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BBC

Neil Cross confirma o fim de ‘Luther’

Idris Elba em 'Luther' (Foto: Robert Viglasky/BBC)

Esta manhã, durante o Festival de TV de Edimburgo, o roteirista e produtor Neil Cross confirmou o fim da série Luther, que teve sua terceira temporada exibida em julho no Reino Unido. A informação foi divulgada pelo The Stage. Segundo Cross, o fim da série foi determinado pela ascensão de Idris Elba no cinema. Atualmente, o ator está no elenco de cinco filmes, entre eles Mandela: Long Walk to Freedom, que já finalizou sua produção.

Ainda existe o interesse de se produzir uma versão cinematográfica de Luther, algo que vinha sendo cogitado antes mesmo da terceira temporada ser exibida. Mas por enquanto não há previsão de quando será produzida. No momento, Cross está trabalhando com outras séries, entre elas Crossbones, para a rede americana NBC. Ele também fará parte da equipe de roteiristas da oitava temporada de Doctor Who, como foi divulgado aqui.

Luther acompanha a vida e os trabalhos do detetive John Luther (Elba), que retorna ao trabalho após sofrer uma crise. Tentando manter seu equilíbrio mental e emocional, ele conhece Alice (Ruth Wilson), uma jovem muito inteligente, PhD em astrofísica pela Oxford University, que se revela uma assassina. Os dois acabam formando uma parceria inusitada quando a vida do detetive sofre uma nova reviravolta.

A série teve cinco indicações ao prêmio Emmy (direção, roteiro, ator e produção) e duas ao Golden Globe. Conhecido por seu trabalho em The Wire, Elba se estabeleceu com Luther, que lhe rendeu um Golden Globe de melhor ator.

A série encerra sua produção com três temporadas e quatorze episódios. Ela chegou ao Brasil pelo site de streaming Netflix.

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22/08/2013

às 12:00 \ Minisséries, Séries Inglaterra

BBC2 prepara ’37 Days’

O canal BBC2 anunciou a encomenda de 37 Days, minissérie em três episódios situada no início da 1ª Guerra Mundial. A produção, que já teve início em Belfast, Irlanda, faz parte do pacote de programas encomendados pela BBC para marcar o centenário do conflito.

Escrita por Mark Hayhurst, a história narra os trinta e sete dias que antecederam o início da guerra, acompanhando personagens que transitam pelos corredores do Parlamento britânico. A trama terá início com o estopim da guerra, neste caso, o assassinato do Príncipe da Áustria, Franz Ferdinand, no dia 28 de junho de 1914; e terminará com a declaração de guerra do governo britânico à Alemanha, no dia 4 de agosto do mesmo ano.

No elenco estão Ian McDiarmid, Tim Pigott-Smith, Sinéad Cusack, Kenneth Cranham, Bill Patterson, Ian Beattie, Nicholas Farrell, Niall Cusack, Patrick Fitzsymons, George Lenz, Stephan Szasz e Rainer Sellien.

A produção é da Hardy Pictures, com direção de Justin Hardy.

21/08/2013

às 21:48 \ Séries Anos 2000-2009

‘Doctor Who’: Steven Moffat fala sobre o 12º Doutor

No início de agosto, a BBC anunciou o nome do ator que interpretará o Doutor a partir da oitava temporada de Doctor Who, prevista para ser exibida no Reino Unido em 2014. Ele é Peter Capaldi (The Thick of It), que será introduzido no episódio natalino, no qual Matt Smith faz sua despedida.

Ainda sem entrar em muitos detalhes sobre qual será o rumo da trama e a nova personalidade adotada pelo Doutor, o produtor Steven Moffat fez alguns comentários à revista oficial de Doctor Who sobre o que está planejando para o personagem.

A entrevista completa não está disponível na Internet mas, segundo o que foi divulgado pelo Doctor Who TV, Moffat teria dito que o novo Doutor será um homem mais velho, mais complicado e feroz. Ele deverá ser uma pessoa mais difícil de se lidar, o que poderá se tornar um desafio para Clara (Jenna Coleman), a atual companheira de viagem do Doutor.

Os produtores ainda não decidiram se Capaldi manterá seu sotaque escocês, mas é provável que sim. Até agora, a única coisa sobre a qual eles teriam começado a conversar é o figurino que o ator usará na série.

Recentemente, Neil Cross (Luther, Crossbones) declarou em entrevista ao Stuff, da Nova Zelândia, que aceitou o convite de Moffat para continuar escrevendo episódios para a série. Cross assinou dois roteiros da sétima temporada, The Rings of Akhaten e Hide. Quem também deverá fazer parte da equipe de roteiristas é Jack Lothian (Shameless, Doc Martin).

Molde do rosto de Peter Capaldi

Enquanto isso, a Big Bang Pow, empresa que fabrica action figures de Doctor Who, já começou a se preparar para a estreia da oitava temporada da série.

Moldes do rosto de Capaldi estão prontos, apenas aguardando a definição do cabelo e do figurino do personagem, bem como a aprovação da BBC e do ator, para que os novos action figure do Doutor comecem a ser produzidos. A empresa espera ter o produto pronto para venda em maio.

Este ano a série celebra 50 anos de sua estreia. Para comemorar a data, a BBC exibirá no dia 23 de novembro um episódio da sétima temporada que reunirá Smith e David Tennant (o décimo doutor), bem como Billie Piper (Rose). O canal também apresentará o telefilme An Adventure in Space and Time, que dramatiza a origem da série, e o tradicional episódio de natal, no dia 25 de dezembro.

O episódio natalino começa a ser filmado em setembro. As filmagens da oitava temporada estão previstas para iniciar em janeiro de 2014.

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Fotos do elenco de ‘Big School’ – 1ª Temporada

A sitcom Big School estreia esta noite na Inglaterra pelo canal BBC1. Confiram aqui o trailer e informações sobre a produção. Cliquem nas imagens para ampliar.

Preview de ‘Peaky Blinders’, com Cillian Murphy

A BBC2 ainda não definiu o dia da estreia de Peaky Blinders, mas ela ocorrerá em setembro. Esta é uma produção anunciada em julho de 2012.

Criada por Steven Knight, com base em uma história real, a trama acompanha a vida da família Shelby, formada por criminosos que sobrevivem de assaltos, extorsões e apostas. Conhecidos como Peaky Blinders, por utilizarem navalhas para atacar seus adversários, eles enfrentam as mudanças dos tempos que surgem com o final da 1ª Guerra Mundial.

Liderada por Tommy Shelby (Cillian Murphy), a família tenta restabelecer seu domínio na região após a guerra e em meio a uma crise econômica. Com a volta dos soldados para casa, muitas das armas utilizadas no conflito foram recolhidas das trincheiras e contrabandeadas para diversas cidades, tornando-se objeto de desejo de revolucionários comunistas e criminosos comuns.

No entanto, o reinado da família é ameaçado por C.I. Campbell (Sam Neill, de The Tudors), o novo chefe de polícia, recém-chegado de Belfast, que está determinado a limpar as ruas de Birmingham dos criminosos e revolucionários.

No elenco também estão Annabelle Wallis (The Tudors), como Grace Burgess, uma bela e misteriosa jovem que carrega um segredo que pode prejudicar a família; Helen McCrory, como Tia Polly Gray, a matriarca da família; Iddo Goldberg (Secret Diary Of A Call Girl), como Freddie Thorne; Paul Anderson como Arthur Shelby; Sophie Rundle como Ada Shelby; Andy Nyman como Winston Churchill; Tommy Flanagan como Arthur; Joe Cole como John Shelby; Alfie Evans-Meese como Finn Shelby; Tony Pitts como sargento Moss; Jack Hartley como Billy Lovelock; Ned Dennehy como Charlie; e Charlie Creed-Miles.

A produção é da Tiger Aspect em parceria com a Caryn Mandabach Productions e apoio financeiro do Yorkshire Content Fund. A direção é de Otto Bathurst. Ainda não está claro se esta é uma série ou minissérie, mas a produção ganhou a encomenda de seis episódios.

Primeiras imagens de ‘Quirke’, série com Gabriel Byrne

Anunciada em agosto de 2012, Quirke é uma produção da BBC que tem três episódios com 90 minutos de duração produzidos para sua primeira temporada. A previsão de estreia é para o dia 24 de agosto pela BBC1, na Inglaterra, e RTÉ1, na Irlanda.

Filmada na Irlanda, a série é uma adaptação de Andrew Davies e Conor McPherson da obra de Benjamin Black, pseudônimo de John Banville.

A história acompanha a vida de Quirke (Gabriel Byrne, de In Treatment), um médico patologista alcoólatra que trabalha no necrotério de Dublin na década de 1950. Preferindo a companhia dos mortos que a dos vivos, ele costuma ajudar o inspetor  Hackett (Stanley Townsend, de The Shadow Line e Zen) a investigar diversos casos. Entre os membros da família de Quirke estão sua filha Phoebe (Aisling Franciosi, de The Fall), que mantém um relacionamento distante com o pai, e seu irmão adotivo, Malachy Griffin (Nick Dunning, de The Tudors).

No elenco também estão Michael Gambon, como o Juiz Garret Griffin; Geraldine Somerville, como Sarah; Sara Stewart, como Rose; Brian Gleeson, como Sinclair; e Colin Morgan (Merlin), como Jimmy.

Byrne também está no elenco de Vikings, série americana renovada para sua segunda temporada, que chegou ao Brasil pelo canal NatGeo.

Cartazes de ‘The Crazy Ones’, ‘Atlantis’ e ‘Strike Back’

Confiram o primeiro cartaz de The Crazy Ones aqui e o de Atlantis aqui. Cliquem nas fotos para ampliar.

 

13/08/2013

às 9:38 \ Pilotos de Séries, Versão Televisiva

Novos projetos e pilotos – Agosto 2013 – Parte 5

Kayvan Novak (Foto: Getty)

BBC

Woody – Projeto que tem um episódio piloto encomendado para avaliação do canal. Trata-se de uma sitcom na qual Kayvan Novak (Sirens) interpreta Woody, um repórter que trabalha infiltrado no submundo do crime. Agora perseguido pelo cartel de drogas, liderado por um sujeito desmiolado, Woody busca refúgio em uma ilha tropical, onde passa a atuar como investigador particular que utiliza diferentes disfarces para realizar seu serviço. A produção é da Happy Tramp em parceria com a Zeppotron.

CBS

Gorgeous Morons – Projeto de sitcom tradicional desenvolvido por Lee Eisenberg, Danny Chun e Gene Stupnitsky, todos de The Office. A história acompanha dois irmãos extremamente bonitos mas incrivelmente burros, que dividem o apartamento com uma mulher pós-graduada em literatura. A produção do projeto é da ABC Studios.

Fox

The Henchman – Projeto de Dan Kopelman (Malcolm) e John Hamburg. Trata-se de uma comédia que gira em torno do braço direito do maior vilão do mundo. Em meio ao seu trabalho, ele precisa encontrar uma forma de lidar com o fato de que é pai solteiro entrando na meia-idade. A produção é da 20th Century Fox em parceria com a Warner Brothers TV e Kapital Entertainment.

NBC

Paradise – Projeto de Seth Grahame-Smith (The Hard Times of RJ Berger) e Greg Berlanti (Arrow). Pelo contrato, o canal é obrigado a encomendar a produção de um episódio piloto para avaliação. Situada no final do Século XXI, em um presídio de segurança máxima em Las Vegas, a história apresenta Matthew Turner, um médico condenado por crime de assassinato que ele diz não ter cometido. Tentando provar sua inocência e voltar a viver com a família, Turner busca uma forma de escapar da prisão conhecida pelo nome de Paradise. A produção do projeto é da Warner Brothers TV em parceria com a Berlanti Productions.

Projeto de Harris Wittels – Desenvolvido por Wittels (Parks & Recreation), o projeto é uma comédia sobre um homem bem intencionado porém preguiçoso, que ainda mora com os pais, com quem vive entrando em conflito sobre a melhor forma de criar seu irmão mais novo, um jovem empresário multimilionário. A produção do projeto é da Universal TV em parceria com a 3 Arts.

Projeto de Rushfield e Mazer – Desenvolvido por Ali Rushfield e Dan Mazer, o projeto é uma sitcom tradicional que não teve seu enredo divulgado. Sabe-se apenas que se trata de uma história sobre os relacionamentos entre jovens adultos. A produção é da 20th Century Fox em parceria com a Good Humor TV e 3 Arts.

Gifted – Projeto de sitcom tradicional criado por David Bickel (The King of Queens) e David Janollari (A Sete Palmos/Six Feet Under). A história apresenta um casal de classe média que tentam descobrir a melhor forma de criar seu filho adolescente, um rapaz considerado um gênio. A produção é da Universal TV.

Sem Canal Definido

The Hour of Peril – A produtora The Weinsteing Company adquiriu os direitos de adaptação da obra de Daniel Stashower, com o objetivo de transformá-la em uma minissérie. A obra não ficcional narra a vida de Allan Pinkerton, detetive particular que, nos anos de 1850, fundou a famosa agência de detetives Pinkerton. Em parceria com a Kate Warne, considerada a primeira detetive particular feminina dos EUA, Allan impediu que o recém-eleito Presidente Abraham Lincoln fosse assassinado antes de sua posse. Esta é a segunda tentativa recente de levar para a TV a história de Pinkerton. A primeira ocorreu em 2010, quando o Starz desenvolveu a minissérie Pinkerton. Em 2011, a rede ABC chegou a desenvolver o projeto de série The Eye, que pretendia acompanhar as aventuras de detetives que trabalhavam para a agência de Pinkerton na década de 1870.

12/08/2013

às 19:35 \ Minisséries, Séries Inglaterra

Trailer de ‘What Remains’, nova minissérie da BBC

O canal britânico BBC1 estreia no dia 24 25 de agosto What Remains, produção anunciada em novembro de 2012. Escrita por Tony Basgallop (Inside Men), a minissérie é estrelada por Russell Tovey (Him & Her) e David Threlfall, que protagonizou a versão britânica de Shameless. 

Na história, o corpo de Melissa Young (Jessica Gunning, de White Heat) é encontrado dois anos após sua morte no sótão do prédio em que vivia. A descoberta foi feita por Michael (Tovey) e sua namorada Vidya (Amber Rose Revah, de The Mystery of Edwin Drood), que tentavam consertar um vazamento.

O que intriga a polícia é o fato de que ninguém notou o desaparecimento da jovem. O detetive Len Harper (Threlfall), prestes a se aposentar, é chamado para investigar o crime, o qual não parece ter deixado pistas. Recusando-se a deixar a morte de Melissa sem solução, ele começa a investigar os vizinhos, que se tornam os principais suspeitos.

Entre eles, Elaine (Indira Varma, de Silk) e sua companheira Peggy (Victoria Hamilton), que parecem ter tudo que sempre desejaram na vida, mas a descoberta do corpo de Melissa parece ter chocado Peggy além da conta; Kieron (Stephen Mackintosh, de Inside Men), um editor de jornal divorciado que há quatro anos tenta encontrar uma substituta para sua esposa, a qual consiga a aprovação de seu filho Adam (Alexander Arnold, de Skins); e o solitário Joe (David Bamber, de The Hollow Crown), professor de matemática que vive no prédio há quinze anos.

A produção é da BBC Drama Productions.

‘Doctor Who’: quem é Peter Capaldi?

No último domingo, a BBC britânica transmitiu um especial de meia-hora de duração no qual foi revelada a identidade do ator que assumirá o papel do Doutor em Doctor Who depois que Matt Smith deixar a série. Ele se despede do público e dos fãs no episódio natalino, que será exibido no Reino Unido no dia 25 de dezembro.

Três dias antes do anúncio, Peter Capaldi já tinha se tornado o favorito das casas de apostas no Reino Unido. Ninguém sabe ao certo como seu nome surgiu. Alguns rumores indicam que ele teria sido visto nos bastidores de produção do telefilme An Adventure in Space and Time conversando com Steven Moffat, produtor da série. Muitos acreditavam que o nome dele tinha sido levantado apenas como uma forma desviar a atenção do público, uma espécie de cortina de fumaça. Mas também existe a suspeita de que a própria BBC teria permitido o vazamento da informação como uma forma de testar a reação do público para o nome do ator antes de ‘soltá-lo na Arena e entregá-lo aos leões’. Seja como for, pesquisas revelam que a contratação de Capaldi foi aceita pela audiência que acompanha a série no Reino Unido. Alguns veículos informam mais de 80% de aceitação, outras dizem que teve mais de 90%.

O especial que anunciou seu nome foi visto por quase 7 milhões de telespectadores, somente no Reino Unido. O programa também foi transmitido simultaneamente para a Austrália e Estados Unidos. Sabiamente, Moffat e Smith não apareceram ao vivo, deixando mensagens gravadas que foram exibidas ao longo do programa. Com isso, os dois não disputaram a atenção do público com Capaldi, que sozinho enfrentou os fãs e respondeu a algumas perguntas feitas via Internet.

Em ‘Prime Suspect’, versão britânica (Foto: ITV)

Ator, diretor, roteirista, produtor, artista e músico, Capaldi é um nome respeitado no Reino Unido e conhecido do mercado internacional por interpretar Malcolm Tucker, da comédia política The Thick Of It, série que gerou uma spinoff cinematográfica com o título de In The Loop. Fã desde criança de Doctor Who, Capaldi chegou a escrever matérias para a newsletter do fã clube oficial da série, para o qual ele chegou a disputar um cargo de secretário quando estava com 14 anos. A insistência de Capaldi em fazer parte do clube chegou a incomodar a BBC e o presidente do clube, que sonhavam em vê-lo ‘exterminado pelos Daleks’.

Passada a fase da adolescência, Capaldi investiu em sua carreira artística, tornando-se um profissional premiado com o Oscar de melhor diretor do curta-metragem Franz Kafka’s It’s a Wonderful Life, escrito por ele. No elenco está Richard E. Grant, que também faz parte do universo Who, e a esposa de Capaldi, que no curta interpreta Cicely.

Em uma rica entrevista conduzida por Richard Strange, e realizada pela Hibrow TV em 2012 (vídeo abaixo), Capaldi fala sobre sua vida e início de carreira. Depois de ser vocalista da banda punk rock Dreamboys, na década de 1970 na Escócia, Capaldi estudou na Glasgow School of Art. Durante toda sua infância e adolescência, ele foi considerado um nerd. Mais tarde, foi para Londres. Sem conseguir frequentar uma escola de arte dramática, Capaldi trabalhou como graphic designer, fez teatro, comerciais e foi stand-up comedian.

Segundo Capaldi, boa parte dos trabalhos mais importantes que ele realizou aconteceram na sua vida por acaso. Seu primeiro filme de sucesso foi Momento Inesquecível (Local Hero), produção de 1983 estrelada por Burt Lancaster. Ele entrou no elenco quando, de volta a Glasgow, conheceu um dos envolvidos na produção que viu naquele rapaz com o cabelo pintado de vermelho e usando brinco um jovem ator tímido com potencial.

Apesar do sucesso, o filme não lhe abriu as portas. Ele conseguiu pequenos papéis no cinema e na TV, mas enfrentou muito preconceito por ser escocês, o que lhe trouxe problemas para arranjar um agente. Sua carreira foi construída em meio a altos e longos períodos de baixa. O Oscar também não lhe abriu as portas, forçando-o a buscar trabalhos como diretor de comerciais.

Entre seus trabalhos como ator estão o telefilme John & Yoko: a Love Story, no qual interpreta o músico George Harrison, e Ligações Perigosas, como Azolan, o empregado de Valmont (John Malkovitch), que faz uso de propina e sexo para obter informações valiosas para seu mestre. Ao longo dos anos, o ator foi visto em diversas séries e minisséries, entre elas, The Secret Agent, Prime Suspect (na qual interpretou um travesti chamado Vera), The Devil’s Whore, Fortysomething, Skins, The Field Of Blood The Hour, entre outrosEle também esteve no humorístico The All New Alexy Sayle Show, onde em uma de suas esquetes interpretou Sherlock Holmes.

Como Frobisher em ‘Torchwood’ (Foto: BBC)

Já conhecia o ator de suas participações em séries e filmes, mas ele somente começou a chamar a minha atenção a partir de 2009, quando o vi na terceira temporada de Torchwood, o que me levou a assistir The Thick of It. Nestes dois trabalhos, Capaldi interpreta personagens opostos dentro de um mesmo ambiente.

Em Torchwood, ele é John Frobisher, um funcionário medíocre que passou a vida adulta no serviço público, onde se tornou responsável por limpar ou fazer o serviço sujo daqueles que estão acima dele, sem nenhuma expectativa de um dia ser recompensado por isso. Ele é o senhor celofane (quem viu o musical Chicago deve se lembrar do marido de Roxie que representa bem esse tipo de personagem), um sujeito a quem ninguém olha duas vezes, não guarda seu nome ou presta atenção no que diz.

Trabalhando no departamento que cuida da segurança interna do país, repentinamente esse homem simplório se vê jogado em meio a uma situação complexa que dependerá dele manter o controle para ser solucionada. Chega à Terra um alienígena que exige a entrega de 10% das crianças do planeta. Capaz de controlar as vontades e os movimentos dessas crianças, o alienígena se torna uma grande ameaça à humanidade. Tentando esconder do público a realidade, Frobisher recebe a incumbência de eliminar os membros sobreviventes do Torchwood e lidar com o alienígena de forma que a vida possa voltar à sua rotina sem qualquer sequela.

Qualquer outro ator poderia ter engrandecido o personagem a partir do momento que ele recebe suas ordens, transformando-o em uma pessoa com ares de superioridade, vilanesca ou caricata (afinal, estamos falando de uma série de aventura). Mas a construção que Capaldi fez do personagem é mais sensível e dramática. Frobisher se manteve o tempo todo o homem medíocre que sempre foi e sempre será. Embora eles existam, seus conflitos morais não dominam suas ações ou decisões. Para ele, esta é mais uma emergência em uma longa lista de problemas que ele já precisou resolver antes. A diferença é que ela vai gradualmente tomando novas proporções. Capaldi oferece um homem capacho do governo e do Primeiro Ministro, que ao final de tudo ainda é obrigado a sacrificar suas filhas para que elas sirvam de exemplo para a população. Este é seu limite. Após anos sem nunca lutar por nada na vida, nem erguer sua voz em protestos, Frobisher toma a decisão de sair de cena, levando com ele sua família.

Bela compreensão e composição de personagem que pode ter passado despercebida por muitos que acompanharam os episódios. Em uma volta de 180º, Capaldi oferece em The Thick of It um personagem oposto a Frobisher. Aqui, ele também é um funcionário público que está há anos trabalhando para o governo. Tendo sobrevivido a diferentes ministros, Malcolm Tucker é o diretor de comunicação do governo.

Agressivo, estressado, com uma atitude de superioridade e um linguajar vulgar, Malcolm não baixa a cabeça para ninguém. Temido por todos que o cercam, conhecendo todos os truques, artimanhas e interesses por trás das boas intenções, Malcolm mantém o controle de tudo o que acontece ao seu redor, utilizando todas as armas ao seu alcance para proteger o governo. Sua justificativa para sua postura (se é que ele precisa dar) é a incompetência daqueles que o cercam. Geralmente agindo sem pensar, os membros do gabinete costumam criar situações que precisam ser controladas rapidamente antes que a imprensa tome conhecimento (embora por vezes os problemas sejam causados pelo próprio Malcolm). Os jornalistas também não são poupados da agressividade de Malcolm, que usa de chantagem, ameaças ou troca de favores para mantê-los sob controle.

A energia que o ator dá a Malcolm o faz saltar da tela, destacando-o dos demais do elenco. O personagem passa constantemente por mudanças de humor que vão da ira extrema à conversa banal. Na terceira temporada, Malcolm começa a vivenciar sua inevitável queda, o que o leva a passar por altos e baixos, forçando o ator a redirecionar constantemente a postura do personagem até o final da série na quarta temporada. Malcolm sabe que vai cair, mas ele está decidido a lutar até o último minuto.

Vale a pena lembrar que The Thick of It é uma série semi-improvisada. Com um pré-roteiro, os atores se reuniam para fazer a leitura após a qual eram convidados a improvisar em cima das cenas. A partir daí, um novo roteiro era montado, para incluir os melhores momentos das improvisações de cada personagem. Mais tarde, todas as cenas eram filmadas duas vezes. Na primeira, os atores seguiam à risca o novo roteiro. Na segunda, eles improvisavam em cima daquilo que foi escrito. O que ia para o ar era a junção dos melhores momentos dessas duas versões. Os atores recebiam os roteiros dois dias antes de filmar, sendo que, muitas vezes, horas antes de começar a filmar, eles eram reescritos. As mudanças de última hora levavam Capaldi a carregar o roteiro em meio aos documentos que Malcolm constantemente trazia consigo ou enviar ‘colas’ em mensagens de texto do celular, no qual seu personagem vivia conferindo chamadas e emails.

Capaldi e James Gandolfini em ‘In The Loop’, spinoff cinematográfica de ‘The Thick of It’, produzida entre a segunda e terceira temporada da série. (Foto: BBC Films)

Esta série é o ponto alto da carreira de Capaldi. Malcolm mudou a vida do ator. Com este personagem ele ganhou prêmios, o respeito do público e o reconhecimento internacional. Ele abriu-lhe as portas para outros trabalhos, como a peça The Ladykillers, entre 2011 e 2012, com a qual foi aplaudido pela crítica. Esta é uma comédia de humor negro que já teve duas versões cinematográficas, uma em 1955 (britânica) e outra em 2004 (americana). Também foi seu trabalho como Malcolm que deu ao ator o aval dos fãs de Doctor Who para interpretar o Doutor. Quando o nome dele surgiu nas casas de apostas, a reação da imprensa e do público foi positiva. Muitos jornalistas acreditavam que o fato de Capaldi ser fã da série poderia fazer com que o ator tivesse dificuldades de recusar esta chance, caso de fato ela existisse.

Seu interesse pela série é conhecido por aqueles que já trabalharam com ele. No material bônus de The Thick Of It (DVD que traz os Especiais produzidos entre a segunda e terceira temporada), o produtor Adam Tandy, olhando uma foto de Capaldi, pergunta aos demais do elenco e da produção se eles acham que o ator teria chances de ser o próximo intérprete do Doutor em Doctor Who. Brincando, Armando Iannucci, criador da série, responde que eles deveriam começar a fazer campanha para isso, se propondo a escrever um episódio em que Malcolm passa pelo processo de regeneração.

Isto foi em 2009, último ano em que David Tennant estrelou Doctor Who. Nesta mesma época, Moffat chegou a cogitar Capaldi como um substituto de Tennant, mas acabou escolhendo Smith, que trouxe para a série um público mais jovem.

A expectativa com a contratação de Capaldi é a de que o ator possa oferecer um Doutor mais complexo. Alguém que demonstre carregar uma bagagem com vasta experiência de vida, que seja mais agressivo, misterioso e sombrio, sem descartar por completo o lado leve e cômico (quem sabe um pouco de sarcasmo?!). Sem dúvida, um terreno amplo e inexplorado (ao menos pela atual franquia). Embora ainda não saibamos qual será o rumo que a série de fato irá tomar ao atingir a meia-idade, é chegada a hora dela assumir sua maturidade, nem que seja por poucas temporadas.

Antes do anúncio de que Capaldi tinha sido escolhido como o novo protagonista da série, os produtores sofreram forte pressão (especialmente do público e da imprensa americana) para ceder e entregar o personagem a alguém que representasse a chamada minoria. A ideia era a de que o Doutor fosse interpretado por um negro ou por uma mulher. Sem de fato ignorar este pedido, Moffat escolheu alguém que representa uma ‘minoria’.

Capaldi é um ator de 55 anos que nunca foi considerado um galã, o que decepcionou alguns fãs que esperavam ter um ator jovem e bonito substituindo Smith. Talvez se fosse uma produção americana este teria sido o caso. Por sorte esta é uma série britânica. Não apenas a decisão do produtor foi tomada no sentido oposto, como o canal BBC deu permissão para que a série seguisse esse caminho. Apesar de muitos ainda criticarem o fato de um negro ou uma mulher não ter sido escolhido, vale a pena ter em mente que a escolha de Capaldi abre as portas para que ele seja, no futuro, substituído por outro representante da ‘minoria’.

Capaldi repete o gesto de William Hartnell, primeiro ator a dar vida ao Doutor.

O ideal seria que Capaldi ficasse por duas temporadas. A primeira para estabelecer o personagem, a segunda para explorar seu potencial. A terceira, se existir, seria lucro, mas talvez não seja uma necessidade. Ao rever a última temporada de Smith, torna-se clara a necessidade que a produção tinha de mudar de rumo e trocar o ator, por melhor que ele tenha sido em sua interpretação. Seria bom que Capaldi permanecesse o tempo certo e necessário.

A escolha deste ator resgata as origens do personagem, quando o Doutor era interpretado por um homem de 55 anos, que tinha como companheira de viagem uma jovem de vinte e poucos anos. A relação do Doutor com Clara (Jenna Coleman) irá mudar, mas não deverá durar muito tempo. A expectativa é a de que Coleman deixe a série após a primeira temporada com Capaldi, abrindo novas oportunidades para os roteiros. Também espera-se que a relação do Doutor com River Song seja resolvida nesta encarnação e, quem sabe, um retorno do Mestre.

Capaldi tem, neste momento, quatro projetos em andamento. Além de Doctor Who, ele está no elenco de The Musketeers, na qual ele interpreta o Cardeal Richilieu. Esta é uma série que estreia no Reino Unido em 2014, mesmo ano em que os episódios de Doctor Who com Capaldi serão exibidos. Ainda não está claro mas, se The Musketeers for renovada, é provável que o ator continue no elenco, o que o forçará a dividir seu tempo entre as duas séries. Além delas, ele está no elenco de Driven e é o roteirista e diretor de Born to Be King, filme com Ewan McGregor e Kate Hudson. Esses dois filmes ainda não têm previsão de data para início de sua produção.

Cliquem nas fotos para ampliar.

A entrevista abaixo foi realizada em 2012, em Londres, na capela do House St. Barnabas. Gravada às 4 da manhã, a entrevista tem cerca de 100 minutos de duração e encerra com Capaldi cantando a música Pale Blue Eyes, de Lou Reed, em dueto com Richard Strange e Sarah Jane Morris. O trecho em que mostram a primeira cena de In The Loop está sem imagem, mas o som permanece. A imagem volta ao final da cena do filme.

 

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