02/07/2007
às 11:07 \ PostsO melhor da Flip – de graça
Para quem, como eu, já está de malas prontas (não esquecer os tênis mágicos, de solado resistente ao calçamento mais absurdo do planeta) para ir a Parati, eis um aperitivo. Para quem não vai, uma ótima oportunidade de estragar um pouco o prazer alheio, usufruindo de graça daquilo que outros estão comprando caro.
Do ponto de vista estritamente literário, é inútil negar que a maior atração da Flip é o escritor sul-africano/australiano JM Coetzee, um sujeito com fama de recluso e esquisitão que já avisou: não admitirá perguntas do público, limitando-se a ler em primeiríssima mão trechos de seu próximo livro, Diary of a bad year (“Diário de um ano ruim”), que seria lançado em outubro mas, parece, está ficando para janeiro do ano que vem.
Fora a aura da presença grisalha do prêmio Nobel de 2003, portanto, o que Coetzee apresentará não é nada muito diferente do que pode ser usufruído aqui, neste trecho suculento antecipado pelo último número do “New York Review of Books” (em inglês, acesso livre).
O excerto revelado de Diary of a bad year alterna blocos de texto ensaístico produzido por um famoso escritor australiano de 72 anos – coisa cabeçuda, investigando o eterno e insolúvel conflito entre a legitimidade do Estado e a liberdade do indivíduo – com pequenas inserções pessoais em que o escritor fala de seu desejo por uma vizinha jovem e bonita que, cheio de segundas e terceiras intenções, convida para trabalhar como sua secretária enquanto tenta pôr de pé a ambiciosa obra.
Mais uma vez, o velho à beira da morte babando pela jovem cheia de vida. Quem achar que alguns dos maiores escritores dos últimos tempos têm batido insistentemente nesta tecla terá, na pior das hipóteses, uma boa tese para defender. E talvez não seja descabido usar nessa defesa, além da eternidade do tema, duas provas de aguda contemporaneidade, uma material, a outra circunstancial: o Viagra e o culto cada vez mais absolutista à juventude.


É boa a temporada. Praticamente numa fornada única, a Companhia das Letras pôs nas livrarias novos títulos de três dos maiores autores de língua inglesa da atualidade. Logo depois de “Casa de encontros”, de Martin Amis, e colado em “Na praia”, de Ian McEwan, chega o romance “Homem lento”, de J.M. Coetzee, principal atração da iminente Flip (tradução de José Rubens Siqueira, 280 páginas, R$ 46). Além de uma manifestação de louvor (para a tradução) e outra de absoluto a$$ombro, nada tenho a acrescentar ao que já comentei sobre esse curioso livro
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