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Televisão

01/06/2014

às 13:52 \ Internet, Televisão

Nielsen amplia sua área de cobertura

nielsenQuem acompanha as séries de TV já conhece o trabalho da Nielsen Media Research, empresa que faz a medição da audiência nos EUA.

Seus números podem determinar a renovação ou cancelamento de uma produção, mas eles não representam a totalidade do público que acompanha um programa. Calculada com base em um sistema de amostragem, a audiência da Nielsen oferece aos produtores e aos canais uma ideia de quais programas o público em geral acompanha.

A Nielsen utiliza dois tipos de coletas de dados: a diária e a de datas específicas. A diária é medida através de aparelhos acoplados aos televisores e gravadores que registram o canal e o horário que está sintonizado. A medição em datas específicas consiste em calcular a audiência através de pesquisas por escrito, a qual não está restrita ao público que tem o aparelho da Nielsen.

Nos meses de fevereiro, maio, julho e novembro, a Nielsen envia um questionário a um público selecionado (chamado de Nielsen Family), que responde as perguntas, enviando as respostas à empresa (uma espécie de Censo). Não podem participar das pesquisas pessoas (e seus familiares) que estejam de alguma forma ligadas a um canal de TV.

Apesar da coleta de dados diários, são os números calculados através da pesquisa de questionários que têm maior importância para os canais de TV, pois são eles que determinam os valores dos espaços comerciais de cada programa para os próximos meses.

As pesquisas da Nielsen são realizadas em áreas de interesse de anunciantes. Atualmente, a empresa cobre cerca de 120 mercados, dos quais, as cidades que estão entre as 20 mais importantes são: Nova Iorque, Los Angeles, Chicago, Filadélfia, Dallas, São Francisco, Boston, Atlanta, Washington, Houston, Detroit, Phoenix, Seattle, Tampa, Minneapolis, Miami, Denver, Cleveland, Orlando e Sacramento.

A partir deste ano, a empresa irá ampliar o número de casas que participam da pesquisa. Serão 200 novas residências nas cidades de Dallas, Washington, Houston, Miami e Denver, cada. Em 2015, as cidades de  Charlotte, St. Louis, Chicago, Philadelphia, San Francisco, Boston, Atlanta e Phoenix terão mais 200 residências cada incluídas na medição da Nielsen. As cidades de New York e Los Angeles terão mais 300 residências. Nos próximos dois anos, a Nielsen também ampliará sua área de atuação em mais 200 residências de cada cidade atendida pela empresa. Isto representará um aumento de 50% da área de amostragem da empresa, o que deverá refletir nos números da audiência de cada programa.

A empresa cobre áreas urbanas e rurais. Para fazer parte da família Nielsen, os moradores precisam concordar em participar da pesquisa, autorizando a monitoração de seus hábitos televisivos. A partir daí, são instalados equipamentos que fazem a medição nos aparelhos de TV, de vídeo, de DVD (ou outro sistema de gravação de programas), bem como no aparelho da TV a cabo. Um outro aparelho também é instalado no qual o telespectador precisa apertar um botão para identificar quem é a pessoa que está assistindo ao programa (por sexo e idade). Com isso, a Nielsen consegue registrar quem está assistindo a um programa, qual o canal e a que horas.

A pesquisa não determina se o telespectador gostou do programa ou não. Este tipo de retorno ela deverá começar a obter com a medição que ela iniciou nas redes sociais, mais precisamente no Twitter.

Em 2012, a empresa fechou um acordo com o Twitter que permite a Nielsen determinar o nível de aceitação de um programa através das trocas de mensagens dos usuários do microblog. A medição teve início no segundo semestre de 2013. A decisão de incluir o Twitter na medição da Nielsen foi tomada porque, nos últimos anos, alguns programas conseguiram ter sua produção renovada graças ao burburinho que ele gerou no microblog.

O Nielsen Twitter TV Rating é utilizado como um complemento e não um substituto da medição da audiência feita nas residências. Para os canais, produtores e anunciantes, o resultado obtido com a medição do Twitter servirá como uma ferramenta para que possam compreender os interesses do público e suas constantes mudanças de comportamento.

24/05/2014

às 14:06 \ Opinião, Séries Anos 2010-2019, Televisão

As novas séries da Summer Season 2014

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Na primeira semana de junho inicia nos EUA a Summer Season, período que, até o ano passado, era considerado ‘zona morta’ nos canais da rede aberta americana. Por ser período de férias escolares, os canais sofrem uma significativa queda na audiência. Razão pela qual eles costumavam preencher suas grades com reprises de programas de sucesso e desova de episódios de séries canceladas e retiradas do ar antes de exibir todos os episódios produzidos. Mas isto foi no passado. Graças ao sucesso de Under the Dome em 2013, os canais da rede aberta estão investindo em mais produções originais para a Summer Season.

Se as novas séries conseguirem repetir o sucesso de Under the Dome, a rede aberta vai começar a dar trabalho para os canais da TV a cabo. Isto porque, até então, para fugir da competição com a rede aberta na Fall Season e Midseason, os canais a cabo estreiam boa parte de sua programação na Summer Season, onde se estabeleceram junto ao público, especialmente o adulto.

O sucesso de programação da TV a cabo também definiu a produção de temporadas mais curtas, com dez a treze episódios, algo que desperta o interesse de nomes consagrados no cinema, que não querem passar o ano inteiro trabalhando em um único programa de TV. Tendo em vista que a Summer Season compreende um período de três meses (junho, julho e agosto), uma temporada de dez a treze episódios se tornou interessante para a rede aberta nesta época. Com isso, nomes consagrados do cinema também são atraídos para lá, com a possibilidade de ganhar um cachê maior que na TV a cabo.

O ano de 2014 ficou marcado pela grande quantidade de séries encomendadas sem passar pela produção de um episódio piloto para avaliação. Também é grande o número de séries com temporadas curtas. Elas estão sendo chamadas pelos produtores de ‘séries eventos’ ou ‘limited series’, as quais podem ser minisséries (histórias com começo, meio e fim que não são renovadas) ou séries com temporadas de curta duração (histórias que desenvolvem um tema por temporada, as quais contam com dez a treze episódios). Boa parte destas produções devem estrear na Midseason ou Summer Season de 2015.

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Este ano, a Summer Season tem 38 novas séries, das quais, 27 são de canais a cabo, sendo uma importada, e onze da rede aberta (uma delas já estreou, Gang Related). Entre as produções da rede aberta, quatro são importadas. Além das novas produções, a Summer Season terá o retorno de 38 séries, das quais, 33 são da TV a cabo e cinco da rede aberta. Um calendário completo com as estreias e retornos será publicado no blog no dia 31 de maio.

Entre os nomes estabelecidos no cinema, a Summer Season 2014 trará John Malkovich, Halle Berry, Clive Owen, Mark Canton, Guillermo del Toro, Richard LaGravenese, Mark Bomback, os retornos de Joel Silver e Steven Soderbergh, bem como a estreia dos escritores Tom Perrotta e Chuck Hogan, além do rapper 50 Cent, que produzem suas primeiras séries de TV.

Apesar da quantidade de novas séries, poucas despertam realmente o interesse de acompanhar ou a curiosidade de conhecer. As produções que mais chamam minha atenção são aquelas oferecidas pela TV a cabo. Entre elas:

The Leftovers (HBO) – série sobre um grande mistério que ocorre em uma cidade do interior. Estreia de Damon Lindelof (Lost) na TV a cabo. Vamos ver se ele faz bom uso desta oportunidade que lhe deram;

The Strain (FX) – série sobre vampiros assinada por Del Toro e Hogan. Não é um tema que desperta meu interesse, mas se ela conseguir valorizar mais os personagens que o tema e ainda ser capaz de resgatar o clima de Arquivo X e Fringe, indo além, pode se tornar um bom entretenimento;

Married (FX) – comédia sobre relacionamentos. Não que precisamos de mais uma sitcom com este tema, mas se for bem escrita pode compensar a falta de boas comédias na TV americana;

Tyrant (FX) – série sobre os conflitos políticos do Oriente Médio e choque de culturas, assinada por Gideon Raff, criador da ótima Hatufim, produção israelense que gerou Homeland (muito boa na primeira temporada, mas um desastre nas temporadas seguintes);

The Knick (Cinemax) – série sobre o início da medicina moderna na década de 1900, que retrata os conflitos morais e as barreiras da ética com o surgimento de novas técnicas e equipamentos;

Manhattan (WGN America) –  série sobre o desenvolvimento da bomba atômica e os conflitos éticos e morais nos quais os cientistas que trabalharam no projeto Manhattan viviam. Esta é mais uma chance que dou para o canal WGN America mostrar a que veio, já que decepcionou com Salemsua primeira série original;

Satisfaction (USA Network) –  série sobre o relacionamento de um casal. Embora seja uma produção do USA, o tema desperta curiosidade. Durante anos o canal se dedicou a produzir séries de entretenimento. Mas em 2012, com Political Animals, o USA começou a abrir espaço para produções mais sérias. Vamos ver se ele conseguiu chegar lá.

Entre as produções da rede aberta, Crossbones (NBC) chama atenção apenas porque é estrelada por Malkovich, mas não é uma série que promete. E, embora seja estrelada por Halle Berry (longe de ser uma das minhas atrizes favoritas) e produzida por Steven Spielberg (que desde The Pacific em 2010 não fez nada realmente bom na TV), tenho curiosidade de ver se Extant (CBS) consegue me prender.

Entre os retornos, o único que realmente vale a pena esperar é o de Rectify (Sundance TV), a melhor série de 2013. Outras que despertam curiosidade para ver como se desenvolvem são Masters of Sex (Showtime), que se não cuidar o texto vira ‘novelinha didática’ sobre temas polêmicos, e Please Like Me (ABC2/Pivot), produção australiana que vale a pena conferir.

Entrem nos links para mais informações sobre enredo e elenco das séries citadas no texto.

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22/05/2014

às 22:27 \ Televisão

As 10 séries de maior audiência da Temporada 2013-2014

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Este mês encerrou nos EUA a Temporada 2013-2014, que teve início em setembro. Com isso, a Nielsen, empresa que calcula a audiência da TV americana, divulgou a lista que mostra quais foram os programas de maior audiência neste período, nos canais da rede aberta.

A lista é dividida entre aquela que registra a audiência na faixa etária entre 18-49 (público alvo do anunciante) e público geral. Os números referem-se à audiência ao vivo (pessoas que assistem à séries no dia e horário que elas são exibidas) e audiência em DVR (pessoas que deixam gravando para assistir em um período máximo de sete dias).

Lembrando que a audiência é medida através do sistema de amostragem, não representando o total do público que acompanha a série. Confiram aqui matéria sobre como ler os números da audiência

Entre os canais, a NBC ficou em primeiro lugar na audiência do público alvo. Esta é a primeira vez que o canal ocupa esta posição nos últimos dez anos. Já a CBS, que vinha conseguindo vencer a concorrência entre o público alvo, caiu para o terceiro lugar, mas manteve a primeira posição entre a totalidade do público.

Quem tiver interesse em conferir as listas dos anos anteriores, clique nos links: 2010-2011, 2011-2012, 2012-2013.

As 10 séries de maior audiência da TV americana – rede aberta
(a lista abaixo não leva em consideração outros formatos de programas como esportes, reality shows, humorísticos, talk shows ou noticiários):

 

Entre o público alvo (18-49 anos): rating/share

01. The Big Bang Theory - 6.2/20
02. Modern Family - 4.5/13
03. Grey’s Anatomy – 4.4/12
04. How I Met Your Mother – 4.3/13
05. The Blacklist – 4.3/12
06. Scandal – 4.2/13
07. Resurrection – 3.8/10
08. NCIS – 3.3/10
09. Once Upon a Time – 3.3/9
09. Criminal Minds – 3.3/9
10. Sleepy Hollow – 3.2/8

Nas três posições seguintes estão: 2 Broke Girls (3.2/9), Marvel Agent’s of S.H.I.E.L.D. (3.1/9), Uma Família da Pesada (3.1/8)

 

Por milhões de telespectadores:

01. The Big Bang Theory – 19.96 milhões
02. NCSI – 19.77 milhões
03. NCIS: Los Angeles – 16.02 milhões
04. The Blacklist – 14.95 milhões
05. Person of Interest – 14.04 milhões
06. Blue Bloods – 13.63 milhões
07. Resurrection – 12.96 milhões
08. Criminal Minds – 12.66 milhões
09. Castle – 12.63 milhões
10. Grey’s Anatomy – 12.12 milhões

Nas três posições seguintes estão: Scandal (11.99 milhões), CSI (11.86 milhões) e Modern Family (11.79 milhões).

 

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Os Números dos Canais

Audiência média por canal na faixa 18-49 anos:

1. NBC – 2.7/8 (aumento de 13% em relação à Temporada 2012-2013)
2. Fox – 2.5/7 (não houve mudanças)
3. CBS – 2.4/5 (queda de 17% em relação à Temporada 2012-2013)
4. ABC – 2.1/6 (queda de 5% em relação à Temporada 2012-2013)
5. CW – 0.8/2 (aumento de 14% em relação à Temporada 2012-2013)

Audiência média por canal na totalidade

CBS – 10.73 milhões (queda de 9% em relação à Temporada de 2012-2013)
NBC – 9.28 milhões (aumento de 33% em relação à Temporada 2012-2013)
ABC – 7.59 milhões (queda de 4% em relação à Temporada 2012-2013)
Fox – 7.35 milhões (aumento de 4% em relação à Temporada 2012-2013)
CW – 1.89 milhão (aumento de 6% em relação à Temporada 2012-2013)

30/11/2013

às 13:13 \ Séries China, Televisão

China investe na produção de séries com roteiristas americanos

Foto: Bafta

Foto: Bafta

A televisão, especialmente a americana, é voltada para o público jovem. Séries que atraem um público em sua maioria velho são com o tempo descartadas para dar lugar a produções que possam atrair uma audiência mais jovem.

Essa ‘transformação’ não está restrita ao produto. Os atores também passam pelo mesmo processo. Aqueles que foram galãs no passado hoje têm dificuldades de conseguir interpretar o pai ou o avô de alguém, embora ainda atraiam o interesse do público…mais velho. Em muitos casos, eles são substituídos por nomes que fizeram carreira no cinema e que, tendo perdido espaço para a nova geração, migram para a TV, onde se estabelecem em séries, especialmente na TV a cabo.

Mas não são apenas os profissionais que estão na frente das câmeras que passam por este processo. Muitos roteiristas que ‘ontem’ eram profissionais requisitados pela indústria perdem lugar para os mais jovens que ‘entendem sua geração’ e portanto ‘estão mais aptos’ a escrever para ela. Esta questão chegou a ser tema do documentário Power and Fear: The Hollywood Graylist, lançado em 1990 diretamente em vídeo.

Em 2010, após quase uma década lutando por seus direitos, cerca de 165 roteiristas com mais de 40 anos de idade ganharam um processo na justiça movido contra estúdios, canais e agentes, por discriminação. Entre as empresas processadas estavam a ABC, CBS, NBC, Fox, The WB e UPN, bem como os estúdios Columbia TriStar Television, Inc., DW SKG TV L.L.C., Universal Media Studios, Regency Television, Spelling Television, The Carsey-Werner Company LLC, Touchstone Television, Twentieth Century Fox Television e Warner Bros. Television, além das agências APA, The Endeavor Agency, The Gersh Agency, Paradigm Talent & Literary Agency, Shapiro-Lichtman, UTA e The William Morris Agency LLC.

Os roteiristas alegavam que perdiam oportunidades de trabalho em função da idade. Um acordo entre as partes foi feito, o qual chegou a 70 milhões de dólares, dois terços dos quais foram pagos por seguradoras. Com parte deste dinheiro, foi criada a Fund for the Future, instituição que oferece subsídios e empréstimos para roteiristas de mais idade que passam por dificuldades financeiras.

Agora, muitos desses roteiristas integram a Metan Wen Zhi Ku, empresa que está sob o comando de Larry Namer, um dos fundadores do canal E! Entertainment. A empresa emprega cerca de dois mil roteiristas da ‘velha guarda’ da televisão americana, com o objetivo de desenvolver projetos e ministrar cursos. Segundo o Hollywood Reporter, no momento a Metan tem contrato com canais de TV e empresas da China, mas seu objetivo é expandir para mercados como o da Índia, Rússia e até mesmo do Brasil.

Além de oferecer produtos, a empresa também ensina profissionais locais a desenvolver projetos que possam atender o mercado mundial (em outras palavras, a padronização de roteiros ao estilo americano). Este parece ser mais um passo para uma indústria do entretenimento globalizada. A iniciativa amplia os horizontes da produção de diversos países, permitindo que ela se torne competitiva internacionalmente, podendo ‘desovar’ os produtos em canais de rede aberta, a cabo e sites de streamings em diversas regiões do mundo. É claro que, para poder atrair o interesse do público internacional, esses produtores terão também que abrir as portas para diretores e atores de diversos países, algo que ocorre na produção europeia há muitos anos, mas nos EUA se tornou um recurso recorrente da produção televisiva apenas nas duas últimas décadas.

Entre os profissionais que fazem parte deste projeto estão nomes como Aby Mann (Kojak), Art Eisenson (Miami Vice), Marilyn Anderson (Murphy Brown, Fame), Elias Davis (Mash, Frasier), Michael Elias (The Bill Cosby Show), Eric Estrin (Cagney & Lacey) e David Gittins (Casal 20/Hart to Hart e Assassinato por Escrito/Murder, She Wrote), entre outros. O primeiro grande desafio destes roteiristas será o de oferecer projetos que consigam passar pela censura do governo chinês. Algo que não deve ser muito difícil, já que esses profissionais fizeram carreira em uma época em que a própria TV americana limitava a abordagem de temas polêmicos.

Os roteiristas não precisam ir até a China para realizar o desenvolvimento de projetos ou roteiros. Eles continuam nos EUA, onde trabalham com informações e pesquisas realizadas pela empresa sobre a cultura local. O primeiro projeto é uma websérie. Trata-se de uma comédia romântica situada na China, Europa e América Latina.

Esta é mais uma etapa do longo caminho percorrido pela indústria do entretenimento americano. No passado, era comum os estúdios de cinema e de TV dos EUA boicotarem a indústria de entretenimento de diversos países que tentavam enveredar no mercado internacional. Com o tempo, os americanos passaram a adotar a política da coprodução, bem como a aquisição de produtoras que atuam na indústria de diversos países. Com isso, o americano continua lucrando com o produto estrangeiro que faz carreira nacional ou internacional.

As séries britânicas de ficção científica da década de 1970

Tom Baker em 'Doctor Who', década de 1970 (Fotos: BBC/Arquivo)

A década de 1970 é considerada a ‘era de ouro’ da ficção científica da televisão britânica. Foi neste período que surgiram diversas produções que tinham o objetivo de retratar os problemas sociais e políticos da época. Com isso, elas não se limitaram à abordagem ‘super-herói salva o mundo’, mas se permitiram explorar um terreno mais denso e complexo, o que levou a crítica e o público a apoiar e incentivar este gênero, transformando várias produções em cult.

Tudo começou em 1955, quando surgiu o ITV, o primeiro canal comercial do Reino Unido. Dizem que, em seu primeiro ano, o ITV conseguiu ‘roubar’ 30% da audiência da BBC, que até então reinava sozinha. A BBC era o único canal operando no Reino Unido entre 1932 (quando iniciaram as primeiras transmissões experimentais) e 1955, sendo que as transmissões foram suspensas entre 1939 e 1946, período da 2ª Guerra Mundial.

O canal ITV chegou apostando em uma programação mais popular, trazendo com ele (entre outros programas) séries de TV que retratavam diversos tipos de heróis vivendo diferentes aventuras, em ambientes policiais ou de espionagens, bem como de época. Além das produções originais, o ITV também seduzia o público com as séries importadas dos EUA. Tentando vencer a concorrência, a BBC começou a oferecer um número maior de séries que passaram a fazer parte de sua programação voltada para documentários, teleteatros e diversos programas culturais.

A ficção científica foi um dos gêneros explorados pelos dois canais para atrair o interesse da audiência. A BBC já tinha oferecido alguns teleteatros e minisséries que traziam histórias dramáticas com elementos de fantasia e terror. Entre elas, The Quatermass Experiment (1953), minissérie em seis episódios. Na história, três astronautas são infectados por um organismo alienígena que os transforma lentamente em criaturas vegetais.

Então, em 1963, a BBC contratou Sydney Newman, produtor canadense e ex-diretor da ABC – Associated British Corporation (canal inaugurado em 1956), para assumir o cargo de diretor do departamento de drama. Ele substituiu Michael Barry, que estava no cargo desde 1952. Barry pediu demissão por não concordar com os rumos artísticos que a BBC estava seguindo. A contratação de Newman tinha como principal objetivo resgatar o público que migrou para o ITV. Assim, a missão do novo diretor era a de oferecer programas de conteúdo (mantendo o perfil da BBC) com apelo popular (perfil do ITV).

Newman já tinha produzido para a ABC a série Out of This World, programa de ficção científica que narrava uma história diferente por episódio. Bem recebida pela crítica da época, a série conseguiu atrair não só o interesse das crianças, mas também dos adultos. Buscando repetir a dose, Newman desenvolveu a série Doctor Who, que estrearia em novembro de 1963, ocupando um espaço na grade de programação das tardes de sábado que representava o fim do horário infantil e o início dos programas para adultos. Com o objetivo de criar uma série educacional, fugindo da abordagem escapista, Newman e os roteiristas Cecil Edwin Webber e Donald Wilson visualizaram um programa que pudesse educar os jovens com aulas de história, ciências, tecnologias, viagens espaciais e no tempo, enquanto se divertiam vivendo uma aventura.

Em sua concepção original, Doctor Who trazia episódios de meia-hora com histórias divididas entre dois e seis episódios. A primeira história levou o Doutor e seus companheiros de viagem ao mundo pré-histórico. A série não agradou o público e o canal chegou a temer seu cancelamento. Quatro semanas depois, entrou no ar a segunda história introduzindo os Daleks, seres cyborgs que desejam a extinção de outras raças. A audiência subiu, chegando a 9 milhões de telespectadores, garantindo assim a continuação da série. Ironicamente, os Daleks salvaram o Doutor.

'Doomwatch'

Ainda na década de 1960 foram produzidas outras séries de ficção e fantasia que marcaram sua época, como as supermarionations de Gerry Anderson, bem como Adam Adamant Lives! (série que teria inspirado a franquia Austin Powers), Enigma (coprodução americana), Os Campeões, Randall and Hopkirk (Deceased), e a que considero a mais importante de todas, O Prisioneiro.

Doctor Who atingiu o auge de sua popularidade na década de 1970 (com a chegada da TV em cores). Em 1975, com Tom Baker no papel título, a série conseguiu registrar a média de 14 milhões de telespectadores, um número muito alto para os padrões britânicos. Sua crescente popularidade levou os canais a investirem em outras séries de ficção científica para fazer companhia ao Doutor ou disputar seu público.

Neste período, o Reino Unido passava pela crise econômica internacional que gerava greves, cortes de investimentos e uma crise energética. Entre 1973 e 1974, o governo estabeleceu o desligamento dos equipamentos de transmissão da BBC e do ITV que, após as 22h30, não poderiam mais operar, até a manhã seguinte.

Os problemas sociais e políticos da época foram abordados, de uma forma ou de outra, pelas séries de ficção científica que surgiram neste período. As diferenças de classe sociais (tema comumente explorado pela TV britânica), a ideia do totalitarismo, as preocupações com o meio ambiente, entre outras questões, se tornaram temas destas produções.

Comentarei apenas algumas das que se destacaram nesta época, para não deixar a postagem gigantesca.

Em 1970 a BBC1 estreou Doomwatch, série criada pelo doutor Kit Pedler, cientista que serviu de conselheiro para as diversas situações apresentadas na trama, e por Gerry Davis, roteirista que trabalhou em Doctor Who, tendo criado o personagem Jamie McCrimmon. Pedler e Davis também foram os criadores dos Cybermen, raça cyborg inimiga do Doutor. Doomwatch teve um total de três temporadas e trinta e oito episódios. Embora classificada como ficção científica, a série retratava fatos científicos.

Na história, tentando apaziguar os protestos nas ruas e garantir sua reeleição, o governo relutantemente forma o Doomwatch – Department for the Observation and Measurement of Scientific Work, departamento que reúne diversos cientistas com a missão de observar e avaliar as pesquisas científicas que são realizadas por grupos públicos e privados. Sua missão é evitar que essas pesquisas se tornem um perigo para a vida humana ou para o meio ambiente.

O grupo era liderado pelo Dr. Spencer Quist (John Paul), que sentia remorsos por ter ajudado no desenvolvimento da bomba H, tendo perdido sua esposa para os efeitos da radiação. Apesar do apoio do governo, o departamento enfrentava as constantes tentativas de Sir George Holroyd (John Barron) de fechá-lo.

Ao longo de seus episódios, a série mostrou histórias que abordavam temas como o desperdício de produtos químicos e o perigo que eles representam quando despejados no meio ambiente; acidentes envolvendo dispositivos nucleares; o perigo que a poluição representa para a vida na Terra; o perigo que representa o abuso comercial no uso de substâncias tóxicas; além de pesquisas com embriões, mensagens subliminares, substâncias alucinógenas, com animais e mutações genéticas, entre outros.

A primeira temporada termina com a morte de um dos membros da equipe, que leva a um inquérito, o qual pode desacreditar o trabalho do Dr. Quist e fechar o departamento.

A série estreou registrando a média de 13.9 milhões de telespectadores, mantendo mais ou menos essa média ao longo de sua produção. Mas os temas abordados por Doomwatch eram uma constante dor de cabeça para a censura interna da BBC. Isto e o fato da série utilizar imagens reais exibidas em noticiários colocava em risco sua existência.

A série foi cancelada depois que seu último episódio foi censurado. Com o título de Sex and Violence, o episódio trazia imagens reais da execução pública de um ladrão ocorrida na Nigéria em 1970, bem como uma versão ficcional da ativista Mary Whitehouse e do político Lord Longford.

Seu status de cult levou à produção de uma versão cinematográfica em 1972, com roteiro de Clive Exton, e a um telefilme em 1999, com o título de Doomwatch Winter Angel, com roteiro de John Howlett e Ian McDonald.

Em 1975, Terry Nation (criador dos Daleks) estreou na BBC1 a série Survivors, drama situado em um mundo pós-apocalíptico.

Na história, 99% da população na Terra é destruída por uma praga, provocada por um vírus cultivado em laboratório. Os que sobreviveram, por serem imunes ou por terem conseguido se recuperar, tentam se unir para reconstruir a sociedade. Sem a infraestrutura oferecida por um governo e uma sociedade, eles vivem sem energia elétrica em comunidades nos arredores das grandes cidades, onde milhares de corpos estão em decomposição. Aos poucos, essas comunidades começam a entrar em contato entre elas e a se unirem para restabelecer a civilização como a conhecemos.

Entre os personagens estão Abby (Carolyn Seymour), uma mulher que não aceita a morte do filho e passa a procurá-lo na esperança de encontrá-lo vivo; Greg (Ian McCulloch), um engenheiro; Jenny (Lucy Fleming), uma secretária; Ruth (Annie Irving), uma estudante de medicina; e Charles (Dennis Lil), um arquiteto que acha que a solução da humanidade é engravidar as mulheres que sobreviveram.

Survivors foi produzida entre 1975 e 1977, com um total de 38 episódios. Pouco depois, Nation lançou uma novelização que dava continuidade à trama desenvolvida na TV. Em 2008, a BBC tentou resgatar a série produzindo um remake, que trouxe o mesmo título. Sem conseguir provocar o mesmo impacto que a produção original teve na década de 1970, a série foi cancelada com duas temporadas e doze episódios.

Outra produção importante nesta década foi Blake’s 7, que atualmente é alvo de um remake americano. Produzida entre 1978 e 1981, com um total de quatro temporadas e 52 episódios, a série, também criada por Terry Nation, narra uma história situada no futuro. A Terra está unida a outros planetas e governada por um regime totalitário, o Terran Federation, que manipula e controla a sociedade através da política, religião, tecnologia e genética.

Roj Blake (Gareth Thomas) é um dissidente político acusado de molestar crianças. Julgado e condenado, ele é levado a um planeta prisão. No caminho, ele se rebela e consegue tomar a nave Liberator. Junto com Blake, a Liberator transporta outros prisioneiros que o ajudam a tomar a nave. São prostitutas, assassinos e ladrões que acabam se unindo a Blake em sua luta ideológica. No entanto, são pessoas em quem ele não pode confiar.

Entre elas, Avon (Paul Darrow), um mercenário psicopata especialista em computadores, que foi preso por fraude; Vila (Michael Keating), um ladrão; Jenna (Sally Knyvette), uma contrabandista e piloto; e Gan (David Jackson), um homem que foi preso por matar um oficial que violentou sua namorada. Agora ele tem um dispositivo implantado no cérebro que previne que ele mate novamente. Mais tarde, Cally (Jan Chappell), uma alienígena telepática, se une ao grupo, que também conta com a ajuda de Zen (voz de Peter Tuddenham), o computador da nave Liberator.

Parte do elenco de 'Blake's 7'

O público acompanha a luta do grupo para derrubar o governo, muito embora a maioria dos personagens não sustentem interesses ideológicos e Blake seja acusado várias vezes de ser fanático. Com baixo orçamento, a série foi produzida por quatro temporadas e 52 episódios. Ao longo da história, um dos personagens centrais morre e Blake desaparece em ação. Isto porque Gareth decidiu deixar o elenco ao final da segunda temporada. Assim, durante todo o terceiro ano, Blake não é visto na história, que é sustentada pelos personagens secundários. Quando a série foi renovada para a quarta temporada, Gareth voltou a interpretar Blake, com a condição de que seu personagem fosse morto no final daquele ano. Embora ainda conquistasse uma boa audiência, a série não foi renovada para sua quinta temporada.

Blake’s 7 foi uma das primeiras a surgir na esteira do sucesso de Guerra nas Estrelas. Conhecido como space opera (novela espacial), o formato também marcou presença na TV americana com Battlestar Galactica, Jornada nas Estrelas: a Nova Geração, Babylon 5 e a australiana Farscape, entre outras.

Ao longo da década de 1970, a TV britânica também ofereceu U.F.O. (vídeo), Espaço: 1999 (video), Seres do Amanhã (que ganhou dois remakes, o segundo estreia este ano nos EUA – vídeo), The Adventures of Don Quick (uma sátira sobre um astronauta viajando pelo espaço e conhecendo novos mundos), Moobase 3 (sobre uma comunidade científica européia vivendo em uma colônia lunar no ano de 2003), The Omega Factor (sobre um jornalista com poderes psíquicos), Sapphire & Steel (sobre dois alienígenas que tomam a forma humana e são enviados à Terra para corrigir problemas causados por um ruptura na linha do tempo), The Guardians (situada em um futuro próximo onde a Inglaterra é dominada por um governo militar totalitário), Timelisp (sobre dois adolescentes que viajam no tempo) e Star Maidens (sobre um planeta dominado por mulheres que utilizam os homens como escravos e objetos sexuais), entre outros. A década também apresentou o retorno de Out of the Unknown (adaptação de contos de ficção científica e fantasia), com uma última temporada da série produzida entre 1965 e 1969.

Com a década de 1980, começaram a surgir novas tecnologias que passaram a ser utilizadas pela indústria do entretenimento. Os EUA foi o país que melhor aproveitou essas mudanças tecnológicas, produzindo séries de ficção e fantasia com super-heróis ou viagens espaciais. O orçamento dessas novas tecnologias era proibitivo para os padrões dos canais britânicos, que não conseguiram competir com as produções importadas dos EUA. Assim, a TV britânica, alegando um desgaste do gênero, começou a abandonar este tipo de produção. Doctor Who ainda resistiu por mais uma década, mas não conseguiu entrar nos anos de 1990, voltando apenas em 2005 (o filme de 1996 é uma coprodução americana).

Nos anos de 1980 a maioria das séries de ficção britânicas eram comédias ou produções infantis. Entre as que se destacam estão Red Dwarf (vídeo)série com oito temporadas que virou cult, ganhando dois retornos, um em 2009 e outro em 2012; e The Hitch Hikers Guide to the Galaxy, versão para a TV da obra de Douglas Adams, com apenas seis episódios produzidos. Outra produção deste período é Hammer House of Mystery and Suspense, que se apoiava mais no tema terror e fantasia que ficção científica. Também foram exibidas algumas minisséries, como Day of the Triffids, que ganhou um remake em 2009; e o telefilme Max Headroom, que gerou um talk show americano, apresentado por Headroom.

Cliquem nas três primeiras fotos para ampliar.

29/06/2013

às 13:08 \ Internet, Televisão

Amazon começa a investir na produção de séries dramáticas

Quando o Amazon anunciou em maio de 2012 que iria começar a investir na produção de séries, ele restringiu o desenvolvimento de projetos às comédias e aos programas infantis, dois segmentos de fácil aceitação do mercado e do público.

Depois de produzir os pilotos para avaliação e disponibilizá-los para que o público (EUA, Reino Unido e Alemanha) pudesse escolher qual deles mereceria ter sua produção aprovada, o estúdio anunciou a encomenda de suas primeiras séries. Entre aquelas voltadas para o público adulto estão Alpha House e Betas. A primeira é uma comédia situada nos bastidores da política e a segunda trata do universo das novas tecnologias.

Antes mesmo da estreia dessas produções, que não chegaram a gerar burburinho entre o público ou a crítica, o Amazon anuncia seu interesse em começar a investir na produção de séries dramáticas e de curtas metragem. Para este último, o processo de seleção será o mesmo das séries cômicas e infantis, ou seja, roteiristas interessados enviam seus projetos para avaliação de uma equipe do estúdio. Já para as séries dramáticas (que custam mais caro), o processo seguirá o modelo dos demais canais de TV.

O Amazon está contratando um profissional para se encarregar do departamento de desenvolvimento de projetos dramáticos. As exigências revelam a seriedade com a que o site pretende trabalhar nesta área. O profissional que eles procuram precisa ter bacharelado em direito, administração ou cinema, o mínimo de oito anos de experiência bem sucedida no desenvolvimento de séries, experiência na supervisão simultânea de diversas produções, bom histórico no gerenciamento de equipes, ser criativo na solução de problemas e paixão pela inovação.

A pessoa que for contratada terá que ser capaz de buscar e avaliar projetos com potencial, supervisionando seu desenvolvimento para que ele possa ser produzido pelo Amazon. Também faz parte da função do diretor de conteúdo supervisionar a produção de pilotos e séries para que eles não ultrapassem o orçamento, mantendo a qualidade.

Em 2012, o Amazon tinha destinado 2.7 milhões de dólares para a produção de pilotos/séries cômicas e infantis. Até o momento, o estúdio não divulgou qual será o orçamento inicial para a produção das séries dramáticas, mas deverá ser maior.

O investimento na produção de séries dramáticas coloca o Amazon em concorrência direta com o Netflix, que já tem três dramas originais em seu catálogo: House of Cards (com potencial para entrar no circuito de premiações), Orange is the New Black (que estreia no dia 11 de julho) e Hemlock Grove (que não conseguiu se estabelecer no quesito qualidade, mas já foi renovada). O Netflix também ofereceu uma nova temporada de Arrested Development, que ainda não tem previsão de continuar a ser produzida, tendo em vista a dificuldade de reunir os atores. Lembrando que Lilyhammer é uma série de um canal da Noruega, adquirida pelo site para exibição internacional. A boa receptividade conquistada por ela levou o Netflix a entrar como coprodutor da segunda temporada.

Qual seria a razão pela qual sites de streaming como o Amazon, Netflix, Crackle e Hulu, entre outros, investem cada vez mais na produção original? Neste primeiro momento, ela serve para oferecer aos assinantes programas que eles não encontrariam em nenhum outro lugar. Bom, em termos, já que as séries do Netflix são produzidas por estúdios terceirizados que lançam o produto em DVD.

Em entrevistas, representantes desses sites deixaram claro acreditar que, no futuro, o DVD e Blu-Ray serão extintos. Para eles, o público estará mais interessado na praticidade de acesso ao conteúdo e em liberar o espaço que as mídias ocupam na casa. Os sites de streamings poderiam se tornar a videoteca ‘particular’, substituindo inclusive os canais a cabo.

No caso de isso acontecer de fato, os canais e estúdios poderiam investir (mais) no streaming de sua programação. O que significaria que seus programas seriam retirados dos catálogos de terceiros. A HBO já faz isso. Seus programas estão disponíveis unicamente para quem assina a HBO Go. O mesmo acontece com os programas da Rede Globo, no Brasil. Se a Paramount, Universal, Sony, Fox, Warner e demais estúdios começarem a oferecer streamings com exclusividade em sites próprios ou de canais específicos de TV, empresas como o Amazon, Netflix, Hulu e Crackle ficariam sem o conteúdo dos grandes estúdios para oferecer.

Devemos lembrar que o Netflix só começou a investir na produção original depois que o canal Starz decidiu não renovar seu contrato com o site no início de 2011. Na época, o canal justificou sua decisão como uma estratégia para proteger o valor de mercado de seu conteúdo (que ficou restrito aos assinantes de TV a cabo e usuários de DVD, bem como à venda internacional). A decisão do Netflix influenciou o Hulu, que estreou sua primeira série, Battleground, antes do Netflix começar a exibir House of Cards.

No caso da produção original dos sites avançar, tornando-se maior ou equivalente ao conteúdo de terceiros, eles poderão se tornar tão importantes quanto os estúdios e canais de hoje.

Para nós, que nos beneficiamos desses investimentos, resta torcer por duas coisas. A primeira, e a mais importante, que eles invistam em gêneros e abordagens diversificadas de séries e filmes, não restringindo sua produção a programas que atraem um público maior (ignorando os demais segmentos). A segunda, que as barreiras internacionais caiam e o acesso ao streaming de sites independentes, estúdios e canais sejam legalmente acessíveis (com opção de legendas) a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo com conexão com a internet.

22/06/2013

às 13:06 \ Televisão

Canais da rede aberta americana pedem mais liberdade de expressão

Esta semana, canais como Fox, CBS, NBC e ABC entraram com um pedido junto ao Senado para que o FCC, órgão que regulamenta o conteúdo televisivo, deixe de impor limites a temas que são classificados como indecentes pela Comissão. A principal argumentação dos canais é a de que, nos dias de hoje, crianças e adultos são mais influenciados pelo conteúdo da TV a cabo, da internet, do video game e de outras mídias, que da rede aberta.

Segundo a Fox, apesar da sociedade e da tecnologia terem evoluído, a Comissão continua utilizando antigas regras e referências para definir o que é conteúdo indecente, as quais levam a decisões inconsistentes e desiguais. Para o canal, o que era válido antes já não se aplica hoje. Para que possam decidir o tipo de conteúdo que será transmitido, cada canal teria que ser protegido pela primeira emenda da Constituição, a qual determina a liberdade de expressão.

Quando a televisão começou a operar nos EUA, a censura definiu o conteúdo que seria exibido. Por ser um veículo que invade as casas das pessoas, trazendo informações e opiniões de fora, a televisão teria que ter a profundidade de seu conteúdo controlada. A princípio, ela evitaria temas considerados delicados ou controversos.

Buscando o puro entretenimento, a televisão foi submetida a uma censura que estabeleceu a forma como temas  políticos, econômicos, religiosos, culturais e sociais seriam tratados. Ao longo dos anos, alguns temas se tornaram alvo constante do FCC e outros órgãos sociais que se manifestam em relação ao conteúdo televisivo. Entre os temas mais polêmicos estão as questões raciais, os discursos religiosos, as práticas sexuais e os atos de violência. Também compreendem temas tabus questões relacionadas à política nacional/internacional e aos bastidores de indústria com forte influência econômica e social.

Enfrentando oposição por parte dos estúdios de cinema, a televisão se estabeleceu em meio a conflitos sociais e políticos. Seu principal objetivo era o de conquistar a confiança do público e dos patrocinadores (não necessariamente nesta ordem). Para tanto, adotou o Código Hays (que na época regia o conteúdo apresentado no cinema), os ideais religiosos e as mudanças de humor do governo (a exemplo da caça aos comunistas nas décadas de 1950 e 1960).

Em meio a tudo isso, a TV recuperou a imagem de órgãos públicos e de profissionais autônomos que tinham caído em descrença durante a Depressão. Policiais corruptos, advogados de porta de cadeia, médicos que determinavam doenças e cirurgias para cobrar consultas e serviços foram transformados em heróis que estavam na TV para solucionar problemas sociais. A partir da década de 1960, com os movimentos sociais que ocorriam nas ruas, a televisão começou a exibir séries dramáticas que questionavam o governo e as regras sociais. Na década de 1970, as séries de comédia, através das topical sitcoms, também adotaram para si essa linha de questionamento.

Forçando os limites, os canais de rede aberta assumiram a responsabilidade de continuar a oferecer programas que retratassem a sociedade com mais realismo. Na década de 1990, o FCC afrouxou ainda mais as regras, permitindo que as séries entrassem em uma nova era de realismo com a ajuda das novas tecnologias. Foi neste período que surgiu a TV a cabo que, tentando se estabelecer seguindo regras diferenciadas, trouxe para si a responsabilidade de exibir programas com um conteúdo mais adulto e artístico que a rede aberta.

Quando o canal Fox surgiu na década de 1980, ele veio com a proposta de ser mais ousado que os demais canais da rede aberta. Mas, com o passar dos anos, ele foi adotando uma programação padronizada, relegando às séries animadas a responsabilidade de trazer um conteúdo que força os limites impostos pelo FCC.

No início deste ano, o FCC fez um pedido ao Senado para que lhe permitisse reforçar o grau de vigilância do conteúdo televisivo da rede aberta, em especial nos eventos com transmissões ao vivo. O pedido foi negado. Em abril, o FCC pediu à população que se manifestasse quanto às regras impostas ao conteúdo televisivo da rede aberta. Segundo a imprensa, mais de cem mil cidadãos americanos já se manifestaram a favor do FCC endurecer as regras por acreditar que a televisão destruiu a sociedade. Voltar ao passado seria, para eles, uma forma de recuperar a moral para que a sociedade possa sobreviver.

Este mês, o Senado começou a ouvir as argumentações do atual diretor do FCC, Tom Wheeler. Segundo ele, o conteúdo é, muitas vezes, avaliado de acordo com o que eles aceitariam que seus netos vissem quando ligam a TV.

Para a Fox, os canais precisam ter a liberdade de decidir se utilizam ou não cenas de sexo, violência, palavrões ou outros temas polêmicos. Ao FCC caberia unicamente avaliar o nível em que estas cenas seriam exploradas pelos canais. Desta forma, eliminaria submeter à avaliação do FCC cenas de nudez ou palavrões ocasionais bem como insinuações de sexo e violência.

Em meio a tudo isso, o Parents Television Council, órgão independente que mantém uma vigilância acirrada do conteúdo exibido na TV, especialmente na rede aberta, se posicionou contra o pedido dos canais. Para Tim Winter, presidente do PTC, a Fox já abusa de cenas e situações ofensivas ao exibir séries animadas que forçam os limites da decência, tais como ‘homem que masturba cavalo, personagem que se alimenta do excremento humano e bebê que ingere um tigela de sêmen’. Para o PTC, a Fox deseja apenas o direito de poder oferecer uma quantidade maior de conteúdo deste nível ou até mesmo pior, para ser exibido a qualquer hora.

Por outro lado, os canais ganharam o apoio do Tech Freedom, do Center for Democracy & Technology, do Public Knowledge e do Electronic Frontier Foundation, que acreditam que as regras do FCC estão prejudicando a transmissão de conteúdo em rede aberta. Para eles, a televisão já não é mais um intruso na casa das pessoas, nem promove mais transformações culturais como antigamente. Além disso, o público já seria capaz de conseguir melhor conteúdo em outros lugares, sem restrições. Desta forma, limitar o conteúdo na televisão aberta não seria uma boa política ou uma ação constitucionalmente defensável.

08/06/2013

às 13:40 \ Opinião, Televisão

Comentários: as melhores séries de todos os tempos

Esta semana o Sindicato dos Roteiristas Americanos divulgou uma lista onde constam os 101 melhores programas ficcionais de todos os tempos. Como normalmente ocorre, a lista não agradou a todos que esperam ver suas séries favoritas incluídas.

Em maio de 2012, quando o WGA (Writers Guild of America) anunciou que iria elaborar a lista, foi dito que seriam levados em consideração apenas programas com o mínimo de seis horas produzidos (o que deixou os telefilmes de fora), falados em inglês e que tivessem sido exibidos nos EUA. Na avaliação, não seria levada em consideração a popularidade do programa, direção, edição, estética ou atuação, apenas o roteiro que, além de bem desenvolvido, teria que refletir a cultura de sua época.

A lista surpreendeu por algumas escolhas e pela ausência de programas que, pelo roteiro, precisavam ter sido incluídos. Por exemplo, I Love Lucy e O Prisioneiro entraram apenas pelo piloto, quando deveriam ser representados por todos os episódios ou, no caso de I Love Lucy, teria que entrar pelo menos as três primeiras temporadas. Mas, se ainda assim quisessem escolher apenas um episódio, este teria que ser L. A. at Last e não o piloto. Além da Imaginação aparece apenas pela primeira temporada, quando a qualidade da série se manteve ao longo de sua duração, talvez caindo o nível na última temporada; Jornada nas Estrelas é representada por toda a série, quando até mesmo os trekkers concordam que a última temporada ofereceu episódios muito abaixo de seu potencial; o mesmo vale para Arquivo X e House que, a partir da quinta temporada perderam seu valor. E assim por diante.

Acho extremamente difícil (se não impossível) elaborar uma lista das melhores séries de todos os tempos. O principal problema é que, para fazer essa lista, seria necessário conhecer todas as séries já produzidas ou pelo menos conhecer uma amostragem considerável. Ainda assim, apenas ter conhecido não é o suficiente. Seria preciso rever tudo, com o objetivo de seleção, porque não dá para confiar na memória. Também não dá para confiar na fama conquistada pela série quando exibida (a exemplo de As Panteras Baywatch, que fizeram muito sucesso mas jamais conseguiriam entrar na lista de melhores roteiros). Muitos poderiam utilizar a crítica publicada na época como referência, mas aí seria a opinião de terceiros e não da pessoa que está encarregada de dar seu voto.

Elenco de 'A Família Soprano'

O que pareceu muito bom na época que foi exibido pode não ter o mesmo significado hoje. Um bom roteiro é aquele que, representando sua época, consegue sobreviver à passagem do tempo. E aí entra outra questão. Na minha opinião, a lista não deveria incluir as séries que ainda estão em produção, porque para avaliar se a qualidade do roteiro sobreviveu ao tempo é necessário que passe, pelo menos, dez anos do fim de sua produção.

Desta forma, Mad Men, Breaking Bad, 30 Rock, Friday Night Lights e tantas outras que figuram na lista, não poderiam ser levadas em consideração. Também não deveriam considerar séries apenas pelo episódio piloto (que configura telefilme) ou os talk shows (que poderiam figurar em uma lista própria). Afinal, eles são essencialmente programas de entrevistas, apenas uma parte é dedicada aos shows de stand-ups do apresentador.

Entre as séries esquecidas ou desconsideradas, acho um erro não terem incluído Cidade Nua (anos 50), Combate (anos 60), Maude (anos 70), Blackadder, Yes Prime Minister (ambas britânicas dos anos 80), Da Terra à Lua (anos 90) ou Slings & Arrows (canadense dos anos 2000 – se bem que estou em dúvida sobre quando ela estreou nos EUA), só para citar algumas. Estas certamente entrariam na minha lista.

Com relação aos dois primeiros lugares da lista, que coincidentemente representam os gêneros drama e comédia, acho que A Família Soprano é uma das melhores séries já produzidas pela TV americana e merece figurar entre as dez primeiras da lista. Seu valor histórico é inquestionável. Graças ao sucesso de Oz (que figura em último lugar da lista), David Chase ofereceu A Família Soprano para a HBO, abrindo as portas para outras produções de qualidade artística e de conteúdo. Seu desenvolvimento de roteiro (personagens e situações) é primoroso e sua estética cinematográfica é um verdadeiro exemplo da capacidade da TV de oferecer produtos tão bons quanto ou melhores que o cinema.

Ainda assim, se eu tivesse que escolher que série mereceria figurar em primeiro lugar, apenas pela qualidade de seu roteiro e representação cultural, esta seria The Wire. Apesar de todas as mudanças que A Família Soprano promoveu, ela ainda oferece um roteiro que se apóia no tradicional, ou seja, ele acompanha a vida de um protagonista em torno do qual os demais personagens giram. Direta ou indiretamente, seus desejos, suas vontades, suas ações e opiniões determinam o rumo da história e daqueles que fazem parte da trama. Se tirarmos Tony Soprano da história, a série fica aleijada e perde seu sentido.

Em The Wire, criada por David Simon, o protagonista é a cidade de Baltimore e o tráfico de drogas. Além de oferecer belíssimos personagens e desenvolvimentos de situações, a série inovou ao mudar de foco a cada temporada. Na primeira, temos o trabalho da polícia contra o tráfico de drogas; na segunda, a relação da sociedade com o tráfico; na terceira, a política do governo no combate ao tráfico; na quarta temos a ação do sistema educacional na prevenção e combate às drogas dentro das escolas; e na quinta, a relação dos meios de comunicação no combate ao tráfico. Tendo em vista as mudanças de foco, cada temporada elegia uma espécie de protagonista da trama, levando os demais personagens a figurarem como coadjuvantes, mesmo tendo ganho destaque na temporada anterior. A série se transformou em matéria acadêmica, mas nunca recebeu um Emmy ou foi paparicada pela mídia (embora tenha recebido o apoio da crítica).

Elenco de 'Seinfeld'

O segundo lugar da lista divulgada pelo WGA é ocupado pela série Seinfeld que, por ser comédia, é considerada a melhor sitcom da TV americana. Jamais escolheria a série como a melhor comédia de todos os tempos (e olha que sou fã de Seinfeld).

Além de resgatar o tipo de humor que se fazia nas décadas de 1940 e 1950 no vaudeville/variedades e programas humorísticos, a série promoveu uma transformação cultural negativa na produção de sitcoms. Quando foi classificada como uma série sobre o nada, slogan no qual a NBC se apoiou para divulgá-la, Seinfeld passou a ser utilizada como referência dos produtores que tentaram reproduzir seu sucesso. Com isso, apesar de algumas exceções, como Arrested Develompent, 30 Rock ou Parks and Recreation, por exemplo, as sitcoms da rede aberta esvaziaram seu conteúdo. Eles (e nós) ainda estão pagando pelo erro de acreditar que Seinfeld é uma sitcom sobre o nada. É uma série sobre comportamentos e consequências.

Retratando o comportamento de pessoas como elas realmente são (em suas mentes) e não como elas se apresentam na sociedade, a série cresce por ser situada em Nova Iorque (os personagens não funcionariam da mesma forma em outro lugar). Ambientada em uma cidade multicultural e individualista, Seinfeld conseguiu explorar personagens infantilizados, mais preocupados com suas vontades e desejos que com o ambiente e aqueles que os rodeiam.

Se tivesse que eleger algo com este tipo de abordagem, The Larry Sanders Show seria a minha escolhida. A série retrata os bastidores de produção de um talk show. Esta foi a primeira comédia da HBO a fazer sucesso (embora Sex and the City, que veio depois, tenha repercutido mais na mídia). Na verdade, foi The Larry Sanders Show que definiu a produção de séries na HBO. Seu sucesso com a crítica levou o canal a investir em Oz, que abriu as portas para A Família Soprano e Sex and the City, e assim por diante.

Na minha opinião, Tudo em Família/All in the Family, deveria figurar em segundo lugar na lista (representando a primeira comédia). Não existiria Um Amor de Família, Os Simpsons, South Park ou qualquer outra comédia que faz humor em cima de tabus se não fosse por Tudo em Família (que é uma adaptação de série britânica). Esta foi uma das primeiras representantes das topical sitcoms, gênero que a ditadura do politicamente correto e a abordagem sobre o nada tentam destruir. Passados mais de trinta anos, a série permanece atual e com um humor afiado, mesmo para os dias de hoje em que boa parte das situações retratadas parecem ser típicas do período. Tudo em Família traz um texto ainda relevante ao mostrar personagens debatendo diversas temáticas sobre a sociedade e sobre o indivíduo, cada um defendendo seu ponto de vista e seu comportamento, evoluindo ao longo dos anos.

Mas, como disse no início desta postagem, cada um tem sua opinião sobre quais produções deveriam ou não figurar na lista. Talvez o ideal seja selecionar as melhores por décadas (e ainda assim seria difícil). Analisando o resultado de um modo geral, boa parte das séries selecionadas mereceram o reconhecimento do WGA, quanto a isto não há dúvida. Mudando a ordem, incluindo alguns títulos e tirando outros a lista poderia se tornar de fato uma referência para quem tenta conhecer as séries que melhor representam, em termos de qualidade, o que a TV americana tem a oferecer.

Quem tiver curiosidade sobre quais séries considero as melhores dos últimos anos, pode conferir a lista anual de Top 10 que publico todo o mês de dezembro neste blog. Basta clicar aqui.

Cliquem nas fotos para ampliar.

03/06/2013

às 10:54 \ Televisão

Os 101 melhores programas ficcionais da TV, segundo o Sindicato dos Roteiristas

'A Família Soprano'

Em maio de 2012, o Sindicato dos Roteiristas Americanos anunciou que divulgaria uma lista com os 101 melhores programas roteirizados de todos os tempos. Inicialmente prometida para o final de 2012, a lista foi divulgada durante um evento realizado neste último final de semana, com patrocínio da revista TV Guide.

A seleção foi feita tendo como base o fato de que os melhores programas são mais que entretenimento popular, eles são produções que refletem a cultura de sua época, podendo promover mudanças na sociedade. Ainda assim, como qualquer outra lista, esta deixou de lado algumas produções que mereciam ter sido incluídas e selecionou outras que não precisariam entrar. Alguns títulos são representados apenas pelo episódio piloto e outros por uma única temporada, mas a maioria é representada por todas as temporadas produzidas. A lista também traz alguns empates.

Quem estiver interessado, o Sindicato divulgou em 2006 uma lista dos 101 melhores filmes de todos os tempos, tendo como base de avaliação os roteiros.

Cliquem na foto para ampliar.

A lista abaixo inclui séries, séries animadas, teleteatro, variety shows e talk shows:

1. The Sopranos/A Família Soprano – HBO – David Chase

2. Seinfeld – NBC – Larry David & Jerry Seinfeld

3. The Twilight Zone/Além da Imaginação – Primeira Temporada – CBS – Rod Serling

4. All in the Family/Tudo em Família – CBS – Norman Lear (remake de Till Death Do Us Part, de Johnny Speight)

5. M*A*S*H – CBS – Larry Gelbart

6. The Mary Tyler Moore Show – CBS – James L. Brooks e Allan Burns

7. Mad Men – AMC – Matthew Weiner

8. Cheers – NBC – Glen Charles & Les Charles e James Burrows

9. The Wire/A Escuta – HBO – David Simon

10. The West Wing – NBC – Aaron Sorkin

11. The Simpsons – FOX – Matt Groening

12. I Love Lucy – CBS – (Piloto) Jess Oppenheimer & Madelyn Pugh & Bob Carroll, Jr.

13. Breaking Bad – AMC – Vince Gilligan

14. The Dick Van Dyke Show – CBS – Carl Reiner

15. Hill Street Blues/Chumbo Grosso – NBC – Michael Kozoll e Steven Bochco

16. Arrested Development – FOX – Mitchell Hurwitz

17. The Daily Show with Jon Stewart – Comedy Central – Primeira Temporada – Madeleine Smithberg e Lizz Winstead

18. Six Feet Under/A Sete Palmos – HBO – Alan Ball

19. Taxi – ABC – James L. Brooks, Stan Daniels, David Davis e Ed Weinberger

20. The Larry Sanders Show – HBO – Garry Shandling & Dennis Klein

21. 30 Rock – NBC – Tina Fey

22. Friday Night Lights – NBC – Peter Berg, adaptada do livro de H.G. Bissinger

23. Frasier – NBC – David Angell, Peter Casey e David Lee (spinoff de Cheers, criada por Glen Charles e Les Charles)

24. Friends – NBC – Marta Kauffman e David Crane

25. Saturday Night Live – NBC – Primeira Temporada - Walter Kempley (supervisor de roteiros), Harry Shearer, Ann Beatts, Chevy Chase, Tom Davis, Al Franken, Rosie Michaels, Garrett Morris, Michael O’Donoghue, Herb Sargent, Tom Schiller, Alan Zweibel

26. The X-Files/Arquivo X – FOX – Chris Carter

27. Lost – ABC – Jeffrey Lieber, J.J. Abrams e Damon Lindelof

28. ER/Plantão Médico – NBC – Michael Crichton

29. The Cosby Show – NBC – Ed Weinberger, Michael Leeson e William Cosby, Jr.

30. Curb Your Enthusiasm/Segura a Onda – HBO – Larry David

31. The Honeymooners – CBS – Primeira Temporada – Herbert Finn, Marvin Marx, A.J. Russell, Leonard Stern, Walter Stone, Sydney Zelinka

32. Deadwood – HBO – David Milch

33. Star Trek/Jornada nas Estrelas – NBC – Gene Roddenberry

34. Modern Family – ABC – Steven Levitan e Christopher Lloyd

35. Twin Peaks – ABC – Piloto – Mark Frost e David Lynch

36. NYPD Blue/Nova Iorque Contra o Crime – ABC – David Milch e Steven Bochco

37. The Carol Burnett Show – CBS – Primeira Temporada – Bill Angelos, Stan Burns, Don Hinkley, Buz Kohan, Mike Marmer, Gail Parent, Kenny Solms, Saul Turtletaub e Arnie Rosen (supervisão de roteiros).

38. Battlestar Galactica (2005) – SYFY – Ronald D. Moore (remake de Battlestar Galactica de Glen A. Larson)

39. Sex and the City – HBO – Darren Star, adaptação do livro de Candace Bushnell

40. Game of Thrones – HBO – David Benioff e D. B. Weiss, adaptação da obra de George R. R. Martin

41. The Bob Newhart Show – CBS – David Davis e Lorenzo Music (empate)

41. Your Show of Shows – NBC – Primeira Temporada – Mel Tolkin, Lucille Kallen, Max Liebman (empate)

43. Downton Abbey – PBS – Julian Fellowes (empate)

43. Law & Order – NBC – Dick Wolf (empate)

43. thirtysomething – ABC – Marshall Herskovitz e Edward Zwick (empate)

46. Homicide: Life on the Street – NBC – Paul Attanasio, adaptação do livro Homicide: A Year on the Killing Streets, de David Simon (empate)

46. St. Elsewhere – CBS – Joshua Brand, John Falsey, Mark Tinker e John Masius (empate)

48. Homeland – Showtime – Howard Gordon e Alex Gansa, adaptada da série israelense Hatufim de Gideon Raff

49. Buffy the Vampire Slayer – WB – Joss Whedon

50. The Colbert Report – Comedy Central – Primeira Temporada – Stephen Colbert, Rich Dahm, Eric Drysdale, Peter Gwinn, Jay Katsir, Laura Krafft, Allison Silverman (empate)

50. The Good Wife – CBS – Robert King e Michelle King (empate)

50. The Office (UK) – BBC – Ricky Gervais e Stephen Merchant (empate)

53. Northern Exposure – CBS – Joshua Brand e John Falsey

54. The Wonder Years/Anos Incríveis – ABC – Neal Marlens e Carol Black

55. L.A. Law/Nos Bastidores da Lei – NBC – Steven Bochco e Terry Louise Fisher

56. Sesame Street/Vila Sésamo – PBS – Joan Ganz Cooney

57. Columbo – NBC – Richard Levinson e William Link

58. Fawlty Towers – BBC – John Cleese e Connie Booth (empate)

58. The Rockford Files/Arquivo Confidencial – NBC – Roy Huggins e Stephen J. Cannell (empate)

60. Freaks and Geeks/Aborrecentes – NBC – Paul Feig (empate)

60. Moonlighting/A Gata e o Rato – ABC – Glenn Gordon Caron (empate)

62. Roots/Raízes – ABC – William Blinn, M. Charles Cohen, Ernest Kinoy, James Lee, adaptação da obra de Alex Haley

63. Everybody Loves Raymond – CBS – Philip Rosenthal (empate)

63. South Park – Comedy Central – Matt Stone e Trey Parker (empate)

65. Playhouse 90 – CBS – Primeira Temporada – Edna Anhalt, Edmund Beloin, Harold Jack Bloom, Marc Brandel, George Bruce, James P. Cavanagh, Whitfiled Cook, Helen Doss, Scott Fitzgerald, Devery Freeman, Frank D. Gilroy, Helen Howe, Speed Lamkin, Ernest Lehman, Herbert Little, Jr., Don Mankiewicz, Elick Moll, Paul Monash, Dean Reisner, Norman Retchin, Selma Robinson, William Sackheim, Rod Serling, Leonard Spigelgass, Leslie Stevens, Brandon Thomas, David Victor, Charles M. Warren, Hagar Wilde, Cornell Woolrich

66. Dexter – Showtime – James Manos, Jr., adaptação da obra de Jeff Lindsay (empate)

66. The Office (US) – NBC – Greg Daniels, remake de série britânica de Ricky Gervais e Stephen Merchant (empate)

68. My So-Called Life/Minha Vida de Cão – ABC – Winnie Holzman

69. The Golden Girls/As Supergatas – NBC – Susan Harris

70. The Andy Griffith Show – CBS – Piloto: The New Housekeeper – Jack Elinson e Charles Stewart

71. 24/24 Horas – Fox – Joel Surnow e Robert Cochran (empate)

71. Roseanne – ABC – Matt Williams e Roseanne Barr (empate)

72. The Shield – FX – Shawn Ryan

74. House – FOX – David Shore (empate)

74. Murphy Brown – CBS – Diane English (empate)

76. Barney Miller – ABC – Danny Arnold e Theodore J. Flicker

77. I, Claudius – PBS – Rupert Graves e Jack Pulman

78. The Odd Couple /Um Estranho Casal – ABC – Piloto: The Fight of the Felix – Peggy Elliott e Ed Scharlach

79. Alfred Hitchcock Presents/Suspense – CBS – Primeira Temporada – Gwen Bagni, Samuel Blas, Robert Blees, Ray Bradbury, Richard Carr, James Cavanagh, Eustace Cockrell, Francis Cockrell, Marian Cockrell, John Collier, Robert C. Dennis, Mel Dinelli, Stanley Ellin, Fred Freiberger, Irwin Gielgud, Gina Kaus, Terence Maples, Richard Pedicini, Louis Pollock, Joseph Ruscoll, A.J. Russell, Stirling Silliphant, Andrew Solt, Harold Swanton, Victor Wolfson, Cornell Woolrich (empate)

79. Monty Python’s Flying Circus – BBC – Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Neil Innes, Terry Jones, Michael Palin (empate)

79. Star Trek: The Next Generation/Jornada nas Estrelas: a Nova Geração – Canais regionais – Gene Roddenberry (empate)

79. Upstairs, Downstairs – PBS – Jean Marsh e Eileen Atkins (empate)

83. Get Smart/Agente 86– NBC – Piloto – Mel Brooks e Buck Henry

84. The Defenders/Os Defensores – CBS – Reginald Rose (empate)

84. Gunsmoke – CBS – Piloto: Matt Gets It – Charles Marquis Warren e John Meston (empate)

86. Justified – FX – Graham Yost, adaptação de Fire in the Hole, de Elmore Leonard

87. Sgt. Bilko (The Phil Silvers Show) – CBS – Nat Hiken

88. Band of Brothers – HBO – Erik Bork, E. Max Frye, Tom Hanks, Erik Jendresen, Bruce C. McKenna, John Orloff, Graham Yost, adaptada da obra de Stephan E. Ambrose

89. Rowan & Martin’s Laugh-In – NBC – Primeira Temporada – Chris Beard, Phil Hahn, John Hanrahan, Coslough Johnson, Paul Keyes, Marc London, Allan Manings, David Panich, Hugh Wedlock, Digby Wolfe

90. The Prisoner/O Prisioneiro – CBS – Piloto – George Markstein e David Tomblin

91. Absolutely Fabulous (UK) – BBC – Piloto: Fashion – Jennifer Saunders e Dawn French (empate)

91. The Muppet Show – Canais Regionais – Primeira Temporada – Jack Burns, Jim Henson, Jerry Juhl, Marc London (empate)

93. Boardwalk Empire – HBO – Terence Winter, adaptação da obra de Nelson Johnson

94. Will & Grace – NBC – David Kohan & Max Mutchnick

95. Family Ties/Caras e Caretas – NBC – Gary David Goldberg

96. Lonesome Dove – CBS – Bill Wittliff, adaptação da obra de Larry McMurtry (empate)

96. Soap – ABC – Susan Harris (empate)

98. The Fugitive/O Fugitivo – ABC – Piloto: Where the Action Is – Harry Kronman (empate)

98. Late Night with David Letterman – CBS – Primeira Temporada – Merrill Markoe (supervisão de roteiros), Andy Breckman, Tom Gammill, David Letterman, Richard Morris, Gerard Mulligan, Max Pross, Karl Tiedemann, Steve Winer (empate)

100. Louie – FX – Primeira Temporada – Louis C.K.

101. Oz – HBO – Tom Fontana

‘Revenge’ e ‘Cougar Town’ passam pela troca de produtores

'Revenge'

Nas vésperas do final de temporada nos EUA algumas séries que já foram renovadas, ou têm potencial de retornar com novos episódios, começam a passar pela troca de produtores.

Essa mudança é muito comum, em especial com as séries exibidas na rede aberta. Existem diversos motivos para que uma série perca seu produtor responsável. Um deles é a decisão do próprio produtor de se afastar da série, seja por motivos pessoais ou profissionais (os quais incluem não ter chegado a um acordo financeiro). O outro motivo é por exigência do canal.

Em termos gerais, quando um canal deseja ver a série seguindo um determinado rumo, ele impõe sua renovação à troca de produtor (no caso dele não se adequar à visão que o canal tem da produção). Um bom exemplo recente é Smash, que só foi renovada para sua segunda temporada depois que ela passou pela troca de produtor responsável, o conhecido showrunner. Ele também pode ser dispensado se, mesmo seguindo a visão que o canal tem da série, não conseguir se adaptar ao estilo de trabalho imposto a ele (leia-se orçamento).

Quando o criador de uma série, que atua também como showrunner, se afasta ou é afastado ele é, por força de contrato, mantido na equipe de produção como supervisor ou consultor. Esta função, geralmente, é meramente figurativa.

Por uma questão de sobrevivência profissional, muitos produtores que tomam a decisão de se afastar de suas criações não revelam ao público a verdadeira razão. Geralmente a justificam como sendo interesse em seguir outros rumos (ir para o cinema, por exemplo) ou desenvolver novos projetos (por vezes para o próprio canal com o qual já trabalham), o que muitas vezes é realmente o caso.

Neste final de temporada, duas séries já tiveram a troca de showrunner anunciada pela imprensa americana. Revenge perdeu seu criador, Mike Kelley, que anunciou seu afastamento no final de abril.

Segundo o Deadline, seu afastamento se deve ao fato de Kelley não ter conseguido chegar a um acordo com a ABC em relação ao número de episódios a serem produzidos por temporada.

O produtor acredita que a trama de Revenge seria melhor desenvolvida se ela adotasse o padrão da TV a cabo de produzir treze episódios por temporada ao invés de esticar situações para preencher 22 episódios. A ABC não aceitou o pedido de Kelley, o que o teria levado a tomar a decisão de não renovar seu contrato.

Ele foi substituído por Sunil Nayar (CSI: Miami, Body of Proof), que nesta temporada atuou como produtor executivo de Revenge. Parece que o contrato de Nayar tem a duração de dois anos. Ele assumirá a nova função com a terceira temporada.

Vale a pena lembrar que Revenge ainda não foi oficialmente renovada. O anúncio deverá ser feito durante o Upfront do canal, que será realizado este mês nos EUA.

Outra série que passa por uma troca de showrunner é Cougar Town, já renovada para sua quinta temporada. Esta é a segunda troca de showrunner pela qual a série passa. Cancelada pela ABC, Cougar Town foi resgatada pelo canal a cabo TBS. Nesta mudança, ela perdeu Bill Lawrence, co-criador e showrunner da série ao longo das três primeiras temporadas. Lawrence se afastou para poder desenvolver novos projetos para a Warner Brothers TV, com quem tem contrato. Ainda assim, ele chegou a produzir alguns episódios da quarta temporada. Seu posto de produtor responsável foi ocupado por Ric Swartzlander, que agora é substituído por Blake McCormick, roteirista e produtor executivo da série.

Me parece que não foi dada nenhuma justificativa à imprensa mas vale a pena lembrar que esta foi a primeira vez que Swartzlander atuou como showrunner. Apesar de estar na TV desde a década de 1990, ele vinha exercendo apenas as funções de roteirista e de produtor executivo. Mesmo quando criou a sitcom Rodney, em 2004, ele não chegou a assumir a função de showrunner da série.

Quando foi escolhido para produzir a quarta temporada de Cougar Town, Swartzlander disse em entrevistas durante o painel do TCA que a TBS tinha lhe pedido para não promover mudanças radicais na estrutura e no rumo da série, ou seja, ele recebeu ordens para mantê-la do mesmo jeito que estava quando exibida pela ABC. Algo que ele parece ter cumprido, dentro das limitações do corte de orçamento que a série sofreu quando passou para um canal a cabo.

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