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O Sítio do Picapau Amarelo

19/02/2011

às 12:11 \ Séries Anos 1970-1979, Séries Brasil

Séries Clássicas – O Sítio do Picapau Amarelo

Nascido na Chácara do Visconde, como era conhecida a propriedade de seu avô, o Barão e Visconde de Tremembé, Monteiro Lobato a transformou no “Sítio do Picapau Amarelo” em 1921, quando foi publicado pela primeira vez o livro “Reinações de Narizinho”. Esta obra daria início a uma série de outras histórias estreladas pelos mesmos personagens psicologicamente ricos, que viviam situações entre realidade e fantasia, influenciando gerações e a literatura infantil, ao mesmo tempo em que fazia críticas à situações políticas de sua época.

Dona Benta é uma velha senhora que vive no Sítio do Picapau Amarelo, afastada do barulho e da correria da cidade grande.  Tia Nastácia compartilha dessa vida calma cozinhando quitutes para a sinhá e sua neta, Lúcia, mais conhecida como Narizinho.

Tendo apenas as duas senhoras como companhia, a menina cria um mundo de fantasias do qual a personagem principal é sua boneca de pano Emília. Um dia, Narizinho conhece o Príncipe Escamado, soberano do Reino das Águas Claras que, por coincidência, fica localizado no ribeirão que passa pelo sítio.

Elenco da série da Tupi

O peixe, quer dizer, o príncipe, fica encantado com Lúcia e a convida para conhecer seu reino. Lá, a menina é apresentada aos proeminentes súditos de sua majestade, entre eles, o Dr. Caramujo, um renomado cientista que dá à boneca Emília a pílula falante. Depois que ingere o comprimido, Emília começa a falar e não pára mais.

Durante as férias escolares, Narizinho tem como companhia seu primo Pedrinho, que estuda na cidade grande onde vive com a mãe. De férias no Sítio, o menino também ganha um boneco de Tia Nastácia. Batizado de Visconde de Sabugosa, por ser feito de sabugo de milho, ele também ganha vida. Por ter sido esquecido durante um bom tempo no meio dos livros, Visconde adquiriu uma admirável sabedoria, tornando-se um intelectual e até cientista.

Foram 22 livros escritos por Lobato e estrelados pela turma do sítio: “Reinações de Narizinho”, “Viagem ao Céu”, “O Saci”, “Caçadas de Pedrinho”, “Hans Staden”, “Histórias do Mundo para as Crianças”, “Memórias de Emília”, “Peter Pan”, “Emília no País da Gramática”, “Aritmética da Emília”, “Geografia de Dona Benta”, ‘Serões de Dona Benta”, ‘História das Invenções”, “Don Quixote das crianças”, “O Poço do Visconde”, “O Minotauro”, “Histórias de Tia Nastácia”, “O Picapau Amarelo”, “A Reforma da Natureza”, “A Chave do Tamanho”, “Fábulas” e “Os Doze Trabalhos de Hércules” (títulos referentes à coleção publicada em 1955).

O crescente sucesso da turma do sítio nos livros levou a história para o cinema e depois para a TV. O filme “O Saci”, com direção de Rodolfo Nanni e Nélson Pereira dos Santos, foi lançado em 1951 (o filme já foi disponibilizado em DVD). Em 1974, a turminha do sítio voltaria para o cinema com a produção de “O Sítio do Picapau Amarelo”, com direção de Geraldo Sarno.

Elenco da primeira versão da Rede Globo da década de 1970

As histórias de Lobato chegariam na TV em 1952, quando a TV Tupi exibiu a primeira versão do “Sítio do Picapau Amarelo” dentro do programa Teatro Escola de São Paulo – TESP. Este era um teleteatro voltado para o público infantil, criado por Júlio Gouveia e sua esposa Tatiana Belinky, em 1948. “A Pílula Falante”, um dos capítulos do livro “Reinações de Narizinho”, foi a história escolhida pelo casal para adaptar a obra de Lobato. O sucesso conquistado por esta exibição levou à produção da primeira série de TV, que estreou em 3 de junho de 1952, reprisando o episódio “A Pílula Falante”. A série ficaria no ar por onze anos, encerrando em 1962 com um total de 360 episódios.

Em 1964, a TV Cultura produziria uma nova versão que durou apenas seis meses. Em 1967, estreou pela TV Bandeirantes a terceira série do “Sítio do Picapau Amerelo”, novamente sob o comando de Júlio Gouveia e Tatiana Belinky. Esta produção duraria três anos.

No início da década de 1970, a Rede Globo, em conjunto com a TV Educativa, produziu “Pluft, o Fantasminha”, com base na obra de Maria Clara Machado, estrelada por Dirce Migliaccio e Zilka Salaberry. Na época, também era exibido “Vila Sésamo”, versão brasileira de um programa educativo americano. O resultado de audiência desses dois programas teria levado a diretoria da Globo a investir em uma nova adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Zilka Salaberry e Jacira Sampaio

Trabalhando em conjunto com o Ministério da Educação e Cultura – MEC, através da TV Educativa, a Globo produziu a adaptação da obra de Lobato feita por Paulo Afonso Grisolti e Wilson Rocha, com direção de Geraldo Casé. Um grupo de professores assessorou a produção, criando uma espécie de ‘bíblia’, que definia pontos educacionais a serem abordados nas histórias, sem que a continuidade da narração fosse interrompida. Seguindo a obra de Lobato, que estimula a curiosidade das crianças enquanto conta uma história, cada episódio era escrito com o apoio de psicólogos infantis, liderados pela professora Maria Helena Silveira.

As externas eram filmadas em um sítio na Barra da Guaratiba, enquanto que as cenas no interior da casa eram feitas no estúdio da Cinédia, em Jacarepaguá. A partir de 1984, as filmagens passariam a ser realizadas totalmente em locação. A trilha sonora trazia nomes famosos da música brasileira, como Dorival Caymmi, João Bosco, MPB4, Gilberto Gil e outros.

Dirce Migliaccio

Um primeiro episódio, que recebeu o título de “Dom Quixote”, teria sido exibido no dia 7 de março de 1973 pela TV Educativa. Aparentemente, a estratégia era testar a audiência. Como resultado, uma série começou a ser produzida em 1976, estreando em 7 de março de 1977 pela Rede Globo.

Exibida de segunda a sexta, a série apresentava uma história a cada 20 ou 30 episódios, que terminavam com cliffhangers. Inicialmente prevista para durar 265 episódios, a produção da década de 1970 ficou no ar por nove anos, totalizando 1.436 episódios. Esta versão do “Sítio do Picapau Amarelo” encerrou no dia 31 de janeiro de 1986.

Para o papel de Dona Benta, a Globo escolheu Zilka Salaberry, que não queria fazer parte do elenco. A atriz não gostava da idéia de trabalhar no campo, mas, segundo declarações posteriores de Zilka à imprensa, por imposição da emissora, ela teve que aceitar viver o personagem que a identificaria para sempre.

Já o personagem do Visconde de Sabugosa deveria ser interpretado por Tonico Pereira. Mas quando ele ficou doente, foi substituído por André Valli. Mais tarde, Tonico entrou para a série interpretando Zé Carneiro.

Reny de Oliveira

Para o papel da Narizinho, foram testadas dezenas de atrizes, entre elas Lisandra Souto. Mas foi Rosana Garcia que ficou com a personagem. Sua irmã, Isabella Garcia, teria feito testes para o papel de Emília, assim como Patrícia Travassos. No entanto, quem ficou com a boneca foi Dirce Migliaccio. Os demais atores escolhidos foram: Jacira Sampaio (Tia Nastácia) e Júlio César (Pedrinho).

Ao longo dos nove anos de produção, o elenco sofreu várias mudanças, especialmente as crianças que, após certa idade/altura, precisavam ser trocadas. Mas a primeira a deixar o elenco foi Dorinha Duval, que interpretava a Cuca. Ela foi substituída por Estella Freitas em 1978. Duval retornaria em 1980, mas sairia novamente quando foi indiciada como responsável pela morte do marido. Em seu lugar entrou Catarina Abdala, que interpretaria a Cuca até o final da série.

A atriz seguinte a deixar o elenco foi Dirce Migliaccio que, estressada, pediu o afastamento. Em seu lugar entrou Reny de Oliveira, talvez a mais famosa das Emílias. Ela permaneceu na série por cinco anos, sendo substituída por Suzana Abranches em 1983. Na época, Reny declarou estar cansada da Emília, personagem que estava lhe trazendo conflitos de personalidades. Sua intenção era interpretar papéis com os quais pudesse mostrar seu verdadeiro rosto. Nesse meio tempo, outro fato contribuiu para seu afastamento. A atriz posou nua para a Playboy, um trabalho que não condizia com os objetivos do programa.

André Valli e Suzana Abranches

Em 1980 Rosana Garcia foi substituída por Daniela Rodrigues, e Júlio César por Marcelo José. Estes seriam mais tarde substituídos Isabela Bicalho, Gabriella Senra e Daniel Lobo. As mudanças foram justificadas através de um sonho da Emília, no qual, vendo o futuro de Narizinho e Pedrinho, ela ‘faz de conta’ que eles seriam crianças para sempre.

A última história da série “O Sítio do Picapau Amarelo” foi “A Trilha das Araras”, em 1986. O encerramento da produção teria ocorrido em função do fim do contrato que a Globo tinha com os herdeiros de Monteiro Lobato. A emissora voltaria a investir na obra do escritor em 2000, quando estreou uma nova versão de “O Sítio do Picapau Amarelo”.

Exibida dentro do programa infantil “Bambuluá”, cada história durava uma semana, com episódios que tinham cerca de 15 minutos de duração. Em 2001 a produção ganhou horário próprio, levando a série a ser produzida até 2003. A adaptação foi de Luciana Sandroni, Marina Mesquita, Cláudio Lobato e Toni Brandão, com direção de Pedro Vasconcellos, Marcelo Zambelli e Márcio Trigo.

A primeira versão de “O Sítio do Picapau Amarelo” produzida pela Rede Globo foi reprisada várias vezes, sendo que três de suas histórias já foram lançadas em DVD: “Memórias da Emília”, em 2008; “O Minotauro”, em 2009; e “Reinações de Narizinho”, em 2010. Visto que a Globo disponibilizou uma história por ano, é de se presumir que em 2011 um novo DVD da série seja lançado.

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Texto de Fernanda Furquim originalmente publicado na revista TV Séries nº25, de outubro/novembro de 1999.

Cenas com Dirce Migliaccio como Emília:

Cenas com Reny de Oliveira como Emília:

Cenas com Suzana Abranches como Emília:

23/07/2009

às 15:30 \ Lançamentos em DVD, Séries Brasil

Mais uma História do Sítio do Picapau Amarelo dos anos 70 em DVD

A Som Livre prepara para o dia 30 de julho o lançamento de mais uma história da versão clássica e cultuada do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Depois de “Memórias de Emília“, é a vez de “O Minotauro“, ambos de 1978, talvez uma das histórias mais lembradas por aqueles que acompanharam esta série infantil.

O material que será disponibilizado em DVD é um compacto de 300 minutos dos 20 capitulos, provavelmente o que sobrou nos arquivos da Globo que costumava até os anos 80 desgravar sua programação para reaproveitamento de video. Não somente a Globo, esta era uma prática de todos os canais brasileiros.

Dividido em dois discos, “O Minotauro” vem em tela cheia, sem extras, em embalagem amaray com região aberta para todos os países. O valor sugerido é de R$44.90.

Na história, depois que a Dona Benta conta a seus netos a história da Grécia antiga, Pedrinho pede para que ela conte a história do Minotaura, um homem que nasceu com a cabeça de um touro. Enquanto isso, sem que ninguém perceba, o “dito cujo” chega ao sítio atraído pelo cheiro dos bolinhos da Tia Nastácia. Ela é então seqüestrada por ele e levada ao labirinto. Agora cabe à turminha do Sítio salvar a Tia Nastácia e ajudar Teseu a derrotar o Minotauro.

Cenas desta história já tinham sido vistas no primeiro DVD lançado pela Som Livre, “Memórias da Emília”. No elenco estão os atores Lúcia Alves e Paulo Grancindo Jr., como Ariadne e Teseu, entre outros.

 

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