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28/07/2011

às 10:47 \ Remakes, Séries Afeganistão

Séries Americanas Ganham Versões Árabes

De tempos em tempos ouvimos falar sobre as versões estrangeiras de séries americanas. Esta é uma das formas que os produtores têm de elevar os lucros de um seriado, especialmente aqueles que já encerraram suas produções nos EUA. Mas algumas dessas versões não são oficiais. Lembram que no ano passado foi descoberto um remake não autorizado de “The Big Bang Theory”, na Bielorússia?

Normalmente, as versões não oficiais reaproveitam situações, personagens e ideias as quais são elaboradas de uma forma que não obrigue a atual produção a pagar pelos direitos autorais de uso do material. A TV americana faz muito isso, tanto para produtos estrangeiros quanto para produções nacionais. O exemplo mais recente (que me vem à cabeça) é “The Closer”, versão não oficial de “Prime Suspect”, que por sua vez ganhou um remake oficial americano com estreia prevista para setembro nos EUA.

No Brasil, por exemplo, existem rumores de que um canal tem funcionários que assistem às séries de TV e filmes com o objetivo de anotarem enredos de episódios, situações, diálogos e personagens que possam ser reutilizados em suas próprias produções.

Como vêem, é um mercado com inúmeras possibilidades. Pois esta semana surgiu a notícia de que “The Office“, série inglesa com pelo menos oito remakes autorizados, ganhou uma versão não oficial no Afeganistão, tendo como referência a produção americana.

Com o título de “The Ministry“, a série segue a narrativa documental, situada no escritório do Ministério do Lixo. Entre os funcionários, personagens que lembram Michael, Dwight e Pam (que nesta versão odeia homens), além de outros incluídos por conta própria, como um guarda de segurança que vive dormindo e um mordomo que é constantemente subestimado.

Segundo o Washington Post, a história gira em torno de temas mais sérios como a corrupção, tráfico de influência e outras questões relacionadas à politicagem. A série está prevista para estrear pelo canal comercial Tolo TV. No entanto, pela proposta divulgada, a produção parece uma mistura de “Yes, Minister” (série inglesa produzida entre 1980 e 1982 e situada no gabinete do Primeiro Ministro) e “The Office”, que, ao meu ver, se inspirou na primeira, trazendo uma abordagem mais popular e situando a história em outro ambiente.

No vídeo acima, preview de “The Ministry” com legendas em inglês.

Outra versão árabe de uma série americana, desta vez oficial, é  ”Everybody Loves Raymond“, produzida pela Sony Pictures Television, em parceria com a SPT Arabia. Por enquanto a série está em fase de desenvolvimento de roteiros. O projeto prevê a produção de 30 episódios, estrelados por  Sherif Salamah, Layla Taher, Ahmed Khalil e Caroline Khalil, com exibição em canais do Egito, do Líbano e da Arábia Saudita.

Esta não é a primeira versão estrangeira da série. “Everybody Loves Raymond” já foi adaptada para Israel, Polônia e Rússia. Esta última ficou conhecida internacionalmente graças ao documentário “Exporting Raymond“, produzido por Phil Rosenthal, que narra o processo de adaptação da série para a cultura russa.

14/12/2010

às 10:33 \ Séries Afeganistão

Giro Pelo Mundo: Afeganistão Produz Série Inspirada em 24 Horas

Najebullah Sadiq como Kamran em "Eagle Four" (Foto Tolo TV/Divulgação)

Quem acompanha meu trabalho há mais tempo deve se lembrar que ‘de quando em quando’ publico postagens sobre séries que se destacam na programação de outros países fora do eixo Brasil-Canadá-Estados Unidos-Inglaterra, que são normalmente abordadas aqui no Blog.

“Eagle Four” é uma dessas produções. A série estreou na Tolo TV, considerado um dos canais mais populares do Afeganistão. Foram encomendados 13 episódios para a primeira temporada, que é produzida pelo corpo diplomático da Embaixada Americana. Para auxiliar a equipe de produção local foram contratados profissionais da TV australiana. Filmada em Kabul, capital do país, a história acompanha a rotina de trabalho de uma equipe de elite da polícia local, caçando traficantes, homens bombas e sequestradores.

O objetivo é estimular o público a ter confiança na força de segurança afegã e incentivar a polícia a realizar um trabalho de qualidade. Desta forma, eles estariam prontos para assumir a segurança quando o governo americano se retirar do local daqui a três anos (período previsto).

Segundo o jornal LA Times, a série traz elementos que exploram o entretenimento, como cenas de ação, estética cinematográfica e muitas situações que apresentam a relação entre os membros da equipe. Também inclui mistérios que cercam o passado do chefe do grupo, um homem respeitado e bem quisto pelos demais.

As cenas de ação foram inspiradas na série “24 horas’, mas com as situações de tortura suprimidas, embora existam alguns momentos nos quais a violência se faz presente. A tropa de elite é formada por Kamran (Najebullah Sadiq), personagem inspirado em Jack Bauer. Considerado indisciplinado, sempre que recorre à violência sofre as consequências de seus atos. No grupo também estão Baktash (Framjan Ebrahim Khalil) e Ludmilla (Maryam Sharify), inspirada na personagem Chloe, uma especialista em computadores. Inicialmente, eles não se entendem, mas ao final da primeira temporada descobrem que estão apaixonados.

Sem se ater demais à realidade local, a série toma diversas liberdades criativas. Entre elas, a presença feminina na equipe, que inicialmente era formada por quatro pessoas: dois homens e duas mulheres. A pressão da família fez com que uma das atrizes deixasse o elenco. Para não criar muitos problemas, especialmente para a protagonista que permaneceu na série, sua personagem trabalha dentro do escritório, caçando criminosos cibernéticos e auxiliando os policiais em campo.

A presença de personagens femininas no elenco principal tem como objetivo tentar introduzir a ideia da igualdade entre os sexos. É claro que, na vida real, a produção tem enfrentado dificuldades. Poucas são as mulheres que se candidatam ao trabalho, forçando alguns membros femininos da equipe de produção australiana a interpretarem personagens menores: suspeitas de crimes ou vítimas de agressão.

Outra questão que foge da realidade é a imagem da polícia. Segundo o jornal The New York Times, a força tarefa local não tem uma boa imagem junto à população. Considerada corrupta, machista, viciada e composta por 80% de membros analfabetos, os policiais da vida real terão um longo caminho a percorrer para conseguir se igualar aos personagens da série. O elenco não é formado por atores profissionais. Um deles é professor secundário e o outro, dono de restaurante e hotel, que arranjam tempo para trabalhar na série.

A receptividade do público é boa, embora muitos ainda a vejam como veículo de propaganda. Confiram abaixo o trailer divulgado pelo The Wall Street Journal.


 

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