Abaixo, o slideshow preparado em HD pelo Gilberto, com a competência de sempre. Nele, tentamos fazer algum sentido da nossa experiência em Porto Príncipe.
Arquivo da categoria ‘Cobertura’
Cenas da tragédia
sábado, 23 de janeiro de 2010 | 18:49Confiram uma seleção das melhores fotos do meu colega de viagem, Gilberto Tadday:
http://veja.abril.com.br/galeria-de-imagens/haiti-caos-depois-tragedia-528235.shtml
Joseph
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 | 15:45Dos muitos rostos haitianos que levarei comigo, um dos mais comoventes não está aqui. Joseph, ele se chama.
Nossos destinos encontraram-se na quinta-feira da semana passada, quando desembarquei em Miami, buscando uma conexão para Santo Domingo, na República Dominicana. Esperei alguns minutos na fila da Imigração. Na minha vez, Joseph me atendeu.
Era um negro alto, corpulento, de olhos pequenos e molhados. Ele estava paralisado, quase catatônico. “Passaporte, por favor”, ele disse, mecanicamente. Apresentei o documento. Como havia saído às pressas do Brasil, levara apenas meu visto americano de turista. Tinha medo de ser barrado – os americanos exigem visto de trabalho, mesmo para conexão.
“Onde você vai ficar aqui”, ele perguntou. Expliquei que era jornalista, estava em conexão para Santo Domingo, e que tentaria chegar ao Haiti.
Joseph desabou. “Haiti?”, ele disse, surpreso. “Sou haitiano. Minha família toda está lá: mãe, pai, minha irmã. É uma tortura, não consigo falar com eles.” Enquanto a fila atrás de mim crescia, Joseph contava sua trajetória, tão comum entre seus conterrâneos: a busca por uma vida decente fora do Haiti, as saudades da família, da música, do sol. Ele não falava para mim. Contava a própria história a si mesmo, tentando não chorar: “Se eles estiverem mortos, não quero ir. Não quero ir”.
“Sinto muito”, foi tudo o que consegui dizer.
Ele carimbou meu passaporte, sem fazer mais perguntas.
Mais um
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 | 14:57A terra acaba de tremer intensamente agora. É a segunda vez em menos de dois dias.
Estou na base do Brasil, escrevendo a matéria para a próxima edição de VEJA. Alguns militares assustaram-se e saíram correndo da sala.
Eu fiquei. Já estou me acostumando. E tenho que entregar a matéria daqui a pouco.
O valor do Haiti
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 | 19:19Os militares brasileiros e das demais forças de segurança da ONU acordaram cedo hoje, mobilizaram suas forças e saíram numa operação especial de resgate. Foram socorrer os cofres dos bancos que têm filial no Haiti. Aliás, passaram sufoco: muitos bancos não deram o segredo dos cofres.
Certamente os corpos dos haitianos podem esperar.
Diário do desastre – Dia 2
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 | 11:54Assista abaixo ao segundo vídeo de nosso diário em Porto Príncipe, produzido em HD pelo Gilberto. Aviso: há cenas fortes de destruição.
Sobre os comentários
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 | 2:51Peço paciência com a dificuldade em responder aos comentários. Como vocês devem supor, tempo está sendo uma mercadoria escassa nestes dias. Para piorar, só temos acesso à internet no começo da manhã e no final da noite.
Ofereço o Twitter (@diegoescosteguy) como alternativa para responder de modo mais ágil às suas dúvidas e sugestões. Nos últimos dois dias, tenho conversado com os internautas por lá, às 22h, horário de Brasília. Também tenho postado notícias curtas diretamente no Twitter de VEJA.
Rumo aos destroços
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 | 7:06Com os dólares bem escondidos na mochila, estamos nos preparando para o retorno a Porto Príncipe. Compramos garrafas de água, barras de cereal, chicletes, chocolates. Eu não vivo sem chiclete; Gilberto, pelo o que já percebi, não vive sem chocolate. É magro de ruim.
Voltamos ao Haiti na segunda-feira cedinho. De novo no helicóptero do Capitão Rodriguez, o ás dos céus dominicanos.
Quebrando a banca
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 | 7:05Eu e Gilberto finalmente conseguimos comprar dólares em Santo Domingo, na República Dominicana. Dólares são essenciais para relatar o que está acontecendo em Porto Príncipe. Servem para um fim: custear os altíssimos gastos com transporte na capital haitiana.
Como quase não se encontra gasolina, e a demanda aumentou com a chegada da ajuda internacional, os poucos taxistas do Haiti cobram caro, muito caro. Só aceitam dólares. E, nesses tempos, dólares são difíceis de se encontrar em Santo Domingo. Depois de muito procurar, vendemos nossos pesos dominicanos num cassino. Não, não joguei pôquer nem brinquei nas maquininhas.
Agora, podemos nos locomover por todas as zonas de Porto Príncipe e enxergar com mais nitidez a dimensão da tragédia.







