Sérgio Rodrigues Todoprosa

Todoprosa

Criado em 2006, este espaço se firmou como referência nas conversas sobre literatura na internet brasileira. O assunto aqui é ficção da boa, de hoje e de sempre. Tem post novo todo sábado.

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Escritor, jornalista e crítico literário. Mineiro radicado no Rio de Janeiro, tem diversos livros publicados, entre romances, contos, crônicas e artigos. Seu romance “O drible” (Companhia das Letras) ganhou o prêmio Portugal Telecom 2014. Assina também a coluna Sobre Palavras de VEJA.com.

Harry Potter ‘de graça’: a nova mágica da Amazon

Por: Sérgio Rodrigues

Ver comentários (3)

A partir do dia 19 de junho será possível baixar no Kindle todos os sete livros da série Harry Potter, o arrasa-quarteirão de J.K. Rowling, em cinco línguas (inglês, espanhol, francês, alemão e italiano), sem que o cartão de crédito do usuário seja debitado em um único centavo. Os títulos são a mais nova aquisição da “biblioteca” do Kindle, que permite pegar emprestado até um título por mês. Mais detalhes, em inglês, aqui.

Ora, qualquer um que tenha cinco minutos de familiaridade com um leitor eletrônico sabe que a diferença entre o empréstimo e a compra pode ser meramente teórica no intangível universo digital – mesmo porque a Amazon anuncia que “não há data de devolução” para os livros da biblioteca do Kindle. Onde, então, estará a pegadinha?

A pegadinha, se é que se pode chamar assim, é o amadurecimento de um conceito que já estava embutido no projeto Kindle desde o início: o do dono do aparelho como membro de um clube. A “biblioteca” não é exatamente gratuita no fim das contas: só têm acesso a seus (por enquanto) 145 mil títulos – e a benefícios como entrega rápida de livros físicos sem taxa extra e um acervo de 17 mil filmes e programas de TV para baixar em streaming – quem se torna membro do Amazon Prime, uma espécie de clube de elite dos clientes da Amazon.

A taxa paga por um cliente prime é de 79 dólares por ano. Não por acaso, o mesmo preço da versão mais barata do Kindle no mercado americano. Caso alguém ainda não tivesse percebido, isso deixa muito claro que o negócio da Amazon não é vender engenhocas eletrônicas.

A notícia da adesão de Harry Potter ao projeto coincidiu com a palestra com a qual o peruano Pedro Huerta, o homem do Kindle para a América Latina, encerrou ontem em São Paulo o 3º Congresso Internacional do Livro Digital, queixando-se com humor da dificuldade de negociar com os ressabiados editores brasileiros (Raquel Cozer publicou em seu blog na “Folha” um divertido relato da ocasião).

O Brasil pode estar especialmente atrasado na questão do livro digital, tudo bem, mas não é uma aberração: a maior parte da indústria editorial do mundo morre de medo de ser engolida pela Amazon. O impressionante caso do Harry Potter “gratuito” ajuda a entender por quê.

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Comentários

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  1. patricia m.

    Sergio, acho bobeira fazer parte do Prime a nao ser que vc seja comprador frequente da Amazon (entrega mais rapida e “gratuita”). Eu tenho o Kindle e moro em NYC. As bibliotecas publicas daqui estao integradas ao Kindle – entao eu li todos os livros ja publicados da serie Game of Thrones dessa forma, pegando emprestado da biblioteca publica de nova iorque. Estamos em outro nivel aqui em relacao ao Brasil. Vcs estao MUITO atrasados.

  2. Vanessa

    bota atraso no Brasil!
    http://garotadistraida.wordpress.com

  3. Alberto Ricardo Prass

    Não dá para comparar assim o Brasil com os EUA. Concordo que a safadeza dos brasileiros nos faz patinar, mas é insano não perceber que aos poucos as coisas estão melhorando. Vejo muita gente lendo no metrô. Vejo malguns em tablets. Mas com meros 10% de habitantes com curso superior (eram menos de 5% há 15 anos), é normal isso.