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10/07/2012

às 14:52 \ Entrevistas, Internet, Séries Anos 2010-2019

Séries originais do Netflix estreiam em 2013

Kevin Spacey e Robin Wright em 'House of Cards'

Os fãs de séries que aguardam as estreias de House of Cards, Hemlock Grove e Orange is the New Black (que ainda não foi oficialmente anunciada), bem como as novas temporadas de Arrested Development (resgatada em novembro de 2011) e de Lilyhammer, terão que esperar até o primeiro semestre de 2013, segundo informou Nada Antoun, Gerente Global de Comunicação do Netflix, em entrevista esta manhã ao Blog Nova Temporada.

A primeira a estrear será House of Cards que, embora estivesse sendo prometida para o final de 2012, foi adiada para o primeiro trimestre do ano que vem. Um dos motivos do atraso é o fato de que a série conta com nomes conhecidos internacionalmente em seu elenco. Com isso, a produção precisa trabalhar em torno das agendas desses atores.

House of Cards tem duas temporadas garantidas’, disse Antoun, ‘mas, dependendo da receptividade de público e do interesse dos envolvidos, ela poderá ter mais. Já Arrested Development terá apenas uma temporada, que é para dar um final digno à série que tinha sido cancelada sem uma conclusão. Não iremos além disso’.

As filmagens de House of Cards já estão em andamento, as de Arrested Development iniciam em setembro. O Netflix ainda não definiu o número de episódios, mas a série deve concluir com dez ou treze episódios. Ainda existem rumores de que Arrested Development poderá ganhar uma versão cinematográfica, com a qual o Netflix não está envolvido. ‘Esta será uma produção da Fox, que lançou a série’, diz Antoun.

Steve Van Zandt em 'Lilyhammer'

Hemlock Grove é uma produção voltada para o público adolescente, com a qual adultos poderão se identificar. Trata-se de um drama gótico de terror e suspense, centrada nos personagens adolescentes da trama. Informações sobre esta série aqui.

Lilyhammer é uma série norueguesa do canal NRK que teve os direitos de exibição internacional adquiridos pelo Netflix. A boa receptividade de público levou o site a acertar a co-produção da segunda temporada da série, que é estrelada pelo americano Steve Van Zandt. Confiram informações sobre esta produção aqui.

Orange is the New Black, série de Jenji Kohan (Weeds) ainda não teve sua produção oficialmente anunciada porque está em fase de roteiros. Ainda não foram definidos o número de episódios que serão produzidos nem tampouco o elenco. Por isso, ela deverá ser a última a estrear. Informações sobre essa produção aqui.

As séries originais do Netflix não serão lançadas em DVD e não serão oferecidas a canais da TV a cabo ou aberta. A única maneira do público interessado poder acompanhá-las será tornando-se assinante do site, onde elas serão oferecidas em versões legendadas e dubladas.

A estreia dessas produções será simultânea em todos os países onde o Netflix opera, incluindo o Brasil que, juntamente com o México, é um dos mais importantes mercados da empresa na América Latina, onde ela já registra cerca de um milhão de assinantes desde sua estreia em setembro de 2011.

Contando com um acervo que cresce a cada mês, o Netflix busca investir em diversos segmentos de público embora, no Brasil, os gêneros esportivos e infantis, bem como as séries americanas em geral, predominem no interesse dos assinantes. ‘Entre as séries americanas, Lost e Grey’s Anatomy (ambas da ABC e já lançadas em DVD) são as campeãs na preferência do público brasileiro’, diz Antoun.

Elenco de 'Arrested Development' retorna para a temporada final

Negando os rumores de que o Netflix poderia se tornar um canal de TV a cabo, Antoun diz que a empresa se estabeleceu internacionalmente como um site de streaming de filmes e séries. Contando com produções de terceiros, a empresa depende das renovações de contratos, os quais permitem continuar a oferecer cada título de sua videoteca. O tempo de duração desses contratos varia muito, com um mínimo de doze meses e o máximo de oito anos.

No entanto, com um número cada vez maior de outros sites de streamings, bem como o interesse crescente dos canais de TV americanos oferecerem eles próprios suas produções online, a alternativa do Netflix é a de começar a produzir seu conteúdo. Com isso, poderá oferecer filmes e séries por tempo indeterminado.

Desta forma, o Netflix começa a abrir espaço em um mercado que está mudando rapidamente. A empresa acredita que em 20 anos o DVD deixará de existir para dar lugar à coleção digital de filmes e séries, seja por downloads ou acesso a streamings.

Sem ter a preocupação de agradar anunciantes, o site, que busca atender os interesses de públicos em diferentes países, se torna alvo de diretores que buscam por liberdade criativa. Já em contato com um diretor brasileiro internacionalmente conhecido, o Netflix também tem planos para começar a produzir no Brasil. ‘Ainda é cedo para falar sobre isso’, disse Antoun, ‘mas, a longo prazo, pensamos em produzir séries e filmes por aqui’.

A produção própria do Netflix poderá ganhar mais credibilidade no mercado de entretenimento se ela conseguir se estabelecer no circuito de premiações, como ocorreu com as séries, minisséries e telefilmes da TV a cabo americana. ‘Eu não sei quanto ao Globo de Ouro’, diz Antoun, ‘mas podemos nos inscrever para disputar o Emmy. Nossas séries seguem as regras da Academia (mínimo de seis episódios produzidos, com o mínimo de 22 minutos de duração, exibidos em território americano e com os direitos criativos garantidos)’.

Se o Netflix conseguir penetrar neste circuito, poderá abrir as portas para que outros sites de streamings, que também ofereçam uma produção original de acordo com as regras, sigam o mesmo caminho. Será uma revolução parecida com a do surgimento da TV a cabo, que atualmente domina o circuito de prêmios americanos.

Cliquem na última foto para ampliar. 

20/05/2012

às 11:03 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

Vídeo: Jennifer Morrison fala sobre ‘Once Upon a Time’

Seja por House ou Once Upon a Time, How I Met Your Mother ou Jornada nas Estrelas, a atriz Jennifer Morrison é reconhecida por fãs de séries dramáticas, de fantasia, de comédia e de ficção. Divulgando seu mais recente trabalho, ela fez uma turnê pela América Latina no início de maio. Foi uma visita rápida. Simpática e bem disposta, ela atendeu duas coletivas e diversas entrevistas realizadas em São Paulo em um único dia sem perder o sorriso no rosto.

Atualmente morando em Vancouver, no Canadá, onde Once Upon a Time é filmada, Jennifer diz viver a expressão “felizes para sempre” todos os dias, ‘porque todos os dias faço o que gosto’, comenta a atriz. Apesar do frio constante, o único problema de Jennifer na produção da série é dirigir o fusca de Emma. ‘Acho que ele é de 1974′, conta, ‘nunca pega, preciso de ajuda para dar partida’. Mas sua maior frustração é não ter conseguido ainda gravar uma cena em que possa montar um cavalo. Afinal, Emma vive no mundo real e as cenas com montaria estão praticamente restritas ao mundo de fantasia.

Interpretando uma personagem que representa a conexão entre os dois mundos, a atriz não sabe ainda se um dia Emma passará para o universo da fantasia, mas acredita que, se isso vier a acontecer, a personagem não sofrerá mudanças. ‘A maldição’, diz Jennifer, ‘causa a mudança de personalidades nos personagens entre os dois mundos. Mas Emma cresceu na realidade e não foi afetada pela maldição. Então acho que ela não mudará’.

Longe de casa, o elenco se comporta como uma grande família. Dessa união surgiu a amizade entre Jennifer, Ginnifer Goodwin e Josh Dallas, que interpretam Branca de Neve e o Príncipe Encantado, os pais da atriz na série. ’Chamo o Josh de pai’, revela Jennifer.

Tendo estreado no cinema ainda adolescente, Jennifer já passou por vários filmes e séries, a maioria drama ou comédia. Mas apesar de ter crescido cantando em um coral, podendo trabalhar em produções musicais, Jennifer disse que escolheria atuar em um filme de ação, ’com muitas armas e pancadaria’. No entanto, elege as séries Damages, Modern Family, Happy Endings e Game of Thrones como suas favoritas.

No vídeo, a atriz fala mais um pouco sobre seu trabalho: o que poderá acontecer com Emma na segunda temporada de Once Upon a Time, qual personagem dos contos de fadas ela torce para ser adaptado na série e também comenta como foi para ela entrar em outro universo: o mundo trekker, quando interpretou a mãe do futuro Capitão James T. Kirk.

Veja aqui comentários de Jennifer sobre a relação entre House e Once Upon a Time.

Para aqueles que ainda não conhecem a série, ela é exibida no Brasil pelo canal Sony, todas as quintas, às 21h.

Na história, Henry (Jared Gilmore), um garotinho adotado por Regina (Lana Parrilla), prefeita da cidade de Storybrook, no Maine, localiza sua mãe biológica, Emma (Jennifer Morrison), a quem pede ajuda para quebrar uma maldição, a qual transformou os personagens dos contos de fadas em pessoas vivendo no mundo real, sem se lembrar de quem eles realmente são.

Emma também desconhece sua origem. Filha da Branca de Neve e do Príncipe Encantado ela foi enviada ao mundo real quando ainda era bebê para poder escapar do poder da Bruxa Má (Regina). Crescendo em orfanatos, ela se tornou uma pessoa cética e solitária.

Há dez anos, Emma entregou seu filho para adoção. Agora ela tem a oportunidade de se relacionar com ele mas, para sua surpresa, Emma percebe que o filho preferiu mergulhar no mundo de imaginação como uma forma de escapar de uma realidade que ele não aceita. Tentando reparar o mal que ela lhe causou, Emma decide ficar em Storybrook, onde começa a se reconectar com seus sentimentos e emoções, há muito deixados de lado.

O maior atrativo da série criada por Adam Horowitz e Edward Kitsis, ambos produtores e roteiristas de Lost, é a forma como os personagens de diferentes contos de fadas se relacionam, bem como a maneira como eles são trazidos ao mundo real. Tal qual a série Lost, Once Upon a Time também apresenta uma história narrada em duas linhas de tempo, algumas vezes fora da ordem cronológica.

Sendo exibida nos EUA pela ABC, os personagens de contos de fadas que vemos na série referem-se às adaptações feitas pela Disney, proprietária do canal, que são mais brandas que a concepção original dos irmãos Grimm.

Abaixo, fotos de bastidores de Once Upon a Time. Cliquem em todas as fotos do post para ampliar. 

08/05/2012

às 14:09 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

Jennifer Morrison mergulha nos contos de fadas

Jennifer Morrison (Thais Aline/AgNews)

Famosa como a Dra. Cameron de House, a atriz Jennifer Morrison chegou ao Brasil para divulgar sua nova série, Once Upon a Time, que traz para o mundo real os famosos personagens dos contos de fadas.

Na história, Jennifer interpreta Emma, a filha da Branca de Neve, que ainda bebê foi enviada para o mundo real. Emma cresceu em um orfanato sem conhecer suas origens. Adulta, ela ficou grávida, mas seu filho foi entregue para adoção. Quem cuidou dele foi Regina, prefeita da cidade de Storybrook. Acontece que Regina é, na verdade, a bruxa má da Branca de Neve, que fez um feitiço para que os personagens dos contos de fadas esquecessem quem eles eram. Agora, eles vivem vidas reais na cidade de Storybrook. O único que sabe, ou acredita saber, a verdade é Henry, filho biológico de Emma, que a encontra e pede ajuda a ela para quebrar a maldição da bruxa. Esse é o enredo central da série, que vem conquistando o público brasileiro pela forma como apresenta os personagens do mundo da fantasia e os relaciona com a realidade.

Para Jennifer, tudo isso é uma realidade. Em coletiva à imprensa em São Paulo, a atriz disse estar feliz por ter sido escolhida para trabalhar na série, pela qual se apaixonou quando leu o roteiro. Saindo de uma produção na qual o lema era “todo mundo mente”, e na qual o ceticismo predominava, Jennifer disse que House serviu como uma preparação para que ela pudesse interpretar uma personagem cética que se vê em uma situação na qual tem suas crenças na realidade postas à prova. Mas nessa mudança ela também enfrenta um personagem que tenta colocar sua vontade acima da dos outros.

Jennifer Morrison (Danilo Carvalho/AgNews)

“Emma não sabe que Regina é realmente má e por isso ela não leva a sério suas ameaças”, diz Jennifer. “Já House é um homem inteligente, que manipula as pessoas. Acredito que ele é mais perigoso, a longo prazo.” Para a atriz, o problema de Emma em relação a Regina é o fato de ela não ter sido boa mãe para seu filho.

Jennifer diz que foi um desafio fazer a filha da Branca de Neve. “Costumo me concentrar no fato de que Emma cresceu em um lar de adoção. Ela sofreu muito. Penso neste passado sempre que, no presente, ela enfrenta uma situação que a faz se sentir revoltada ou com raiva. Mas, tal como a personagem, vou descobrindo aos poucos o que é ser a filha da Branca de Neve.”

Jennifer elege Cinderela e Alice no País das Maravilhas como seus contos de fadas favoritos. “Na série, tive a oportunidade de contracenar com a Cinderela e depois a Emma viveu uma situação que lembra a de Alice. Cresci com as histórias da Disney, e a série faz referências a tudo isso.”

A passagem de Jennifer pelo Brasil é curta. Ela parte amanhã, dia 9 de maio, para a Argentina, onde dará continuação à divulgação da série.

Kit Harington fala sobre ‘Game of Thrones’, que tem sua 1ª temporada lançada em DVD

Na última semana, três dos atores que estrelam Game of Thrones fizeram uma turnê por diversos países para divulgar a segunda temporada da série. Kit Harington (Jon Snow), Richard Madden (Robb Stark) e Alfie Allen (Theon Greyjoy) passaram pelo México, Colombia, Peru, Equador, Panamá, Jamaica e  Bahamas. Pelo Brasil, passaram os dois primeiros, que se encontraram com fãs e jornalistas no Rio de Janeiro. No vídeo acima, Harington conversa com VEJA sobre seu personagem e a série.

Esta semana, a Warner Brothers lança a primeira temporada da série em DVD e Blu-Ray. Os episódios foram disponibilizados com idiomas em Inglês, Espanhol e Francês, em áudio 2.0 e 5.1, e legendas em Português, Inglês, Espanhol e Francês. São ao todo 557 minutos em Widescreen Anamórfico 16:9.

No material de Extras, os boxes trazem:

Guia Completo de WesterosUm compêndio interativo das casas nobres e das terras que foram apresentadas na Temporada, além de 24 histórias dos Sete Reinos contadas pelos próprios personagens envolvidos.

Fazendo Game of Thrones: um documentário exclusivo, com 30 minutos de duração, incluindo cenas inéditas do set de filmagem e entrevistas com elenco e equipe.

Do Livro para as Telas: os produtores executivos David Benioff e D.B. Weiss, e o autor George R.R. Martin falam sobre os desafios de trazer o romance épico escrito por Martin à vida.

Criação da Abertura da Série: detalhes sobre a criação da sequência de abertura de Game of Thrones.

Criando o Idioma Dothkraki: detalhes a criação da complexa linguagem do povo Dothraki.

A Patrulha da Noite: detalhes sobre a única ordem de homens que patrulha e protege a Muralha de gelo que mede cerca de 21 quilômetros.

Perfil dos Personagens: perfis dos 15 personagens principais descritos pelos atores que os interpretam.

Comentários: comentários em áudio feitos pelo elenco e a equipe, incluindo David Benioff, D.B. Weiss, George R.R. Martin, Emilia Clarke, Peter Dinklage, Kit Harington e outros

Segundo a distribuidora, a versão em Blu-Ray traz três extras a mais que o DVD. Eles são:

Anatomia de um Episódio: documentário sobre a produção do episódio 6, Uma Coroa Dourada.

Guia por Dentro de um Episódio: informações complementares sobre os personagens, cenas, locações e história.

Ovos de Dragão Escondido: Encontre os ovos de dragão escondidos para descobrir ainda mais materiais inéditos.

Cliquem nas fotos para ampliar. 

04/03/2012

às 10:57 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

‘Homeland’ estreia no Brasil

Esta noite estreia no Brasil Homeland, versão americana de uma produção israelense, que em sua primeira temporada já conquistou o prêmio Golden Globe para melhor série e melhor atriz dramática.

Criada por Gideon Raff a série adaptada por Howard Gordon e Alex Gansa narra a história de dois personagens que, cada um à sua maneira, lutam para manter a sanidade mental em meio às situações em se envolvem. Carrie Mathison (Claire Danes) é uma agente da CIA obcecada pelo seu trabalho. Ela é uma das responsáveis por identificar e caçar terroristas em território americano.

Ao receber uma informação de que um americano foi convertido e seria agora parte de uma célula terrorista, Carrie conclui que esse homem é Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. Brody, por sua vez, é um homem que, após ser resgatado e recebido como herói, tenta se readaptar à sua vida e se reconectar com a esposa e seus dois filhos, estranhos para ele.

Ao longo da temporada, Carrie tenta provar que Brody é um terrorista, chegando a assumir um comportamento de stalker ou mesmo de terrorista da liberdade individual. Sem ter provas concretas, seus superiores não acreditam nela. Em vários momentos, a própria Carrie tem dúvida, mas nada disso a impede de continuar em sua busca obsessiva por um sinal ou uma evidência concreta. O telespectador acompanha o desespero de Carrie, bem como a luta de Brody para tentar se readaptar, também sem a certeza de que ele seja realmente terrorista.

No elenco da série também estão Mandy Patinkin e Morena Baccarin, atriz que nasceu no Brasil, mas desde pequena vive nos EUA. Ela é conhecida do público por seus trabalhos em séries como Firefly e o remake de V, no qual interpretou a alienígena Anna. Esta semana, Morena esteve no Brasil para divulgar a estreia de Homeland, série na qual interpreta Jessica Brody, esposa do fuzileiro resgatado.

Morena não foi a primeira atriz a interpretar a personagem. Um piloto chegou a ser produzido com Laura Fraser no papel de Jessica. Laura, que estrelou a primeira temporada da série inglesa Lip Service, deixou o elenco de Homeland depois que a produção britânica foi renovada para sua segunda temporada. Em seu lugar, os produtores escolheram Morena, que tem conseguido conquistar elogios da crítica por seu desempenho na série.

Pouco sabemos de Jessica na primeira temporada de Homeland. Neste primeiro momento vemos uma mulher que entra em conflito com seus sentimentos e seu senso de honra, quando o homem que pensava estar morto volta a fazer parte de sua vida. ”Jessica sente muita culpa por ter traído o marido”, disse Morena na coletiva de imprensa que reuniu jornalistas em São Paulo. “Mas por outro lado, ela esperou seis anos para que ele voltasse, antes de aceitar a ideia de que ele tinha morrido”.

Mulher dedicada à família, sentindo-se culpada por não ter sido fiel ao marido, homem que conheceu ainda adolescente e com quem teve dois filhos, Jessica finge não se importar com os problemas que seu retorno provoca. Buscando eliminar as dificuldades para que a vida em família volte a ser como era antes, ela coloca seus próprios problemas e processo de readaptação em segundo plano. ”Ela é uma pessoa sozinha na relação”, diz Morena sobre Jessica. “O mesmo acontece com Brody. Os dois são vítimas da guerra. São pessoas fortes, mas que às vezes não aguentam a pressão”. A relação de Jessica com os filhos, especialmente com Dana (Morgan Saylor), a mais velha, também não é fácil. Mantendo um certo distanciamento emocional, ela tenta criar uma atmosfera de família unida.

Morena Baccarin durante coletiva em São Paulo

A primeira temporada não chega a explorar a intimidade da personagem fora do ambiente familiar, dedicando-se a estabelecer os personagens de Claire e Damian. Desta forma, o telespectador não a vê na companhia de amigas com as quais possa conversar e dividir a carga que carrega, nem tampouco a vemos em seu local de trabalho. “Espero que na segunda temporada a produção dê mais espaço para Jessica”, disse Morena. “Eu com certeza gostaria disso!”.

Segundo a atriz, um dos roteiristas da série é um militar britânico que ajudou na composição do personagem interpretado por Damian. “Ele disse que na guerra os homens se tornam animais, perdem o contato com os sentimentos”, comenta Morena. Essa ideia é passada ao público ao longo dos episódios de Homeland.

A versão americana difere da original, na qual três soldados eram feitos prisioneiros, mas apenas dois retornam. “Não assisti à produção israelense”, diz Morena, “mas pelo que sei ela é mais voltada para a história dos soldados e da guerra, a americana dá mais atenção à relação com a família”.

Em sua primeira temporada, a série teve uma excelente receptividade crítica. Em termos de audiência, Homeland registrou a média de 1.24 milhões de telespectadores ao vivo, nos EUA, onde é exibida pelo canal a cabo Showtime. Vendida a mais de 20 países, a série também tem conseguido ser bem recebida pelo público e pela crítica por apresentar uma situação fácil de ser reconhecida pelo telespectador.

Em tempos de alertas a ataques terroristas, o público aprendeu a entender a obsessão de Carrie, bem como a situação dúbia de Brody. No Brasil, onde esse tipo de ameaça não faz parte da nossa rotina, a série não perde seu propósito. “O brasileiro tem uma história complicada com a figura do político”, diz Morena, “o que o leva a desconfiar de sua integridade e de suas intenções. É essa percepção que a série busca para o personagem de Brody. Devemos ou não confiar nele?”.

A situação de Brody é esclarecida ainda na primeira temporada, sendo que as demais devem lidar com o desdobramento da situação. ”Não dá para segurar as surpresas por muito tempo. É um tipo de série que deve durar três ou quatro temporadas”, diz Morena.

A primeira temporada de Homeland é composta de doze episódios. Sua estreia acontece esta noite pelo canal FX às 22h. Já renovada para sua segunda temporada, também com doze episódios, a produção terá início no mês de maio com locações na Carolina do Norte e talvez em Israel. Segundo Morena, a história não terá continuação do ponto em que parou, mas cerca de um ou dois anos depois.

Mais informações sobre a série aqui.

Cliquem nas fotos para ampliar.

‘Forbrydelsen’ estreia na Globosat HD

Sofie Gråbøl como Sarah Lund em 'Forbrydelsen'

O canal a cabo Globosat HD estreia esta noite a série dinamarquesa Forbrydelsen, que já ganhou uma versão americana pelo canal AMC com o título de The Killing.

Criada por Søren Sveistrup, a primeira temporada tem 20 episódios produzidos. Na história, Sarah Lund (Sofie Gråbøl), prestes a se mudar para Suécia, é encarregada pelo Departamento de Polícia de Copenhague a definir a linha de trabalho que será adotada por seu substituto, Jan Meyer ( Søren Malling), nas investigações em torno do assassinato de Nanna Birk Larsen, uma jovem de 19 anos. Ao longo dos trabalhos, a dupla chega a diversos suspeitos, entre eles o candidato a prefeito Troels Hartmann (Lars Mikkelsen).

No Brasil, a série recebeu o título de The Killing – História de um Assassinato. Meu comentário sobre a temporada você lê aqui (cuidado com spoilers).

Em uma rápida conversa com o blog Nova Temporada, o ator Lars Mikkelsen fala sobre seu trabalho na série e seu personagem, um candidato a prefeito que se torna a esperança de renovação política. No entanto, quando se torna suspeito do crime, Troels se vê envolvido em um conflito moral.

Lars Mikkelsen como Troels

NT - Que características do seu personagem você buscou desenvolver mais?

LM - Desde o início da produção percebi que seria possível criar um personagem que representaria o político idealista e moderno vivendo a realidade da política local, o que o força a abrir mão de alguns de seus ideais. Eu realmente gosto da idéia de um homem idealista e ingênuo que tenta se comunicar diretamente com o povo, ao contrário da comunicação controlada do político que você encontra em muitos dos nossos líderes. Assim, busquei criar um homem empático e apaixonado por seu trabalho.

NT - Vocês sabiam quem era o assassino desde o início? Trabalharam o desenvolvimento de personagens com esse conhecimento?

LM - Nós não sabíamos quem era o assassino até a produção dos dois últimos episódios ter início. Mas durante todo o tempo todos nós trabalhamos diretamente com os roteiristas no desenvolvimento dos personagens.

NT - Apesar de Troels ser um suspeito, Sarah sempre o tratou com uma certa diferença em relação aos demais suspeitos. Qual sua opinião sobre essa relação ambígua entre Troels e Sarah, se é que ela realmente existe?

LM -Eu acho que os dois conseguem reconhecer no outro sua própria solidão, juntamente com a paixão que cada um tem pelo seu trabalho, o que os faz partilharem uma certa simpatia. Mas, como ele também é um suspeito, essa simpatia se torna ambígua.

NT - De que forma o sucesso nacional e internacional de Forbrydelsen afetou a produção televisiva da Dinamarca?

LM - Eu acho que a produção na Dinamarca vem mantendo uma escalada constante nos últimos dez anos ou mais, em termos de qualidade. Forbrydelsen é o resultado desse crescimento. Mas a linha narrativa da história, juntamente com o grande elenco e os bons diretores que ela teve, trouxe realmente para esta série um novo nível de qualidade. O que isso significa não serei capaz de responder-lhe agora. Os efeitos serão visíveis daqui a alguns anos.

NT - Você já viu a versão americana? Qual sua opinião sobre seu personagem na versão americana? Acha que é muito diferente?

LM - Lamento dizer que ainda não vi a versão americana porque venho me dedicando ao trabalho com uma peça de teatro. Mas tão logo tenha tempo, irei conferir. Billy Campbell esteve em Compenhague. Ele é uma ótima pessoa. Sinto-me honrado que ele esteja fazendo o personagem.

NT - Você já esteve no Brasil ou já viu  algum filme ou programa de TV brasileiro?

LM - Nunca estive em seu país, mas sempre desejei conhecê-lo. Assisti Cidade de Deus, que achei uma grande e assustadora experiência, um grande filme. Esta é a única produção brasileira que conheço.

A série Forbrydelsen estreia esta noite às 22 horas.

27/01/2012

às 15:13 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

Spartacus Retorna para sua Segunda Temporada

A série estreou em 2010 dando ao Starz sua maior audiência até hoje. Com “Spartacus“, o pequeno canal a cabo entrou para o ‘mapa televisivo’ dos EUA, atraindo o interesse da mídia. Já renovada para sua terceira, “Spartacus” estreia os episódios da segunda temporada esta noite nos EUA. No Brasil, os novos episódios estreiam pela Globosat HD no dia 10 de março, às 22h.

Explorando cenas de violência e sexo, que são emendadas com a história de Spartacus, um guerreiro capturado e vendido como escravo, que se torna gladiador e posteriormente líder de uma revolta, a série traz um ambiente interessante que faz um retrato dos hábitos e cultura da sociedade da época, bem como do linguajar.

Com heróis e vilões distintamente separados, representando classes sociais, a série narrou em sua primeira temporada a trajetória de Spartacus, finalizando com o início da revolta. Em seguida, a produção ofereceu uma minissérie prelúdio, na qual o telespectador acompanha a história da Casa de Batiatus, local que serviu de cenário para a primeira temporada.

A novidade é a estreia de Liam McIntyre interpretando Spartacus, personagem que assumiu com o afastamento, e consequente morte, do ator Andy Whitifield. Em entrevista coletiva organizada pelo canal Starz, Liam, Lucy Lawless, Craig Parker e Steven S. DeKnight, criador e produtor de “Spartacus”, falaram sobre esta transição e o que o público deve esperar da série em sua nova fase.

Pergunta: Vocês chegaram a considerar o cancelamento da série depois que Andy foi diagnosticado com Linfoma?

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Sim, discutimos se deveríamos encerrar a produção. Primeiro aguardamos pelo prognóstico e quando soubemos que as chances de recuperação eram boas, decidimos produzir a minissérie prelúdio (Gods of the Arena) para dar a Andy a chance de se recuperar. Durante a produção, ele foi liberado pelo médico, mas quando estávamos encerrando as filmagens da minissérie, soubemos que o câncer tinha voltado. Então ele tomou a decisão de se afastar em definitivo da série para se concentrar no tratamento. Ele sabia que estávamos questionando se deveríamos continuar ou não com a produção, por isso ele nos deu sua benção para que pudéssemos substituí-lo. Para mim, este foi o fator decisivo para que continuássemos. De certa forma, continuamos para poder honrar a memória de Andy, já que isto era o que ele queria. Espero que tenhamos conseguido alcançar um resultado com o qual ele ficaria feliz.

Pergunta: Qual seria o paralelo entre a série “Spartacus” e os dias de hoje?

Liam McIntire (Spartacus): Basicamente a série fala sobre a classe trabalhadora que é explorada. Nos dias de hoje, a escravidão que existia em Roma é representada pela escravidão econômica. E o que vemos na série é o que está ocorrendo com a Wall Street ocupada e a Primavera Árabe: a classe operária e oprimida se levantando e dizendo ‘basta’.

Steven S. DeKnight (criador/produtor) - Quando comecei a escrever a série, me inspirei na obra de William Shakespeare. O desenvolvimento de personagens tem muita influência dele, em especial o personagem Ashur, que é brilhantemente interpretado por Nick Tarabay. Eu o criei à imagem de Iago, de “Otelo”, e de Aaron, de “Titus Andronicus”. Estas foram minhas maiores influências. Se você der uma lida em Shakespeare, verá as influências do drama operístico.

Pergunta: Lucrécia sobreviveu ao massacre. De que forma e como ela irá se posicionar na trama?

Lucy Lawless (Lucrécia): Ao longo da temporada o público saberá como Lucrécia sobreviveu. Ela teve uma pequena ajuda e alguém fez um ótimo trabalho para que ela pudesse se recuperar. Mas agora ela perdeu tudo pelo que lutou, além de ter ‘perdido a cabeça’. Agora sem o marido, os amigos ou a sua casa, ela precisa recuperar sua posição na sociedade. Esta será uma jornada muito difícil, mas posso dizer que, no final, os sonhos de Lucrécia se tornarão realidade. Ela tem o sentimento de vingança em relação a Crixus, que lhe tirou seu bebê, a Spartacus, que matou seu homem, e em relação a Ilithyia, responsável em aprisionar todos no salão, o que proporcionou o massacre.

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Muitas pessoas ficaram em dúvida se deveríamos utilizar o termo ‘Vingança’ no título, já que não traz uma conotação heróica, mas negativa. Mas acho que o termo se enquadra perfeitamente na relação entre os romanos e os rebeldes. Então, apesar de negativo, é um sentimento que movimenta o personagem, levando-o a enfrentar problemas. Ele faz uma trajetória tortuosa, da qual ele é obrigado a sair. Ele precisa deixar de lado essa sede de vingança para poder se concentrar no bem maior.

Craig Parker (Glaber): Ninguém assistiria a série se o título fosse “Spartacus: Feliz e Amável”.

Pergunta: Em sua opinião, de que forma “Spartacus” desafia a produção televisiva dos dias de hoje?

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Existe um sentimento de ‘ame-o ou deixe-o’ em relação à série. Mas, independentemente disso, não há nada como ela na TV. Fizemos uma escolha consciente de explorar o extremo a cada episódio, para poder narrar uma história sangrenta e sensual da forma que acreditamos que precisa ser contada. Não nos preocupamos se fomos muito longe ou como as pessoas reagirão. Eu e meu colega, o brilhante Rob Tapert, queremos contar a história à nossa maneira. Se esta história exige que castremos e crucifiquemos uma pessoa, então nós castramos e crucificamos o sujeito e depois vemos o que acontece. Somos grandes fãs de Zack Snyder e do que ele fez em “300″, a forma como ele forçou os limites. Desde o início queríamos ver se conseguiríamos fazer na TV o que ele fez no cinema. Felizmente, para nós, descobri que Snyder é um grande fã da série e que aprecia o fato de que estamos mantendo sua estética viva. Um amigo me mandou uma foto dele vestindo uma camiseta de Spartacus, o que foi bem animador.

Pergunta: Poderia nos dizer de que forma vocês conseguem fazer com que o sangue mostrado na tela pareça tão gráfico?

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Sei que muitos pensam que ele é feito em CGI, mas não é. Temos uma câmera phantom digital que filma em super definição. O que nós fazemos é basicamente encher balões de sangue falso, que explodem com as espadas. Filmamos contra um fundo verde. Depois usamos CGI para conduzir o sangue para o local que queremos.

Pergunta: Em termos de produção, é difícil manter a qualidade da primeira temporada?

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Esta nova temporada foi um grande desafio, já que não estamos mais na Casa de Batiatus. Temos um espaço muito maior. A maior parte das filmagens ainda são feitas em cenários com fundo verde. Tudo o que o público vê nos cenários precisa ser construído, seja uma estrada, uma montanha ou uma floresta. O CGI é o nosso pano de fundo, não o utilizamos nos cenários em que os atores estão. Com a história saindo da Casa, temos que construir cada cenário, o que é um desafio. A segunda temporada é mais épica que a primeira.

Craig Parker (Glaber): A cada episódio os produtores querem fazer algo mais incrível, mais obsceno, mais sangrento, mais sexy, mais violento, mais interessante. E todos que trabalham na série estão envolvidos com a história.

Pergunta: Em termos de história, quem será o grande vilão da trama?

Steven S. DeKnight (criador/produtor): Glaber, interpretado pelo incrível Craig Parker, apareceu em apenas dois episódios no início da série. Mas nossa intenção sempre foi trazê-lo de volta. Historicamente, ele foi a primeira pessoa que o Império Romano enviou para caçar Spartacus. Com os atrasos na produção, temíamos que não pudéssemos consegui-lo, mas por sorte ele estava disponível. Então, respondendo a pergunta, Glaber será o principal vilão desta temporada, o que ele faz magnificamente.

A segunda temporada de “Spartacus: Vengeance” terá 10 episódios. Os títulos são: Fugitivus, A Place in this World, The Greater Good, Empty Hands, Libertus, Chosen Path, Sacramentum, Balance, Monsters e Wrath of the Gods.

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Entrevista: Autora e Ator Comentam a Série Murdoch Mysteries

“Murdoch Mysteries” é uma daquelas séries que ficam escondidas na programação da TV a cabo por não ser uma produção muito conhecida do grande público. Vinda do Canadá, a série está em sua quinta temporada. Recentemente resgatada de seu cancelamento pelo canal CBC, “Murdoch Mysteries” já garantiu sua sexta temporada, que deve estrear em seu país em 2013.

Apresentando episódios fechados, a série gira em torno do trabalho de um detetive da polícia de Toronto no final do Século XIX. Utilizando técnicas pouco conhecidas para sua época, algumas inovadoras, a história trabalha com o início da tecnologia forense e com temas sociais que atualmente são uma constante nas produções televisivas, tais como homossexualismo, aborto, preconceito racial, feminismo, abuso sexual, terrorismo, entre outros. O interessante é ver como esses temas são tratados na época em que a história é situada.

A história acompanha o detetive William Murdoch, católico praticante com uma visão romantizada sobre a vida, que busca por um relacionamento ideal, conforme os costumes de sua época e as regras ditadas por sua religião. Já no trabalho, Murdoch é uma pessoa racional, que adota um olhar científico para buscar sempre a verdade. Apegado a detalhes, ele não descansa enquanto não tiver encontrado uma resposta para cada evidência encontrada. Mas, embora apaixonado por seu trabalho, sua filosofia de vida constantemente o leva a entrar em choque com a sua realidade.

Criado por Maureen Jennings, o personagem surgiu na literatura. Em 2004 foram produzidos três telefilmes, estrelados Peter Outerbridge. Em 2008, o canal regional CityTV decidiu produzir uma série, com adaptação de Cal Coons e Alexandra Zarowny, estrelada por Yannick Bisson. Ele e a autora conversaram com o blog Nova Temporada sobre a produção de “Murdoch Mysteries”.

Yannick Bisson

Pergunta: Como foi o processo de criação do personagem e sua história?

Maureen Jennings – Eu já tinha escrito duas peças de mistérios situadas na era Vitoriana que foram bem recebidas. Adoro esse período. Queria escrever um livro de mistério, então escolhi essa época para situar a história. E como eu queria escrever uma história policial procedimental, significava que o personagem teria que ser um homem. Para criar Murdoch me inspirei em várias coisas, como por exemplo bons homens que conhecia e minha admiração por certos aspectos de uma personalidade. Decidi fazer do personagem um homem católico porque queria explorar o conflito que existia entre os católicos e os protestantes naquela época em Toronto. Este conflinto durou décadas. Quando encontrei uma antiga foto de um homem com bigode, cabelo escovadinho e um olhar inteligente eu disse: esse é o meu Murdoch.

Pergunta – Como você foi escolhido para o papel e qual sua primeira impressão do personagem? Você chegou a ler os livros de Maureen Jennings?

Yannick Bisson - Eu fui chamado para fazer um teste. Já tinham sido produzidos telefilmes com outro ator, mas eles estavam fazendo uma nova seleção. Na época meu agente me disse para me preparar para o teste, mas que eu não deveria ler o livro ou ver os filmes. O motivo era que os produtores planejavam uma abordagem diferente. Algo mais leve. Gostei do personagem de imediato. Gostei do tipo de história que era contada e do período em que era situada. Nunca li os livros, mas já vi os filmes. Murdoch é um homem muito calmo mas intenso, inteligente sem ser condescendente, conservador mas com uma mente aberta para o futuro, simpático sem ser fraco. Temos em comum o fato de que somos ambos compreensivos e otimistas.

Pergunta - Quais as diferenças entre os livros e a série e como a produção para a TV surgiu?

Maureen – Muitas diferenças, já que as mídias são diferentes. Eu tenho o tempo que precisar para desenvolver meus  personagens nos livros. Algo que não é possível na TV. Na série também não são adaptadas algumas situações que aparecem no livro por serem muito dispendiosas. Os personagens são mais leves e Murdoch está mais inclinado às questões científicas que nos livros. A adaptação surgiu quando meu marido levou meus dois primeiros livros para a produtora Shaftesbury Films. Christina Jennings, a diretora da empresa, gostou das histórias e produziu telefilmes com base nos três primeiros livros. A audiência foi boa e o canal decidiu produzir a série. Como eu não tinha escrito tantos livros assim, a produtora basicamente adquiriu os direitos sobre os personagens e contratou uma equipe de roteiristas para desenvolver a série.

Pergunta – Você está envolvida com a produção?

Maureen - Sim. Os roteiristas têm sido ótimos, entrando em contato sempre que eles têm alguma dúvida. Este ano eu ajudei a escrever um dos roteiros, “Staircase to Heaven”. Foi um desafio porque a série é realmente outro veículo. Aprendi que meus diálogos são muito longos.

Pergunta - Como é o processo de produção dos episódios?

Yannick – Filmamos em um estúdio em Toronto, com locações em Cambridge, Hamilton, Flamborough, Dundas, Rockwood e Brantford. São cerca de 12 a 14 horas por dia ao longo de cinco meses por temporada. Geralmente é filmada no verão. Com as roupas de época, costuma ser muito quente!

Pergunta - Como foi dirigir o episódio “Buffalo Shuffle” da quarta temporada?

Yannick - Sempre desejei dirigir, desde que eu era bem jovem. Várias pessoas da produção achavam que eu já estava pronto para isso e me encorajaram a fazê-lo. Os produtores me apoiaram muito. O resultado foi bem recebido e na quinta temporada voltei a dirigir outro episódio (Murder at the Opera). Eu gosto do resultado final, mas sempre acho que dava para fazer mais.

Pergunta - Mesmo tendo uma legião de fãs, a série foi cancelada pelo canal CityTV antes de ser resgatada pela CBC. Por que eles cancelaram?

Maureen - Soube que o canal passou por uma mudança de diretoria. Dois homens da divisão de Esportes ficaram com o controle do canal. Eles não estavam interessados em drama, queriam o espaço na grade de programação para exibir mais reality shows americanos. Francamente, em minha opinião, uma decisão ridícula. Não deveriam interromper uma série que tem conteúdo e que mantém uma audiência.

Yannick - Ficamos muito tristes quando soubemos que a série não seria renovada pelo canal mas…estamos muito entusiasmados com o anúncio de que o canal CBC nos resgatou para a sexta temporada!!!!!!!!!!!!!!!!!! Então nos vemos no ano que vem!

“Murdoch Mysteries” estreou na Globosat HD no dia 8 de outubro, sendo exibida pelo canal todos os sábados às 23h.

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30/09/2011

às 12:28 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

Entrevista – Atores de Southland no Brasil

Regina King e Ben McKenzie (Fotos: Cris Villares)

Esta semana Ben McKenzie e Regina King estiveram em São Paulo para divulgar a série “Southland“, produção que é exibida no Brasil pelo canal Space, do grupo Turner. Tendo estreado pela rede NBC, a série foi cancelada pelo canal antes da estreia dos episódios da segunda temporada. Resgatada pela TNT americana, “Southland” ganhou nova vida. Atualmente está se preparando para estrear a quarta temporada no dia 17 de janeiro de 2012, nos EUA.

Regina King é conhecida dos fãs brasileiros pela série “24 Horas”, produção na qual interpretou Sandra Palmer, irmã de David e Wayne Palmer. O fato era desconhecido de Ben McKenzie, que ficou surpreso ao saber que a colega esteve no elenco da série estrelada por Kiefer Sutherland. Desta série, Regina disse, em entrevista para o Blog Nova Temporada, que levou com ela a experiência de trabalhar em uma super produção, com um ritmo rápido de filmagem. “Foi como uma preparação para “Southland”. Apesar de “24 Horas” ter trazido sequências de ação muito rápidas, “Southland” tem um ritmo de gravação muito mais ágil. É impressionante a quantidade de coisas que fazemos em tão pouco tempo!”

Para os fãs de séries, Ben McKenzie é conhecido como Ryan Atwood, protagonista de “The O.C.”, série adolescente produzida entre 2003 e 2007. Na época com cerca de 25 anos, Ben se transformou em um ídolo das adolescentes, posição que parece não lhe agradar muito. “Nunca me senti confortável no papel de teen idol”, disse o ator na entrevista. “Não cresci ator, então não queria algo que me marcasse para o resto da vida”. Segundo Ben, a transição entre ator de série adolescente para uma produção com temática mais adulta foi tranquila. “Tive a sorte de conseguir uma oportunidade de crescer como ator e seguir em frente, mostrando mais do meu trabalho. Sou muito grato de ter este desafio”.

Na série, a dupla interpreta policiais na cidade de Los Angeles. Ben é Benjamin Sherman, oficial novato que trabalha na Divisão de Hollywood, patrulhando as ruas ao lado de John Cooper, oficial responsável por seu treinamento. O ator tem uma personalidade muito parecida com a de seu personagem: muito concentrado, ele demonstra um nível de seriedade que normalmente não se vê em alguém de sua idade, cerca de 33 anos. Ainda assim simpático, permite-se sorrir e brincar com a colega durante a entrevista.

De seu personagem, Ben espera que na quarta temporada ele possa mergulhar mais em seu passado e em sua relação com a família. “Ainda não recebemos os roteiros, mas os produtores me disseram que pretendem levar meu personagem a situações que o farão enfrentar questões morais”, disse o ator. “Espero que eles façam isso. Sherman é uma pessoa muito controlada que às vezes é dominado por uma emoção muito forte e explode. Na nova temporada ele não estará mais sob treinamento e tentar manter a pressão do trabalho e das emoções pode resultar em algo violento para ele…espero!”.

A série é apontada como uma produção que se apóia no realismo do trabalho da polícia. Com uma narrativa dividida entre o trabalho policial nas ruas e na chefatura, “Southland” contou com o apoio de oficiais da CCPD, que ensinaram os atores como se comportar e usar uma arma. A convivência com eles serviu para que os atores pudessem incorporar a atmosfera e o ambiente, possibilitando construir seus personagens. Regina comenta que uma de suas maiores referências foi a oficial Sheila Daniel, com quem passou mais tempo. “Ela se aposentou porque é mãe”, disse Regina, “Mas ela sente falta do trabalho. Então pensei em construir Lydia como um oposto de Sheila, porque ela fez a escolha oposta”.

Os dois ainda se ressentem com a forma como a série foi cancelada pela NBC mas, para eles, a mudança entre trabalhar em uma produção para rede aberta e para a TV a cabo se traduz em menos pressão. “Vivemos em uma atmosfera menos estressante”, diz Regina. “Os produtores podem desenvolver a série que eles queriam desde o início. Quando estávamos na NBC, o canal tentou mudar algumas coisas, apesar das resistências dos produtores. A TNT permite uma abordagem mais intimista e honesta, que é o que queríamos desde o início”.

As cenas nas ruas são todas feitas em locação. Apenas a chefatura é filmada em estúdio. “As pessoas que vocês vêem em cena são reais, elas fazem parte do público”, diz Ben. “Quando vamos filmar, a produção coloca uma placa com o aviso do tipo ‘se você passar deste sinal estará participando das filmagens de Southland’. Então, quem ultrapassa o aviso já sabe que está sendo filmado. Às vezes temos que improvisar por causa da presença das pessoas nas ruas, que reagem de acordo com o que elas são e não seguindo ordens de um diretor. O roteiro é flexível, mas ficamos a maior parte do tempo naquilo que foi escrito”.

Segundo Ben, a produção tem pessoas que controlam o local, orientando o público, protegendo os atores e mantendo a energia durante as filmagens, mas sempre acontece um imprevisto. “Uma vez”, conta Ben, “em um episódio da segunda temporada, eu estava com o cassetete em punho e uma das pessoas que estava na multidão, o agarrou e tentou tirá-lo de mim. Levei um susto e tentei desvencilhar entrando no carro. Ele então chutou a porta e pulou em cima do capô …o diretor usou a cena!”

A quarta temporada de “Southland” trará para o elenco a atriz Lucy Liu, que fez sucesso com “Ally McBeal”, mas os atores ainda não sabem que tipo de personagem ela irá interpretar. “Estamos ansiosos para começar a gravar, mas por hora vamos curtir o final de férias no Brasil”.

Na última quarta-feira, os dois participaram de uma coletiva com a imprensa e na quinta-feira partiram para o Rio de Janeiro, onde vão curtir a praia, as compras e os passeios turísticos antes de voltarem para os EUA.

Entre o final de outubro e início de fevereiro, os dois estarão filmando os dez episódios encomendados da quarta temporada de “Southland”, que no Brasil está exibindo os últimos episódios da terceira temporada, todas as quintas, às 21h, no canal Space.

26/10/2010

às 11:26 \ Entrevistas, Produtores, Remakes

Entrevista Exclusiva: Roberto Orci Fala Sobre Havaí 5-0

Roberto Orci é um produtor e roteirista de 37 anos que iniciou sua carreira na TV nas séries “Hércules”, “Xena” e “Jack of All Trades”. Entre 2001 e 2003, foi roteirista e produtor executivo de “Alias”.

Este foi o primeiro trabalho de Orci com J. J. Abrams, com quem faria “Fringe” e o filme de “Jornada nas Estrelas”, que introduziu um novo elenco para os personagens da série clássica. Para o cinema, também foi produtor de filmes como “A Proposta” e “Controle Absoluto”.

Nascido no México, filho de pai mexicano e mãe cubana, Roberto mudou-se com a família para os EUA quando ele tinha dez anos. Viveu no Texas antes de chegar em Los Angeles, onde conheceu Alex Kurtzman, produtor e roteirista com quem vem trabalhando desde a década de 1990.

Seu irmão, J.R. Orci, outro roteirista e produtor, trabalhou com Roberto na série “Alias” e, atualmente, estão juntos em “Fringe” e “Havaí 5-0″, série que esta semana recebeu da CBS a encomenda para a produção de uma temporada completa com 22 episódios.

Em conversa telefônica, realizada no final da semana passada, quando a equipe estava filmando o oitavo episódio da série, Orci falou sobre a produção do remake e comentou sobre a situação do novo filme de “Jornada nas Estrelas” para o cinema.

P. Como você se sente sendo um dos responsáveis por produzir o remake de um clássico como “Havaí 5-0″?

R. Produções que deram certo antes não significam que darão certo hoje e quando ouvimos falar que um canal estava querendo fazer um remake de “Havaí 5-0″ a primeira pergunta que nos fizemos foi: “por que?”. Não era uma produção com a qual gostaríamos de nos envolver.

Mas então conhecemos Peter Lenkov, um dos produtores, que contou como costumava assistir à série original com o pai. Ela se transformou em um elo entre eles. Peter queria que a nova produção pudesse oferecer esse tipo de ligação para a nova geração. Então pensei: ‘ok, temos alguma coisa aqui!’

Durante a elaboração do projeto nos foi oferecida a chance de desenvolver personagens mesmo com a trama fechada em uma narrativa processual. Boa parte das séries policiais não oferece a chance de conhecer melhor os personagens.  Então eu e meus colegas pensamos que seria uma oportunidade de trabalhar com uma série policial que trata os personagens como uma pequena família. Por esse motivo, achamos que valeria a pena.

P. Como vocês pretendem fazer com que o remake de  “Havaí 5-0″ se torne uma série especial?

R. As histórias não ficarão restritas a pistas e evidências de um crime. Trataremos de descobrir quem são esses personagens. Logo no primeiro episódio oferecemos várias informações sobre a história dos quatro personagens.  A maioria das séries policiais leva uma ou duas temporadas para introduzir a quantidade de informações que revelamos no piloto. Metade da série são os casos que investigam, a outra metade é a diversão de ver os quatro personagens juntos.

Também queremos que a série se diferencie dos demais dramas policiais oferecendo um visual cinematográfico, como um bom filme de ação. Sempre tentamos transformar os episódios das séries em que trabalhamos em um filme. Tanto no visual quanto na estrutura, na trilha sonora e no desenvolvimento de personagens. Queremos que o público sintonize cada semana para ver um filme e não um episódio. Achamos que essas duas coisas farão da série algo especial.

Elenco do remake de "Havaí 5-0" (Foto Divulgação)

P. Como o elenco foi escolhido?

R. No momento em que foi anunciado que o remake seria produzido, todo mundo bateu em nossa porta! Além disso, a CBS tinha uma lista de atores que eles gostariam de ver na série e nós também tínhamos uma lista! Então agendamos o maior número possível de testes que foram feitos até o último minuto.

Na verdade, Scott Caan, que interpreta Danny Williams, foi contratado no último minuto. Um dia antes de começarmos as filmagens do piloto, nós ainda não tínhamos um ator para interpretar o personagem.

Em geral isso costuma ser algo que apavoraria qualquer um. Mas, na verdade, esse tipo de situação é muito comum! O melhor que podemos fazer é conferir os testes do maior número possível de atores disponíveis e montar o elenco que funciona melhor. Não se trata apenas de escalar um ator para cada personagem. É preciso conferir se um determinado ator se sai bem na companhia de outro ator cotado para o papel. É preciso buscar a química entre eles. É como um retrato de família, todo mundo tem que encaixar na imagem.

P. Como os personagens serão desenvolvidos em relação à trama processual?

R. Os episódios serão fechados, com uma história a cada semana. Enquanto que as histórias são individuais, o desenvolvimento dos personagens será contínuo. Então se você sintonizar a série de vez em quando, terá o caso criminal resolvido. Mas se você acompanhar todos os episódios da série, será recompensado com o desenvolvimento de personagens: como eles lidam com a situação, como se relacionam entre eles e assim por diante.

Nós não temos uma regra rígida. Então, dependendo de como a série se desenvolve, se acharmos que funciona, poderemos ter histórias com cliffhangers, que terão continuações no episódio seguinte. Mas, de um modo geral, estamos tentando manter a produção com episódios fechados para que o público não se sinta na obrigação de assistir a todos os episódios.

Por outro lado, se você assistir a todos episódios, poderá ver o desenvolvimento de personagens que outros não verão. Eles terão questões do passado que afetam o presente. É o que chamo de memória afetiva: quem eles são, o que fizeram, o que viram, as situações pelas quais já passaram.

P. Por que transformaram o personagem Kono em uma mulher?

R. Bom, para refazer uma série como “Havaí 5-0″, que teve início em 1968, é necessário introduzir alguns elementos que justifiquem a nova produção. Seja um novo olhar ou mudanças de situações e personagens. Para nós, parecia que o elenco tinha muito homem!

A vontade era atualizar a série, fazer com que ela refletisse os tempos atuais. Um remake não se justifica se for feito a mesma coisa que o original fez. Atualmente estamos mais receptíveis a personagens femininas com uma postura forte, que consegue manter seu espaço no meio dos homens.

Mudar o sexo de um personagem foi uma forma de tornar a produção relevante para os tempos atuais. Porque atualmente estamos cercados de mulheres fortes que influenciam nossas vidas e o nosso trabalho. Me parece que em 1968 não era bem assim. Não era algo importante para aquele momento.

Na série original, Kono foi um dos personagens que menos se desenvolveu. Por isso achamos que seria uma boa oportunidade para redefinir o personagem. E já que estamos tratando os personagens como se eles formassem uma família, quatro homens não parecem formar uma família. Toda família necessita de uma mãe, ou de uma irmã ou de uma filha, tanto quanto se necessita de um irmão ou um pai.  E quando Grace Park fez o teste, vimos que tínhamos encontrado nossa Kono.

(obs.: na série original, a atriz Sharon Farrell entrou para o elenco no último ano, interpretando a detetive Lori Wilson).

(E-D) Alex O'Loughlin, Scott Caan, Daniel Dae Kim e Grace Park (Foto Divulgação)

P. Toda a série é filmada no Havaí?

R. Todas as cenas, incluindo aquelas em que eles estão dentro de algum ambiente são feitas em Honolulu. As únicas cenas filmadas em estúdio são aquelas em que os personagens estão no escritório ou na sala de interrogatório. As demais cenas filmadas no interior de algum ambiente, são locações. As pessoas querem ver o máximo de cenário natural possível. Esta é uma das grandes atrações da série.

Na América Latina, existem muitas praias belíssimas, o que torna difícil escolher um único local. Nos Estados Unidos, eles não têm praias assim. Só o Havaí oferece esse tipo de paisagem. Então o cenário se transforma em uma atração à parte.

P. Quem da série original fará participação na nova versão?

R. Essa é uma das maneiras de ligar a série original com o remake. Temos atores de cinema e grandes nomes da TV que desejam participar de pelo menos um episódio. Provavelmente porque assim eles ganham uma viagem grátis para o Havaí!!! (risos). Mas também acho que seja porque eles eram fãs da série original e se lembram com carinho da época em que assistiam. Participar do remake poderia lhes oferecer lembranças similares.

Teremos algumas participações especiais do elenco da série original. Não dá para dizer quem porque estragaria a surpresa. Mas alguns atores ainda estão por aí, trabalhando, disponíveis e desejosos de voltar ao Havaí.

Teremos também participações semiregulares, que não serão interpretados por atores da série original.  Na primeira produção, um dos inimigos de Steve McGarret era Wo Fat, chefe da máfia local. Estamos trabalhando para que ele possa voltar à TV, podendo se tornar semiregular.

(obs.: do elenco original, apenas James MacArthur que interpretou Danny Williams ainda está vivo. Mas ao longo dos doze anos em que a série foi produzida, ocorreu troca de elenco. A maioria atuou como semiregular. Entre os atores que ainda estão vivos: William Smith, Glen Cannon, Al Harrington, Sharon Farrell, Nancy Kwan, Leslie Nielsen, Brian Tochi, entre outros)

P. Vocês pretendem adaptar algum episódio?

R. Foram 12 temporadas, então existe um vasto material disponível. No momento, queremos oferecer histórias originais. Mas tão logo tenhamos estabelecido a nova produção, definido a nossa voz e o nosso rumo, começaremos a dar uma olhada no que já foi feito, tentando descobrir o que poderia se encaixar na nova série.

A produção original tem uma abordagem diferente do remake. Ela era um drama de mistério, com personagens resolvendo casos e prendendo o bandido. Nossa série é de aventura. Essa diferença é significativa. Mas se tivermos a sorte de ficar no ar por, digamos, a metade do tempo que eles ficaram, definitivamente daremos uma olhada nos episódios originais, em especial aqueles que agradaram mais ao público, para tentar adaptá-lo para a nossa narrativa.

Transformers Prime

P. Você pode falar um pouco sobre “Transformers Prime“?

R. É uma série animada que será exibida por um canal a cabo chamado The Hub. Deve estrear por volta do Dia de Ação de Graças (obs.: estreia no dia 26 de novembro). Não sei se ela será exibida internacionalmente. O canal The Hub é o antigo Discovery Kids aqui nos EUA. Surgiu da fusão entre o Hasbro e o Discovery. É um novo canal que iniciou suas transmissões há cerca de duas semanas. Não sei se a América Latina receberá esse canal. Mas espero que o programa seja oferecido a algum canal. Esta é a minha primeira série animada e tem sido uma nova e grata experiência.

P. Como você consegue equilibrar seu trabalho como produtor e como roteirista em Hollywood?

R. Meu primeiro trabalho foi na TV. Já estou com esse veículo há 12 anos e nesse meio os roteiristas são produtores.  Por isso, nem sabia que no cinema era diferente. Para mim, essa era a forma de trabalhar. Quando você é um roteirista de TV também fica a cargo do orçamento, de contratar o elenco e os diretores. Quando fui para o cinema, pensei que seria a mesma coisa, mas não é. O produtor de cinema contrata um roteirista que tem a função de escrever o roteiro. Por isso, um roteirista que inicia carreira no cinema e depois vai para a TV não tem a mesma bagagem. Com o que aprendemos com a TV podemos assumir a produção de um filme tendo uma visão mais clara e mais ampla do que é necessário e ainda somos capazes de ajudar um roteirista contratado a resolver problemas que ele possa ter no direcionamento da história ou dar opiniões sobre aquilo que está escrevendo.

P. Você gosta de escrever para o gênero ficção científica?

R. Quando comecei a escrever, eu não achava que seria capaz de trabalhar com esse gênero. Sempre fui fã, mas não achava que seguiria nesse caminho. Mas meu primeiro trabalho na TV foi a série “Hércules” e depois “Xena, a Princesa Guerreira”. Elas não eram bem ficção cientifica, eram mais fantasia. Gostei muito de trabalhar nessa área e como existe um mercado sólido para esse gênero, continuei seguindo esse caminho. Quero fazer TV e cinema que trabalhem ideias relacionadas à ficção e fantasia, mas não desejo ficar preso a esse tema. Em Hollywood, quanto mais sucesso você conquista com o gênero ficção científica, maior liberdade você tem de se arriscar em outros gêneros.

P. Qual a situação do novo filme de “Jornada nas Estrelas?”

R. O roteiro recém começou a ser escrito. Espero que esteja indo bem. Temos que entregá-lo perto do período do natal para começarmos a filmá-lo no verão.

É meio assustador e difícil trabalhar com esse segundo filme porque queremos ter a certeza de que não estamos fazendo uma continuação só porque podemos. Queremos ter a certeza de que estamos contando uma história que valha a pena, porque é boa, não importa os motivos que a levaram a ser produzida.

“Jornada nas Estrelas” tem mais de 40 anos de história. Existe muito material para nos ajudar. Por isso, posso dizer que estamos satisfeitos com a história que estamos desenvolvendo. Esperamos que todos a apreciem tanto quanto nós.

P. O segundo filme trará o mesmo elenco?

R. Sim. Todos eles voltarão porque quando assinaram o contrato para o primeiro filme, comprometeram-se a atuar em um total de três filmes. Então, nós somos ‘donos’ deles! (risos)

P. Se você tivesse total liberdade de escolher, que tipo de história você gostaria de contar? Que tipo de série ou filme você escreveria ou produziria?

R. Adoraria fazer algo relacionado à América Latina. Poder contar as experiências que tive quando me mudei do México para os Estados Unidos. Adoraria fazer uma história sobre um latino americano, como eu, mudando-se para os EUA e a forma como conseguiu adaptar-se. O que conseguiu assimilar e o que não conseguiu. Adoro poder explorar as relações entre um latino e um americano.

Também gostaria de fazer alguma adaptação da obra de Arthur C. Clarke. Sou fã dele! Ele escreveu muitos livros, o mais famoso foi “2001″, e eu adoraria ver mais de seus livros adaptados para o cinema. Se conseguir conquistar confiança suficiente, talvez eu consiga fazer isso um dia!

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O remake de “Havaí 5-0″ é exibido todas as quartas pelo canal Liv sempre às 22h.

Confiram outras matérias sobre a série aqui.

 

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