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Danny Cannon

07/09/2010

às 11:40 \ Remakes, Séries Anos 2010-2019, Televisão

Nova Série – Nikita, o Retorno

Hoje em dia parece comum ver uma personagem feminina estrelando uma série de ação. Mas nem sempre foi assim. Até meados dos anos 70, séries de aventura, espionagem e policial estreladas por mulheres eram consideradas fracassos na certa. Tentativas não faltaram, mas até “As Panteras” estrear em março de 1976, as produções anteriores tiveram boa receptividade pela audiência, mas foram consideradas por suas respectivas emissoras como séries abaixo da expectativa de público, incluindo a cultuada “Police Woman”, exibida entre 1974 e 1978.

Quando “As Panteras” estreou, já existiam “A Mulher Biônica” e “A Mulher Maravilha”, mas a primeira surgiu como spinoff de “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, sendo cancelada com apenas três temporadas; e a segunda apoiou-se no sucesso dos quadrinhos, embora não tenha conseguido repetir a mesma carreira na TV. Ambas tornaram-se clássicas e cultuadas ao longo dos anos, mas não foram elas que abriram as portas para novas produções estreladas por heroínas femininas.

As três séries mencionadas foram canceladas antes de conseguirem completar a produção de 100 episódios, sendo que “Police Woman” foi quem chegou mais perto. Foi o estrondoso sucesso de “As Panteras” que provou aos executivos de TV que as mulheres poderiam estrelar séries de ação. Produzida entre 1976 e 1981, a série teve um total de 110 episódios, registrando cerca de 18.4 milhões de telespectadores em sua primeira temporada, passando para 17.8, 18.2 e 15.9 nas três temporada seguintes. O último ano sofreu uma queda violenta de audiência, que promoveu seu cancelamento.

No entanto, ao longo da década seguinte, o estilo de seriados que dominou o gênero foi o daqueles estrelados por duplas, graças ao sucesso de “Casal 20″. Na esteira de Jonathan e Jennifer Hart surgiriam “A Gata e o Rato”, “Jogo Duplo/Reminghton Steele”, “Scarecrow and Mrs. King” e muitas outras. Quando a série não era estrelada por um casal de detetives, era protagonizada por uma dupla de homens. “Cagney & Lacey” foi uma das poucas a romper o cerco e apresentar uma dupla feminina da polícia em ação.

Então surgiu “A Dama de Ouro/Lady Blue”, outro fracasso de audiência, cancelada com apenas uma temporada. Mas a proposta da série de apresentar uma policial durona ao estilo Dirty Harry fez com que as portas se abrissem para “Xena, a Princesa Guerreira”. Situada em um ambiente de fantasia que explorava a mitologia de várias culturas, “Xena” foi um marco na TV e para as personagens femininas. Ainda assim, faltava ser produzida uma série que colocasse a mulher como uma agente especial realizando as mesmas façanhas que o famoso agente James Bond, personagem do cinema que estabeleceu a linha de produção das séries de aventuras nos anos 60.

Foi então que surgiu em janeiro de 1997 “La Femme Nikita”, produção canadense que adaptou o filme francês de mesmo título lançado em 1990. A série influenciou o surgimento de “Alias – Codinome Perigo” e de “24 Horas”, ambas de 2001. No Brasil, surgiu “A Justiceira” em abril de 1997.

A série “La Femme Nikita” apresenta uma sem teto acusada injustamente pelo assassinato de um policial. Trata-se de uma armação planejada pela Section One, organização de prevenção a ataques terroristas que opera de forma independente do governo. Condenada à morte, Nikita, supostamente, comete suicídio. Para a polícia, o caso está encerrado. Mas a jovem é levada por membros da organização, que treinam Nikita para que ela se torne uma agente com permissão de matar atuando no combate ao terrorismo. Sem escolha, Nikita passa a fazer parte da organização ao mesmo tempo em que tenta manter intacta sua concepção do que é certo e errado.

A série dos anos 90, estrelada por Peta Wilson, teve um total de cinco temporadas, encerrando com apenas 96 episódios produzidos. Mas sua influência na produção seriada a elevou a um marco histórico. Além de ser protagonizada por uma personagem feminina à la James Bond, “La Femme Nikita” também trouxe uma trama complexa, repleta de reviravoltas que não favoreciam a protagonista o tempo todo. Muito diferente dos tipos de roteiros de séries de ação estreladas por mulheres nos primórdios do gênero na TV.

A organização, que supostamente representava os ‘mocinhos’ da história, agora assume uma postura geralmente retratada por governos inimigos. Sem oferecer apoio ou amizade, sem tratar seus agentes como parte ‘da família’, ela representou parte da ameaça enfrentada pela protagonista a cada episódio. Se falhasse, Nikita poderia ser eliminada.

Agora “La Femme Nikita” ganha um remake pelo The CW. Dedicado ao público jovem, o canal vem tentando encontrar uma nova série que possa substituir “Smallville” e “Supernatural”, duas produções representativas do gênero ficção, fantasia e aventura, que entram em suas últimas temporadas esse ano. Depois de ter conseguido emplacar a spinoff de “90210″ e fracassar com a nova versão de “Melrose Place”, ambas dramas teens, é a vez do canal apostar em uma produção que, na verdade, não era americana e que, portanto, não tinha nos EUA o mesmo reconhecimento que as anteriores. Mas carrega um formato que está na moda.

Com o título de “Nikita”, a série traz Maggie Q interpretando a jovem programada para matar. Filha de um soldado americano e de uma mulher vietnamita, Maggie nasceu no Havaí, mas passou boa parte de sua vida em Hong Kong, onde trabalhou como modelo.

O remake da série traz a Division, organização não governamental, recrutando jovens problemáticos para serem treinados como espiões e assassinos. No processo, os jovens passam por uma lavagem cerebral.

Nikita (Maggie Q) foi recrutada há seis anos; retirada do corredor da morte, a organização forjou sua execução. Após trabalhar para a Division por três anos, Nikita descobre que estava sendo enganada por aqueles que a treinaram. Assim, ela escapa e passa os últimos três anos escondendo-se e planejando uma forma de expor a organização e suas operações.

Enquanto novos jovens continuam sendo recrutados, a organização incumbe Michael (Shane West), responsável pelo treinamento de Nikita, de caçá-la e eliminá-la, se necessário.

Michael é um personagem que existia na série original, interpretado por Roy Dupuis. Na história, ele se envolve emocionalmente com Nikita. Tendo sido um dos primeiros recrutados pela Section One, Michael foi libertado por Nikita no último episódio da série, quando ela assume o comando da Organização.

Na nova versão, a Division é uma organização chefiada por Percy (Xander Berkeley, de “24 Horas”), que fará de tudo para evitar que as ações de Nikita destruam seu império. Para tanto, ele conta com a ajuda de Amanda (Melinda Clarke, de “The O.C.”), psicóloga que manipula a mente dos jovens recém chegados; e de Birkhoff (Aaron Stanford), gênio da informática, preso por tentar penetrar nos computadores do Pentágono e levado à Division na mesma época que Nikita.

Entre os novos recrutas que serão treinados estão Jaden (Tiffany Hines), que está ansiosa por completar o treinamento e assumir sua nova função; Thom (Ashton Holmes), também dedicado ao trabalho; e Alex (Lyndsy Fonseca, de “How I Met Your Mother”), recém chegada após ter sido presa por roubo.

A nova versão de “Nikita” foi adaptada por Craig Silverstein. O piloto foi encomendado pelo canal CW em janeiro desse ano. Em fevereiro, foi anunciada a contratação da atriz Maggie Q e em maio o projeto foi transformado em série de TV com a encomenda de 13 episódios para a primeira temporada. A série tem a produção de Silvestein, Danny Cannon (que também dirigiu o episódio piloto), McG e Peter Johnson, pela Warner Brothers Television em parceria com a Wonderland Sound and Vision para o canal CW.

“Nikita” estreia nos EUA no dia 9 de setembro. Ainda não há previsão de quando chegará ao Brasil.Deve estrear no Brasil entre outubro e novembro pelo canal Warner.

Confiram fotos da série aqui e cartazes aqui.

Novas Produções

Os reflexos da crise financeira atual já estão surtindo efeito ao menos para a HBO. Não se trata, ao menos ainda, de cortes nas produções atuais, mas, sim, no desenvolvimento de um projeto que pretende mostrar o que seria o futuro do país após anos de crise econômica. “Americatown“, é o título de uma nova série do canal que será situada entre 25 e 40 anos no futuro. Neste período, os EUA será uma nação econômicamente decadente e viverá o exodus de sua população a qual irá migrar para outros países da Europa e América Latina formando comunidades tal qual os chineses fizeram com o famoso Chinatown.

Com a série, o roteirista Bradford Winters pretende apresentar aos americanos os problemas e as dificuldades sociais, culturais e políticas enfrentadas por imigrantes que chegam aos EUA. Neste caso, colocando os americanos como os imigrantes em um país estranho, sofrendo os preconceitos e as injustiças que quase todos os imigrantes sofrem. A produção é de Tom Fontana, Barry Levinson, Frank Marshall e Kathleen Kennedy.

Segundo o jornal Variety, o visual estético da série deverá seguir a do filme “Traffic”. Bradford Winters foi roteirista de séries como “Oz”, “Seis Graus de Separação” e “Kings”, que ainda não estreou. Tom Fontana é produtor das séries “Homicide: Life on the Streets”, “Oz” e “The Philantropist”, que ainda não estreou.

O canal também está com um projeto de produzir uma série de TV com base no livro “I Am Charlotte Simmons“, de Tom Wolfe. A idéia original era a produção de um filme em 2005, mas foi arquivado. Agora, o projeto foi resgatado para ganhar uma série de TV para a qual ainda não tem nenhum roteirista contratado. A história gira em torno da exploração da vida sexual de um grupo de mulheres que vivem em um campus universitário. Charlotte é uma caloura que ganhou uma bolsa de estudos. Vindo de uma família pobre de uma zona rual do sul dos EUA, ela logo descobre a vida social dos universitários.

Enquanto isso, na TNT, foi aprovada a produção de dois novos pilotos. O primeiro está em fase de negociações finais e trata-se de um projeto de Jerry Bruckheimer e Danny Cannon. Ainda sem título, o piloto tem roteiro de Doug Jung, de “Big Love”, com base em uma idéia de Cannon. Trata-se de um drama policial que gira em torno de uma equipe da polícia de Los Angeles que sofrem constantes tentativas de corrupção por parte do mundo do crime. Bruckheimer é o responsável pela franquia de “CSI” e se o piloto for transformado em série será sua primeira produção para a TV a cabo.

Outro projeto da TNT é o piloto de “Bunker Hill“, anteriormente batizado de “Morse Code“, que também explora o mundo da corrupção em Boston. A história gira em torno de Mike Moriarty herói de guerra que retorna a sua cidade natal onde trabalha como patrulheiro nas ruas da cidade. O roteiro é de Walon Green e a série deverá ser estrelada por Donnie Wahlberg, de “Band of Bothers” e “Boontown”.

Eric McCormick e Tom Cavanaugh

Os pilotos do canal TNT já aprovados para produção são “Trust Me“, novo título de “Truth in Advertising“, que trará Tom Cavanaugh e Eric McCormick trabalhando em uma agência de publicidade, “Men of a Certain Age“, com Ray Romano e Scott Bakula, entre outros, “Time Heals“, com Jada Pickett Smith, e “Night and Day“, com William Fichtner, de “Prison Break”. O canal deverá divulgar até o final do ano quais destes serão transformados em séries de TV para estrear no ano que vem.

Já Stephen Hopkins, diretor de vários episódios de “24 Horas”, criou a empresa GreenGo, no Rio de Janeiro, com a qual pretende desenvolver e co-produzir filmes e séries para o cinema e a televisão filmados no Brasil com financiamento americano e europeu. Segundo o jornal Variety, um de seus primeiros projetos com a produtora será a versão americana do filme “Estômago“, de Marcos Jorge. Hopkins deverá dirigir o filme agora falado em inglês. Se bem sucedido nas telas, o filme poderá ganhar uma versão em série de TV para a qual já existe um projeto de 12 episódios iniciais que irá contar com a direção de Marcos Jorge. O projeto ainda não tem um canal.

No Japão, a TV Asahi divulgou o projeto de produzir um filme da série “Hissatsu Shigotonin” (foto). No elenco estará o ator Makoto Fujita, hoje com 75 anos, retornará para interpretar o personagem Nakamura Mondo que esteve em 15 dos 30 episódios produzidos ao longo de 1972 e 1992. Fujita submeteu-se recentemente a uma cirurgia para remoção de um tumor cancerígeno do esôfago.

A série dos anos 70 narrava a história de um grupo de assassinos que agiam durante a noite para vingar injustiças. Durante o dia, cada membro mantinha sua vida e seu trabalho, como um disfarce. “Hissatsu Shigotonin” gerou dez versões cinematográficas, a mais recente foi em 2007.

 

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