10/07/2011
às 15:35 \ Sem categoriaUm manifesto antropofágico sobre duas rodas
A presença do músico escocês David Byrne à 9ª edição da Flip não se propunha a falar de sua atuação como produtor musical, líder da banda Talking Heads. Sua maior preocupação atualmente é com o urbanismo sustentável, tema de seu livro Diário da Bicicleta . Esse foi o tema da mesa Tour nos trópicos que ele dividiu com o consultor da Associação Nacional de Transportes Públicos, Eduardo Vasconcellos.
Depois de uma longa apresentação do mediador, Alexandre Agabiti, editor da revista de ciclismo, V.O.2, Byrne fez uma exposição de fotos de suas viagens pelo mundo como ciclista, mesclando com projetos e visões de famosos arquitetos do século XX. A intenção era sensibilizar a plateia quanto à necessidade de se largar o vício pelo carro e adotar a bicicleta como meio de transporte. Chamou a atenção para os prédios construídos em Tóquio para estacionamento grátis de bicicleta, onde ninguém usa cadeados para guardá-las. No final, passou fotos de celebridades se locomovendo sobre duas rodas como o diretor da marca Louis Vuitton que vai ao trabalho de terno e bicicleta, Tennesse Willians, Obana, Frank Sinatra e Brigitte Bardot.
Eduardo Vasconcellos situou o público quanto à diferença entre os países ricos e países em estado intermediário de desenvolvimento, apontando que as soluções não podem ser as mesmas. Defendeu que a grande questão do Brasil é a falta de cidadania presente em todas as classes sociais e o fato de os legisladores urbanos usarem carros para sua locomoção. “Fizemos cidades hostis ao uso da bicicleta”, disse. Sua fala provocou aplausos empolgados de duração relevante, mostrando que o público recebeu bem o recado.
Uma mesa inédita na Flip, uma discussão necessária e urgente.
Por Lilian Fontes






