquio, que pediu para não ser identificada, botou o pé na estrada logo depois de saber da terceira explosão em Fukushima. O pai, a mãe e o filho abandonaram o trabalho e partiram às pressas para a região Shikoku, ao sul do país. Como não havia combustível, eles deixaram o carro para trás e viajaram de trem-bala. A família nem pensa em voltar a morar nos arredores da capital japonesa ou de Fukushima.

Mai Mizuno, 33 anos, gostaria de fazer o mesmo. “Estou com medo e quero ir para Osaka, ficar na casa de amigos. Mas tenho que trabalhar. Se o meu chefe pensasse nos funcionários, ele fecharia o escritório”, lamenta. Mai contou a VEJA.com que seus amigos espanhóis no Japão estão voltando para a Espanha por causa do alerta nuclear. “Se você puder, vá para o sul do Japão ou para outro país”, aconselha.

(Karina Almeida, de Ebina, Kanagawa)

14/03/2011

às 12:32

Medo de contaminação por radiação se espalha em Sendai

O medo da população de Sendai se agravou após a última explosão na usina nuclear de Fukushima, ocorrida nesta segunda-feira. O medo de contaminação por radiação, antes restrito à área litorânea, agora se espalha por toda a região de Kanto, que inclui Tóquio. A capital está em alerta.

As informações são desencontradas e crescem os boatos por toda a parte. A insegurança é alimentada também pela falta de combustível, que dificulta ainda mais a locomoção da população – já que os serviços de transporte coletivo foram suspensos. Já falta até querosene, que, na situação de emergência, servia para o abastecimento dos veículos.

Os habitantes da cidade lidam com a situação e o isolamentos a duras penas. Em uma escola pública, onde cerca de 400 moradores estão abrigados, a prefeitura só consegue fornecer comida para café da manhã e jantar. O suprimento para o almoço depende de doações da vizinhança – que, é claro, também sofre com a escassez de comida. Falta energia elétrica e água.

“Usamos água da piscina para dar descargas nos banheiros. Para beber, contamos com doações do Exército”, disse a coordenadora do serviço de emergência da escola. “Ainda que essas pessoas sintam medo da possível contaminação nuclear, elas não têm ideia de como sair dali.”

(Karina Almeida, de Sendai, Miyagi)

14/03/2011

às 1:43

Moradores de Sendai vivem cenário de caos e destruição

Na manhã desta segunda-feira, 14, horário local (domingo à noite, horário de Brasília), Yumi Ninuma, 26 anos, caminhava pensativa e sem rumo pelas ruas de Sendai, Miyagi. Sem saber o paradeiro dos pais, desde o dia 11, a jovem japonesa contou ao site de VEJA que está de mãos atadas. A única coisa que pode fazer é aguardar informações. “Não consigo entrar em contato com eles, nem posso ir até Iwate, onde estão, porque não há transporte”, lamentou.

Outros moradores transitam pelas ruas, como se estivessem tentando esquecer a tragédia e retornar à vida de antes. “Eu ainda posso voltar para casa. A maioria perdeu tudo, por isso, posso dizer que estou feliz”, disse Yumi, que tem esperança de encontrar os pais vivos e seguros.

Sem policiamento, veículos e lojas largados após o tsunami tornaram-se alvo de saqueadores que carregam seus porta-malas, discretamente, com as peças roubadas.  Enquanto isso, os policiais formam fila num posto de gasolina para abastecer os veículos oficiais.

Já as sirenes dos carros de bombeiros não param de tocar. Novos focos de incêndio surgem a todo instante, deixando os sobreviventes ainda mais apreensivos.

Na sede da Prefeitura de Sendai, um auditório grande foi transformado em sala de espera para aqueles que buscam notícias dos parentes desaparecidos. O clima é de tensão e muitos deixam o local chorando, após verem seus entes queridos entrarem na lista de mortos.

Para que a capital de Miyagi volte a ser lembrada por sediar o maior Festival das Estrelas do Japão, o famoso “Tanabata Matsuri”, não bastará limpar as ruas cheias de lama e carros destruídos.

Karina Almeida, de Sendai, Miyagi

13/03/2011

às 11:01

A viagem difícil de Tóquio para Sendai

(Foto: Karina Almeida)

Em condições normais, a viagem de Tóquio a Sendai, capital da província de Miyagi, levaria cerca de quatro horas. Com o desastre de sexta-feira, porém, o mesmo percurso dura mais de 24 horas. As rodovias expressas estão fechadas por questões de segurança – no momento são usadas exclusivamente pelos veículos de emergência. Trens e aviões estão suspensos. A única opção de viagem, portanto, passou a ser as rotas secundárias.

Hemerson Daniel, 38 anos, motorista que leva a equipe de VEJA.com de Tóquio para a cidade mais atingida pelo Tsunami, esperava uma viagem mais longa. “Até Fukushima, a estrada está melhor do que eu esperava. Com rachaduras, mas não muitas, e um congestionamento razoável. Mas daqui para frente, certamente, vai ser mais difícil”, diz o brasileiro, que há 20 anos trabalha como caminhoneiro no Japão e conhece bem as estradas do país.

Encontrar um motorista que aceitasse fazer a viagem não foi fácil. A recomendação de autoridades locais é ficar o mais longe possível de Sendai e, principalmente, de Fukushima, onde está a usina nuclear. Alugar um carro é outra coisa quase impossível nesse momento. As diversas agências japonesas não têm veículos disponíveis – não por falta de opções, mas por excesso de procura. “Muitos carros deveriam ter sido devolvidos, mas temos clientes que viajaram para o Norte do país antes do terremoto e não conseguiram retornar. Outros preferem ficar mais tempo com o carro, já que o transporte coletivo está comprometido”, explicou a atendente de uma agência em Utsunomiya.

A falta de combustível é outro receio dos que se arriscam a fazer a viagem. Quase todos os postos de gasolina da região estão fechados ou em racionamento. Experiente, Daniel comprou galões de querosene para substituir o óleo diesel da van, em caso de emergência. “Sei que não é permitido usar querosene para fazer o carro andar, mas seria uma alternativa e também serve como aquecedor”, justifica. Com a previsão do tempo indicando 3 graus em Sendai, neste domingo, o ar quente será mesmo indispensável.

(Karina Almeida, de Motomiya, Fukushima)

(Foto: Karina Almeida)

12/03/2011

às 17:05

Após tremor e tsunami, alerta nuclear assusta população

Dois dias depois do terremoto e do tsunami que devastaram a região metropolitana de Tóquio e o Noroeste do Japão, o que mais assusta a população é o alerta nuclear, emitido pelo governo local após a explosão de um dos reatores da Usina de Fukushima, na tarde de sábado, no horário local (madrugada de sábado, no horário de Brasília). Para evitar uma nova tragédia, a área foi isolada num raio de 20 quilômetros e os especialistas usam água do mar para resfriar o reator. 

No mesmo dia, os jornais japoneses divulgaram um número assustador: 10 mil moradores da província de Miyagi, a mais afetada pela tragédia, estão sem paradeiro. As autoridades falam que, até o momento, o número de mortos e desaparecidos em todo o país é de 1.500 a 1.700 pessoas. 

Os desabrigados reclamam da escassez de notícias de parentes e amigos. Em Miyagi, falta energia elétrica e a dificuldade para se chegar até lá é imensa. As rodovias expressas e aeroportos mais próximos estão fechados, os trens que circulam naquela região estão parados e o país ainda enfrenta racionamento de gasolina – que não tem ligação direta com a tragédia, mas com o reajuste de preço programado para segunda-feira, 14. 

Prateleiras vazias – A terra não para de tremer. Precavidos, os japoneses esvaziaram não só os tanques dos postos de gasolinas, mas também muitas das prateleiras de supermercados e lojas de conveniência. Água, lanternas e pilhas estão entre os itens mais disputados. 

O governo pede que a população economize energia elétrica e avisou que fará rodízio de racionamento por regiões. 

Em Tóquio, apesar das ruas estarem bem menos movimentadas do que o de costume, o transporte público funciona normalmente, com exceção das linhas de trens que partem rumo ao Noroeste do país.

(Karina Almeida, de Utsunomiya, Tochigi) 


 

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