Nova Série – Havaí 5-0, a Releitura de um Clássico

Uma das estreias mais aguardadas da temporada é “Havaí 5-0″, remake da série produzida entre 1968 e 1980, que marcou uma geração. Com uma divulgação mais apoiada na referência nostálgica à produção original e em seu tema de abertura, bem como na exibição do episódio piloto em eventos especiais, a CBS não chegou a liberar […]

Uma das estreias mais aguardadas da temporada é “Havaí 5-0″, remake da série produzida entre 1968 e 1980, que marcou uma geração. Com uma divulgação mais apoiada na referência nostálgica à produção original e em seu tema de abertura, bem como na exibição do episódio piloto em eventos especiais, a CBS não chegou a liberar um material fotográfico para promover a série, limitando-se a poucas imagens promocionais.

A crítica americana que já teve acesso ao episódio piloto considerou-a uma produção de puro entretenimento com imagens paradisíacas. Nada novo até aí, visto que muitas séries de ação da TV aberta têm justamente essa função.

A série original foi a primeira produção situada no Havaí que, de fato, foi filmada no local. Com seu cancelamento, a pedido de Jack Lord, intérprete de Steve McGarret, o Havaí vem servindo de locação para uma produção atrás da outra, tendo o local como personagem à parte.

Após “Havaí 5-0″, a CBS encomendou a produção de “Magnum”, para aproveitar as isenções fiscais já conquistadas, bem como o fato de que todo o equipamento necessário estava no local. Quando “Magnum” encerrou em 1988, a CBS já tinha filmado no local a primeira temporada de “Combate no Vietnã“, em 1987, transferindo-a para Los Angeles a partir da segunda temporada. Em seu lugar, a CBS levou para as ilhas a produção de “Jake & McCabe/Jake and the Fatman”, que tinha estreado em 1987 com filmagens em L.A. A série era uma spinoff de “Matlock”, da NBC, produzida pela Viacom, parceira da CBS. Produzida até 1992, permaneceu no local até 1991, quando retornou a Los Angeles para sua última temporada.

Em seu lugar, a CBS produziu “Raven”, entre 1992 e 1993, sendo que a série foi substituída por “One West Waikiki”, entre 1994 e 1996. Nesse ano, o canal encomendou o piloto que daria continuidade à “Havaí 5-0″ e à produção seriada nas ilhas havaianas. No entanto, o resultado não agradou e a CBS engavetou o projeto afastando-se da produção local.

Ao longo dos anos, não foram filmados outros seriados no Havaí, com exceção da penúltima temporada de “Baywatch”, pela NBC. Mas as ilhas não ficaram esquecidas pela TV americana, que continuou a filmar episódios especiais por lá, algo que já era feito desde os anos 60. Somente em 2004, com a estreia de “Lost” pela ABC, as ilhas havaianas voltaram a despertar o interesse da TV americana na produção local.

Estima-se que “Lost” tenha estimulado a economia local em cerca de 400 milhões de dólares, dos quais cerca de 2 milhões teriam sido pagos pela ABC para filmar nas ilhas. Por isso, a estreia do remake de “Havaí 5-0″ tem um significado muito maior do que produzir uma série de entretenimento com base em um clássico: dar continuidade à produção seriada nas ilhas havaianas.

Em 2008, a CBS resgatou o projeto de produzir um remake de “Havaí 5-0″, encomendando a produção de um roteiro para o piloto do novo seriado. Assinado por Ed Bernero, de “Criminal Minds”, o roteiro daria continuidade à série original apresentando Chris McGarret, filho de Steve McGarret, como o novo Chefe do Departamento de Polícia do Havaí. O roteiro não agradou os executivos da rede CBS, que engavetaram o projeto.

Mas em 2009 Roberto Orci, Alex Kurtzman, ambos de “Fringe”, e Peter Lenkov, de “CSI: NY”, apresentaram ao canal um projeto que daria à “Havaí 5-0″ um remake e não uma continuação. As ideias do trio agradaram, sendo encomendada a produção de um episódio piloto em 2009.

Ao escalar o elenco, a CBS insistiu na escolha de Alex O’Loughlin para interpretar Steve McGarrett. O ator australiano caiu nas graças do canal ao estrelar “Moonlight”, seriado com o qual ele conseguiu conquistar um público fiel. “Three Rivers”, drama médico sobre transplantes de órgãos, foi criada como novo veículo para o ator, mas seu cancelamento após a primeira temporada fez com que o canal iniciasse a busca por um novo produto no qual pudesse encaixá-lo.

Ironicamente, Alex não conquistou a crítica americana, que o considera um ator mediano e limitado. Apesar de “Havaí 5-0″ servir de veículo para lançá-lo ao estrelato, é  Scott Caan, o penúltimo a ser contratado, que está sendo considerado como a alma da série.

A história gira em torno das atividades do Departamento de Polícia do Havaí, chefiado por Steve McGarret, ex-fuzileiro naval. Na produção original, os personagens principais eram interpretados por Jack Lord (McGarret), que assumiu o personagem depois que Gregory Peck, Robert Brown e Richard Boone recusaram o convite de estrelar a série; James MacArthur (Williams), substituto de Tim O’Kelly, que chegou a filmar o piloto; Kam Fong Chu (Kelly) ex-policial que trabalhou durante 18 anos no Departamento de Polícia de Honolulu; e Zulu (Kono), um surfista que deixou o elenco da série na quarta temporada para se tornar um DJ.

No elenco de apoio estavam Richard Denning (Governador do Havaí), que na época estava aposentado e morando no Havaí, fazendo participações especiais na série; e Khigh Dhiegh (Wo Fat), que interpretou um oficial da Inteligência chinesa que operava nas ilhas, em um total de 11 episódios. Do elenco original, apenas MacArthur ainda está vivo.

A série, originalmente batizada de “The Man”, estreou em 1968 mantendo-se por doze temporadas no ar. “Havaí 5-0″ era a produção policial de maior duração da TV americana até ser ultrapassada por “Lei & Ordem” em 2003.

Criada por Leonard Freeman, a produção recebeu uma boa acolhida da crítica por abordar de forma dramática as atividades policiais de uma equipe que enfrentava o crime organizado e a máfia chinesa. Dedicados ao trabalho, os personagens tinham pouco tempo para uma vida pessoal. A série seguia a cartilha de “Dragnet”, produção dos anos 50 que estabeleceu um formato reproduzido por “Lei & Ordem”: a redução ou completa ausência de vida pessoal para os personagens principais.

Mesmo assim, “Havaí 5-0″ chegou a introduzir alguns personagens relacionados aos detetives da polícia, bem como informações ocasionais sobre o passado deles, vistos em flashbacks. Com a morte de Freeman em 1974 a crítica americana começou a apontar problemas no desenvolvimento de roteiros ou abordagens a temas propostos. A nova versão não deverá ter a mesma abordagem, visto que as relações familiares e problemas pessoais dos personagens serão introduzidos logo no primeiro episódio e desenvolvidos ao longo da série.

Na nova versão, Steve McGarret é um oficial naval que trabalha com uma equipe especial no combate a terroristas. Após capturar um suspeito no Sul da Coréia, Steve prepara-se para levá-lo de volta aos EUA. No caminho, descobre que seu pai foi sequestrado e assassinado pelo irmão de seu prisioneiro. Afastando-se do serviço militar, McGarret chega ao Havaí para o funeral do pai e por pistas que o levem ao assassino. Seu retorno o coloca de novo em contato com sua irmã Mary Ann (Taryn Manning), com quem não mantém boas relações.

Persuadido pela governadora Patricia Jamenson (Jean Smart, de “Samantha Who?”), McGarret assume a função de liderar uma nova equipe especial da polícia batizada de Havaí 5-0. Forjando uma situação à la Eliott Ness e “Os Intocáveis”, McGarret recebe carta branca para agir a seu modo no combate ao terrorismo e ao crime organizado.

Em sua equipe está Danny Williams (Scott Caan, filho de James Caan), um policial veterano que fez carreira no Departamento de Polícia de New Jersey. Recém divorciado, ele é transferido para o Havaí a seu pedido, para poder ficar mais perto de sua filha de 8 anos. A relação inicial entre Williams e McGarret não é a das melhores, tal qual foi feito com Kirk e Spock no último filme de “Star Trek”, escrito pela dupla Orci e Kurtzman.

Também na equipe estão Chin Ho Kelly (Daniel Dae Kim, de “Lost”) e Kono Kalakaua (Grace Park, de “Battlestar Galactica”). O primeiro é um ex-detetive da Polícia de Honolulu e ex-pupilo do pai de McGarret. Falsamente acusado por corrupção, Kelly trabalha agora como segurança. Kono é sua prima, recém formada pela Academia de Polícia, que está ansiosa por iniciar sua carreira.

A partir do quarto episódio, a série introduzirá Max, o médico legista, interpretado por Masi Oka, de “Heroes”, creditado como ator convidado, mas com potencial de se tornar semiregular. No original, o personagem chamava-se Che Fong, interpretado por Harry Endo, que apareceu em cerca de 110 episódios. Antes dele, o ator Al Eben interpretou o Dr. Bergman em cerca de 54 episódios.

Por curiosidade, na versão original o detetive Kelly foi assassinado na décima temporada. A falta de conhecimento ou de preocupação com esse fato levou a produção do episódio piloto de 1997, que pretendia ser uma continuação da série, a resgatar o personagem reintroduzindo-o na trama.

A família de McGarret também é mencionada no original. O pai de Steve foi assassinado durante um assalto a um supermercado e Mary Ann, interpretada por Nancy Malone, é vista em uma única história dividida em duas partes, da primeira temporada. Casada e mãe de um garoto, a personagem surgiu no 19º episódio no qual seu filho morre vítima de câncer. Aparentemente, o personagem Wo Fat (Khigh Dhiegh), o líder da máfia chinesa, deverá ser substituído pelo irlandês Victor Hesse (James Masters).

A pré-estreia ocorreu no dia 13 de setembro, durante um evento na praia de Waikiki, com a exibição do episódio piloto e a presença dos atores. Na TV, a nova versão de “Havaí 5-0″ estreia hoje à noite nos EUA, chegando ao Brasil pelo canal Liv, no dia 20 de outubro às 22h. Segundo a imprensa, a Rede TV! vem negociando a compra da série mas ainda não há nenhuma definição de quando estreará na TV aberta.

Confiram cartaz e fotos aqui, aqui e aqui.

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