24/05/2006
às 16:38 \ Três perguntas para...Vilma Arêas: ‘Clarice gostaria do título’
Embora avessa aos salamaleques da glória oficial, Clarice Lispector não recusaria a homenagem dos vereadores do Rio de Janeiro (veja nota abaixo). A opinião é da escritora Vilma Arêas, professora de literatura da Unicamp. Vilma é autora do livro de crítica “Clarice Lispector na ponta dos dedos” (Companhia das Letras, 192 páginas, R$ 35), lançado na Flip do ano passado, que teve a autora de “A paixão segundo G.H” como homenageada.
Clarice teria ficado feliz com o título de cidadã carioca honorária?
– Ela não ficava à vontade nessas ocasiões porque não gostava muito de falar em público, agradecer as homenagens e prêmios que recebia. Mas acho que gostaria do título, porque gostava muito do Rio. Mesmo sendo uma homenagem mais política do que literária, não acredito que recusasse.
Como anda a cotação de Clarice entre os novos leitores? E entre os escritores, existe alguém que seja claramente influenciado por ela?
– As novas gerações continuam lendo Clarice e, o que chama mais a atenção, estão representando muito os textos dela também. No circuito universitário de teatro, vi recentemente adaptações de “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres” e “A hora da estrela”. Esta, principalmente, era muito boa, com a Macabéa transformada em personagem coletivo. Quanto a escritores influenciados por ela, não vejo nenhum. É um estilo difícil, muito particular, como o de João Guimarães Rosa e mesmo o de João Antonio. Difícil seguir esses caminhos.
Se um jovem de 14 anos que nunca leu Clarice a procurasse para pedir uma dica de entrada na obra dela, que título você recomendaria? E qual o aconselharia a evitar?
– Eu acho que ele poderia começar pelos contos do “Laços de família”. Entre os romances, talvez “A hora da estrela” pudesse ser uma porta de entrada, por que não? Mas há livros dela que são realmente muito difíceis. “Uma aprendizagem” é um livro complicado, e um garoto que resolvesse começar por “A maçã no escuro” certamente acharia a Clarice impossível de ler.





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3 Comentários
Renata Miloni
-01/06/2006 às 7:50
Engraçado que os jovens de hoje são tão jovens – e preferem ser assim até que a morte os separe – que é necessário que lhes digam por qual livro começar. Oras, comece por qualquer um! Se quiser ler mais, que procure depois, caso goste. Onde já se viu? “Ah, deveria começar com tal livro”. Mas todo mundo tem essa necessidade de receber de mão beijada e outros têm a necessidade da sensação de superioridade. Dá nisso, mesmo.
Clara
-26/05/2006 às 1:30
“A Hora da Estrela” é um ótimo livro para jovens.
Luis Antonio Escobar
-24/05/2006 às 17:55
Clarice era grande escritora. Horríveis são as estudiosas de Clarice. (bocejo)