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Wallander

Séries inglesas na BBC HD, novo canal da NET

'Sherlock'

Esta manhã representantes da BBC Worldwide apresentaram à imprensa o canal BBC HD, que inicia oficialmente suas atividades a partir do dia 28 de maio. Ele estará disponível aos assinantes do pacote Top HD da NET, pelo canal 531.

O canal também oferecerá conteúdo através do serviço VOD (video on demand) com programas que fazem parte dos canais BBC Entertainment e CBeebies, este voltado para o público infantil.

Com o canal BBC HD, o público terá a oportunidade de acompanhar uma seleção de produções inglesas, com uma programação montada exclusivamente para o Brasil.

Segundo divulgado, a transmissão será 24 horas, com intervalos comerciais, áudio original e legendas, mas  com alguns programas exibidos em português.

Entre as séries que já estão programadas para entrar na programação do canal a partir de junho estão Wallander, versão com Kenneth Brannagh, Sherlock e DCI Banks. Também fazem parte da programação do canal, mas ainda sem data de estreia, as séries Luther e Being Erica, série canadense que tem co-produção britânica.

Todas as séries serão exibidas desde sua primeira temporada, com exceção de Sherlock, que estreia com a exibição dos episódios de sua segunda temporada, que é a que está no ar nos EUA. Somente depois serão exibidos os episódios da primeira temporada, lembrando que cada uma é composta de três episódios com 90 minutos de duração. A série já foi renovada para a terceira temporada, que inicia sua produção em janeiro de 2013.

Segundo representantes do canal, o motivo de exibir a segunda antes da primeira tem como objetivo se manter em dia com a exibição mundial da série. Para aqueles que gostam de ver os episódios de uma série na ordem, a primeira temporada de Sherlock já foi lançada em DVD no Brasil pela Log On Editora. A segunda temporada teve seu lançamento em DVD adiado para novembro, a pedido da BBC.

O canal pretende trazer novas produções para o Brasil conforme elas estrearem, prometendo uma janela de duas semanas. Janela é o termo utilizado pelas empresas para determinar o prazo que um programa pode estrear em outros países (TV ou DVD) em relação à sua estreia no país de origem.

Sherlock estreia no dia 1º de junho, às 20h; Wallander, no dia 21 de junho, às 21h30; e DCI Banks no dia 22 de junho, às 22h30.

Por enquanto não há planos de exibir neste canal os clássicos da TV britânica. Entre outros programas e documentários anunciados estão Top Gear (temporada 18), Viagens com Bruce Parry, Planet Earth Live, História da Ciência, Jornada Humana, Terra – O Poder do Planeta, Precisamos da Lua?, Sonho Audacioso, Expedição Nova Guiné, Tigre, um Espião na Selva, Mundos Antigos, Guerreiros, China Selvagem, Rio Ganges, Supertempestade, Borboletas e London Calling, que apresentará documentários e especiais que celebram a cultura, a música e a arte britânica.

Presente na América Latina há quatro anos, a BBC demorou para chegar ao Brasil, tendo até agora apenas o canal BBC News. Mas, enquanto se prepara para iniciar suas operações por aqui, criando um novo mercado para a BBC, na Inglaterra o canal passa por cortes no orçamento de produção de seus programas.

Com o objetivo de economizar cerca de 700 milhões de libras até o ano de 2017, a BBC determinou que os canais BBC3 e BBC4 terão que reduzir seus gastos, visto que esses dois canais têm uma audiência menor que a BBC1 e a BBC2.

Por outro lado, a BBC1 receberá um investimento adicional para  poder manter a qualidade de sua programação, o que permitirá ao canal continuar produzindo programas que possam competir no mercado internacional. Isto não significa que este canal não passará por cortes, apenas que eles serão restritos aos horários com menor audiência. Já a BBC2 continuará mantendo o investimento que vem recebendo nos dois últimos anos. Os cortes nos orçamentos também atingirão as emissoras de rádio da BBC.

Cliquem na imagem para ampliar.

As 10 Melhores Séries de 2010

Mad Men (Foto AMC/Arquivo)

Todo final de ano são publicadas listas dos 10 melhores disso ou daquilo. Com o universo das séries não é diferente. Publicações americanas começam a listar as dez mais do ano contando com a opinião de seus críticos e de jornalistas que acompanham a programação de TV.

Para a revista Time, por exemplo, a lista publicada no dia 9 de dezembro elege “Breaking Bad”, “Mad Men”, “Parks and Recreation”, “Louie”, “Boardwalk Empire”, “Party Down”, “The Pacific” (minissérie), “The Good Wife”, “Rubicon” e “Terriers”, as duas últimas já canceladas.

Para a revista TV Guide, a lista é composta de 15 séries: “Mad Men”, “The Good Wife”, “Justified”, “Boardwalk Empire”, “Glee”, “Breaking Bad”, “Modern Family”, “Havaí 5-0″ (remake), “The Walking Dead”, “Community”, “Damages”, “Parks and Recreation”, “Terriers”, “Nikita” e “The Big C”.

Muitas publicações ainda não divulgaram suas listas, mas aqui vocês podem encontrar o Top 10 do AFI. Abaixo está ‘minha listinha’ de Top 10, com base na proposta e no desenvolvimento de conteúdo das séries.

1. Mad Men: trata-se de uma produção que consegue permanecer fiel à sua proposta e desenvolver seu conteúdo, apresentando questões pessoais e sociais que não ficam presas ou à mercê da vontade do público. Algo cada vez mais raro na TV que está levando até a produção a cabo a buscar as satisfações da audiência.

A maioria das séries tem um tempo de vida médio de cinco anos. Muitas são criadas com esse propósito. “Mad Men” também foi concebida para ter cinco anos, mas seu criador já avisou que está preparado para manter a história por seis temporadas, se necessário. A tendência de uma produção que chega ao quarto ano é perder o ritmo e declinar, trazendo falhas aqui e ali em seu desenvolvimento. Mas “Mad Men” vem crescendo e se consolidando a cada ano.

Atendo-se a um desenvolvimento interno dos personagens, eles se movimentam na trama, surpreendendo e mudando o rumo de suas vidas, de acordo com a época em que vivem. Nesta quarta temporada, temos a nova fase da vida de Don Draper. Profissionalmente bem sucedido, mas vivendo um caos pessoal. Porém, quando todos pensam que ele vai continuar caindo, Don toma uma decisão que promove uma reviravolta na sua vida. A pergunta que fica é: ele manterá um padrão de comportamento ou terá de fato mudado?

Em contrapartida, Betty continua caindo. Sua situação está longe de ser resolvida, já que ela ainda não olhou para si. Continua preocupada em manter as aparências como seu estilo de vida, construindo uma existência de acordo com os padrões da sociedade. O movimento que esta personagem faz na história retrata a revolução feminina do período, sem contundo levantar ‘a bandeira’.

A série é exibida nos EUA pelo AMC e no Brasil pela HBO. A quarta temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Breaking Bad (Foto AMC/Arquivo)

2. Breaking Bad: esta é uma produção que levei tempo para começar a assistir. Mas depois que se começa, não se consegue mais parar. O que mais chama a atenção, além da própria história, é a energia dos atores. Muitas são as séries que trazem um ótimo argumento e personagens, mas seus atores oferecem o mesmo nível de interpretação, prejudicando a evolução dos personagens e da história. Com isso, aqueles personagens que têm personalidades mais fortes ficam no mesmo nível daqueles que são mais fracos. Muitas vezes, para resolver isso, apela-se para a caricatura ou representação de um tipo. É necessário que cada ator encontre sua própria energia e a nivele às características de seu personagem, sem ignorar suas nuances. É o que acontece aqui.

Como se não bastasse, o desenvolvimento da história é excelente: um sujeito pacato que descobre ter câncer passa a se comportar como a própria doença ao destruir tudo que está ao seu redor. A montanha russa em que vive atinge sua família e seus amigos, que reagem a seu comportamento. Alguns o seguem, outros tentam resistir à sua força. Cada personagem é uma ‘célula’ que Walter vai destruindo conforme sua situação vai se deteriorando.  Interpretações e histórias são brindadas com uma belíssima fotografia.

A série é exibida nos EUA pelo AMC e no Brasil pelo AXN. A terceira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Treme (Foto HBO/Arquivo)

3. Treme: será que sou a única que gostou dessa série? Não vejo críticos listarem essa produção em seus comentários sobre as melhores do ano. David Simon não consegue criar uma série ruim, mas nenhuma delas foi popular. “Homicide: Life on the Streets” foi subjugada por “Nova Iorque Contra o Crime”, série que conquistou público e crítica; “The Wire” passou despercebida pelo grande público, que na mesma época acompanhava “A Família Soprano”. E agora “Treme”, que está sendo ignorada até pela crítica.

É uma produção que traz um belo grupo de personagens, muito bem definidos. Cada um tem seus problemas e cada um segue suas próprias vontades, mas todos estão interligados pela mesma tragédia: a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans. Tentando refazer suas vidas, cada um reagindo ao seu modo, eles são pressionados pela força de uma cultura que domina o ambiente.

Sem exageros ou melodramas, a série conseguiu estabelecer em sua primeira temporada um universo rico, cheio de possibilidades, tal qual as produções anteriores de Simon.

A série é exibida nos EUA e no Brasil pela HBO. A primeira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Rubicon (Foto AMC/Arquivo)

4. Rubicon: esta foi outra série que demorei para conferir. Tal qual sua narrativa, levei tempo para penetrar no universo proposto. Mas desde o primeiro episódio, os personagens e as situações que viviam seduziram.

Seu cancelamento, embora previsto, entristece. Nem tanto pela produção em si, que mostrou a que veio e teve uma conclusão, mas pelo fato de que o canal AMC provou que nem ele está disposto a investir em um segmento que prefere o tipo de conteúdo e narrativa apresentados na série.

“Rubicon” foi um oásis em meio aos blockbusters de espionagem, que seduzia por seu tom intimista com um tema que normalmente apela para situações explosivas e, muitas vezes, burras. Comentários sobre a série aqui.

A série foi exibida nos EUA pelo AMC e estreia no Brasil em 2011 pelo canal I.Sat. “Rubicon” está disponível em video-on-demand no mercado americano.

Men of a Certain Age (Foto TNT/Arquivo)

5. Men of a Certain Age: essa estreou nos EUA na virada de 2009, tendo poucos episódios exibidos em 2010, chegando ao Brasil ao longo do ano. A segunda temporada recém estreou na TV americana. O que mais chama a atenção é o fato de que, apesar de explorar o universo masculino, não utiliza uma linguagem que retrata um comportamento de aparências.

A série penetra no íntimo de três personagens que vivem a crise da meia idade. Sem verbalizar ou ‘tentar discutir a relação’ eles revelam sua intimidade diante do público. Medos, anseios, sonhos, desejos e formas de pensar ou julgar situações e pessoas são passadas para o público de forma simples, mas sincera, que atinge seu objetivo muito mais profundamente que  qualquer melodrama.

Delicada e sem exageros, a série define personagens e situações que poderiam facilmente cair no clichê, mas escapa deles por conseguir explorar a realidade na qual cada um deles vive.

Recusada pela HBO, a série foi parar na TNT, que geralmente busca por produções de aventura, processuais ou mesmo dramáticas mas com desenvolvimento superficial. Comentários sobre “Men of a Certain Age” aqui.

A série é exibida nos EUA pela TNT e no Brasil pela Warner. A primeira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Justified (Foto FX/Arquivo)

6. Justified: esta é outra produção que surpreendeu. Anunciada como um faroeste moderno, ela vai além do ambiente no qual está inserida. Trabalhando a relação entre justiça, tradições e religião, a história introduz personagens que, muitas vezes, parecem não ter muita importância na trama, mas seus desenvolvimentos revelam ramificações e interesses pessoais que os transformam em parte essencial para o conjunto da obra.

A trama também é aparentemente simples mas, no decorrer dos episódios, percebe-se que ela está apoiada a um enrraizamento cultural, que leva as histórias a um outro caminho com um significado muito mais profundo.

Excelentes personagens, muito bem introduzidos e desenvolvidos nessa primeira temporada.

A série é exibida nos EUA pelo canal FX e no Brasil pelo Space.

Downton Abbey (Foto ITV/Arquivo)

7. Downton Abbey: esta é uma produção inglesa que também trabalha com os aspectos culturais de uma época. De forma delicada, sem exageros, vemos os personagens se desenvolverem e se definirem ao longo de comportamentos corriqueiros. Personalidades são apresentadas de forma sutil, muitas vezes restritas a um comentário, um gesto ou um olhar.

A série segue a narrativa de “Assassinato em Gosford Park”, mas sem o crime. Temos aqui a relação patrões e empregados dentro de uma mansão inglesa no final da década de 1910. Mantendo reminiscências da relação que existia entre proprietário e escravo, a forma de se colocarem no mundo começa a se alterar quando chegam ao local pessoas vindas de fora, trazendo novas ideias e comportamentos.

A influência é percebida  entre os empregados e patrões. Assim, tentando equilibrar suas vontades e sonhos com as imposições de uma sociedade que cobra um comportamento exemplar, os personagens vão se transformando lentamente. O elenco conta com a presença de Maggie Smith, como sempre, impagável.

A série é exibida na Inglaterra pelo canal ITV. A primeira temporada já está disponível em DVD nos mercados americano e inglês.

Wallander (Foto BBC/Arquivo)

8. Wallander: só três episódios da segunda temporada da produção inglesa em 2010, mas tal qual a primeira, marcantes. Mantendo o contraste de um belo visual com o a crueza do comportamento humano, a temporada desenvolveu ainda mais a situação de Wallander em seu trabalho e na relação com o pai, que sofre do Mal de Alzheimer.

As angústias do personagem não são consequências de um trauma sofrido na infância ou no passado recente. Elas são inerentes à sua natureza humana, mais sensível e desorganizada, levando-o a um conflito social e pessoal. Sem conseguir lidar com o ambiente em que vive, Wallander se fecha, se torna introspectivo, tratando a todos com mau humor ou impaciência, ao mesmo tempo em que parece estar resignado com o fato de que jamais conseguirá mudar.

A forma como Kenneth Branagh conduz essas nuances do personagem dão o tom da série e determinam o desenvolvimento de seu conteúdo. Nessa segunda temporada, ele mergulha ainda mais em seus conflitos e neuroses, que agora não estão restritas à relação com o pai, mas também com a filha, que começa a dar um rumo para sua vida.

A série é exibida na Inglaterra pelo canal BBC. A primeira temporada foi disponiblizada em DVD no Brasil. A segunda já foi lançada nos mercados americano e inglês.

The Good Wife (Foto CBS/Arquivo)

9. The Good Wife: quando começou parecia ser mais uma produção jurídica apoiada em debates entre advogados e promotores. Mas a trama que se desenvolve como pano de fundo tem conseguido explorar o potencial da série e de seus personagens, apoiada por um ótimo elenco.

Intimista e consistente, a narrativa conseguiu se desprender do escândalo que deu início à série, mostrando que por trás do fato existem muitas histórias e ramificações. Com isso, a história conseguiu ultrapassar os limites da narrativa processual, apresentando ao público uma trama de articulações políticas que questiona o comportamento ético de candidatos a cargos públicos. Em meio a esse universo, existe uma mulher que tenta se manter ilesa dos atos de terceiros. Assim, a série deixa de lado a ideia de que se trata apenas de uma série sobre uma mulher traída que precisa refazer sua vida.

A série é exibida nos EUA pela CBS e no Brasil pelo canal Universal. A primeira temporada será lançada em DVD no mercado brasileiro em abril.

Boardwalk Empire (Foto HBO/Arquivo)

10. Boardwalk Empire: apesar de achar que a série ainda não conseguiu atingir seu potencial nessa primeira temporada, ela teve um desempenho muito bom. Os primeiros episódios serviram apenas para apresentar os personagens com seus históricos e seus objetivos dentro da trama, situando o ambiente e a época. Dentro dessa visão, a série ofereceu um ótimo roteiro que conseguiu fazer um bom cruzamento entre as histórias de diversos personagens ficcionais com um ambiente e situações  históricas e pessoas reais. Caberá à segunda temporada dar a ‘partida’ no desenvolvimento da trama proposta.

O que me incomodou nessa primeira temporada foram as atuações de alguns atores que, em minha opinião, ainda não mergulharam nos conflitos internos de seus respectivos personagens. Mantendo um distanciamento seguro, eles atuam em um nível racional. Precisariam tomar para si as dores, angústias e solidão daqueles a quem interpretam, adotando uma atuação mais orgânica. Coadjuvantes como Aleksa Palladino (Angela), Dabney Coleman (Comodoro) e Jack Huston (Richard) conseguem fazer pela série o que os atores principais ainda não fizeram.

Pela forma como a história foi desenvolvida, a segunda temporada poderá estabelecer um nível de interpretação que colocaria a série no mesmo patamar que produções como “Mad Men”, “Breaking Bad” ou “Treme” (as três primeiras séries dessa lista).

“Boardwalk Empire” é exibida nos EUA e no Brasil pela HBO.

Séries que também valeram a pena conferir em 2010.

Comédias: “30 Rock”, “Modern Family” e “Parks and Recreation”.

Dramas: “Terriers”, “Sons of Anarchy”, “Damages”, “Thorne”, “Luther”, “In Treatment”,  “The Closer”, “Lone Star” e “Sherlock”.

Dramédias: “The Big C”, “Nurse Jackie”, “United States of Tara”, “Him & Her”, “Whites”, “Rev.”, “Afinal, o Que Querem as Mulheres?”, “Bored to Death”.

Ficção/Fantasia: “Doctor Who” e “Fringe”.
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Por Fernanda Furquim: @fer_furquim

Wallander com Kenneth Branagh Chega ao Brasil

A editora Log On, que tem contrato de exclusividade com a BBC inglesa, lança esta semana a primeira temporada da série “Wallander” em DVD. O box traz os três telefilmes produzidos em 2008, com cerca de 90 minutos cada, os quais renderam à série o prêmio BAFTA, concedido pela British Television Academy.

A produção tem como base os livros escritos por Henning Mankell, um dos mais renomados autores suecos da atualidade. Seu personagem surgiu na literatura policial em 1991, retornando em mais oito livros. Cada uma das histórias foi adaptada para o cinema na Suécia, entre 1995 e  2007; uma série de TV surgiu em 2005 e ainda está em produção. Esta série chegou ao Brasil através da TV a cabo, pelo canal Film& Arts.

A versão inglesa, estrelada por Kenneth Branagh, começou a ser produzida em 2008, em parceria com a Suécia, os EUA e a Alemanha. Atualmente, está em sua terceira temporada, a qual não tem previsão de estreia. As duas primeiras consistem de três telefilmes cada. Além de Branagh, a série também traz os atores Sarah Smart, Sadie Shimmin, Tom Hiddleston, Richard McCabe, Jeany Spark, David Warner e Polly Hemingway no elenco.

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O box lançado no Brasil traz as três primeiras histórias, adaptadas dos livros 6, 8 e 9. Além dos episódios, o box também traz como material Extra um documentário sobre “Quem é Kurt Wallander”, o qual faz também um resumo da vida e carreira do autor; além de entrevistas com o Kenneth Branagh, documentário sobre a abordagem inglesa para as histórias  suecas e curiosidades sobre a produção e sua fotografia.

Wallander é um detetive da polícia sueca que vive na região sul do país, em uma pequena cidade fronteiriça. Diabético, recém divorciado, tentando manter uma relação afetiva com a filha que aos 15 anos tentou o suicídio, Wallander vê o resto de seu mundo ruir ao descobrir que o pai, com quem nunca conseguiu se comunicar, apresenta os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer.

Casado com Gertrude, sua segunda esposa, Povel Wallander é um artista que há muitos anos pinta sempre a mesma paisagem, dando uma interpretação diferente a cada uma delas. Grosseiro e distante, ele desaprova a profissão do filho; mas ao perceber que perderá sua consciência, tenta, a seu modo, criar uma relação com ele.

Mesmo com sua aparência relaxada, quase a de um bêbado de rua, e de seu comportamento pouco afetivo e sempre distante, Kurt Wallander é respeitado por seus colegas de trabalho na polícia. Obcecado em solucionar seus casos, Wallander abandonou sua vida pessoal, preferindo não olhar para seus próprios problemas, embora tenha consciência de quais sejam. Ele carrega a dor da humanidade, tenta entender o que faz do ser humano uma criatura tão cruel a ponto de destruir a vida de outro. Ao investigar seus casos, Wallander chega a criar uma empatia com as vítimas, o que serve de mola que impulsiona sua vontade de solucionar suas mortes.

A produção da série inglesa optou por fazer uma abordagem mais intimista das histórias de Wallander, tal qual é apresentada nos livros, mas diferente do que é visto na série sueca; esta optou por uma narrativa e uma fotografia que valoriza a trama, mas suaviza os conflitos internos do personagem. A versão inglesa conta com o apoio dos enquadramentos de câmera e de uma bela fotografia que dão personalidade à história.

Em “Wallander”, o ambiente se torna mais um personagem que entra em conflito com os demais. Na série, a natureza se revela proporcionalmente maior que os personagens, os quais aparecem pequenos e dominados pelo ambiente, tornando-se quase insignificantes. Seus problemas pessoais são ainda menores diante do quadro grandioso da natureza. É visível o quanto o ser humano e seus demônios são passageiros, quase uma sujeira, nos cenários em que estão inseridos.

Assim sendo, a abordagem intimista dos personagens se contrapõe aos cenários amplos e intensamente coloridos captados pela câmera Red Cam, que possibilita uma imagem em alta definição. O ambiente intimista está apenas nos cenários internos, o que condiz a proposta do personagem e da série.

Os cenários foram construídos tendo como base a arquitetura dos anos 60 e 70. No documentário que vem nos Extras, essa escolha é apontada com a intenção de mostrar a sociedade presa ao período no qual a inocência e os sonhos acabaram. Essa escolha tem a ver também com a postura do personagem, que já não tem nenhuma ilusão ou objetivo na vida. Embora ele tome atitudes para solucionar os casos que investiga, nos aspectos pessoais, ele está estacionado; observando as pessoas a seu redor passarem por ele, sofrendo por eles, mas sem fazer um único movimento para tentar mudar alguma coisa.

Por outro lado, a natureza aqui tem duplo sentido. Refere-se não apenas ao ambiente, mas, também, à natureza destrutiva do ser humano, que na série tem tendências muito maiores do que aquelas que podemos controlar. Apresentando crimes violentos, a série consegue manipular os aspectos sensacionalistas dos atos, permitindo que eles sirvam de força motriz para os questionamentos sobre a alma humana; e também que não sejam usados como bandeiras de diálogo sobre a moralização da sociedade.

No material dos Extras, é dito que a sociedade sueca se transformou ao longo dos anos, passando de uma utopia de perfeição para uma realidade xenófoba (preconceito racial e cultural). Nos últimos anos, os índices de criminalidade de origem sexual e racial têm se intensificado no país, chegando ao ponto da Suécia ficar em sétimo lugar em um ranking da Comissão Européia, que listou 18 países onde a criminalidade era um problema.

“Wallander” explora essa deterioração da sociedade perfeita, que ainda mantém as aparências (vê-se na fotografia), apresentando os rompantes emocionais de indivíduos, que os levam a um ato de violência. Apesar de ser detetive da polícia há muitos anos, o requinte de crueldade de um ser humano para com o outro ainda surpreende Wallander.

Apesar dos personagens principais serem muito bem construídos e interpretados, a série deixou de lado o desenvolvimento dos coadjuvantes (os colegas policiais), que servem apenas como apoio, sem oferecerem de fato um leque de opções para o desenvolvimento da trama. A série é focada unicamente em Wallander e sua relação com a família e os casos que investiga.

Mesmo assim, é um prazer assistir uma produção seriada na certeza de que não será desperdiçada com diálogos redundantes ou moralmente didáticos; nem jogada no lixo com redirecionamentos de roteiros para que possam se tornar mais populares. Pelo menos, assim espero, já que na terceira temporada serão produzidos seis episódios: três com base nos livros de Mankell e três originais.

Sem nenhum melodrama, a série atinge profunda e honestamente um aspecto da alma humana presente em qualquer tipo de seriado: a forma como o personagem vê o mundo e como se coloca nele.

(por: Fernanda Furquim)

02/05/2010

às 18:46 \ Séries Suécia

Versão Sueca de Wallander no Film & Arts

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No dia 3 de abril estreou no Brasil a série “Wallander” pelo canal Film & Arts. Trata-se da versão sueca do personagem criado por Hening Manjel para a literatura.

Wallander é um policial que se dedica mais a seu trabalho que à vida pessoal. Filho de um artista que pintou a mesma paisagem mais de 7 mil vezes, Wallander mantém uma relação de amor e ódio com o pai, que ostensivamente desaprova sua vida e carreira na polícia. Divorciado, o Inspetor Wallander tenta manter uma relação saudável com sua única filha, Linda, que aos 15 anos tentou o suicídio.

Com poucos amigos, dependente do álcool, incapaz de manter uma alimentação ou higiene saudável, sofrendo de diabetes, desapegado de qualquer exercício físico, amante da música clássica e lutando para controlar sua raiva interior, Wallander realiza seu trabalho investigando casos de assassinatos ocorridos em Estocolmo, cidade em que vive.

Mas, seu ambiente de trabalho também não é dos melhores. Sobrevivente de um ataque quase fatal quando, ainda jovem prendeu um bêbado, Wallander matou acidentalmente um homem durante um tiroteio que ocorreu em um nevoeiro. Já processado por brutalidade policial, Wallander tem poucos amigos na delegacia de polícia.

O personagem estrelou nove histórias para a literatura sueca, sendo que nos últimos livros, Wallander começa a ter problemas de memória, levando-o a desenvolver o Mal de Alzheimer. O sucesso do personagem nos livros o levou a estrelar filmes produzidos entre 1995 e 2007, com Rolf Lassgard no papel principal. As histórias eram uma adaptação de cada um dos livros.

Em 2005, o canal sueco TV4 estreou a versão televisiva do personagem, agora interpretado por Kirster Henriksson. A primeira temporada teve 13 episódios produzidos, sendo que apenas o piloto foi uma adaptação de um dos livros do personagem; os demais episódios tiveram roteiros originais. Somente em 2009 estreou a segunda temporada da série, com mais 13 episódios produzidos, os quais ainda estão em exibição em seu país. Esta será a última temporada da série, visto que o ator já divulgou à imprensa local que não renovará seu contrato para novos episódios.

O sucesso da série sueca levou a BBC inglesa a produzir sua própria versão, que estreou em 2008. Produzida pela Yellow Bird, a mesma produtora responsável pela série sueca, em parceria com a inglesa Left Bank Pictures, a versão inglesa é estrelada por Kenneth Branagh. Foram três episódios produzidos para a primeira temporada, os quais são uma adaptação de três livros de Hennig Manjel. O sucesso de crítica e os prêmios conquistados, levou a BBC a produzir uma segunda temporada com mais três episódios, também adaptados de obras literárias.

Na história da série sueca, a personagem Linda Wallander, a filha do Inspetor, segue a trama dos livros, ou seja, ela se forma na Academia de Polícia e vai trabalhar com o pai. A personagem chegou a ganhar na literatura uma história própria, na qual investiga um caso de assassinato. Não há informações a esse respeito, mas é bem provável que a TV sueca tivesse interesse em produzir uma spinoff de “Wallander” estrelada pela personagem Linda. No entanto, se isso vier a ocorrer no futuro, outra atriz terá que interpretar a personagem. Em 2007, Johanna Sällström (foto acima), intérprete da personagem na série sueca, foi encontrada morta em um aparente suicídio. A atriz vinha sendo tratada contra a depressão, depois de ter vivenciado uma experiência traumática durante o tsunami de 2004 ocorrido na Tailândia.

Além da profissão de Linda Wallander, existem outras diferenças entre as duas versões televisivas das histórias de “Wallander”. A principal delas é o tom utilizado para narrar a trama. Na série inglesa, a abordagem é mais dramática, interiorizada, explorando o lado intimista e depressivo do personagem; enquanto que a série sueca trabalha mais as investigações dos casos policiais, explorando o lado mais leve de Wallander, incluindo seu humor mais irônico.

Outa diferença está no fato de que a série sueca mantém o gosto do personagem pela música clássica, enquanto que a inglesa optou em não abordar essa questão para evitar que o personagem fosse comparado a outro detetive famosa na TV inglesa: Inspetor Morse. Ambas as séries são filmadas na Suécia, mas é a produção inglesa que melhor explora, cinematograficamente, o ambiente, tornando-o poético, quase idílico, em meio à crueza dos casos investigados. Já a série sueca, uniu a crueza dos casos à fotografia.

Além dessas questões, a série inglesa também difere da sueca pelo fato de que, até o momento, os episódios são adaptações dos livros. Mas, visto que a série inglesa foi renovada para uma terceira temporada com mais seis episódios (e já tendo sido produzidas seis histórias para as duas primeiras temporadas), os três últimos episódios terão histórias originais.

13/01/2010

às 21:31 \ Séries Inglaterra

Trailer com as Novas Produções da BBC

Christopher Eccleston, de “Doctor Who”, como John Lennon em “Lennon Naked”

O canal BBC prepara-se para estrear novas séries neste primeiro semestre de 2010. Para divulgá-las, montou o clip abaixo no qual temos algumas cenas do que vem por aí na linha dramática que divide-se entre séries e minisséries. Com as estréias, algumas produções mais antigas deverão ser canceladas, conforme já divulgado pelo canal. A lista de cancelamentos ainda não foi disponibilizada, mas o objetivo é abrir espaço em sua programação com novas atrações, muitas das quais tem um orçamento mais adequado para o canal neste período ainda de crise.

No clip abaixo temos imagens da série “Five Days“, que entra em sua segunda temporada, “Lip Service“, série sobre um grupo de lésbicas que vivem em Glasgow; a terceira temporada de “Ashes to Ashes“; a segunda de “Being Human” e de “Wallander“; e a primeira temporada de Luther.

Tem ainda as minisséries “Five Daughters“, em três episódios escrita por Stephen Butchard (“House of  Saddan) com base em fatos reais sobre cinco jovens assassinadas em 2006; “A Passionate Woman“, estrelada por Billie Piper, de “Secret Diary of a Call Girl” e “Doctor Who”; “The Deep“, com Minnie Driver, de “The Riches”, Goran Visnjic, de “ER” e James Nesbitt, de “Jeckyl”; “Money“, em dois episódios com base em livro de mesmo nome escrito por Martin Amis; “The Sinking of the Laconia“, em dois episódios com base em fatos reais que ocorreram em 1942; “Lennon Naked“, telefilme sobre John Lennon estrelada por Christopher Eccleston, de “Doctor Who”; “Dive“, em duas partes sobre uma adolescente grávida; “The Royal Wedding“, sobre os habitantes de uma cidade do interior que acompanham o casamento de Diane Spencer com o Prícinpe Charles; “The Silence” sobre uma jovem surda que é testemunha de um assassinato; e ainda o telefilme “The Secret Diaries of Miss Anne Lister“, com base em fatos reais sobre uma mulher lésbica do século 19 que desafiou a sociedade.

Publicarei matérias sobre as novas produções conforme elas forem estreando. Por enquanto, confiram as imagens:


 

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