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11/04/2011

às 11:54 \ Sobrescritos

Conselhos literários fundamentais (IV)

Busque no ritmo das pedrinhas portuguesas a exata ondulação de um capítulo. Abra o dicionário ao acaso para encontrar o adjetivo preciso. Conte o número de carros azuis que avista da janela no prazo de cinco horas para decidir quantas vezes um personagem deprimido tenta se matar antes de ter sucesso. Desventre croissants para estudar camadas de sentido. Aposte contra a máquina no futebol do Playstation o destino – ganhou, apogeu, Fitzgerald; perdeu, decadência, Faulkner – de um protagonista ególatra, seja ele astro do rock ou imperador da borracha na Manaus do século 19. Estude doutamente a borra do café, procure ancestrais desígnios pétreos nas dobras do lençol pós-insônia, contemple o ar invisível, sonde as próprias fezes. Faça cada dia de chuva puxar uma pétala do malmequer, e assim, passados sete meses, decida o desenlace romântico de herói e mocinha. Para questões de estilo, prefira roletas e dados.

*

Outros conselhos: I, II e III.

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8 Comentários

  1. Luiz Libório, 16

    -

    24/04/2011 às 14:50

    Ri um bocado! Citei no meu blog.
    Abraço, Sérgio.

  2. Regina

    -

    13/04/2011 às 11:29

    Não sei se assim a gente chega a algum lugar…Você está tentando justificar sua tese: “Não aceite nenhum conselho” e eu, levando tudo isso, e a mim mesma, muito a sério! rsrsrsrs

  3. sergiorodrigues

    -

    12/04/2011 às 22:34

    Obrigado, Lollo. Virão, pode esperar.

    É uma ideia, Felipe. Mas não sei se o fôlego da série chega a tanto. Mais provável que no fim eu tenha só uma seção encorpada do Sobrescritos II, vamos ver.

    Abraços aos dois.

  4. Felipe Holloway

    -

    12/04/2011 às 18:52

    Quando terminar a série, junta tudo e publica uma coletânea de auxílio aos iniciantes, nos moldes das cartas do Rilke, Sérgio.

    Muito bom!

  5. Lollo

    -

    12/04/2011 às 14:30

    Mais um excelente conselho.. o melhor, depois do absolutamente genial Conselho I, aquele que nos exortava a odiar o conforto. Aliás, lindo o início “Busque no ritmo das pedrinhas portuguesas a exata ondulação de um capítulo”. Muito boa a série, espero que venham mais alguns. Abraços


 

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