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26/09/2010

às 18:36 \ Opinião, Séries Anos 2010-2019

Pilotos da Temporada 2010-2011 – Parte 2

Essa postagem dá continuidade às primeiras impressões sobre as novas séries que estrearam na Temporada 2010-2011. Conforme comentei na primeira postagem, a avaliação que faço tem como base o episódio piloto em relação à proposta da série, seus personagens e seu potencial de desenvolvimento. No título de cada série encontram-se os links de acesso às informações sobre bastidores, enredo e elenco.

As notas que coloquei abaixo de cada série referem-se à minha opinião sobre o episódio piloto. Não significa que a produção não consiga  se desenvolver melhor ao longo da temporada, encontrando seu próprio público ou, até mesmo, declinar com o passar do tempo: A para ótimo; B para bom; C para fraco; D para ruim.

My Generation

A série é uma versão americana da sueca “Blomstertid”. O grande diferencial entre essa versão e a produção original é o número de personagens. Na sueca, os cinegrafistas acompanham as vidas de apenas três: Kenneth, Steven e Anders.

A série americana triplicou o número de personagens ao introduzir as vidas das mulheres que se relacionam com o trio: Caroline, que teve um filho com Steven; Brenda, ex-namorada de Anders; Dawn, ex de Kenneth; e Jackie, esposa de Anders. Também são novos na trama os personagens de Rolly, ex-esportista que se tornou militar, agora casado com Dawn; e Falcon, um DJ alcoólatra.

“My Generation” segue a narrativa de “The Office”, na qual uma câmera acompanha, sem interrupção, a vida de cada um dos personagens que também prestam depoimentos. É uma tentativa de dramatizar um reality show, adotando vários elementos da linguagem documental.

A proposta é interessante: mostrar o que aconteceu a nove estudantes dez anos depois de sua formatura no colégio. O problema é que os personagens são caricaturas  introduzidas em uma estética documental que prejudica a dramatização ao repetir, várias vezes, os mesmos recursos de linguagem, tornando a história um amontoado de informações e imagens.

Enquanto que “The Office” é uma comédia de meia hora de duração, que utiliza a presença da câmera para fazer humor, “My Generation” é um drama com 45 minutos, que tem a espontaneidade dos personagens limitada pela presença de estranhos. Com isso, a câmera reduz o potencial de desenvolvimento dos personagens, que se apegam ao recurso repetitivo de evitar demonstrar emoções, opiniões ou de dividir com o público fatos pessoais. Esse recurso é imensamente enriquecedor para a construção dos personagens, mas quando utilizado por cada um deles quase o tempo todo, perde seu valor.

Além dos depoimentos e do acompanhamento sem interrupções, a estética documental também abusa do recurso de introduzir imagens fotográficas dos personagens ao longo de suas vidas e vídeos gravados dez anos atrás quando a equipe de cinegrafistas encontrou o grupo pela primeira vez.

Se o elenco apresentasse um menor número de personagens, melhor construídos,  talvez a série tivesse uma chance. A produção original estava certa em manter o documentário focado em apenas três personagens principais.

“My Generation” antecede a exibição de “Grey’s Anatomy”, série que tem cerca de 14 milhões de telespectadores. Mesmo assim, não despertou o interesse do público, registrando uma média de 5.4 milhões de telespectadores. “My Generation” concorre com “Bones”, “The Big Bang Theory”, “$#*! My Dad Says”, “Community” e “3rd Rock”.

Nota: D

Chase

Esta é a nova série de Jerry Bruckheimer, que nessa temporada também tem “The Whole Truth”. O produtor responsável por séries como “CSI”, “Without a Trace” e “Cold Case” já provou preferir trabalhar com o gênero de séries processuais. É público e notório que esse tipo de série deixa a construção de personagens em segundo plano. Cabe aos produtores determinarem o nível de interferência que as vidas e as personalidades dos personagens terão no desenvolvimento das histórias. Alguns conseguem se desenvolver de tal forma (muitas vezes graças ao talento dos atores), que conseguem se nivelar à importância do procedimento do trabalho realizado por eles. Alguns ultrapassam essa importância, embora outros se mantenham abaixo.

“Chase” é uma série processual na qual temos uma equipe formada por cinco agentes na caça a fugitivos da polícia. A chefe da equipe, que teve maior destaque no episódio piloto, é uma mulher durona, obcecada com o trabalho, paciente na coleta de pistas, que não perde a calma sob pressão. Com exceção da presença do inevitável novato, que representa o público para quem é explicado o que está acontecendo, os demais personagens da equipe são nulos. Suas personalidades, comportamentos e funções confundem-se com a chefe da equipe, fazendo com que não existam enquanto indivíduos. Dessa forma, o que o piloto de “Chase” revelou é que existem dois personagens, a chefe e o novato. O resto ficou para ser apresentado depois.

Mas nenhum deles é, de fato, o personagem principal da série. O processo de captura tem esse destaque e nem isso foi bem trabalhado. Para um bandido que a história sugere ser astuto, sua localização e captura foi muito fácil. As dificuldades que o roteiro tentou introduzir no caminho da equipe apenas serviram para fornecer novas pistas facilmente decifradas. A falta de personalidade dos personagens fez com que a história ficasse presa a uma proposta limitada e um desenvolvimento de roteiro simplificado.

“Chase” é exibida após “The Event”, concorrendo com “Havaí 5-0″ e “Castle”. Sua estreia registrou uma média de 7.6 milhões de telespectadores.

Nota D

Lone Star

A série é o exemplo dessa temporada de produção mal divulgada. Se no ano passado “FlashForward” foi erroneamente anunciada como a nova “Lost”, esta temporada “Lone Star” foi vítima do departamento de marketing da Fox que divulgou a série como a nova “Dallas” ou a versão para a TV aberta de “Big Love”. As referências do marketing eram: a família que fez fortuna nos campos de petróleo do Texas (“Dallas”) e o sujeito casado com duas mulheres (“Big Love”).  No entanto, essas questões parecem ser o pano de fundo para algo maior. A série se propõe a fazer um estudo de personagens.

“Lone Star” apresenta o conflito emocional de Bob (James Wolk), um jovem que desde pequeno está acostumado à vida de golpista de seu pai (David Keith). Ao crescer, segue a mesma ‘profissão’. Pacientemente, ele se envolve com as pessoas, cria laços de amizade e confiança, para, somente então, aplicar seu golpe e fugir. Mas Bob se deixa seduzir por duas belas mulheres com quem se casa. A primeira é filha de um magnata do petróleo (Jon Voight) e a segunda uma jovem aparentemente sem muitos recursos financeiros.

Bob toma a decisão de mudar de vida; ele quer  fazer parte de uma família; aparentemente, deseja ser amado. O processo de mudança e o fato do pai não aceitar sua decisão compõem o drama desse personagem, o qual é exposto de uma forma suave e quase silenciosa. É difícil dizer se Bob realmente mudou ou se está apenas confiante de que possa mudar ou se tudo o que deseja é desafiar o pai.

O episódio piloto de “Lone Star” sugere que se trata do ‘bom e velho’ drama pessoal, do tipo que surgiu na TV lá pelos idos de 1945, com o teleteatro, sendo aos poucos substituído por séries ambientadas em tribunais, delegacias, hospitais, ou por melodramas superficiais, bem como por produções que utilizam recursos estéticos ou narrativos para enfeitar ‘o bolo’ e torná-lo mais atraente.

Ainda é cedo para determinar o caminho que “Lone Star” irá seguir, tendo apenas o episódio piloto como amostra. Mas a proposta sugere que se trata do tipo de produção dramática que se encontra facilmente na TV a cabo e que ao longo dos anos vem, aos poucos, desaparecendo da TV aberta: o drama da desconstrução de personagens, que independe de uma estrutura processual, superficial ou de fórmulas.

O piloto traz um texto bem desenvolvido, apresentando o enredo da série e estabelecendo personagens sem explorar os diálogos didáticos.  Sem perceber, o público é envolvido pelos conflitos pessoais de Bob, que não se lamenta ou dá satisfações de sua conduta. Pelo silêncio, é passado ao público informações sobre personagens e suas opiniões ou estados emocionais.

Dirigido por Marc Web, do filme “500 Dias com Ela”, o episódio traz logo no início uma bela composição de imagens e música que, ambiguamente, apresenta ao telespectador a vida de Bob antes que sua verdadeira situação seja revelada. Curiosamente, os roteiristas introduzem nesse momento uma cena no bar de um hotel que parece ter sido inspirada no filme “Amor Sem Escalas”, com George Clooney (já mencionei que o ator James Wolk é xeroquinho de Clooney?).

Apesar de ter sido apresentada como o enredo da série, a vida dupla de Bob é o ponto fraco da história. Trata-se de uma situação que não tem condições de ser mantida por muito tempo. O que me leva a desejar que ela seja o ponto de partida da trama e não a base da série.

Exibida logo após “House”, a série “Lone Star” não conseguiu atrair uma grande audiência, registrando cerca de 4.1 milhões de telespectadores, o que a coloca em linha direta de um provável cancelamento. Tentando salvar sua série, Kyle Killien publicou um pedido de ajuda em seu blog no qual praticamente implora ao público que dêem uma chance à “Lone Star”.

A série concorre com “Dancing With the Stars”, “Two and a Half Men”, “Mike & Molly” e “The Event”.

Nota: B

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7 Comentários

  1. khaoe pacheco

    -

    02/10/2010 às 16:53

    Assisti o piloto de lonestar e gostei muito (é dificil eu gostar de uma série vendo só o piloto) e fiquei triste com o seu cancelamento.

  2. Anderson Gomes

    -

    27/09/2010 às 10:53

    Chase e My Generation booooriiiing

  3. Samuel Soares Vaz

    -

    27/09/2010 às 9:33

    Adorei sua análise das premieres; unindo o aspecto técnico da série à sua audiência e produção é bem interessante. É realmente frustrante perceber que, dos pilotos que você já resenhou aqui, Lone Star foi o que teve a pior audiência e, no entanto, é uma das melhores estréias dessa temporada. Espero que a série consiga resgatar isso, pois vejo grande potencial nela.

  4. Lodisval Félix

    -

    27/09/2010 às 8:14

    Assisti Chase e o que vi me pareceu uma série de cliches costurados num roteiro fraco povoado por personagens de pouco carisma. Muito pior foi Undercovers, cuja premissa não me empolgou e o resultado final foi realmente decepcionante. Um casal central que não convence, parecem sempre estar fingindo que estão vivendo o papel, uma história sem surpresas, como tantas outras séries parece simplesmente mais do mesmo mas sem a mesma qualidade isso apesar da boa produção. Ainda acho que The Event é a uma das poucas que merece uma chance.

  5. Alex Eduardo

    -

    26/09/2010 às 20:53

    não curti muito My Generation muito chato

  6. Alti

    -

    26/09/2010 às 20:51

    Lone Star está no lugar errado. A série deveria estar na TV a cabo para ter uma chance de tornar-se um sucesso. É a melhor estreia dessa temporada, sem dúvidas.
    E Fernanda, sei que é cedo, mas será que a série tem chances de ser resgatada logo que for cancelada?

  7. Lucas Casado Lima

    -

    26/09/2010 às 18:51

    Lone Star, até agora, foi a melhor estréia para mim, junto com The Event, que, apesar de ter tido um piloto muito bom, da um certo ‘medo’ de gostar depois do cancelamento de flashforward. =P

    Fico no aguardo das análises de The Event, No Ordinary Family e Boardwalk Empire, as três que também tiveram pilotos bons xD


 

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