Blogs e Colunistas

Luluzinha

19/02/2010

às 18:00 \ Desenhos, Televisão

Uma Breve História da Animação na TV

(clique na imagem  para ampliar)

Hoje à noite estréia pela HBO americana a série animada “The Ricky Gervais Show”. Trata-se de uma versão do podcast apresentado pelo ator e roteirista inglês, disponibilizado há anos em seu blog. A idéia de transformá-lo em série animada veio com a manifestação de fãs do podcast que começaram a produzir versões animadas caseiras e a oferecê-las no YouTube.

O desenho é exatamente o que foi o podcast, ou seja, são três pessoas sentadas em torno de uma mesa, discutindo idéias e pontos de vista sobre temas muitas vezes polêmicos, mas na maioria das vezes que envolvem o comportamento sócio-cultural de pessoas e sociedades. Em breves momentos são feitas algumas visualizações daquilo que está sendo discutido. Junto com “The Ricky Gervais Show”, a HBO americana também estréia a nova temporada de “The Life and Times of Tim”, série criada por Steve Dildarian sobre um jovem de 20 e poucos anos e sua relação com a namorada, vivendo situações estranhas em Nova Iorque.

Hoje na TV, tanto aberta quanto a cabo, já se tornou comum a produção de séries animadas voltadas para o público adulto. Tradicionalmente considerada produção para o público infanto-juvenil, os desenhos animados da televisão foram se tornando, ao longo das décadas, mais complexos e profundos em seu desenvolvimento de histórias e personagens que hoje concorrem tranquilamente com a produção com atores em horário nobre.

Ainda não chegaram ao ponto de fazerem parte importante do universo de premiações como o Emmy ou Golden Globe, apenas em eventos segmentados. Recentemente “Uma Família da Pesada” conseguiu repetir o feito de “Os Flintstones” nos anos 60, sendo indicada em categoria de melhor comédia. As séries animadas ocupam um pequeno espaço nessas premiações, com uma categoria própria a qual não faz parte do evento principal, televisionado. Acredita-se que no futuro essa categoria receba maior valor e seja transferida para a noite de gala.

The Life and Times of Tim

A produção animada televisiva percorreu um longo e difícil caminho na história americana, passando por descrédito, problemas de orçamentos e críticas às temáticas até chegar no nível em que se encontra hoje. Muito embora a animação para adultos ainda esteja em seu estágio inicial, existe uma liberdade artística pela qual é possível criar para este segmento diversas abordagens.

Gostaria de trazer nessa postagem algumas informações sobre a história da animação televisiva, visto que normalmente se fala mais sobre a evolução da animação cinematográfica. Apesar dessa evolução estar atrelada ao cinema, ela contém características e fatos próprios que são interessantes de se tornarem públicos.

Por exemplo, tornou-se público e transformou-se em fato histórico que o primeiro desenho produzido especialmente para a televisão teria sido “Crusader Rabbit”, que estreou em 1950 pela NBC de Los Angeles. Mas, na verdade, ele é a primeira série animada da TV americana, pois o primeiro desenho foi produzido em 1938, encomendado pela própria NBC.

As Primeiras Animações Originais

Devemos nos lembrar (ou tomar conhecimento) de que entre 1940 e 1950 a televisão era experimental, sendo que a TV comercial somente foi estabelecida por volta de 1946. Ainda assim, a exibição de programas era irregular; não tendo horários certos nem uma legislação que definisse o tipo de programa que poderia ser exibido. Assim sendo, a produção experimental e regional foi ignorada por muitos livros de história. Existem historiadores americanos que estabelecem “Willie the Worm” como o primeiro desenho encomendado pela televisão e exibido pelo canal regional W2XBS, o mesmo que fez testes de transmissão em 1928 com um boneco do Gato Félix, sendo que o canal pertencia ao grupo da NBC.

“Willie the Worm” foi criado em 1938 por Chad Grothkopf, funcionário da Disney. Em função do custo de produção de uma animação e da precariedade da televisão nessa época, a idéia de se criar e produzir seus próprios desenhos estava descartada. Assim, durante a década de 40, os canais passaram a transmitir desenhos animados produzidos para o cinema, em especial aqueles do período do cinema mudo (ou silencioso, como queiram). Curiosamente, também foram exibidos nessa época desenhos recém-produzidos e exibidos nas telas de cinema. Visto não existir ainda uma legislação sobre o conteúdo exibido na TV, os canais compravam qualquer coisa para colocar no ar, entre elas, as cópias piratas de desenhos filmados no cinema em 16mm, acredite se quiser! Assim, os desenhos da Disney chegaram à TV, mesmo que por meios ilícitos, popularizando ainda mais o produtor.

Tal qual ocorria nos cinemas, os desenhos animados eram exibidos a qualquer hora na TV, preenchendo o tempo disponível entre um programa e outro, quando não conseguiam completar a cota de comerciais para aquele determinado horário. Até meados de 1950, a maior preocupação era a de preencher os horários das 17h em diante, não tendo sido exibido nenhum programa antes. Isso porque o público alvo da televisão era o adulto, que tinha dinheiro para comprar TV. Visto que esse público começava a chegar em casa (ou a ter tempo de assistir à TV) após as 17h, não havia motivos para preencher os horários da manhã e da tarde.

A partir de 1946 os canais da DuMont começaram a exibir programas voltados para o público infanto-juvenil, que iam ao ar no final da tarde, por volta das 17h. Desta forma, em 1947 a televisão já tinha criado uma faixa de público infantil. A maioria dos canais atendiam esse público produzindo programas de fantoches, ou de aventura e comédia estrelados por atores. O número de programas aumentava proporcionalmente ao interesse do público alvo. Com o tempo, foi criada uma faixa de horário própria, conhecida como Saturday Morning, na qual programas infantis eram exibidos aos sábados pela manhã.

Entre 1949 e 1950 surgiram “Tele-Comics” e “Crusader Rabbit”. O primeiro era uma produção da Vallee Video exibida em canais regionais em 1949. O programa foi comprado pela NBC, que a rebatizou com o título de “NBC Comics”. Tratava-se de um desenho de aventuras com cliffhangers que consistia em exibir imagens sem movimentos (algo que seria repetido com os heróis Marvel dos anos 60), dublados por atores do rádio. Já o segundo era um projeto desenvolvido por Jay Ward e Alex Anderson e produzido por Jerry Fairbanks. Os episódios tinham 4 minutos de duração cada e custavam uma média de 500 dólares, dos quais, 5 dólares eram destinados a pagar o salário do dublador do coelho. Foram produzidos por volta de 149 episódios em preto e branco ao longo de três temporadas. Em 1957, uma nova leva de episódios foi produzida.

O maior problema enfrentado pela animação nesse período inicial era a falta de patrocinadores. A TV ainda era um veículo novo e muitos anunciantes não viam vantagens em trocar o rádio pela televisão; poucos tinham recursos (ou interesse) para manter uma divulgação em ambos. Assim, o custo dos comerciais era muito baixo (dizem que o primeiro espaço comercial pago custou aproximadamente 9 dólares). Em 1950, apenas 9% (cálculo aproximado) da população tinha televisão. A produção de desenhos animados representava um aumento nas despesas dos canais em relação à produção de séries infantis com atores ou a programas apresentados por um palhaço, por um super-herói, um fantoche, ou mesmo por um “tio” ou uma “tia”. Mesmo porque pesquisas na época mostravam que as crianças prestavam mais atenção aos programas com apresentadores. Por isso, eles se tornaram a preferência dos anunciantes, visto que seus produtos poderiam ter maior exposição.

Assim sendo, entre 1949 e 1953 foram produzidas apenas mais duas séries animadas: “Jim and Judy in Teleland”, de 1949-1950, com reprises em 1953, que reutilizou a exibição de imagens congeladas; e “Winky Dink and You”, da Ariel Productions de 1953, o qual não era um desenho animado, mas um programa que utilizava momentos de animação para alguns personagens. O programa foi criado especialmente para que o patrocinador pudesse lançar no mercado um kit de papel, crayons e lápis coloridos para as crianças desenharem.

Walt Disney e a Animação Cinematográfica na TV

Em 1951 o próprio Walt Disney chegou à TV, via ABC, com a produção de especiais de final de ano. A necessidade de conseguir dinheiro para construir a Disneylândia (ele já tinha conseguido todos os empréstimos bancários possíveis) fez com que Disney se rendesse de vez ao veículo, produzindo um maior número de programas a partir de 1954. Foi nesse ano que estreou o programa “Disneylândia”, através do qual foram produzidos alguns segmentos animados, os quais mesclavam material inédito com material reaproveitado dos curtas de cinema.

A presença de Walt Disney foi uma reviravolta na produção televisiva, atingindo em cheio a forma como os desenhos animados eram considerados pelo veículo e por seus patrocinadores. Para competir com a “Disneylândia”, a CBS exibiu entre 1953 e 1956 o desenho “Barker Bill’s Cartoon Show”, com base em tiras de jornais, que teve episódios diários de 15 minutos produzidos por Paul Terry, da Terrytoon. O sucesso dessa série animada fez com que a CBS comprasse todo o estoque de desenhos produzidos ao longo de 40 anos pela Terrytoon para o cinema, os quais eram distribuídos pela Fox, fazendo surgir o “CBS Cartoon Theatre”, com introdução de Dick Van Dyke. Com o tempo, a CBS compraria o próprio estúdio Terrytoon, transformando-o em sua divisão de produções animadas. Entre as produções que faziam parte desse pacote adquirido pela CBS estava “Super Mouse”, que se tornaria um dos campeões de audiência entre o público infantil nos próximos 12 anos.

Outras produções de cinema chegariam à televisão através da Guild Films, que em 1955 comprou o acervo da Looney Tunes, produzido pela Warner Brothers entre 1930 e 1943, revendendo os desenhos a canais americanos. No ano seguinte a National Telefilm Associations – NTA comprou o pacote de desenhos animados produzidos pela Fox; a AAP disponibilizou as produções da United Artists, a Screem Gems tinha as produções da Columbia e a UM&M Television Corp comprou as produções da Paramount, que incluíam “Betty Boop”, “Luluzinha” e os desenhos das bolinhas dançantes. Todo esse material era disponibilizado para exibição em canais regionais.

A presença cada vez maior das animações cinematográficas mais atuais na TV, aliadas ao material original ocasionalmente produzido pela Disney e Terrytoons, fez surgir a necessidade de se elevar o nível da produção televisiva animada, em especial a criação de personagens e histórias que pudessem cativar o público da mesma maneira. O problema continuava a ser monetário. A compra dessas produções ainda representava um custo mais baixo, visto que ao adquirir os direitos de exibição, eles poderiam colocar o desenho no ar durante anos, a qualquer hora, com quantas reprises desejassem ao longo da semana, sem custo adicional. A produção semanal de um seriado animado perdia na competição pelo orçamento.

Gerald McBoing-Boing

Ainda assim, tentando vencer a concorrência com a ABC, que tinha a “Disneylândia”, a CBS encomendou a produção original do desenho “Gerald McBoing Boing”, pela United Productions of America – UPA. Mantendo um nível de animação limitada, a qual consistia em utilizar o menor número possível de movimentos, cenários e objetos para narrar uma história, a CBS procurou uma alternativa para o perfeccionismo das produções da Disney. Apesar de bem-sucedida, a série não abriu uma “linha de produção”, seja pela CBS ou por outros canais.

A Dupla Hanna-Barbera

Em 1957, o “Pica-Pau” chegou à TV, através da Kellogg’s, que comprou um espaço na grade da ABC, passando a exibir os filmes do personagem reeditados em 17 episódios. Nesse mesmo ano, a MGM, que hesitava em investir na televisão, decidiu fechar seu departamento de produção de desenhos animados para o cinema, com o objetivo de reeditar o material que já tinha sido produzido. Acreditando que não existia um futuro para a animação cinematográfica, o estúdio decidiu cortar custos. Entre seus funcionários demitidos estavam William Hanna e Joseph Barbera, chefes do departamento para o qual tinham produzido “Tom e Jerry” e “Droopy”.

Jambo e Ruivão

A dupla bateu na porta da Columbia, na época um estúdio classe B, que tinha a Screem Gems como afiliada para produtos televisivos. Uma das principais clientes da Screem Gems era a NBC, que comprou o primeiro projeto da dupla para a televisão: o desenho “Jambo e Ruivão/The Ruff and Reddy Show”, a história de amizade entre um cachorro e um  gato. Com episódios de 5 minutos cada, utilizando o menor número possível de movimentos e cenários, a série estreou no dia 14 de dezembro de 1957.

A boa receptividade do desenho garantiu à dupla a produção de “Dom Pixote”, patrocinado pela Kellogg’s, que trocara a TV nacional pela regional. Apesar da linguagem infantil, os dois programas apresentavam nas “entrelinhas” questões e opiniões adultas sobre a sociedade americana, o que fez com quem muitos canais regionais programassem sua exibição para o horário da noite.

Com esses dois desenhos, a recém-formada Hanna-Barbera Productions criou um nicho importante na televisão americana, abrindo as portas para a produção de séries animadas a um custo baixo, voltadas tanto para o público infantil quanto adulto. Mas foi somente em 1960, com a estréia de “Os Flintstones” no horário nobre do canal ABC, que o estúdio e suas produções realmente se estabeleceram. Nesse mesmo ano, o canal também lançou em horário nobre os desenhos produzidos para o cinema do “Pernalonga”.

A partir de então, a televisão se transformou em uma “fábrica” de desenhos animados, dividindo-se ao longo dos anos entre público infantil, juvenil e adulto.

Os Desenhos Exclusivamente Adultos

Ao longo das décadas, as produções animadas foram se tornando mais realistas, apresentando temáticas mais adultas, temperadas com cenas de violência e algumas explorando a sexualidade dos personagens. A violência está presente nos desenhos desde seu início, ao apresentar personagens sofrendo acidentes, tiros, explosões ou brigas físicas. A diferença é que não morriam; e quando isso ocorria, era por força dos roteiristas que decidiam mostrar o personagem indo para o céu ou para o inferno, para logo depois voltar à vida.

A crítica contra a violência em desenhos animados se intensificou ao longo dos anos 60, tal qual ocorria com as séries com atores. A televisão foi apenas mais um alvo daqueles que abominavam a exploração da violência ou de temas tabus. O teatro, a literatura, o cinema, o rádio, as revistas em quadrinhos, a pintura, enfim, todas as formas de arte e comunicação geram controvérsias quanto à abordagem de temas. Com os desenhos animados não seriam diferentes, mesmo porque, eram considerados produções para o público infanto-juvenil.

A versão animada de Jornada nas Estrelas

Mas com produções como a dos “Flintstones”, que apresentam problemas relacionados ao dia-a-dia de casais e não de crianças, bem como a dos heróis da Marvel, o universo dos desenhos televisivos viu nascer as primeiras formas de animação mais adulta. Os desenhos estrelados por super-heróis que surgiram nos anos 60 intensificaram a crítica contra a violência animada, a qual resistiu até o final da década. Mas, com os assassinatos de Robert F. Kennedy e Martin Luther King, a televisão retraiu-se.

Enquanto as séries de TV continuaram a trilhar o universo mais realista com as produções policiais e as topical sitcoms, os desenhos animados voltaram-se para um universo considerado mais saudável, explorando histórias sobre o dia-a-dia de jovens adolescentes como em “A Turma do Archie”, aventuras como “Scooby-Doo”, histórias familiares como “Vovô Viu a Uva”, ou mais infantis como “Shazzan” entre outros. A violência nesse tipo de produção era mínima. Mesmo em “Scooby Doo”, série que mostrava caçadores de fantasmas e monstros, havia o objetivo de revelar que este tipo de criaturas não existiam. Eles eram “homens malvados” desmascarados pelos jovens investigadores.

Laboratório Submarino

A produção de séries animadas “violentas” não cessou, apenas diminuiu em alguns canais, que para compensar as críticas, começaram a resgatar programas infantis estrelados por fantoches. Assim, surgiram “Vila Sésamo” e “Banana Splits”, nas quais temos não apenas fantoches, mas pessoas vestidas com roupas de animais peludos conversando com o público, tal qual ocorria nas inaugurações de supermercados. Produções voltadas a questões sociais e culturais, bem como tecnológicas e históricas também foram abordadas, fazendo surgir séries animadas como “Fat Albert” ou “Laboratório Submarino”, entre outras.

Assim, os desenhos de super-heróis dividiam espaço na grade de programação com desenhos mais “saudáveis”. Mas, no início da década de 70, o grupo Action for Children’s Television pressionou o FCC, órgão que regulamenta a televisão americana, a impedir que os produtos de anunciantes fossem vinculados aos personagens animados.

A turma do Scooby-Doo

Com isso, apresentadores de programas infantis estavam proibidos de anunciar produtos e comerciais de produtos infantis não poderiam ser vinculados durante a exibição dos desenhos considerados violentos. Determinados personagens animados não poderiam “participar” de eventos de lançamentos de produtos em lojas e supermercados. Perdendo anunciantes, a televisão reduziu na década de 70 o número de episódios produzidos por temporada. De 26, passou para uma média de 10 a 20 episódios, os quais eram constantemente reprisados. O orçamento dedicado à produção, que já era baixo, diminuiu ainda mais.

A reprise de antigos desenhos produzidos para o cinema tornou-se uma compensação, embora fossem editados para diminuir a violência. Anúncios sociais protagonizados pelos personagens foram inseridos no final dos episódios, nos quais eles pediam às crianças para respeitarem os pais, comerem toda a comida e estudarem para irem bem na escola. Produções com super-heróis continuaram a ser feitas, mas sempre tendo em mente as obrigações sociais.

Então, na década de 80, o FCC afrouxou as exigências, permitindo que uma nova leva de programas fizesse renascer o filão dos desenhos animados. Surgiram “Os Smurfs”, que dividiam espaço com heróis como “He-Man”, “She-Ra”, “Transformers” e “G.I. Joe”. Ao longo da década surgiram ainda outras produções como “ThunderCats”, “Galaxy Rangers”, “Silverhawks”. A produção animada na TV ganharia impulso na década seguinte com o sucesso do filme para o cinema “Uma Cilada para Roger Rabbit/Who Framed Roger Rabbit?”, de 1988, que trouxe em sua história personagens animados famosos no cinema, mas perpetuados pela televisão.

Os canais regionais voltaram a se tornar alvo da maioria das produções animadas; mas foi na década de 80 que surgiu nos EUA a TV a cabo. Se a TV aberta era considerada entretenimento popular, a TV a cabo não poderia competir com ela; assim sendo, nesse primeiro momento, estava proibida pelo FCC de exibir comerciais ou programas de entretenimento. Exigindo mais conteúdo, a TV paga passou a exibir um maior número de desenhos animados estrangeiros, como os animes do Japão, ou os desenhos da Rússia, Inglaterra, Canadá etc.

Beavis and Butt-Head

Enquanto a maioria dos canais trazia desenhos estrangeiros, a Nickelodeon, que tem como objetivo atender ao público infanto-juvenil, investiu na produção própria de séries animadas e em programas com atores. Também na TV a cabo estava a MTV que, embora dedicada à música, estreou em 1993 o desenho essencialmente adulto “Beavis and Butt-Head”.

Essas produções não chegaram a amedrontar a TV aberta, já que para serem vistas era necessário que o público pagasse. Mas então surgiu o canal Fox, que tinha como lema trazer um conteúdo que rompesse com os padrões televisivos. Assim, propondo conteúdo de TV a cabo exibidos em TV aberta, a Fox estreou o programa humorístico “The Tracey Ullman Show”. Dentro desse programa existia um segmento estrelado por uma estranha família amarela, chamada de Simpsons. O sucesso desses personagens gerou uma spinoff animada que foi batizada de “Os Simpsons”.

A primeira versão de Os Simpsons

Este desenho viria abrir as portas para uma nova fase da animação adulta na TV aberta; explorando temas tabus e situações de violência, a família ganhou uma série própria que inspirou o surgimento de outras (a maioria pela própria Fox). Para separar a animação adulta da infantil, a Fox criou o Fox Children’s Network, que posteriormente foi rebatizado de Fox Kids. O investimento da Fox nas animações seriadas forçou o surgimento de outros canais e programas para atender a esse segmento. O grupo Children’s Television Act apelou novamente ao FCC para tomar providências. Como resultado, os desenhos animados infantis voltaram a trabalhar questões sociais e, agora, ambientais. Mas o FCC não tirou do ar ou limitou a produção, nem mesmo censurou a produção adulta que estava surgindo nesse período. Muito embora existam questões particulares que tenham sido alvo de censura.

Desta forma, a animação voltada para o público adulto cresceu. Podemos dizer que ainda está na fase adolescente, mesmo tendo a TV a cabo como ponto de refúgio. Consideradas expressões artísticas, essas séries abordam temáticas, linguagem e técnicas que muitas vezes fogem ao padrão perpetuado por produtoras como Hanna-Barbera, Filmation, DePatie Frelang entre outras que marcaram a história do veículo nos EUA.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados