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Houaiss

27/01/2011

às 16:02 \ Consultório

História x estória, um conflito histórico

“Oi, Sérgio! Qual sua posição sobre o uso de história x estória? Sei que as duas palavras existem, o Volp aceita ambas igualmente, mas o Aurélio (de antes e depois da reforma) recomenda apenas o uso de ‘história’, tanto para ciência histórica quanto para ficção. Pesquisando na internet, nenhuma outra fonte faz essa recomendação. Trabalho como revisora e tive problemas com isso hoje.” (Licia Matos)

É muito interessante a questão trazida por Licia. Antes de mais nada, minha posição pessoal: nessa eu fico com o Aurélio, uso apenas história, acho mesmo que nunca escrevi a palavra estória até este exato momento – pelo menos não que me recorde. Por quê? Algo a ver com velhas recomendações de professores, provavelmente, mas nesse caso nunca vi motivos para me rebelar contra eles. A verdade é que a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto.

Um dado curioso é que, contrariando o que muitos imaginam, estória não é um anglicismo relativamente recente (do século 20), mas uma palavra mais antiga do que história – e, a princípio, com o mesmo significado. É o que informa o Houaiss: estória foi registrada no século 13 e história, no 14. O melhor dicionário brasileiro acrescenta que, como sinônimo perfeito da segunda, a primeira caiu em desuso, sobrevivendo hoje como um regionalismo brasileiro que significa “narrativa de cunho popular e tradicional”. O que me parece ao mesmo tempo vago e restritivo.

Na língua real, a acepção de “estória” acaba sendo mesmo a que aponta Licia: história fictícia, frequentemente mirabolante e inverossímil. Resta a questão de sua origem, que o Houaiss, embora situando o fato sete séculos antes do que acredita o senso comum, confirma ser o inglês story, também esta uma palavra do século 13. No entanto, acrescento eu, vale a pena considerar a hipótese de estória ter derivado – do mesmo modo que story, aliás – do francês arcaico storie, entre outras razões por sua razoável precedência: data de 1105.

Os adeptos do uso de “estória” me parecem, num cálculo impressionista, francamente minoritários. De todo modo, depois que Guimarães Rosa usou a palavra no título de seu livro “Primeiras estórias”, de 1962 – cujo primeiro conto começa com a frase “Esta é a estória” – não se pode dizer que estejam desprovidos de credenciais literárias. No fim das contas, trata-se de mais um daqueles casos em que cada um deve decidir com a própria consciência e o próprio gosto seu caminho no mundo da língua.

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Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Toda quinta-feira o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

11/01/2011

às 17:20 \ Curiosidades etimológicas

Galera: uma gíria, duas teorias

A origem da consagradíssima – mas ainda “jovem” – gíria brasileira “galera” é controversa. O Aurélio aposta que derivou de “galeria” na sua acepção teatral: “Localidade de ingresso mais módico, ordinariamente situada na parte mais alta do recinto; torrinha”. Ou melhor, não exatamente dela e sim do sentido que a palavra ganhou por extensão: “Conjunto das pessoas que se acham na galeria”. Galera seria, com o i devidamente engolido, a turma que se aboleta nos setores mais baratos de um auditório ou arquibancada. Dada a frequência com que se emprega a palavra para designar torcedores num estádio de futebol, a teoria parece boa. Porém…

O Houaiss toma um caminho bem diferente e apresenta argumentos que me parecem mais sólidos. Diz que a gíria veio de galera mesmo, ou galé, isto é, “embarcação de guerra movida a remo ou vela”. Em francês, informa, galère sofreu uma ampliação de sentido para abarcar o de “grupo de pessoas condenadas a remar nas galeras”, o que veio a dar, no inglês do século 18, na ideia de “grupo de pessoas que têm em comum uma qualidade marcada ou um relacionamento” – gente que rema para o mesmo lado, pois é. De fato, dicionários de inglês registram esse galicismo ainda hoje, com acento afrancesado e tudo. Diz o Webster’s: “grupo de pessoas do mesmo tipo ou classe”.

E então, galera? Teatro ou navio? Aurélio ou Houaiss?

17/10/2010

às 8:17 \ Crônica

Os dicionários, esses subversivos

Uma das formas mais ridículas de censura é aquela que se tenta fazer aos dicionários, como se lhes coubesse um papel de invenção – e não de simples registro – do vocabulário de uma língua. A última piada perigosa do gênero vem do sul da Califórnia, nos EUA, onde exemplares da décima edição do prestigioso Merriam-Webster foram recolhidos das salas de aula depois que um grupo de pais de alunos se escandalizou com sua definição de “sexo oral”, considerada “sexualmente gráfica”.

Cheguei a imaginar que o lexicógrafo tivesse se excitado, abusando do colorido vocabular, mas não. A tal definição não podia ser mais, digamos, hmm, seca: “estimulação oral dos órgãos genitais”. Será possível dizer menos do que isso sem trair a função básica de um dicionário?

O caso me lembrou a denúncia feita por um grupo de cidadãos brasileiros de origem judaica ao Ministério Público Federal, alguns anos atrás, contra os conselhos editoriais dos dicionários Houaiss e Aurélio, alegando que uma das acepções do vocábulo “judeu” registrada por ambos era ofensiva: “indivíduo mau, avarento, usurário, papa-terra” (Aurélio) e “pessoa usurária, avarenta” (Houaiss).

Acho a reação desses cidadãos brasileiros muito mais compreensível que a dos pais californianos, pela razão simples de que a dignidade cultural ou étnica é um valor elevado, enquanto o puritanismo não é. Mas isso não quer dizer que a reação se justifique. No desfile de vilezas culturais embutidas na língua – que os dicionários não inventaram, mas são obrigados a registrar – judeu é usurário como polaca é prostituta, japonês é parasita, portuga é grosso e baiano é ignorante.

Tudo isso é feio, não se discute, tanto que os lexicógrafos destacam o caráter pejorativo dessas acepções. Mas não é mais feio do que achar que a realidade ficará mais bonita (ou casta!) se censurarmos dicionários.

03/10/2010

às 8:00 \ Crônica

E vamos à cabina, como se portugueses fôssemos!

Hoje é dia de entrar na “cabina indevassável”, como o Tribunal Superior Eleitoral insiste em chamar “o pequeno resguardo, geralmente feito de papelão corrugado, ou outro material de baixo custo, dentro do qual o eleitor assinala em sigilo seu voto na cédula oficial de votação [ou na urna eletrônica], nas eleições para todos os níveis, antes de depositá-la na urna de votação”. Em Lisboa fazem a mesma coisa.

A definição acima foi tirada do glossário disponível no site do TSE. O verbete explica ainda: “O Código Eleitoral e toda a legislação eleitoral empregam a expressão ‘cabina indevassável’, ou, algumas vezes, ‘cabine indevassável’…”.

Infelizmente, a ordem dos fatores está invertida, em grave desacordo com a língua portuguesa que se fala no país. A forma preferencial deveria ser “cabine”, com “cabina” tendo no máximo um papel de variante. A terminação em “e” para galicismos desse tipo é uma opção tão clara do português brasileiro que está além da consagração, embora nossos dicionaristas ainda relutem, tímidos e lusocêntricos, em ser fiadores disso.

Em Portugal se fala madama; no Brasil, madame. Mas o Aurélio não gosta disso e diz que a primeira forma é preferível. Com cabina e cabine se dá o mesmo. Pior é descobrir que o mais popular dicionário brasileiro nem sequer reconhecia até o início deste século a existência da palavra vitrine: para ele, o nome daquele mostruário envidraçado na porta das lojas era vitrina e pronto. O Houaiss, um pouco menos subserviente aos filólogos de além-mar, prefere madame e cabine, mas também derrapa na vitrina, o que deixa no ar uma impressão incômoda de incoerência. São só nuances? Não: segundo nossos dicionaristas, são, de preferência, só nuanças.

Não é a primeira vez que digo isso, mas vale repetir: se o Chico, que de língua entende um pouco, canta “nos teus olhos também posso ver/ as vitrines te vendo passar”, mas o Aurelião torce o nariz para a palavra, cabe a nós decidir com que Buarque de Holanda preferimos ficar.

18/09/2010

às 8:01 \ Palavra da semana

Da arquitetura à política, o lobby perdeu a inocência

Lobby, aquilo que em última análise derrubou Erenice Guerra da Casa Civil, sempre foi uma palavra cercada de sentidos escusos. Ou melhor, nem sempre: quando se limitava ao campo semântico da arquitetura e queria dizer apenas vestíbulo amplo, salão situado na entrada de um prédio público, o termo inglês lobby era moralmente neutro, além de vetusto – um filho do latim medieval laubia ou lobia, “área coberta diante de um monastério”. Só mais tarde ele ganharia a acepção que o Houaiss registra como “atividade de pressão de um grupo organizado (de interesse, de propaganda etc.) sobre políticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer influência ao seu alcance, mas sem buscar o controle formal do governo”.

Os dois sentidos de lobby são menos desconectados do que parece. O primeiro deu origem ao segundo por metonímia: já em 1808, era registrada pela primeira vez por um dicionário americano a acepção de atividade exercida por aqueles cidadãos que se aglomeravam no lobby das casas legislativas à espera dos políticos que saíam do plenário, em busca de um corpo a corpo que fizesse avançar na esfera pública a causa de interesses privados. A palavra desembarcou no Brasil em algum momento do século 20 (o Houaiss não sabe precisar qual), mas isso não significa que não existisse antes como prática sem nome.

De lá para cá o lobby cresceu, profissionalizou-se, virou uma indústria. Não à toa, uma das primeiras medidas de Barack Obama ao ser empossado, em janeiro do ano passado, foi impor restrições à forte cultura lobística americana, numa tentativa de criar maior transparência na administração pública. Vale lembrar que lobby não é sinônimo de atividade escusa. No entanto, como uma zona de fronteira não institucionalizada entre a esfera pública e a esfera privada, suas áreas de sombra são terreno fértil para o crescimento de pragas como tráfico de influência, compra e venda de favores, propinas – numa palavra, corrupção.

14/09/2010

às 16:44 \ Curiosidades etimológicas

Quando o despautério faz todo o sentido

Despautério, vocábulo sonoro de sabor antiquado, sempre foi uma das minhas palavras preferidas para designar um disparate, um contra-senso, um despropósito, algo que ofende a razão ou o bom senso. O fato de vivermos num país em que despautérios dão mais que maria-sem-vergonha é um estímulo permanente ao enriquecimento do vocabulário no campo semântico dos absurdos.

Assim, foi com grande prazer que um dia esbarrei por acaso na etimologia de despautério. Tão saborosa quanto aquelas historinhas românticas que tantas vezes passam por verdadeiras, mas são autênticos despautérios, esta é considerada irrepreensível.

Dicionarizada pela primeira vez por Cândido de Figueiredo em 1899, a palavra proveio de Despautère ou Despauterius, conforme se considere a versão afrancesada ou latinizada do nome do gramático flamengo J. van Pauteren, autor de um livro de 1537, Comentarii gramatici, que gozou de grande difusão na Europa entre os séculos 16 e 17, mas era uma obra “confusa e rica de dislates”, segundo o Houaiss. Para a Larousse, citado por Silveira Bueno, o homem era “difuso, obscuro e cheio de declamação”.

Resumindo: Despautério era um gramático enrolado e meio cretino. Apropriado, não?

28/08/2010

às 11:44 \ Palavra da semana

O sigilo do secretário e outros segredos

A quebra do sigilo de 140 contribuintes num órgão da Secretaria da Receita Federal do ABC paulista junta na mesma frase duas palavras etimologicamente ligadas à ideia de segredo: sigilo e secretaria.

No caso de sigilo – que tem entre outros o sentido de inviolabilidade das informações pessoais do cidadão que estejam sob a guarda do Estado, garantida por lei – a relação com segredo é obvia: trata-se de termos sinônimos. O que pouca gente sabe é que sigilo chegou lá por um processo de metonímia. Literalmente um diminutivo de signum, sinal, a palavra latina sigillum designava de início o selo (que é simplesmente a versão vulgar do erudito sigilo), isto é, o carimbo, o sinete personalizado que se imprimia no lacre de uma carta ou outro documento para garantir que nenhuma violação passasse despercebida no caminho entre o remetente e o destinatário.

Quando desembarcou no português, no século 16, sigilo ainda guardava o sentido estrito de selo, hoje caído em desuso, mas cem anos depois já tinha passado pela ampliação semântica que o transformou em sinônimo de segredo. É curioso observar que, apesar de primitivo, o método da cera quente como garantia de privacidade tinha vantagens evidentes sobre o sigilo eletrônico de hoje.

Na palavra secretaria, a relação com a ideia de segredo vai se perdendo, mas era, na raiz latina, ainda mais direta. No fim das contas, secretaria e secretário têm sua origem em secretus, aquilo que é apartado, recôndito, oculto, íntimo, invisível. Segundo o filólogo brasileiro Antenor Nascentes, o secretário ganhou esse nome por ser “quem escreve as cartas de outro, por conseguinte, o depositário dos segredos desse outro”. Passando do plano individual para o social, a mesma ideia vale para secretaria, definida pelo Houaiss como “local ou repartição pública onde… se guardam ou arquivam documentos de importância” (grifo meu). Será que faltou dizer “vazam”?

03/08/2010

às 14:09 \ Curiosidades etimológicas

Se propina é suborno, suborno é o quê?

Já que falamos outro dia do processo de corrupção que se abateu sobre a palavra propina, acabando com sua inocência semântica original, vale a pena dar uma olhada na palavra que leva em todos os dicionários o sentido que o português brasileiro, à revelia dos lexicógrafos sonolentos, decidiu dar ao termo: suborno.

A curiosa história do verbo subornar revela um parentesco que pouca gente imagina com o verbo ornar – ele mesmo, sinônimo de enfeitar, adornar, ornamentar. Ambos vêm do latim ornare, que, segundo o clássico dicionário latino-português de Saraiva, quer dizer “ornar, vestir, aprestar, armar, prover”.

E por que o sub antes de ornare? Bem, uma das muitas funções do prefixo latino sub, segundo o Houaiss, é indicar “ação furtiva, oculta” – e um dos exemplos que o melhor dicionário da língua portuguesa cita, ao lado do adjetivo sub-reptício, é exatamente o verbo subornar.

Isso quer dizer que, na origem, subornar o guarda era dar a ele uma pulseira de ouro? Mais ou menos isso. A palavra suborno carrega bem à vista a ideia de um presente furtivo, um agrado que se faz a alguém, com intenção inconfessável, quando ninguém mais está olhando.

01/08/2010

às 7:36 \ Crônica

Casal gay? Isso está certo? Está

“Dois homens, que estão juntos há 27 anos, se tornaram nesta sexta-feira o primeiro casal gay a celebrar uma união civil na Argentina”, leio aqui no Veja.com.

Está certo. Quem diz – e muita gente diz – que “casal gay” é um contrassenso, argumentando que casal implica necessariamente os dois sexos, externa uma restrição moral ou religiosa embrulhada numa análise linguística pobre.

A acepção mais corrente de casal exclui mesmo os gays: “par composto de macho e fêmea, ou marido e mulher” (Aurélio). Mas esta é só uma das acepções de casal, que uma ampliação semântica transformou faz tempo em sinônimo de par, dupla, sem referência a gênero: “duas coisas iguais; par, parelha” (Houaiss). Atenção para “iguais”.

Há outras formas de aparar esse golpe do gato-mestrismo linguístico. O sentido original de casal era casa pequena e rústica ou conjunto de habitações desse tipo. Depois, por extensão de sentido, a palavra passou a nomear também quem ali morava. “No sentido de par de animais de sexos diferentes, (casal) vem da idéia de viverem eles juntos no mesmo casal”, diz o etimologista Antenor Nascentes. Ou seja, o foco é o endereço, não o gênero. Na Idade Média, quando surgiu a palavra, leis e costumes não permitiam aplicá-la a parceiros do mesmo sexo. Mas não estamos na Idade Média.

As escolhas que cada um faz em sua linguagem pessoal são soberanas, um direito inalienável. Melhor assumi-las do que partir à caça de “erros” que não estão lá, tentando legitimar tecnicamente uma opção que no fundo é política.

22/07/2010

às 8:01 \ Consultório

Ops, de onde veio isso?

“Prezado Sérgio, me satisfaça uma curiosidade: qual é o significado da abreviatura ‘ops’, tão usada em redação, inclusive na mídia?” Antonio Silva Júnior.

A possibilidade de que Antonio estivesse se referindo à sigla OPS – que designa tanto a Organização Panamericana de Saúde quanto, no jargão econômico de Portugal, uma oferta pública de subscrição (de ações) – não resistiu à releitura de sua mensagem: em ambos os casos, OPS está longe de ser uma sigla tão difundida assim.

Restou o ops nosso de cada dia, este sim de uso frequente, embora mais comum na linguagem oral do que na escrita. Não se trata de uma “abreviatura”, como diz Antonio, mas de uma interjeição que traduz surpresa diante de uma gafe ou acidente de pequena monta, servindo ao mesmo tempo como alívio cômico e pedido de desculpas: “Ops, foi mal”.

Os principais dicionários brasileiros, Houaiss e Aurélio, não dão a ops – ops! – a honra de um registro. Provavelmente porque estamos diante de uma interjeição de sucesso relativamente recente entre nós, não abonada pelos autores clássicos.

Felizmente, o “Dicionário de usos do português do Brasil”, de Francisco S. Borba, não está tão preocupado com autores clássicos e garimpa verbetes na língua que se fala hoje, inclusive na imprensa. O resultado é que ops está lá: “Interjeição usada antes de se corrigir um engano ou quando se comete um engano”.

Borba não chega a tanto, mas eu acrescento que há duas formas de compreender o surgimento de ops: como evolução meio cômica da forma tradicional “opa” (que exprime surpresa, admiração ou indignação, segundo o Houaiss) ou – o que é mais provável – como adaptação do inglês oops, interjeição registrada desde os anos 1930 e há muito “oficializada” pelo dicionário Oxford com o mesmo sentido de exclamação diante de um erro ou trapalhada.


 

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