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26/01/2013

às 11:39 \ Palavra da semana

(Des)acordo ortográfico: o Brasil piscou, e agora?

A Academia Brasileira de Letras divulgou na quarta-feira uma nota oficial em que lamenta o “retrocesso” do adiamento para 2016 da obrigatoriedade da vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no país. Afirma que estava pronta para dar início a uma campanha internacional destinada a tornar o português – enfim uma língua única – um dos idiomas oficiais de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU).

Compreende-se a frustração. Decidido por decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no apagar das luzes do ano passado, dias antes do fim do prazo de adaptação previsto anteriormente, o adiamento é um estranho caso de tiro desferido no próprio pé pela diplomacia brasileira.

Esta vinha exercendo um papel consistente de liderança no trabalho de unificar uma língua de 260 milhões de falantes que, mesmo sendo uma só (variações nacionais e regionais são, mais que inevitáveis, bem-vindas), nunca soube se pôr de acordo sobre algo banal como a forma de grafar suas palavras. Internacionalmente, isso não é só um fator de confusão e constrangimento. É sinal de fraqueza. Se um aborígine australiano do último cafundó de Queensland escreve inglês com a mesma grafia de um nova-iorquino, qual é o sentido de nativos de Rio e Lisboa, cidades irmãs, divergirem em seu português?

O trabalho foi difícil, lento, realizado sobre o solo pantanoso de orgulhos e desconfianças ancestrais – para não mencionar a má vontade natural da maioria do público com a ideia de virem esses sabichões mexer no que funciona. O texto do acordo data de 1990, mas só em 2008 foi aprovado pelo Parlamento português.

Sempre considerei o conteúdo do acordo decepcionante sob diversos aspectos. No entanto – fora arroubos de anarquismo que são tentadores para qualquer escritor, raça pouco afeita à deglutição de regras sobre seu instrumento de trabalho – nunca deixei de entender o argumento político de sua validade. Tentando me conformar com as absurdas regras do hífen e com palavras grotescas como “corréu”, eu pensava: foi o acordo possível, paciência. Negociações são assim, perde-se aqui para ganhar ali, vamos em frente. E parecia que íamos mesmo. Agora ninguém sabe se iremos.

O adiamento assinado pela presidente veio, estranhamente, num momento em que o trecho mais incerto e turbulento da jornada já tinha ficado para trás. A custosa adoção do acordo ia adiantada no Brasil, muito à frente dos demais países lusófonos. Pode-se mesmo dizer que era completa: sistema de ensino, imprensa e editoras, hoje todo mundo segue em nosso país a nova ortografia.

Em Portugal, onde o marco inicial da obrigatoriedade já estava fixado em 2016, as resistências eram e são bem maiores. Compreensível. A cultura portuguesa é informada por um sentimento de posse sobre a língua, o que alimenta mágoas diante da liderança brasileira no processo. O fato é que tudo ia caminhando, trancos e barrancos incluídos. O Brasil tinha se tornado um farol na epopeia da unificação.

Agora o farol fraqueja e ameaça se apagar. Os adversários ativos do acordo – mais fortes fora do país, mas nada desprezíveis aqui dentro – podem soltar fogos, espalhar temores sobre o risco imaginário que ele oferece à “diversidade cultural” e protocolar os pedidos de vista do processo e demais recursos protelatórios que têm na manga. E a provável maioria silenciosa que sempre encarou com antipatia a decisão de mexer na língua talvez diga, concordando com aquele meu lado anarquista: “Bem feito”.

O decreto de Dilma tornou bastante concreta a possibilidade de que os setores público e privado do Brasil tenham investido uma fortuna para, em nome da unificação, implementar uma reforma ortográfica que jamais terá validade fora de nossas fronteiras.

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75 Comentários

  1. nanda

    -

    18/02/2013 às 16:48

    assistam o meu video sobre o novo acordo ortograficico,e tome uma pitada de humor nada leve em seu dia.

    http://www.youtube.com/watch?v=SVa35pfG95

  2. Athayde

    -

    10/02/2013 às 16:00

    Sérgio, como Fernando Pessoa, “a minha pátria é a língua portuguesa”, por sua riqueza, beleza, sonoridade, e por que não, suas armadilhas e complexidades (eu vivo na Grã-Bretanha, e sorrio comigo mesmo quando ouço anglófonos reclamar das dificuldades do inglês). Por princípio eu desejaria muito que este acordo se concretizasse de modo a fortalecer a nossa língua, mas não seria como tentar barrar a maré? Quando visitei São Tomé e Príncipe, comuniquei-me muito bem com a gente local, mas “apanho” toda vez que vou a Portugal e achei-me um forasteiro completo em Madeira e Cabo Verde: o português deles é ininteligível. Refiro-me à língua falada, mas não seria natural que a língua escrita siga este mesmo processo natural de fissão, certamente algo semelhante sofrido pelo latim? Este acordo não seria apenas uma tentativa fracassada de impedira a evolução natural das línguas?

  3. Rafael

    -

    05/02/2013 às 12:36

    Interessantes os links mencionados pelo Pedro.
    Gostaria, aliás, de destacar um parágrafo extraído do texto “A Falácia das Consoantes Mudas Diacríticas”:
    “A pronúncia é uma herança fonética que antecede a aquisição de competências ortográficas e sobrevive a ela. Só assim se entende que existam tantas diferenças de pronúncia em Portugal apesar toda a população ter estado sempre sujeita a uma mesma norma ortográfica a cada momento.”
    Não consigo deixar de concordar com cada palavra que aparece nesse parágrafo. E a conclusão desta premissa afigura-se clara: nenhum sistema ortográfico tem a pretensão de espelhar a realidade fonética, com sua miríade de variedades.
    Um dos grandes equívocos que levou à lamentada divergência ortográfica foi o juízo de valor que se formou em torno da ortografia fonética, considerada superior à etimológica. A reforma ortográfica de 1911, o primeiro golpe de picareta que abriu o fosso que hoje separa a ortografia brasileira da portuguesa, foi inspirada no ideal de simplificação, que adviria do abandono da tortuosa escrita etimológica.
    Mas como a variedade de pronúncias é infinitamente maior que a da escrita, a conseqüência foi fatal: as ortografias foram se distanciando uma das outras. As demais reformas — o século XX foi pródigo delas, nos dois lados do Atlântico — só fizeram ampliar as divergências.
    Agora que o estrago está feito seria uma estupidez retornar ao ponto de partida. O critério etimológico, tão cultivado nos séculos XV e XVI, está morto e enterrado.
    Dizem que de tanto escarafunchar o olho do filho o diabo acabou perfurando-o. O mais sensato, em minha opinião, é parar essa mania de reformas. A língua precisa de repouso. As divergências que existem atualmente não são um empecilho ao livre trânsito das idéias entre os países lusófonos — ainda! Mas se o ímpeto reformador não arrefecer, chegará o dia em que a grafia lusitana e a brasileira serão tão distintas quanto a portuguesa e a espanhola.
    Vale

  4. sergiorodrigues

    -

    04/02/2013 às 20:23

    Pedro, obrigado pelos excelentes links que nos envia d’além-mar. Recomendo os dois a todos os que por aqui passarem, como antídoto contra sabichonismos diversos. O depoimento de Lindley Cintra chega a ser emocionante. Abraços.

  5. Pedro

    -

    04/02/2013 às 10:47

    A ideia de que as consoantes mudas da ortografia anterior ao AO fazem falta à pronuncia “correta” do Português de Portugal é absolutamente falsa. Quem estiver disposto a abandonar a ignorância pode ver aqui:
    http://emportuguezgrande.blogspot.pt/p/a-falacia-das-consoantes-mudas.html

  6. Pedro

    -

    04/02/2013 às 10:44

    Esta necessidade que alguns têm de cultivar divisões em vez de cultivar a unidade é ridicula.
    Por favor, vejam aqui:
    http://ciberduvidas.pt/textos/acordo

  7. Augusto S.

    -

    02/02/2013 às 19:54

    Esse ‘acordo’ é repugnante. Quem deve estar chorando muito são os empresários da indústria livreira que imaginavam um lucro imenso com a reimpressão de toda a literatura e a venda de livros didáticos “atualizados” ao governo. Pra mim, é e sempre foi um ato com vistas puramente mercantilistas. Muda-se a ortografia e no dia seguinte pululam nas vitrines livros tais: “Nova gramática segundo a última reforma…” – “Novo Dicionário tal Atualizado” – “Vocabulário tal da língua…” chega a ser constrangedor. Em verdade, jamais a norma culta da língua poderia ter-se distanciado em relação a Portugal e Brasil. (De certa maneira, a língua escrita não se distanciou muito, e espero que assim continue. Leio com muito interesse a produção acadêmica lusitana, que é excelente.) Também levam ao riso certos comentários – inclusive já os li aqui -, no sentido de que deveríamos desprezar o legado lusitano e criar nossa própria gramática. Ora, sabemos todos que o sistema educacional brasileiro é falido e pútrido, e que primamos pelas últimas colocações no quesito educação – frequentes pesquisas o comprovam – de maneira que tamanha arrogância e prepotência vindas da nossa parte chegam a ser dignas de pena. Um argumento nesse sentido, em algum debate, me deixaria corado e bem encolhidinho na cadeira. Mais inteligente é conservamos toda a lógica da língua lusitana que nos foi herdada. Porque esta veio das melhores cabeças européias; dos mestres de filosofia de Coimbra, mentes que influenciaram até mesmo homens do quilate de um Leibniz. Mas a coisa toda fica verdadeiramente ridícula e a demagogia chega a níveis estratosféricos quando fingimos nos importar com os países africanos, trazendo-os à questão. Ora, toda gente sabe que as preocupações cotidianas na vida desses países ainda são das mais primárias, isto é, não morrer de fome, encontrar comida, e conseguir sobreviver em meio às guerras civis que ali sobejam. Se há países que poderiam se importar ou que teriam alguma relevância nessas discussões gramaticais/ortográficas da língua, certamente não são as ex-colônias portuguesas da África.
    “Omnibus”, “scena”, “pharmácia”, “sympathia”, “afflicto”, etc. Por mim, ainda escreveríamos assim.

  8. José Neves

    -

    02/02/2013 às 0:14

    Rafael: Como cita o meu nome, e seguiu a minha “contenda”, volto de novo a terreiro. Neste caso para lhe manifestar, veja bem, o meu acordo. Pois concordo com tudo o que diz. Afinal não seria assim tão difícil chegar a acordo em matéria de “Acordo” sobre ortografia. Nós mantinhamos a nossa, coincidente com a dos Angolanos e Moçambicanos, que também merecem ser considerados como falantes (e competentes) da Língua Portuguesa, os brasileiros utilizavam a que quisessem. Esse desacordo é que era o bom acordo… O seu argumento torna-se ainda mais pertinente, quando cita os bons e incontornáveis escritores portugueses, a começar em Camões e a terminar em Lobo Antunes. O Rafael não se desentendeu com Camões ou Vieira – nem se faz desentendido com a literatura portuguesa contemporânea – por causa de uns cês ou pês que o Brasil em certa altura resolveu mandar aposentar da escrita. Também não foram as diferenças ortográficas que me impediram – a mim e a muitos milhares de portugueses da minha e de muitas outras gerações – de ler com gozo e proveito os brasileiríssimos escritores que fazem parte da minha, e da nossa, compreensão do mundo, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Eduardo Prado, Guimarães Rosa, Euclydes da Cunha, José Lins do Rego, venerado em Portugal (morei, em Lisboa, numa avenida chamada “do Brasil”, perto de uma praceta chamada José Lins do Rego), Érico Veríssimo, Raquel de Queiroz, Assis Brasil, Jorge Amado, Nelson Rodrigues e outros, muitos outros que não importa aqui citar. O diálogo cultural, caro Rafael, faz-se com a cultura: compreendendo as diferenças e aceitando-as, e não com acordos de secretaria. E neste ponto, volto à questão ortográfica, inventada nos gabinetes, de um e do outro lado do Atlântico, por gente que nem chega a ter o nível do sapateiro de Apelles, que tão a propósito cita. Acedi, por curiosidade, às actas do Senado brasileiro, que em Dezembro de 2012 tomou essa medida de adiamento – que, ou muito me engano, será definitivo – do AO de 1990. É realmente hilariante, porque esses senadores não sabem do que falam: eles partem do princípio de que o “Congresso Português” (i.e, a Assembleia da República Portuguesa) ainda não ratificou o AO. É caso para perguntar aos venerandos representantes do Povo Brasileiro: onde é que vivem, num museu?
    Este tipo de equívocos marca a discussão ortográfica, como caracteriza, negativamente, todo o diálogo luso-brasileiro, e não receio ser indelicado se disser que grande parte da “culpa” está do lado brasileiro, pois até suponho que exista uma lei da República Federativa do Brasil que comina as mais duras penas a todo o bom brasileiro que diga alguma coisa acertada sobre Portugal. Mas é bem verdade o que diz: “a marcha da História tem-se incumbido de dilatar o fosso que separa os dois países”. E essa é a parte da realidade que não parece poder ser compreendida por um certo delírio português. Fomos um povo colonizador – durante mais de 500 anos(a expansão portuguesa iniciou-se em 1415, e terminou, depois de uma guerra colonial em África absurda e sem nenhum sentido político ou humano, em 1975) espalhàmos pelo mundo a nossa língua, a nossa cultura, e os nossos genes, que foram e ainda são a maior exportação portuguesa. A CPLP é uma organização bem intencionada, sem dúvida, mas vejo nela um espectro que nós, portugueses, só tinhamos vantagem em enterrar. Porque só depois de enterrada definitivamente essa alma penada do nosso passado real e imaginário é que poderíamos, como saídos de um banho lustral, voltar a ter um lugar digno na História, que suponho merecermos, mas que nos arriscamos a não encontrar se insistirmos na aventura do deserto em que morreu D. Sebastião. Só a partir deste excurso e dessa excruciante terapia (aos brasileiros, para acabarem de matar o Pai, apenas aconselharia o divã) poderíamos falar à vontade de acordos ortográficos, das consoantes mudas e dos sinais diacríticos, que o Sérgio Rodrigues pensa que não fazem falta nenhuma, no que se engana, como lhe explicaria, numa só frase, o proverbial Fernando Pessoa: diga ao José Neves que não tenha razão.

    Cordialmente.
    José Neves

  9. Rafael

    -

    31/01/2013 às 12:49

    Sérgio,
    Li com interesse a breve contenda com o José Neves. Como tem sido a regra, as manifestações provenientes do além-mar são contrárias ao acordo ortográfico, visto como uma vitória brasileira — e, por conseguinte, uma derrota dos portugueses. Raramente encontrei um artigo de pena genuinamente portuguesa que se inclinasse favoravelmente à reforma, tal como concebida. Aliás, em Portugal, a hostilidade ao acordo é sentimento generalizado.
    Neste cenário, o seu entendimento — o de que o acordo poderia ser um instrumento de aproximação entre Brasil e Portugal — é demasiadamente otimista. Para usar de uma antítese, o acordo tem sido o pomo da discórdia. Melhor ainda: como, em geral, os brasileiros que se interessam pelo assunto vêem com igual desconfiança o acordo (por razões diversas, é claro), parece-me que o “fator de aproximação entre Brasil e Portugal” tem realmente se operado, mas de uma maneira inusitada: somos nós, os provenientes de ambas as Nações, concordes que o acordo é uma dessas típicas monstruosidades elaboradas nos gabinetes: uma criatura artificiosa, incoerente, de utilidade discutível, de implantação custosa, mas que serve para alimentar a vaidade de alguns.
    Tenho, pois, minhas dúvidas quanto à eficácia do acordo no que diz à aproximação dos países. Embora sejamos o resultado da colonização portuguesa, a marcha da História tem se incumbido de dilatar o fosso que separa os dois países. A mim me cheira quixotesca esta singular empresa, a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que de comunidade só tem o nome.
    Amo a literatura, a sintaxe e o léxico portugueses. Considero um privilégio ler, na minha língua nativa, escritores tão bons como Camões, Fernão Mendes Pinto, Pe. Vieira, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Miguel Torga, António Lobo Antunes. O meu senso prático, todavia, me impede de acreditar que esse arremedo de reforma vá realmente incentivar o intercâmbio cultural entre as nações lusófonas.
    Nada contra os esforços voltados à racionalização do sistema ortográfico português. Só acho que o custo dessa aventura é pesado demais e as perspectivas, paupérrimas.
    Vale
    Rafael, você já leu os artigos biliosos do Pessoa contra a reforma de 1911? Têm grande valor histórico. O esperneio é normal nessa hora e não me deixa pessimista sobre o acordo (o estranho recuo do governo brasileiro, sim, um pouco). Como já faz anos que nós dois discordamos sobre isso aqui nesta caixa de comentários, minha proposta é esperar mais alguns antes do próximo round. Abraços.

  10. José Neves

    -

    31/01/2013 às 11:07

    Caro Sérgio Rodrigues: Agradeço a atenção que me dispensou. Bem haja!

    José Neves

  11. Luciano

    -

    31/01/2013 às 8:10

    Não concordo com todos os pontos do Acordo, mas sigo-o mesmo assim, porque lei é para ser seguida – com a ressalva do adiamento até 2016, ainda mais por quem trabalha com a língua, como é o meu caso.

    De qualquer forma, o que quero comentar é o seguinte: estou cansado, farto, enjoado, de ouvir que os portugueses tiveram de ceder aos brasileiros por causa dessas benditas consoantes que eles não pronunciam mas escrevem. E os brasileiros não tivemos de ceder ao trocarmos o nosso idéia pelo ideia dos português, o nosso tranqüilo pelo tranquilo dos portugueses, o nosso vôo pelo voo dos portugueses? É claro que a quem é inteligente não preciso explicar que se trata de exemplos de palavras afetadas por regras específicas, como a supressão do trema, a eliminação do acento agudo em paroxítonas terminadas em ditongo aberto, etc., não apenas dessas três palavras. Se analisarmos quantitativamente o número de novas regras, nós tivemos de ceder mais, mas acordo, qualquer acordo, é isso mesmo, é cedência. Quanto a voo, enjoo e outras palavras em oo, acho que se fez muito bem, porque o acento aí é completamente desnecessário, já que são paroxítonas terminadas em vogal, como louco, feno, fofo, etc.

    Outra coisa que também muito me chama a atenção nesta discussão e em todas as outras na internet: como é que tanta gente reclama, defende esta e repudia aquela escrita, se as próprias pessoas que se sentem tão ultrajadas não respeitam a própria grafia que pretendem defender. Isso acontece nos dois lados, tanto no brasileiro quanto no português. Infelizmente, muita gente perde uma grande oportunidade de ficar calado. Quem sou eu para discutir medicina com um médico, engenharia com um engenheiro? Mas em fatos de língua qualquer idiota acha que pode colocar a sua colherzinha enferrujada pelo simples fato de falar, muitas vezes muito mal e parcamente. Sutor, ne ultra crepidam (Sapateiro, não passe da sandália, ou seja, não vá o sapateiro além dos sapatos), ou para mais gente entender: cada macaco no seu galho, ou cada um no seu quadrado.

  12. José Neves

    -

    30/01/2013 às 20:17

    Caro Sérgio Rodrigues: Agradeço a sua resposta e a sua ironia e assertividade. Faz-me duas perguntas inteligentes que me merecem resposta. A primeira, sobre qual a tela ou écrã onde eu terei lido que o AO pretende adaptar a escrita do Portugês de Portugal à fonética brasileira. Resposta: foi nas Notas explicativas do próprio Acordo. Não as leu? No n. 4.2, alíneas d), e) e f) dessas Notas Explicativas encontra o fundamento da minha afirmação. Aí se lê, em resumo útil, no tocante à grafia das consoantes não articuladas (que preferio designar de “etimológicas”), que a eliminação da divergência de grafias existente entre “a norma lusitana” (que as conserva) e “a norma brasileira, que há muito suprimiu tais consoantes” só pode fazer-se à custa da norma portuguesa porquanto, como confessam, “não haverá unificação ortográfica da língua portuguesa se tal disparidade não for resolvida”. Se a norma brasileira abandonou as consoantes etimnológicas, seguindo portanto um critério puramente fonético, é porque – foneticamente – os brasileiros não precisam delas (no Brasil todas as consoantes são articuladas). O mesmo não se passa em Portugal porque, como deve saber, as vogais, em Portugal, têm uma pronúncia que oscila entre a abertura e o fechamento (aliás, a fonética portuguesa tem mais vogais do que a brasileira, são 8, na pronúncia portuguesa, e apenas 6, na brasileira). A tendência geral na nossa fonética é para o fechamento ddas vogais, tendência que exite historicamente (i.e., desde sempre. Assim, as consoantes não articuladas têm, além de um estimável valor etimológico (como facto, do part. latino factus), um inegável valor fonético – immpedir o fechamento da vogal precedente. Assim, eu escrevo ACTOR e pronuncio (como no Brasil) ÁCTOR. Suprimindo o C não articulado (ou pouco articulado) a tendência normal em Portugal será para pronunciar Âtor (a fechado) – problema que não se põe na fonética brasileira, pois o A, nessa posição, é sempre aberto. Em conclusão – para unificar a grafia prescindimos nós das consoantes não articuladas ou semi-articuladas, que nos fazem falta, para que as palavras se escrevam em Portugal como se escrevem no Brasil, onde tais consoanttes não fazem falta nenhuma. Então, é ou não uma adaptação da escrita portuguesa à fonética brasileira? A sua segunda questão também é muito interessante e eu compreendo toda a subtil ironia que põe nela. Também lhe posso responder com ironia: Na sua pergunta já está dada a resposta. Mas sempre lhe direi, para evitar ambiguidades, que na Academia das Ciências de Lisboa não houve sábio nenhum a trabalhar no AO de 1990. Na realidade, da ACL só um membro trabalhou nesse Acordo, e não é sábio. Chama-se Malaca Casteleiro e foi ele o principal responsável por este monumento à incompetência que se chama (des)Acordo Ortográfico de 1990. Não por acaso também foi esse mesmo “sábio” o autor de outro monumento à incompetência que se chama Dicionário da Academia e que, entre outros méritos, fez desaparecer cerca de 30 000 vocábulos da Língua Portuguesa. Por ironia, os membros da Academia de Lisboa não têm (ao contrário dos membros da Academia Brasileira de Letras) o títuulo de “imortais”. à excepção do Malaca Casteleiro. Este fica memso imortalizado, só que pelos piores motivos. Portugal inteiro contra Malaca Casteleiro. E o Sérgio pergunta: será que eles contraíram o vírus do desprezo às suas raízes culturais? Essa pergunta será mesmo ingenuidade sua? Ou pensa que em Portugal só há gente “que preza as suas raízes culturais”?. Uma nota final, muito importante: abordo as questões da língua como filólogo e não faço juízos de valor sobre o Povo brasileiro ou o Brasil, País que me merece todo o respeito. Se os brasileiros sentem ou não orgulho pela língua que falam, pelos seus antepassados, etc. é uma questão que não me diz respeito. Façam o que fizerem, estão no seu direito.

    Melhores cumprimentos
    José Neves
    Caro José, obrigado por sua réplica a meu breve comentário. Acredite, é um prazer entabular uma conversa civilizada (ironias civilizadíssimas incluídas) sobre um tema que costuma deixar os contendores com as veias saltando no pescoço. Sim, li o texto do AO, mas devo dizer que me espanta essa extrapolação do caso das consoantes não articuladas, que representam apenas um aspecto das mudanças, em juízo tão definitivo como o da suposta vitória da “fonética brasileira”. A ortografia etimológica, como você sabe, foi em grande parte abandonada pelo português há pouco mais de um século, quando ‘pharmacia’ virou ‘farmácia’ para desgosto de Fernando Pessoa. Nem por isso a casa caiu, não é verdade? Reluto em acreditar que a nova ortografia venha a provocar mudanças de pronúncia em qualquer lado do oceano. Tem dado algum trabalho explicar aos resistentes por aqui que a linguiça perde apenas o trema, não a pronúncia do U como vogal átona. Mas está dando certo. No fim das contas, torço pelo sucesso do acordo não porque o julgue perfeito (não catarei os cacos do gajo que você demoliu), mas por acreditar que possa realmente ser um fator de aproximação entre Brasil e Portugal. De fatores de distanciamento o Atlântico já está cheio. Um abraço.

  13. José Neves

    -

    30/01/2013 às 13:53

    É verdade que a cultura portuguesa é informada pelo sentimento de posse sobre a língua portuguesa. Mas é preciso acrescentar que esse sentimento é inteiramente justificado. Somos, os Portugueses, um Povo ancestral que fala a sua própria língua, e tem orgulho nas raízes culturais nela bem presentes – em especial a raiz latina. A resistëncia da maioria dos portugueses a uma ortografia que pretende fazer tábua rasa da etimologia – origem, verdade e história da língua – radica nessa subordinação a uma ortografia à moda brasileira que, como é próprio da cultura brasileira, ignora e até despreza a memória. A “fonetização” da escrita – um absurdo teórico e prático – só pode conduzir a um desastre cultural, que seria, isso sim, a destruição da unidade da língua. A actual evolução da língua falada e escrita no Brasil é um exemplo disto mesmo. Repare-se nas palavras inventadas pelos jornalistas brasileiros, como “mídia” (o étimo é latino: medium, plural media, mas os brasileiros escrevem-na como a ouvem dizer aos amerianos “mídia”), ou “blecauti”, vocábulo estranhíssimo, que não existe em língua nenhuma, e que resulta da importação de um vocábulo inglês escrito com a acentuada paragoge brasileira. É um erro querer adaptar o português escrito em Portugal à fonética brasileira, porque o Português escrito e falado em Portugal deve manter-se como paradigma do Português culto.

    José Neves
    Prezado José, quem quer “adaptar o português escrito em Portugal à fonética brasileira”? Em que tela, ou melhor (desculpe o latinismo), ecrã você terá lido isso? Não creio que os sábios da Academia das Ciências de Lisboa que por dez anos trabalharam na elaboração do Acordo concordassem com tamanha barbaridade. Ou será que na convivência com os colegas d’aquém-mar – que obviamente não sentem orgulho algum da língua que, como seus pais e seus avós, nasceram falando – contraíram o terrível vírus do desprezo às suas raízes culturais?

  14. André Santos

    -

    30/01/2013 às 3:44

    Fernando Rodrigues, lá por ter saído um artigo de uma opositora do AO a dizer que ele separa mais do que junta as grafias, isso não quer dizer que seja verdade. É óbvio que não é, as diferenças foram muito reduzidas. Como se passa a usar a mesma regra em todos os países a regra fonética nas sequências consonânticas (de escrever a primeira consoante só quando é lida) há umas poucas palavras em que a grafia não é a mesma, mas o contrário acontece em muitas, muitas mais. Não fazia sentido nenhum o Brasil escrever facto ou Portugal escrever fato!

  15. Fernando Rodrigues

    -

    29/01/2013 às 17:26

    Antes de mais, é notório que o autor (e que se permite comentar os comentários – sem direito a réplica) é pró-AO. Depois, o artigo comete erros tremendos (não senhor – as variantes do inglês não são excepções – serão até mais do que os “famosos” 5% com que nos tentaram tapar a infame cedência que foi este AO. Por fim, o dito não só não harmoniza, como ainda aumenta, criando grafias diferentes em palavras que antes se escreviam da mesma maneira. Isto tudo justificado pela fonética, regra, aliás, que também admite excepções no próprio texto do acordo (ora vale, ora não vale). Os “paridores” do AO esqueceram-se de que palavras como receção e exceção (que no Brasil continuam a ser grafadas com o P) se transformam, uma ves escritas, em verdadeiras aberrações, de origem incompreensível. Esqueceram-se ainda que nós, portugueses, falamos e lemos, uma grande maioria, outras línguas, maioritariamente o inglês, mas também espanhol, grancês, etc, e muitas palavras (as tais com consoantes impropriamente classificadas como “mudas”),que tinham equivalência grafológica com essas línguas, passam a ser completamente estranhas. Mas ficaremos “orgulhosamente sós” ostentando a nossa iliteracia e ingorância, ao lado dos brasileiros, a cujas autoridades os nossos governantes “fizeram o frete”.

  16. Eduardo Vieira dos Santos

    -

    29/01/2013 às 9:59

    Parece-me que faltou precisão ao dizer que o acordo “unifica” a língua, ou que contribui para Lisboa e Rio não “divergem em seu português”. Ele unifica a grafia, só isso. Portugueses e brasileiros escreverão “ideia”, mas a gente vai dizer “idéia” e eles algo parecido com “îdêa”.

  17. André Santos

    -

    29/01/2013 às 2:38

    “O decreto de Dilma tornou bastante concreta a possibilidade de que os setores público e privado do Brasil tenham investido uma fortuna para, em nome da unificação, implementar uma reforma ortográfica que jamais terá validade fora de nossas fronteiras.”
    Não acredite nisso: em Portugal, os que são contra o acordo disseram agora exatamente o mesmo (veja este, por exemplo: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2995417&seccao=Vasco%20Gra%E7a%20Moura&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&page=-1), que afinal Portugal seria o único país a aplicar o acordo e que no Brasil tinha sido adiado para as calendas gregas. Mas a verdade é que no ensino, nas instituições do Estado, praticamente em todas as editoras e nos principais meios de comunicação social de Portugal se aplica neste momento o acordo sem problemas (bom, com os problemas normais de um período de transição, muito menores que os outros erros que sempre existiram e existirão). Não acredito que haja retrocesso em nenhum dos dois países. Veja aqui: http://www.emportuguezgrande.blogspot.pt/2013/01/evolucao-da-aplicacao-do-ao90-nos.html.
    André, obrigado pelo sopro de otimismo e sensatez. Estava fazendo uma falta danada por aqui. Espero que você esteja certo. Abs.

  18. Sc

    -

    28/01/2013 às 23:00

    Ainda ninguém disse o óbvio: até 1911 o português de Portugal e do Brasil era o mesmo (quem duvidar comare uma 1ª edição de Assis e de Eça. Em 1907, por influência de um moda linguística francesa, o brasileiro Medeiros e Albuquerque resolveu propor uma reforma fonética (que os Franceses, claro, nunca fizeram – a Língua Francesa não serve para tolices -, tal como o Inglês, que mantém a mesma grafia há 300 anos ). E em 1911 os republicanos portugueses, um pouco por reacção a essa espantosa proposta Albuquerque, fizeram a “reforma” de 1911.
    As mudanças existentes na ortografia não se devem, por isso, a qualquer “evolução” mas a atraso, provincianismo , politiquices e nacionalismo http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67
    Seria importante que os países que escrevem português, mas principalmente o Brasil se preocupasse em diminuir a taxa de analfabetismo, muito superior à de alguns países de África de menores recursos.
    Sc, é isso e um pouco mais. O desacordo do português, que contrasta com a relativa unidade do inglês e do espanhol (negada apenas por quem demonstra ter conhecimentos parcos ou má-fé), foi construído a canetadas por gerações de reformeiros tacanhos e ultranacionalistas. Gente de cabeça semelhante às de alguns comentaristas brasileiros e portugueses que aqui apareceram para criticar com violência a simples ideia de um acordo. Quanto às tristes taxas brasileiras de analfabetismo, talvez você queira explicar a relação que vê entre elas e a discussão sobre a reforma ortográfica – além da tentativa de desqualificar o interlocutor, que não creio ter estado em suas intenções, confesso não ver relação alguma.

  19. Marcelo

    -

    28/01/2013 às 20:48

    Penso que esse acordo ortográfico ridículo. A língua se transforma com o tempo e muda. Teremos que fazer acordos ortográficos indefinidamente. A academia brasileira de letras devera fazer algo mais útil. Foi um prejuízo.

  20. Hardy Guedes

    -

    28/01/2013 às 11:30

    O Acordo Ortográfico foi precipitado e deixou realmente muitas lacunas e incoerências. Dentre as incoerências, temos a supressão do hífen que, a longo prazo, irá mudar a pronúncia das palavras para as gerações futuras e usou dois pesos e duas medidas: as palavras estrangeiras (de origem europeia) tiveram o hífen mantido. Mas na língua tupi, que não é português, ele foi retirado. Além de tomarmos as terras dos índios, roubamos também a sua língua.

  21. Mônica

    -

    28/01/2013 às 0:38

    Se o acordo de fato unificasse o idioma, ainda seria justificável, mas no ano passado uma amiga tradutora teve de justificar a uma cliente canadense porque a empresa dela deveria gastar mais dinheiro para adaptar a tradução inglês-português para o português de Angola e Moçambique. A empresa canadense não compreendia como um idioma que tinha passado por um acordo justamente para unificar a língua, ainda mantinha diferenças de um país para o outro, e não apenas no aspecto ortográfico, mas no sentido das palavras, que divergem muito de um lugar para outro. Diante de toda essa confusão, apesar de adaptar-me às novas regras, continuo sendo contra as alterações. E tirar o acento da forma verbal “para”, para mim, foi o fim da picada!

  22. Isabel Andréa

    -

    28/01/2013 às 0:36

    E agora, como ficam os concursos públicos e exames nacionais? Quem foi “vítima” desse “desacordo”, recorre a quem?
    Retroceder a esta altura é ignorar as incontáveis consequências dessa decisão.

  23. Ebaggio

    -

    28/01/2013 às 0:11

    Achei esse acordo ortográfico uma idiotice. Desnecessário e presunçoso. Leia um texto escrito por um português e verá como eles terão que correr atrás do português falado aqui para se adaptar.

  24. Sherlock

    -

    27/01/2013 às 23:57

    Sérgio,
    Apelando um pouco ao sentimentalismo, você já disse tudo o que me ia n’alma.. rs
    Não gostava do decreto da unificação, mas vá lá… gostei menos ainda da marcha à ré. Fiquei sem entender nada.
    Grande abraço!

  25. Bic Laranja

    -

    27/01/2013 às 21:26

    O autor passa o tempo a repetir o argumento aos outros leitores que «variantes» como theatre/theater são excepções e também estão previstas no acordo da língua portuguesa. Pois explique-me: para quê o um acordo de unificação ortográfica que propõe excepções quando não consegue unificar a grafia; excepção por excepção era o justamente a grafia dos brasileiros em relação ao português que podia (co)existir placidamente, ou não?
    Se a Academia Brasileira e o Itamarati procuram com tanfo afinco uma grafia unificada do português porque renegam o Acordo que assinaram livremente em 1945?… Ah!

  26. Portugues

    -

    27/01/2013 às 20:11

    Custa-me a acreditar que este acordo não venha devirtuar a forma como o Portugues é utilizado nos diferentes Países de lingua oficial Portuguesa espalhados pelo mundo.
    É que se forem respeitadas as mais diversas formas de utilizar o Português em Portugal,Brasil,África;Macau e Timor Leste,então não vejo porque é que não se chega a um entendimento.
    É que tudo isto tem que ser respeitado,porque se não for,então vai-se estar a mexer para desvirtuar,estragar aquilo que são formas de estar de Povos nas mais diferentes partes do mundo.
    Todas as partes teem que ser acauteladas,no entanto a dificuldade é em como fazê-lo.
    Eu sinceramente não vejo como.
    Saudações para o senhor que me respondeu.

  27. Portugues

    -

    27/01/2013 às 18:23

    Sou Portugues até á medula e adoro a lingua Portuguesa que na minha opinão é uma lingua forte e se assim não fosse não seria falada por todo o mundo.
    O portugues é escrito e falado em Portugal de uma certa forma há nove séculos e este acordo ortográfico iria distorcer a nossa forma de utilizar o portugues e eu assim como a grande maioria dos Portugueses nunca jamais admitiriamos a hipotese de usar a lingua portuguesa como o fazem os Brasileiros.
    A lingua Portuguesa é de Portugal há 900 anos e ninguém no meu pais vai agora falar e escrever como os Brasileiros.
    Caro Portugues, não é isso que o acordo propõe. De todo modo, os brasileiros, assim como os portugueses, nunca abriram mão dos acentos em palavras como “português”,”hipótese” e “língua”. Abs.

  28. Gilson-Jitsu

    -

    27/01/2013 às 18:12

    ” Brasil, um País de TOLOS”

  29. André Felix

    -

    27/01/2013 às 15:35

    A língua é viva e modifica-se, evolui com o tempo. Foi isso que me ensinaram na escola pública e acredito que esse e outros acordos que vierem só contribuem para que os falantes da língua tenham uma base única para escreve-lás, com suas decidas exceções.

  30. manoel s. xavier

    -

    27/01/2013 às 12:12

    Isso dá oportunidade do PT “afanar uns trocos”?, não.
    Então não interessa para os petralhas.

  31. Luiz Carlos

    -

    27/01/2013 às 11:51

    Prezado Doutor Sérgio Rodrigues,

    Respeitosamente, permito-me discordar de sua afirmação: “Se um aborígine australiano do último cafundó de Queensland escreve inglês com a mesma grafia de um nova-iorquino, qual é o sentido de nativos de Rio e Lisboa, cidades irmãs, divergirem em seu português?”

    Restrições a direitos autorais não me permitem citar textualmente diferenças e variedades do inglês escrito em diferentes regiões do planeta. Ao acaso, alguns exemplos corriqueiros de experiências pessoais:

    colour e color, idealise e idealize, sceptic e skeptic.

    Lembro:

    I) “Collins COBUILD ADVANCED DICTIONARY, Heinle Cengage Learning”

    II) “A GRAMMAR OF CONTEMPORARY ENGLISH, LONGMAN”, 1120 páginas, de RANDOLPH QUIRK, SIDNEY GREENBAUM, GEOFFREY LEECH e JAN SVARTVIK, Quatro eméritos professores. Sugiro consultar tópicos 1.8 e 1.15, páginas 7 e 13, respectivamente.

    Para não falar do óbvio Portugal, refiro-me a Moçambique onde tive a oportunidade de observar não só pronúncia, como também grafia e estilo divergirem do nosso falar. Penso que nenhum decreto derroga a face “multicolorida” da expressão verbal, na verdade, dinâmico fenômeno sociológico por natureza.

    Caro Luiz Carlos, em primeiro lugar, pode dispensar o “doutor”. Em segundo, leve em conta que variantes ortográficas como essas presentes no inglês também estão previstas no acordo da língua portuguesa. Abs.

  32. SANDRA LIMA

    -

    27/01/2013 às 10:22

    NUNCA GOSTEI DESSA MUDANÇA!!
    BRASIL E BRASIL E PORTUGAL E PORTUGAL.
    QUANDO OUÇO PORTUGUES (de Portugal) FALANDO , PRECISO DE DUBLAGEM , POIS , A MIM E TOTALMENTE INCOMPRENSIVEL.
    ESTUDEI NA MELHOR FORMA DE NOSSA GRAMATICA , ACHO DIFICIL MUDAR O QUE APRENDI, COMO LI QUE TUDO E POLITICA. NAO PRECISAMOS!!

  33. Paulus

    -

    27/01/2013 às 10:04

    Ai, ai… Por que tudo é tão confuso, burocrático, embaralhado por aqui? Parece um axioma aqui nas paragens tupiniquins: para que simplificar, facilitar se pode complicar.

  34. @MauroVS

    -

    27/01/2013 às 9:50

    A Academia Brasileira de Letra(s) (ABL) manda a etimologia para o ralo nesse Acordo Ortográfico (apedeuta) da Língua Portuguesa.
    Nos anos 80, não era o Ribamar que queria eliminar o “K”, “W” e “Y”?
    Não me conformo igualar “óptica” (grego optkós ou optiké) relativo a visão com “ótica” relativo a audição (grego otikós ou ótos). Será que vão completar a ignorância com um acento gráfico, ou não?
    Pelo visto, se ficar por conta da ABL vai valer celebro e cérebro para a mesma coisa.

  35. José Pereira

    -

    27/01/2013 às 9:40

    Termina mal o que começou mal!
    Como ex-professor de Língua Portuguesa e editor de blog, sempre detestei essa tentativa de unificação ortográfica, que trouxe muitos desarranjos complicadores do entendimento e gastos inúteis com a substituição de material. Repito: Bem feito!

  36. Marília

    -

    27/01/2013 às 7:53

    Ainda tenho dúvidas: 1ª) O argumento da unificação é poderoso mesmo e inquestionável? 2ª) Com esse adiamento, o que vigora atualmente? 3ª) Essa nova ortografia pode sofrer revisão?

    Desculpem aí, minha ignorância!

  37. roberto sobral

    -

    27/01/2013 às 6:19

    Existe uma ação popular em curso na Justiça Federal em que, minuciosamente, o autor, Professor Ernani Pimentel, demonstra de modo articulado, solidamente fundamentado, irretorquível, que a própria Academia Brasileira de Letras desrespeitou o Acordo criando regras absurdas sem a ninguém consultar. Do ponto de vista político O Acordo é uma aberração antidemocrática e, como tal, ignorado na maior parte dos países signatários,

  38. Jose Renato Pinto

    -

    27/01/2013 às 4:54

    É lamentável. Também, que se diz PRESIDENTA dos brasileiros, não está nem aí para este assunto.Talvez uma visita à Cuba seja mais importante. Perdi um enorme tempo na vida estudando e escrevendo de acordo com as novas regras. Fiz trabalhos, provas na faculdade e agora vem a ” PRESIDENTA” e muda tudo ao seu bel prazer, sem consultar a quem de direito. Me parece coisa de uma ditadura. Uma péssima ideia ou idéia? Já não sei mais como escrever nossa língua. Mais um ponto contra. Quer agradar a quem? Vamos colocando na balança das eleições.

  39. Marco

    -

    27/01/2013 às 2:26

    mera ilusão do autor do texto achar que o inglês é escrito da mesma forma no mundo todo. Faltou um mínimo de conhecimento, afinal alguns lugares têm as suas “colours”, enquanto que outros têm as suas “colors”, só para dar um único exemplo…
    Como já expliquei a outro leitor neste espaço, variantes como theatre/theater são exceções e também estão previstas no acordo da língua portuguesa.

  40. Henrique Rohden

    -

    27/01/2013 às 0:24

    Sérgio, sobre a expressão “possibilidade concreta” no último parágrafo, é correto o seu uso? Uma possibilidade pode ser “mais ou menos concreta”? Até onde eu sei, me corrija se estiver errado, a noção de concretude pressupõe algo real, que aconteceu no mundo, e não meramente uma possibilidade, por mais plausível que seja. Certo ou não?
    Henrique: possibilidade concreta = possibilidade palpável, ponderável, visível a olho nu, em oposição a algo meramente teórico, especulativo. Abs.

  41. Mildon

    -

    26/01/2013 às 23:47

    As diferenças gramaticais entre o Brasil e Portugal são enormes e essa reforma seria apenas uma pequena mudança. Por isso é melhor deixar as coisas do jeito que estão. Portugal e Brasil são duas culturas diferentes…

  42. Heitor

    -

    26/01/2013 às 22:11

    Ela quer “Presidenta” no acordo ortográfico, apesar de que em Portugal presidenta é um termo para designar idiotas.

  43. Eldes Ferreira

    -

    26/01/2013 às 22:09

    Um retrocesso lamentável e injustificado, uma vez que não havia mais resistências no Brasil e a nova ortografia – discutível em muitos pontos – vem sendo bem incorporada ao cotidiano dos brasileiros. Ideologias e populismos à parte, é fundamental que língua portuguesa tenha uma unidade como à espanhola e à inglês têm. Isto nem de longe representa um risco à soberania ou à diversidade cultural dos países que as adotam.

  44. sandra

    -

    26/01/2013 às 22:08

    Espero que esta reforma não aconteça, este acordo foi de interesse da Acadêmia Brasileira de Letras onde os gramáticos ganharão mais dinheiro com a venda de seus livros. Gostaria que os imortais, fossem alfabetizar as crianças onde se lê ideia, sem acento? Linguiça sem o trema??? É um absurdo, o que fizeram com este acordo…Acorda Brasil!!!!!

  45. Samuel Santiago Santos

    -

    26/01/2013 às 21:27

    Mais um “avanço” nos procedimento básicos brasileiros.
    Como diria um “louco”: “Conhecimento liberta” by Enéas

  46. Leandro Almeida

    -

    26/01/2013 às 21:21

    O Português jamais será um idioma único. O Brasil esculacha a língua com excesso de estrangeirismos forçados, com ajuda valiosa da imprensa; sem falar na proliferação do vocabulário cada vez mais restrito, permeado de gírias glorificadas pela programação televisiva.

    Estamos perdendo conhecimento da língua. No futuro, o Brasil será conhecido pelo povo que não fala, mas “emite grunhidos comunicativos”

  47. Jotabe

    -

    26/01/2013 às 20:53

    Acordo “idiotográfico”. Um conjunto de cretinices que nunca conseguirá unir os falares lusófonos.

  48. José Roberto de Toledo

    -

    26/01/2013 às 20:47

    Tomara que enterrem essa reforma definitivamente.
    Era apenas uma adaptação da ortografia aos analfabetos, uando deveria ser feito o contrário.
    Já que o Lula não sabe escrever certo, tentaram adaptar a gramática aos seus conhecimentos. kkkkkk

  49. Macedo

    -

    26/01/2013 às 20:44

    “Tentando me conformar”…
    Uma dúvida: essa colocação pronominal está correta?

  50. A. Emerson Pereira

    -

    26/01/2013 às 20:26

    O acordo ortográfico foi para facilitar a alfabetização das favelas brasileiras e os que falam português na Europa foram na conversa… O acordo que vá à merda!

  51. José Manuel Formiga

    -

    26/01/2013 às 20:07

    Sou Português a trabalhar no Rio de Janeiro há 8 meses e sou claramente a favor do acordo ortográfico.
    Não consigo entender o adiamento, por parte do Brasil nesta altura do processo, nem maior parte dos portugueses que estão a favor do mesmo. Foi um grande argumento que o Brasil deu aos opositores do acordo em Portugal.
    Acho, no entanto que não tem volta. A maior parte das pessoas, cá e lá, já estão escrevendo e lendo segundo a maior parte das novas regras.

  52. Pensadora

    -

    26/01/2013 às 20:06

    Agora teremos nossa jabuticaba gramatical…

  53. Almir Ferreira

    -

    26/01/2013 às 20:06

    Esse texto vem bem ao encontro da postagem que eu escrevi em meu próprio blog, intitulada “Adiado para 2016 o Novo Acordo Ortográfico”, onde lamento esse passo atrás do governo brasileiro, com receio dos ressentimentos portugueses. Acho que realmente o Acordo está a perigo, e será um grande fiasco depois de tanto trabalho.

  54. Antônio Dantas

    -

    26/01/2013 às 19:44

    Essa baboseira de Acordo Ortográfico, é o tipo de “revolução” feita pelo PT, e não venham com essa que é para o Brasi ser um lidar no mundo, convenhamos, isso nãol vai levar à coisa nenhum. Estamo num momento de retrocesso nas escolas, principalmente as públicas, onde um bando de crianças batendo lata, os “pedagogos” da vez, vêem como o “futuro promissor” para nossa Nação. Liderança se faz com lideres nas escolas(não de samba), os melhores alunos devem ser elevados a um patamar que o estado lhe dé condições de alcançar méritos pelo saber, e não, abrir cotas absurdas em Universidades, como forma premiar os medíocres. Devemos também abrirmos cotas no futebol, temos que ter na seleção brasileira, 30% de jogadores pernas de pau, não é assim que discursam as “cabeças pensantes” neste país!?

  55. Costa

    -

    26/01/2013 às 19:41

    Na verdade, nós já temos um idioma próprio, diferente daquilo que os portugueses falam, que é mais difícil de entender que o espanhol. Já passou da hora de mandar Portugal plantar batatas e assumir o nosso idioma brasileiro.

  56. Luis Canau

    -

    26/01/2013 às 19:31

    Em que medida é que o acordo contribui para a “interação linguística com os outros povos lusófonos” se a escrita vai continuar a ser muito diferente? Eu não preciso de alterações ortográficas para ler Jorge Amado ou os cartoons do Angeli. Para que serve dizer aos portugueses que escrevam algumas palavras como os brasileiros (como ato ou projeto) se ao mesmo tempo se tornam DIFERENTES palavras que até ao acordo eram iguais em Portugal e no Brasil, como concessão/concepção ou recessão/recepção? Isto com base na tolice da “fonética”. A verdade é que as alterações são muito mais radicais e sem sentido em Portugal. Porque aos brasileiros não se pede que mudem a própria fonética das palavras. O português não lê objetivo, ator, projeto, etc., da mesma forma que o brasileiro, pois não abre as vogais. Daí a necessidade de manter o cê nessas palavras, pois funcionam como acentos. Só muita ignorância pode justificar estas alterações com base no princípio de escrever como se diz, porque a “nova” escrita de muitas palavras não corresponde à sua fonética. E vão permancecer diferenças como registo/registro, maquilhagem/maquiagem, desporto/esporte, República Checa/Tcheca, etc., etc. No Brasil até chamam limão ao que nós chamamos lima. Portanto, meu caro Jeferson, lamento informá-lo que se não sentiu a interacção com os outros povos lusófonos até agora, é duvidoso que a venha a sentir. E o conceito de enriquecimento cultural não se adequa melhor à diferença do que a uma pretensa igualdade ou harmonização?

  57. ari nobre

    -

    26/01/2013 às 18:21

    Isabel,
    Seu comentário encontra ecos aqui também. Estranham-se bastante os os termos deste (des)acordo. Houve quem apontasse motivação econômica do parque industrial gráfico brasileiro, de olho no emergente mercado africano, que, sem essa colcha de retalhos a que chamam de Novo Acordo Ortográfico, não poderia participar de licitações nos países daquele continente.
    Assim, tem-se atualmente um monstro no ventre: quem passará para a história como criador do Frankenstein lusófono? Parece que a President”a” não quer.
    Não obstante, as editoras brasileiras já lucraram bilhões – sim, bilhões – com a reedição de novos/velhos livros. E os consumidores – consumidores ou vítimas? – seguem sem saber que grafia utilizar. Se não souberem grafar corretamente as palavras, correm um sério risco: de se tornarem, um dia, presidentes da república.

  58. Helenilson Pereira da silva

    -

    26/01/2013 às 17:43

    Quem quiser conhecer meu blog

    http://professorhelenilson.blogspot.com

  59. Helenilson Pereira da silva

    -

    26/01/2013 às 17:40

    Fiz a Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua Espanhola pela Fundação Universidade do Tocantins (2007-2010). Fiz Especialização em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Estrangeira pelo Centro Universitário Internacional UNINTER (2011-2012). O meu Trabalho de Conclusão de Curso foi “SOFRENDO COM A NOVA ORTOGRAFIA. Fiz uma análise do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa sob os aspectos linguísticos e jurídicos.
    Há muita coisa que deveriam ter feito, mas a vontade política prevaleceu. Se quisessem levar para à Organização das Nações Unidas (ONU), mostrariam algo muito cheio de contradições. Recentemente, o linguista português Rui Miguel Duarte mostrou os problemas criados quando foram lançados o Vocabulário Ortográfico da Língua Portugues, da ABL (2009); Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Porto Editora (2009); o Vocabulário Ortográfico Português, do ILTEC (2010); o Vocabulário Ortográfico atualizado da Língua Portuguesa, da ACL (2012), e, também: Dicionário da Língua Portuguesa – com o Acordo Ortográfico, da Porto Editora; Dicionário da Língua Portuguesa Online da Priberan; e o Conversor Ortográfico do ILTEC.
    No estudo ele mostra a oscilação ortográfica.

  60. LIMA

    -

    26/01/2013 às 17:37

    NUNCA COMPREI NADA ESCRITO NO PORTUGUES DE ANGOLA OU DE QUALQUER OUTRO PAIS DE LINGUA PORTUGUESA. BEM PERTO DOS 80, NÃO SENTI FALTA NENHUMA E NINGUEM SENTE. O RESTO É CONVERSA PARA BOI DORMIR.

  61. Joe Silva

    -

    26/01/2013 às 17:23

    Eu NUNCA comprei um livro de Portugal em minha vida, com exceção daqueles obrigatórios na escola. De Angola, então ? Por favor.
    Esse acordo foi pura demagogia marxista de “ajuda aos subdesenvolvidos”. Destroçaram a língua, criaram custos para todos. Irresponsáveis, medíocres.
    O Brasil deveria dar uma banana para Portugal e ter uma gramática e ortografia de acordo com nossa cultura. Os lusitanos que corressem atrás, se quisessem.

  62. Helenilson Pereira da silva

    -

    26/01/2013 às 17:19

    Rafael,

    Em 2009, saiu Nueva Gramática de la Lengua Española, elaborada pelas 22 academias. Em 2010, saiu a nova Ortografia de la lengua española, também elabora pelas 22 academias. Quanto ao Acordo Ortográfico, assinado em 16 de dezembro de 1990, pelos sete países (Timor-Leste apareceu depois), só a Academia Brasileira de Letras e a academia das Ciências de Lisboa decidem mas divergem.
    A reforma ortográfica da língua espanhola deveria ser exemplo para os lusos-falantes, e nunca ser usada para apoiar esse (Des)Acordo Ortográfico, como faz Evanildo Bechara.

  63. Maria

    -

    26/01/2013 às 17:15

    Como professora de língua portuguesa, dei aulas e aulas e aulas sobre a nova ortografia. Agora vou desacelerar esse assunto, mas vou ter que continuar ensinando dos dois jeitos. Os alunos, que já têm dificuldade geral, vão ficar mais embaraçados ainda. Por mim, ou bem se exige agora ou bem se cancela. E pensar que eu quase comprei, sem poder, o Vocabulário Ortográfico Oficial da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Fiquei mesmo com os dois exemplares que o MEC enviou a minha escola. Quem pode me dar uma sugestão sobre como farei nas próximas aulas sobre o assunto? Obrigada.

  64. Rafael

    -

    26/01/2013 às 16:56

    Sérgio,
    Corrija-me se estiver errado: e o inglês e o espanhol, línguas de ampla divulgação e faladas em vários países, têm menor diversidade ortográfica que o português e, paradoxalmente, não têm grafia oficial.
    Se não me engano, parte significativa da diversidade ortográfica da língua portuguesa foi criada por essa mania nossa de fazer grafias oficiais. As várias reformas ocorridas no século XX dilataram o abismo que havia entre o português brasileiro e o de Portugal.
    O que falta à língua portuguesa é repouso: sem ele, nenhum elemento se sedimenta.
    Quanto à idéia de tornar o português língua oficial da ONU, vamos convir: seu efeito prático seria nulo. O alemão, o italiano e o japonês não fazem parte desse conjunto e isso não parece ser um grande pesadelo para seus falantes.
    Ademais, nunca acreditei na lorota de que a unificação aumentaria a divulgação de livros escritos em português. A disparidade ortográfica nunca foi obstáculo à compra de livros escritos em outros países lusófonos, mas sim o preço (que é alto) e o desinteresse (quem aqui acompanha os lançamentos literários de Guiné-Bissau?).
    Eu, sinceramente, nem ligo muito para as alterações da língua oficial (não preciso segui-la mesmo). Mas o custo dela, gerado pela reedição de todos os livros didáticos e de todos os dicionários, pela reciclagem dos professores e pela confusão gerada na cabeça dos pobres alunos, parece-me um preço demasiadamente elevado para resultados tão minguados.
    Vale

  65. Reinaldo Kasprik

    -

    26/01/2013 às 16:13

    Um aborigene Australiano do ultimo cafundo de Queensland nao escreve com a mesma grafia de um nova iorquino. Centre, center, authorization, authorisation….
    Reinaldo, variantes como essas são exceções e também estão previstas no acordo ortográfico da língua portuguesa.

  66. Helenilson Pereira da silva

    -

    26/01/2013 às 14:17

    Em todas as audiências públicas realizadas na Comissão de Educação e Esporte do Senado Federal para debater sobre o Acordo Ortográfico, a Academia Brasileira de Letras não se fez presente, embora tivesse sido convidada e, José Sarney, presidente do Senado e da Câmara Federal nem acompanhou os trabalhos. Ficou claro que não houve seriedade nem respeito ao povo brasileiro sobre o assunto da nova ortografia por parte da ABL. E o que é pior: não chamaram os especialistas em língua portuguesa e em direito constitucional e direito internacional para ajudar a revisar o texto oficial.

    José Sarney não acompanhou nada, por isso nem deveria mais opinar.
    Helenilson, sobre as tais audiências, permita-me remetê-lo ao artigo do linguista Carlos Alberto Faraco:
    http://www.parabolaeditorial.com.br/website/index.php?option=com_content&view=article&id=228:carlos-alberto-faraco-e-adiamento-do-acordo-ortografico&catid=63:blog&Itemid=131.
    Abs.

  67. Bic Laranja

    -

    26/01/2013 às 14:11

    Tomai, chorosos do desconchavo cacográfico. A unificação é propaganda que não resiste a aritmética simples:

    « Assim, procurei eu a resposta, consultando o «Vocabulário de Mudança» disponibilizado no Portal da Língua Portuguesa (http://www.portaldalinguaportuguesa.org/).
    E, considerando a informação aí veiculada, a resposta é a seguinte (contagem feita manualmente): antes do Acordo – e exceptuando as palavras com alteração do hífen, as palavras graves acentuadas no Brasil e não em Portugal (como ‘idéia’ – ‘ideia’) e as palavras com trema (pelo seu número residual e por tais situações afectarem sobretudo a ortografia brasileira) –, havia 2691 palavras que se escreviam de forma diferente e que se mantêm diferentes (por exemplo, ‘facto’ – ‘fato’), havia 569 palavras diferentes que se tornam iguais (por exemplo, ‘abstracto’ e ‘abstrato’ resultam em ‘abstrato’), e havia 1235 palavras iguais que se tornam diferentes.
    Está a ler bem: com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!!! »
    Maria Regina Rocha, in «Público», 19/Jan./2013, apud http://ilcao.cedilha.net/?p=9253 .

    Cumpts.

  68. ISABEL CLAUDIO DIAZ GONCALVES

    -

    26/01/2013 às 13:51

    “A cultura portuguesa é informada por um sentimento de posse sobre a língua, o que alimenta mágoas diante da liderança brasileira no processo”. Quem usa deste tipo de argumentos, de forma e vazios, fà-lo porque nâo dispôe de argumentos de fundo, relativos à questâo em si como sendo, apenas para citar alguns, a mà qualidade de um acordo que nâo atinge a pretendida uniformidade, unificaçâo da lingua com base em critérios fonéticos, jà que dada a diversidade de sotaques nâo pode haver uma so grafia, sob pena de obrigar uns a falar como os outros; a desadequaçâo de muitas propostas do acordo em relaçâo à grafia usada em Portugal, no caso, por exemplo das consoantes mudas que em muitas palavras têm uma funçâo sim que é a de abrir a vogal subsequente, como em acçâo, coacçâo, activo, correcto, etc etc…; o problema da confusâo causada pelas grafias facultativas quando a consoante oscile entre a prolaçâo e o emudecimento na pronuncia culta; a invençâo de palavras uem nâo existem nenhures, com arimética (aritmética) , corruto (corrupto), diçâo (dicçâo)…; o caràcter profundamente anti-democràtico de um acordo que vai alterar profundamente a grafia portuguesa da lingua, posteriormente mesmo a pronuncia de determinadas palavras, lingua essa que é um bem nacional, que é de todos que é do povo e que expressa a sua identidade nacional. E tudo em nome de interesses mal explicados, contra o parecer de linguistas de prestigio, de intelectuais da cultura portuguesa, ignorando petiçôes dos cidadâos, movimentos, uma iniciativa legislativa em curso de recolha das assinaturas necessarias, mas que jà conta com muitos seguidores. E isto é so uma parte da historia. Portanto o argumento referido revela mà-fé ou ignorância, sendo que nehuma das duas abona em favor dos seus autores.
    Porque é que em vez de quererem ter uma lingua que é lingua de trabalho na ONU e simplificar a lingua no Brasil, o que é legitimo que façam no seu territorio soberano, nâo trabalham antes para elevar a literacia do povo através de um ensino de melhor qualidade, em vez de acolherem a tese de que se se fala assim, nâo é erro…?
    Esperando por uma revogaçâo do dito cujo,
    cumprimentos,

    Isabel Diaz Gonçalves
    Sem revogação, Isabel. Acredito que seu comentário seja um bom exemplo de “como queríamos demonstrar”. Mas com cumprimentos.

  69. Jeferson Cardoso

    -

    26/01/2013 às 12:48

    Eu lamentei a protelação. Também acredito no “acordo” como um fator de fortalecimento do idioma diante do mundo corporativo. E, principalmente, torço para que o mercado literário cresça para nossos bons escritores e toda indústria editorial brasileira. Não obstante, a maior interação linguística com os outros povos lusófonos também nos trará enriquecimento cultural através de seus bons autores. Enfim, lamentei.

  70. Carlos Aranha

    -

    26/01/2013 às 11:46

    “Todo mundo” não segue a nova ortografia. Sou escritor e jornalista, no “Correio da Paraíba”. Tenho coluna diária em que uso a ortografia anterior, pois a “nova” é lastimável. Meu livro de poemas, “Nós – An insight”, publicado do acordo, também não o segue. A presidente Dilma Rousseff errou. Ela não devia ter adiado a validade do acordo, mas, sim, decretado seu cancelamento.

 

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