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12/10/2010

às 14:08

Um balanço do SWU

- O SWU fechou a conta do público com 165.000 pagantes durante os três dias em que aconteceu, em Itu. 15.000 a mais que o esperado pela produção. Logo, não se justificam tantas falhas de estrutura, principalmente do primeiro para o segundo dia. A fala de Caco Lopes, coordenador de produção, ao site de VEJA, dizendo que os erros desta edição estavam servindo de aprendizado para próximas edições é canhestra. O evento deveria pautar-se pela excelência. Milhares de pessoas foram prejudicadas por problemas de transporte, comida, banheiros, estacionamentos e com a falta de água no camping.

- A intenção de conscientizar o público acerca da sustentabilidade funciona mais como gancho publicitário. O único momento de fala direta sobre o assunto foi solenemente ignorado, na noite do sábado (09), quando um locutor anunciou que ‘estamos em guerra, vamos nos unir pelo planeta’. Pareceu, recorrendo a uma metáfora do futebol, que estava cumprindo tabela. Não se aprende sustentabilidade num festival de rock, mas ele pode contribuir para isso com ações continuadas. É isso que se espera, pois a segunda edição do evento está confirmada para 2011. Tem muito o que ser feito até lá para provar que o SWU é um movimento e não um simples festival, como apregoam seus criadores.

- Foi de bom tom diminuir a área VIP do evento, originalmente projetada para ocupar um espaço muito maior. Mas tem um problema: a área diminuiu de tamanho, mas o público foi o mesmo previsto pelo projeto original. Ou seja, de VIP e confortável não tinha nada. O SWU prestaria um grande serviço ao público e empresas de shows de na segunda edição abolisse de vez a separação. Festival é congregação. A qualidade deve ser oferecida sem distinção de valor do ingresso.

- O SWU captou 6 milhões de reais em incentivos fiscais via Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. Nem isso foi suficiente para baratear os ingressos?

- Levando em consideração empatia, mobilização da plateia e performance, eis os cinco melhores shows do SWU: Rage Against The Machine, Queens Of The Stone Age, Pixies, Otto e Cavalera Conspirancy. Ou seja, o line up do terceiro dia, quando aconteceram três dos cinco, se mostrou mais coeso. Não fosse a presença do Yo La Tengo, ícone indie em meio aos metaleiros, o crescente das apresentações teria corrido melhor.

- Independentemente da qualidade das bandas, é a juventude que move a música pop. Nesse quesito, Linkin Park e Incubus cumpriram com louvor o papel de arregimentar adolescentes.

- Ninguém tira de Joss Stone o título de musa do festival. Uma graça o show da moça.

- Falhas de som nos dois principais shows do festival são imperdoáveis. O que aconteceu durante o Rage Against The Machine e o Queens Of The Stone Age soou a falta de previdência do evento, seja lá de onde tenha partido o problema.

- A apresentação do badalado Tiësto, DJ holandês, no palco principal do SWU, atraiu menos de um terço do público presente no terceiro dia do festival. Não se pode culpar o horário, algo dentro do costume dos apreciadores de música eletrônica. Talvez o nome deslocado numa programação que se caracterizou por expoentes do rock. E, bem, qualquer título é passível de contestação. O de melhor DJ do mundo, então.

- No fim das contas, por causa dos bons shows o SWU teve pontos positivos. As críticas, no entanto, devem ser reforçadas, até para que os problemas sejam evitados futuramente. Para cada fã muito satisfeito com o show de sua banda preferida, se encontrará alguém revoltado com os perrengues que passou em vários setores do evento.

(Rodrigo Levino)

Foto: Lailson Santos

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5 Comentários

  1. Fátima Magalhães

    -

    13/10/2010 às 17:14

    Ótima a cobertura, críticas são importantes para melhorar a próxima edição. Um absurdo o clima de vigilância na entrada do festival, a polícia estava descaradamente atuando em favor dos patrocinadores, não vi nenhuma apreensão de drogas, embora tenha visto o consumo farto no festival, mas era impossível entrar com água, bebida ou qualquer petisco. Fomos obrigados a pagar preços astronômicos, água 300ml por R$ 4,00, cerveja por 6,00 (ambulantes credenciados chegavam a cobrar 8,00)e comidas de péssima qualidade de 8,00 pra cima. Barraram na entrada canecas e garrafas de uso pessoal que diminuiriam em muito o consumo de copos plásticos. A sustentabilidade foi realmente uma estratégia de marketing apenas. Parabéns a quem pois a faixa no camping (logo retirada) onde se lia: CAPITALISMO – $WU. Perfeito!!

  2. Julio

    -

    13/10/2010 às 12:09

    Acho um absurdo empresas que usam a sustentabilidade de forma marketeira. Convenhamos, é muito mais sustentável inovar num método de tratar a água, ou de reduzir o consumo, ou uma produção mais verde, do que patrocinar e apoiar um show para 165mil pessoas, num local afastado de são paulo.

  3. Antonio

    -

    13/10/2010 às 11:44

    deveriam mudar o nome de SWU pra SWC, ou Sem-WC! Pelo menos sem nenhum WC decente! Era um nojo só acordar e tentar ir em algum.

  4. Edson

    -

    12/10/2010 às 17:03

    Talvez o mote principal do festival teria sido a sustentabilidade e tal. Vai ver foi por isso q era tão difícil comprar algo pra comer. Deveria ser pra evitar o consumo exagerado de comida… só pode!
    Preço alto d+ e demora pra entregar um simples hamburguer gelado!!!

 

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