14/04/2010
às 22:00Rio procura terreno para desabrigados
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Uma semana depois do temporal que devastou as encostas do Rio e municípios vizinhos, deixando mais de 250 mortos, prefeituras e governo do estado enfrentam o desafio de encontrar espaço nos centros urbanos abarrotados para reassentar mais de 10.800 desabrigados – número que aumenta à medida que são descobertas novas áreas que precisam de interdição imediata.
Na capital, onde as chuvas deixaram sem teto 544 moradores de encostas, o prefeito Eduardo Paes estima em 4 mil o total de pessoas que deverão ser retiradas de imóveis em perigo. Nesta quarta-feira, foi a vez de o prefeito da cidade mais atingida, Jorge Roberto Silveira, de Niterói, apresentar sua conta: 820 imóveis terão que vir abaixo devido ao risco de novas mortes, o que aumentará a fila de mais de 1.300 niteroienses sem moradia.
A contagem oficial do Corpo de Bombeiros registra quase 60 mil desalojados – classificação dos que estão temporariamente sem casa. Se os recursos para o aluguel social de até 500 reais estão garantidos pelo decreto publicado hoje no Diário Oficial do estado, que destina 1 bilhão de reais para estudos e reassentamento, o mesmo não pode se dizer dos entraves para iniciar de fato o reassentamento.
Para Niterói – cidade onde bombeiros ainda vasculham os escombros do deslizamento no Morro do Bumba e que soma 165 mortos – a solução pode estar em áreas militares que estão sendo negociadas com o governo do estado.
O governador Sérgio Cabral afirmou nesta quarta-feira que está em andamento o acordo para a compra de três terrenos do Exército para construção de casas populares. A área total dos terrenos chega a 240 mil metros quadrados, com valor de aproximadamente 46 milhões de reais. Duas das áreas estão localizadas no município de São Gonçalo, onde houve 16 mortes e há grande número de famílias em áreas vulneráveis.
O terreno maior fica na Avenida Brasil, próximo à Linha Vermelha e ao Complexo da Maré.
O governo do estado tem cota de 30 mil casas populares, destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos, no programa Minha Casa, Minha Vida. Cabral pretende propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o aumento da cota para comportar o aumento na necessidade de moradias populares.
Na capital, por enquanto, só tem destino a população removida dos morros dos Prazeres e do Fogueteiro, que receberão da prefeitura, sem custo, unidades no condomínio que será construído na área do antigo Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no Centro, em área próxima às duas favelas.
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