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17/08/2012

às 12:55 \ Pelo mundo, Vida literária

O Twitter, quem diria, pariu uma obra-prima: ‘Caixa preta’

É possível fazer literatura de qualidade no Twitter? Essa pergunta, que tem andado no ar há alguns anos, não teve até agora (terá um dia?) melhor resposta do que a que a escritora americana Jennifer Egan – autora do notável “A visita cruel do tempo”, resenhado aqui – deu em maio deste ano ao publicar no perfil da revista “The New Yorker” uma história de espionagem em forma de flood de tweets chamada Black box.

Quem ainda não leu pode acessar o conjunto inteiro (em inglês) no site da revista. Ou acompanhar a tradução, “Caixa preta”, que a editora Intrínseca publicará a partir desta segunda-feira, dia 20, até o dia 30, sempre das 22h às 23h, em sua conta no Twitter (@intrinseca). Ao fim desse prazo, a narrativa completa será lançada como e-book. A iniciativa é oportuna: uma “Caixa preta” basta para redimir quaisquer “Cinquenta (ou até mais) tons de cinza”.

Na Flip deste ano, em que dividiu uma mesa com Egan, o escritor inglês Ian McEwan não mediu elogios a Black box: “É uma das melhores coisas que leio em anos”. Os espectadores que não conheciam o texto podem ter pensado que o autor de “Serena” estava apenas exercitando uma gentileza de veterano com sua companheira de palestra, que além de escritora menos consagrada é uma mulher bonita.

Errado. McEwan não fez favor algum a “Caixa preta”, um folhetim cibernético que alia o entretenimento de uma estupenda história de espionagem (com laivos de ficção científica) a um tour de force formal. O rigor quase maníaco no tratamento da linguagem – com o uso nada gratuito da narração em segunda pessoa, que em “A visita cruel do tempo” tinha sido menos bem sucedido – reenergiza a arte narrativa em vez de debilitá-la. Como deve ser, mas raramente é.

Recomendado especialmente a quem perdeu tempo com a recente “polêmica” Paulo Coelho/James Joyce. A provocação sobre o “Ulisses” caber num tweet – que alguns escritores tratam hoje na “Folha de S.Paulo” com sábio espírito de gozação – revela toda a sua profundidade de jogada de marketing diante do que Jennifer Egan faz caber numa série deles.

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18 Comentários

  1. Onofre

    -

    20/08/2012 às 15:18

    Li as três traduções disponíveis do Ulisses. Não posso dicordar do Mário de Andrade: “É duma profunda literatice!”

  2. sergiorodrigues

    -

    20/08/2012 às 11:05

    Stefano, agradeço o interesse, mas o que eu tinha a dizer sobre o assunto está naquele post. Um abraço.

  3. Stefano

    -

    20/08/2012 às 8:53

    Sérgio, tu está lendo o Ulysses, do Galindo? Lembro que teve um post tempos atrás dizendo que chegara a hora…
    Tem que rolar resenha.

    Abs.

  4. Mena

    -

    18/08/2012 às 18:53

    Interessante!

  5. Antonio Gonçalves

    -

    18/08/2012 às 8:32

    A “polêmica” Coelho/Joyce só beneficiou a Coelho. Não sei até que ponto estava consciente da repercussão de seu comentário, mas o fato é que intelectuais de todo o mundo se posicionaram. E deram a Coelho uma importancia que eu desconhecia. Porque voce só responde a quem realmente tem voz – e os eruditos, sem saber, cairam na armadilha.

  6. Dani Miguel

    -

    17/08/2012 às 22:39

    Obrigada! :)

  7. Clayton Moreira

    -

    17/08/2012 às 21:03

    Essa frase do Paulo Coelho me pareceu mais uma blague do que qualquer outra coisa. E, infelizmente, foi levada demais a sério por gente sem senso de humor.

  8. sergiorodrigues

    -

    17/08/2012 às 20:28

    Dani, esse é o endereço do site da Intrínseca:

    http://www.intrinseca.com.br/site/

    Abs, Sérgio

  9. Dani Miguel

    -

    17/08/2012 às 20:24

    Fiquei interessada, mas como não tenho Twitter, como faço para adquirir o e-book?

  10. Fernando dos Santos

    -

    17/08/2012 às 18:31

    A visita do tempo não foi cruel para a Jennifer. Essa mulher é linda demais.

  11. sergiorodrigues

    -

    17/08/2012 às 17:39

    Obrigado pela confiança, Clara. Acho que você não vai se decepcionar. Um abraço.

  12. clara lopez

    -

    17/08/2012 às 16:53

    Copiei e lerei, afinal, vc e McEwan não são de brinca, deve ser bom mesmo, abraço, clara

 

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