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05/02/2012

às 11:11 \ Opinião, Séries Anos 2010-2019

HBO Brasil estreia ‘Luck’

(E-D) Dennis Farina e Dustin Hoffman

Esta noite chega ao Brasil a nova produção de David Milch (Deadwood) e Michael Mann (Miami Vice). Luck é estrelada por Dustin Hoffman, em seu primeiro trabalho no elenco fixo de uma série, Nick Nolte, em seu primeiro trabalho desde a minissérie Pobre Homem Rico, de 1976, que o lançou, e Dennis Farina, visto recentemente em Lei & Ordem. Com todo esse pedigree, a série é uma produção que precisa ser, no mínimo, conferida.

(E-D) Farina e John Ortiz

A julgar pelo primeiro episódio, Luck é uma produção que promete crescer lentamente com o tempo, exigindo do segmento de público acostumado com efeitos especiais e reviravoltas repentinas no roteiro um pouco de paciência e confiança.

Neste primeiro momento, o que temos é apenas a introdução dos personagens centrais e suas respectivas situações, bem como do ambiente. O episódio não apresenta quais são as relações que existem ou poderão existir entre eles.

Em núcleos separados temos a história de Chester Bernstein (Hoffman), mais conhecido como Ace, que recém saiu da prisão federal. Ele faz parte de um grupo de gângsters interessado em comprar o terreno do jóckey clube de Santa Anita para transformá-lo em um cassino.

Seu melhor amigo é Gus (Farina), motorista e guarda-costas que o auxilia em seu plano de ampliar seu poder e, na sequência, derrubar alguns obstáculos. Como fachada para Ace, Gus se torna proprietário de um cavalo de corridas avaliado em 2 milhões de dólares.

Para justificar a posse, ele teria ganho dinheiro em jogos no cassino. O cavalo de Ace/Gus está sob os cuidados de Turo Escalante (John Ortiz), treinador reconhecido no meio. Cauteloso, de poucas palavras, Escalante compreende o meio em que vive, o qual não parece inclinado a mudar. Pouco é revelado sobre o personagem ou sobre seu passado, neste primeiro episódio.

Jason Gedrick

O segundo núcleo ao qual somos apresentados é o representado por Walter Smith (Nolte), um ex-treinador de cavalos que, aparentemente, caiu em desgraça e agora tenta seu retorno às pistas.

Atualmente proprietário de um cavalo que promete ser a nova sensação das pistas de corridas, Walter controla com pulso firme e determinação seu treinamento e o momento certo em que deve apresentá-lo para o grande público.

Ele mantém em segredo a linhagem do animal, que é montado pela jovem Rosie (Kerry Condon), uma aspirante interessada no trabalho de Leon (Tom Payne), o jóckey que trabalha com Escalante e é supervisionado de perto por seu agente, Joey (Richard Kind).

O terceiro núcleo que é introduzido neste primeiro episódio da série é o formado por quatro vagabundos, que embora não tenham tido muita sorte no jogo, continuam insistindo. Eles vivem para isso.

Dois deles são ‘macacos velhos’, que já estão no ponto de não se importarem mais com suas respectivas aparências ou com o julgamento que as pessoas fazem deles. Os outros dois são novatos na ‘profissão’, desconhecendo as regras e a rotina do jogo. Donos do dinheiro, eles se aliam aos especialistas.

Marcus (Kevin Dunn) é o mais velho do grupo, um homem amargo, preso a uma cadeira de rodas, que necessita de tubos de oxigênio para respirar melhor; Jerry (Jason Gedrick) é seu parceiro de apostas de longa data, um profundo conhecedor de cavalos, mas também um viciado nos jogos de cassinos, motivo pelo qual ele não consegue manter por muito tempo o dinheiro que ele ganha nas corridas.

Tom Payne

Os novatos no grupo são Lonnie (Ian Hart) e Renzo (Richie Coster). Este primeiro episódio também introduz a atriz Jill Hennessy, que interpreta Jo, uma das veterinárias que atendem no jóckey clube.

Percebe-se que a proposta da série é apresentar ao telespectador o universo das corridas de cavalos e suas ramificações, bem como a paixão que ele exerce. É uma declaração de amor dos produtores ao objeto em questão. Mas isto é feito pelos roteiristas com muita cautela, evitando assim despejar no público, que não está acostumado a esse universo, uma quantidade enorme de novas informações.

Assim, o roteiro não cai na armadilha de oferecer ao telespectador um texto didático, o que poderia facilitar seu trabalho mas subestimaria a capacidade de compreensão do público. Termos próprios são utilizados sem que seus significados sejam explicados constantemente.

Existe uma cena que exemplifica esta atitude: um grupo de apostadores acompanha a corrida por um vídeo no jóckey clube de Santa Anita. Enquanto vê os cavalos correndo, um deles pergunta várias vezes, ‘o que está acontecendo, o que está acontecendo?’, momento que normalmente seria utilizado pelo roteirista para que um outro personagem explicasse para ele, e para o público, por qual cavalo eles estavam torcendo (mesmo que isso já tivesse sido informado antes), levando o telespectador a torcer também. Mas, ao invés disso, o outro responde: ‘cala a boca’.

Jill Hennessy

A série exige atenção ao que é dito, por mais corriqueiro que seja o diálogo. A assimilação de termos próprios e rotina do ambiente requer convivência com a trama e com os personagens.

O visual é belíssimo e bem equilibrado pela edição de imagens, variando entre as cenas lentas protagonizadas pelos atores, com as mais ágeis, que são as corridas. Estas são apresentadas por diversos ângulos. Entre panorâmicas e closes, o público também acompanha a corrida pelo ponto de vista do jóckey.

O primeiro episódio de Luck foi apresentado nos EUA em pré-estreia em dezembro de 2011. A estreia ocorreu no final de janeiro deste ano. Somando as duas exibições, as reprises e o DVR (pessoas que deixam gravando para assistir depois), a série conquistou cerca de 3.3 milhões de telespectadores em sua estreia. A primeira temporada tem nove episódios produzidos.

Esta é a segunda tentativa de Milch, que fez sua carreira com séries policiais, de trabalhar com um tema que representa uma subcultura.

A primeira foi com John From Cincinnatti, sobre o universo dos surfistas, que teve apenas uma temporada produzida pela HBO em  2007. Luck teve mais sorte. Além de ser estrelada por um elenco de atores renomados, já foi renovada para sua segunda temporada, a qual inicia suas filmagens este mês.

Confiram as estreias de séries, temporadas e minisséries no Brasil, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália pelo nosso Calendário.

 
Fernanda Furquim: @Fer_Furquim

Cliquem nas imagens para ampliar.

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4 Comentários

  • Gustavo Flores Chapacais

    -

    5/2/2012 às 18:27

    Corridas de cavalo nunca chamaram minha atenção, mas depois que vi o piloto de Luck, fiquei impressionado. Quero ver toda a primeira temporada, com certeza.

  • Fernando dos Santos

    -

    6/2/2012 às 10:04

    Eu também não curto corridas de cavalos mas achei muito bom esse primeiro episodio de Luck.O Michael Mann merece no minimo a indicação ao Emmy de Melhor Diretor.
    Ele conseguiu criar um clima de tensão que se estende por quase todo o episódio.O tempo inteiro fica a sensação de que aquele é um ambiente onde a adrenalina rola solta e o risco é alto pois muitas pessoas ali tem ligações escusas e há muito dinheiro em jogo.
    As duas corridas mostradas durante o episodio são um show de direção a parte.
    E o roteiro do Michael Mann não deixa por menos introduzindo os personagens e o ambiente na medida exata que se deve apresentá-los em um piloto.Não houve excesso nem falta de informações.
    Se a série seguir mantendo esse mesmo nível mostrado no piloto já fico satisfeito.

  • Fernando dos Santos

    -

    6/2/2012 às 10:28

    Corrigindo meu comentário anterior:O roteiro é do David Milch.

  • Lucas Albuquerque

    -

    12/2/2012 às 13:46

    Luck parece ter o mesmo problema dos outros bons dramas da HBO… simplesmente não funcionam semanalmente… até a mais acessível (Game Of Thrones) é difícil de acompanhar numa base semanal. Prefiro guardar os episodios pra fazer uma maratona depois!

 

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