08/02/2012
às 13:19 \ SobrescritosWiki-fluxo de consciências
Era como se quisesse desnascer útero adentro daquelas linhagens imemoriais de deusas gordas da fertilidade que contemplavam a cena espremidas holograficamente no banheirinho atrás da rodoviária, coristas glutonas da Broadway com seus sorrisos de domínio e castração.
Ele sente que todo o álcool que aqueceu, desinfetou e depois escalavrou seu tubo digestivo e os de seus mais remotos antepassados e mais imprevisíveis descendentes quer agora retornar, fazer o caminho inverso, vazar para o cosmo num rio de plasma que logo tentará afogar o sol.
Miríades de olhinhos piscam frenéticos, que agonia. O último suspiro escapa da alma do último personagem e se dissolve na indiferenciação de um universo hostil. Pronto, pronto.
O autor está morto, a subjetividade está morta, apregoam, com pequenas variações, quatrocentos quatrilhões de cartazes numa passeata silenciosa contra um inimigo que já não está lá.
No que você está pensando?, pergunta o algoritmo.
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