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21/01/2011

às 8:55

Em Teresópolis, água não será religada em áreas de risco

A Cedae, companhia que abastece de água a região de Teresópolis, não vai religar o serviço nas áreas de risco da cidade, onde morreram 300 pessoas em conseqüência das chuvas da semana passada. O presidente da empresa, Wagner Victer, disse ao site de VEJA que o serviço só será normalizado com autorização da Defesa Civil, para não incentivar a permanência de moradores nessas regiões do município, que podem ser consideradas definitivamente impróprias para ocupação.

Engenheiro da Petrobras, com 25 anos de experiência, Victer diz que nunca viu situação de calamidade sequer parecida com a que atingiu a Região Serrana. E defende que a tragédia sirva para que se repense todo o planejamento das cidades e se adotem medidas firmes contra a ocupação de encostas e outras áreas de risco, como margens de rios e represas. Para coibir a ocupação dessas áreas, Victer defende que elas não sejam abastecidas de serviços como água e energia, que estimulam a permanência das pessoas. “Todas as grandes catástrofes servem para que se mudem os procedimentos de segurança. Os navios petroleiros só usam casco duplo atualmente por causa do Exxon Valdez (navio que provocou um megavazamento de petróleo no Golfo do México, em 1989).

Victer diz que essa deve ser uma mudança na maneira como a sociedade brasileira lida com a ocupação de áreas de risco. Isso cria perigo para as pessoas que vivem ali e, também, para todas as outras, como demonstram a tragédia da região serrana e muitas outras. No entanto, a política adotada tradicionalmente é permissiva. As pessoas vão ficando, e acabam sendo beneficiadas com todos os serviços. “A invasão virou bilhete premiado”, resume Victer.

O presidente da Cedae informou que o abastecimento em Teresópolis está 93% normalizado, mas o trabalho de reconstrução da rede ainda vai demorar meses – não se sabe ainda quantos. A empresa também está participando dos trabalhos nos outros municípios atigidos, embora neles o abastecimento seja de responsabilidade de outras companhias (e, no caso de Areal, da prefeitura municipal). Ele calcula que o gasto em função da tragédia da serra chegue a cem milhões de reais.

(Lucila Soares, do Rio de Janeiro)

18/01/2011

às 13:51

Indústria, paralisada, só volta a produzir em um mês

Tráfego pelo acostamento na RJ-166, entre Bom Jardim e Nova Friburgo: dificuldade para escoamento da produção local e para chegada de itens para o comércio (Foto: Wagner Meier/OGlobo)

Tráfego pelo acostamento na RJ-166, entre Bom Jardim e Nova Friburgo: dificuldade para escoamento da produção local e para chegada de itens para o comércio (Foto: Wagner Meier/OGlobo)

Os municípios atingidos pela tragédia das chuvas têm pela frente um desafio econômico cuja dimensão apenas começa a ser medida. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro divulgou nesta terça-feira um primeiro e preocupante levantamento da situação. A pesquisa mostra que 62,2% das empresas da Região Serrana foram afetadas de alguma forma pelas enchentes.

A Firjan ouviu 278 empresas que empregam 7.768 pessoas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Elas relatam, no conjunto, um prejuízo de 153,4 milhões, entre perdas de produção, matéria-prima e estoques. Boa parte delas está com a produção paralisada, e o tempo médio para retomar atividade é estimado em 27 dias. Em Nova Friburgo, quase 80% sofreram o impacto da tragédia.

Além de alagamentos que estragaram maquinário e inutilizaram estoques, as empresas foram obrigadas a paralisar a produção por falta de energia elétrica (83,2%) e comunicação (73,4% ficaram sem telefone). A interrupção do tráfego nas estradas por quedas de barreiras e pontes impossibilitaram o escoamento da produção ou o recebimento de matéria-prima.

Esses problemas de infra-estrutura são o principal entrave à retomada da produção – o que pode ter um forte impacto sobre o nível de emprego nessas áreas. A maioria das empresas ouvidas é de pequeno porte, o que significa ainda maior dificuldade para normalizar a produção.

A capital e a região metropolitana do Rio também podem sofrer por um bom tempo com os impactos dos estragos na serra. Principal rota de escoamento da produção de cimento no município de Macuco, no centro norte do estado, a RJ-116 está interrompida pela queda de uma barreira na altura do quilômetro 102, em Bom Jardim. A produção terá que ser desviada para passar por Campos, com um aumento de quase 300 quilômetros no percurso, ou por estradas alternativas do norte do estado. Este será o caminho mais provável também para os alimentos e todos os itens do comércio que abastecem parte da região serrana, num percurso extra que aumenta o custo do transporte e, portanto, o preço dos produtos.

Também no comércio os prejuízos foram grandes, e só agora começam a ser apurados. Com ruas fechadas, calçadas cheias de lama e a sujeira acumulada dentro dos estabelecimentos, voltar a faturar não deve ser algo simples. No Brechó da Ângela, próximo à Praça do Suspiro, a chuva chegou em um momento crucial: os donos tinham acabado de legalizar o estabelecimento e preparavam a inscrição no Simples, sistema de imposto único para micro e pequenos empresários. Parte do estoque ficou danificada, mas o que sobrou, por iniciativa dos donos, não será mais vendido: todo o material será encaminhado para doações.

13/01/2011

às 16:51

Assessores tiram fotos do helicóptero de Dilma

Ministros e assessores que acompanharam a presidente Dilma Rousseff no sobrevoo pela região Serrana do Rio de Janeiro divulgaram fotos do desastre pelo Twitter. As imagens foram tiradas de cima do helicóptero onde estava a presidente.

O assessor especial da Presidência, Anderson Dornelles, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, registraram a destruição de casas em Teresópolis. Também sobrevoaram a região os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo; da Defesa, Nelson Jobim; das Relações Institucionais, Luiz Sérgio; e da Secretaria de Comunicação, Helena Chagas.

O grupo seguiu ao Palácio da Guanabara, onde haverá reunião de coordenação. Às 17h30, a presidente retorna para Brasília.

(Luciana Marques, de Brasília)

Vista de Teresópolis do helicóptero da Presidência (Foto: Anderson Dorneles)


 

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