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Pobre Homem Rico

06/03/2011

às 13:45 \ Minisséries, Televisão

A Produção de Minisséries

Populares na década de 1970, a produção de minisséries americanas foi praticamente relegada à TV a cabo. Seu alto custo e curta duração fizeram com que as redes de televisão deixassem de investir nesse formato. Mas elas ainda são muito populares na Inglaterra, que iniciou sua produção na década de 1950.

No Reino Unido, as minisséries de época são consideradas o ‘crème de la crème’, sendo mais importantes que as séries (episódios fechados) ou os seriados (histórias contínuas).

O formato minissérie é normalmente utilizado para adaptar obras literárias ou narrar histórias reais. A adoção desse formato pela TV americana na década de 1970 serviu como uma forma de concorrer com a produção cinematográfica, oferecendo superproduções, com abordagens mais complexas, utilizando cenários grandiosos, fotografia artística e um elenco de peso. O sucesso desse formato influenciou as mudanças narrativas das séries de TV, que passaram a adotar, gradualmente, o desenvolvimento contínuo de situações e histórias.

O interesse dos americanos pelo formato minissérie teve início no final da década de 1960, quando foi exibida a produção inglesa “The Forsyte Saga“, de 1967, dividida em 20 episódios. A resposta da audiência levou à importação de outras produções nesse formato, como a inglesa “The Six Wives of Henry VIII“, pela CBS em 1970, ou a minissérie russa “War and Peace”, pela ABC.

A primeira produção de uma minissérie americana, que se tem notícias, é “QB VII“, em quatro episódios, da obra de Leon Uris. Na história, um cientista processa um escritor por ter sido apontado como nazista em sua obra. Exibida pela ABC em 1974, a produção ganhou seis prêmios Emmy. No mesmo ano a CBS estreou “Benjamin Franklin”, produção em quatro episódios.

Em janeiro de 1976 o canal PBS estreou “The Adams Chronicles“, produção em 13 episódios, que poderia ser considerada série, visto apresentar uma situação por episódio. Na história, os altos e baixos de uma família com forte influência política. Iniciando com John Adams, um jovem advogado que se tornaria revolucionário e Presidente da República, a história cobriu 150 anos da política americana, acompanhando diferentes gerações da família Adams.

Um mês depois estreou “Pobre Homem Rico/Rich Man Poor Man“, da obra de Irwin Shaw, que muitos historiadores consideram como a primeira minissérie americana por ter sido ela a dar início à exploração desse formato na TV americana. Com um total de 12 episódios (transformados em oito de 1h30) a produção foi exibida pela rede ABC. A história narrava a saga de uma família entre as décadas de 1940 e 1960.

Seu sucesso de público e de crítica deu início à produção do formato que, no ano seguinte, estrearia seu maior sucesso até hoje: “Raízes“, adaptada da obra de Alex Haley. O autor, que passou 12 anos pesquisando sua árvore genealógica, conta a história de sua família, que teve início na África com a captura de Kunta Kinte, vendido como escravo nos EUA.

Passando pela Guerra Civil e pelas duas Grandes Guerras, a história ganhou o apoio do Departamento de Marketing da ABC, que divulgou a minissérie em escolas, centros comunitários e igrejas promovendo debates sobre a situação do negro na cultura americana. Considerada um sucesso isolado, pensava-se que a minissérie, vista por 130 milhões de telespectadores, reinaria sozinha por muito tempo.

Mas, no ano seguinte, a NBC estrearia “Holocausto“, produção que narra a história de uma família judia durante a 2ª Guerra Mundial. Vista por cerca de 120 milhões de telespectadores, esta minissérie estabeleceu a produção do formato na TV americana.

Ao longo da década seguinte, a produção de minisséries se tornou contínua na TV americana. Desprendendo-se das adaptações literárias ou histórias reais, o formato também fez surgir roteiros originais, alguns dos quais foram, posteriormente, transformados em séries de sucesso, como “Família“, ou fracassos, como “V – Os Extraterrestres no Planeta Terra“.

A produção de minisséries foi uma das responsáveis por atrair profissionais do cinema para a televisão. Podendo desenvolver um conteúdo mais rico, tanto de roteiro quanto de fotografia, com um investimento maior e sendo um produto de curta duração, mais cineastas, roteiristas, atores, compositores e editores migraram para a TV. O formato também serviu como porta de entrada para muitos jovens talentos que buscavam um lugar na indústria cinematográfica.

Na década de 1990, com o crescimento da produção seriada (histórias contínuas), as minisséries começaram a perder terreno. Visto se tratar de uma produção dispendiosa, de curta duração, que desenvolve temáticas polêmicas com maior profundidade, a TV aberta precisaria de uma grande audiência para compensar o investimento. Assim, esse formato praticamente desapareceu das redes nacionais.

Por outro lado, com o início da produção original da TV a cabo, o formato se transformou em uma alternativa para oferecer aos assinantes (muitos dos quais fãs de cinema) produções bem desenvolvidas, de curta duração e com poucos, ou nenhum, intervalo comercial. Desta forma, a produção de minisséries migrou para a TV por assinatura onde, em 1998, estreou “From the Earth to the Moon“, considerada a segunda produção nesse formato oferecida pela HBO. A primeira foi “Laurel Avenue”, minissérie em dois episódios exibida em 1993 (alguns historiadores consideram “Tanner ’88″ como minissérie em 11 episódios, mas o próprio canal divulgou essa produção como seriado).

Tentando dar ‘ares de cinema’ para “From Earth to the Moon”, Tom Hanks ofereceu o projeto direto para o canal a cabo, onde recebeu carta branca para iniciar a produção, que teve o custo de 68 milhões de dólares, e mais 10 milhões gastos com a divulgação. Narrando a história da expedição da Apollo à Lua, a minissérie apresentou uma história real e mundialmente conhecida, mas introduzindo questões pessoais. O sucesso de crítica fez com que a produção definisse a exploração do formato pela TV a cabo.

Atualmente várias minisséries são produzidas por ano, mas a maioria se mantém no nível de telefilme de longa duração (2 a 4 episódios), trazendo roteiros originais, geralmente ambientados no tempo presente, narrando uma história corriqueira. Com exceção de uma ou outra produção oferecida por diferentes canais, o formato, como ele foi consagrado pela TV americana, sobrevive quase que exclusivamente na HBO, que oferece adaptações literárias, com visual artístico, estreladas e/ou produzidas por grandes nomes da indústria, explorando temas polêmicos.

Lampião e Maria Bonita

O sucesso das minisséries americanas da década de 1970 influenciou a produção brasileira. O formato surgiu no Brasil em 1982, com a estreia de “Lampião e Maria Bonita”, pela Rede Globo. Dirigida por Paulo Afonso Grisollie e  Luis Antônio Piá, a história foi escrita por Aguinaldo Silva e Doc Comparato, trazendo uma versão romantizada da vida do cangaceiro.

A década de 1980 foi o período dourado da produção desse formato no Brasil. Foi a época em que a emissora mais investiu na produção de minisséries, trazendo títulos importantes e polêmicos, que poderiam ser adaptações literárias ou obras originais: “Avenida Paulista”, “Quem Ama não Mata”, “Bandidos da Falange”, “Anarquistas, Graças a Deus”, “O Tempo e o Vento”, “Tenda dos Milagres”, “Grande Sertão: Veredas”, “Anos Dourados”, “O Primo Basílio” e “Memórias de um Gigolô“, entre outras.

O grande diferencial na produção de minisséries estrangeiras e brasileiras é: para os britânicos e americanos o formato é desenvolvido como se fosse um filme de longa duração, enquanto que, no Brasil, o formato é tratado como se fosse uma mininovela (com raras exceções).

Fernanda Furquim: @Fer_Furquim

06/09/2008

às 0:53 \ Minisséries, Televisão, Versão Televisiva

Samurai Girl e as Minisséries

Eu não costumo abordar minisséries neste blog, visto que também não fazia isso na revista que publicava. Mas tentarei trazer informações sobre minisséries que estão sendo produzidas e comentários sobre os clássicos deste gênero. Afinal, foram elas, e não as novelas, que influenciaram a produção dos seriados atuais, com narrativas contínuas.

Na Inglaterra e no Canadá, as minisséries tem um valor muito maior que a produção de séries. Nestes países, elas são produzidas desde os anos 50, já nos EUA, elas começaram a ser produzidas nos anos 70. Por curiosidade, elas só começariam a ser produzidas no Brasil nos anos 80.

As minisséries surgiram com a inteção de se narrar histórias com base em obras literárias ou biografias, explorando grandes temas e situações, já que as séries deturpariam a história original para que a produção pudesse ser mantida por, pelo menos, cinco anos. Este é o tempo médio para que uma série seja considerada de sucesso financeiro.

Os telefilmes, que iniciaram como teleteatro, adaptavam obras do teatro e da literatura, mas eram produções restritas inicialmente a uma hora de duração, posteriormente a 1h30. Ou seja, muito da obra literária ficava de fora, provocando descontentamento dos intelectuais, críticos e outros.

Apesar do sucesso que elas faziam na Inglaterra, os executivos da TV americana não acreditavam que o público tivesse interesse no gênero. Mas, querendo explorar novos caminhos e adaptar obras em sua “plenitude” (entre aspas porque não dá para dizer que são fiéis aos livros, afinal, são dois veículos diferentes), começaram a produzir minisséries.

Entre os clássicos deste período inicial, os anos 70, está “Pobre Homem Rico/Rich Man Poor Man”, de 1976, , dirigido entre outros por Bill Bixby, o intérprete de David Banner na série “O Incrível Hulk”. Também teve “A Saga do Colorado/Centennial”, de 1978, que narrava a colonização do Colorado e sua evolução através da história de uma família que atravessou gerações até chegar nos anos 70.

Temos ainda “Família/Family”, minissérie em seis episódios de Aaron Spelling, que fez tanto sucesso que virou série de TV. Aliás, várias séries de TV surgiram a partir de uma minissérie, além desta, temos outro exemplo clássico, “V – A Batalha Final”, nos anos 80, e mais recentemente, “Battlestar Galactica” e “The Starter Wife”.

Talvez a mais famosa e mais importante seja “Raízes/Roots”, de 1977, que chegou a ter uma continuação, “Raízes II”. Ela narra a saga de Kunta Kintê, um escravo e sua luta pela liberdade a qual atravessa as gerações de sua família chegando aos dias atuais.

O primeiro serial killer de uma série de TV, por assim dizer, surgiu em uma minissérie. Foi Mark Harmon, que estrelou “The Deliberate Stranger” (passou no Brasil, mas não me lembro do nome agora), no qual interpretou Ted Bundy, um assassino em série que existiu na vida real.

Nos últimos anos, “Band of Brothers” e “Angels in America”, estabeleceram um novo marco no gênero, que continua fazendo sucesso, como foi o caso da biografia de “John Adams”. Outra minisérie que já promove expectativas é “Coco Chanel”, biografia da estilista que será estrelada por Shirley MacLaine e Audrey Tautou.

A qualidade técnica, de cenários, figurinos, direção e roteiros das minisséries foram responsáveis em trazer para a televisão grandes nomes do cinema que ainda preferem atuar neste gênero à fazer série de TV.

Tudo isto foi apenas uma introdução para situá-los. Agora vamos ao motivo real deste post. A minissérie “Samurai Girl“, estréia esta noite na TV americana e será exibida até domingo. Trata-se da história de Heaven Kogo uma jovem de 19 anos que é forçada pelo pai adotivo a se submenter a um casamento arranjado. Mas, quando seu irmão é morto pela máfia japonesa, a Yakuza, Heaven jura vingança e parte para São Francisco, onde encontra Jake ), que irá ajudá-la em sua missão. Estrelada por Jamie Chung, que surgiu na TV “atuando” em um dos primeiros Reality Shows da modernidade, o “The Real World”, da MTV, Brendan Fehr, o Dan Cooper de “CSI: Miami”, e Anthony Wong, entre outros.

Existe um mangá e um desenho animado com o mesmo título, mas parece que não está relacionado com esta produção, a qual tem como base seis livros da literatura juvenil escrito por Carrie Asai, sob os títulos de “The Book of the Sword”, “The Book of Pearl”, “The Book of Wind”, “The Book of Flame” e “The Book of Heart”, todos de 2003.

A minisérie condensou os seis livros em três partes com duas horas de duração cada. Assim, será apresentado esta noite o “Book of the Sword”, no sábado será a vez do “Book of the Heart” e no domingo, “Book of the Shadow”.

Não se trata de uma grande obra literária, portanto não se espera uma grande minisérie. Pela forma como se apresenta, está mais para uma abordagem de série infanto-juvenil de ação e mistério que uma minisérie com a qual pretende se desenvolver um grande tema. Lembrando que a produção foi feita para o canal ABC Family, da Disney, produção para toda a família.

 

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