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18/09/2010

às 8:01 \ Palavra da semana

Da arquitetura à política, o lobby perdeu a inocência

Lobby, aquilo que em última análise derrubou Erenice Guerra da Casa Civil, sempre foi uma palavra cercada de sentidos escusos. Ou melhor, nem sempre: quando se limitava ao campo semântico da arquitetura e queria dizer apenas vestíbulo amplo, salão situado na entrada de um prédio público, o termo inglês lobby era moralmente neutro, além de vetusto – um filho do latim medieval laubia ou lobia, “área coberta diante de um monastério”. Só mais tarde ele ganharia a acepção que o Houaiss registra como “atividade de pressão de um grupo organizado (de interesse, de propaganda etc.) sobre políticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer influência ao seu alcance, mas sem buscar o controle formal do governo”.

Os dois sentidos de lobby são menos desconectados do que parece. O primeiro deu origem ao segundo por metonímia: já em 1808, era registrada pela primeira vez por um dicionário americano a acepção de atividade exercida por aqueles cidadãos que se aglomeravam no lobby das casas legislativas à espera dos políticos que saíam do plenário, em busca de um corpo a corpo que fizesse avançar na esfera pública a causa de interesses privados. A palavra desembarcou no Brasil em algum momento do século 20 (o Houaiss não sabe precisar qual), mas isso não significa que não existisse antes como prática sem nome.

De lá para cá o lobby cresceu, profissionalizou-se, virou uma indústria. Não à toa, uma das primeiras medidas de Barack Obama ao ser empossado, em janeiro do ano passado, foi impor restrições à forte cultura lobística americana, numa tentativa de criar maior transparência na administração pública. Vale lembrar que lobby não é sinônimo de atividade escusa. No entanto, como uma zona de fronteira não institucionalizada entre a esfera pública e a esfera privada, suas áreas de sombra são terreno fértil para o crescimento de pragas como tráfico de influência, compra e venda de favores, propinas – numa palavra, corrupção.

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9 Comentários

  1. F.do JPA

    -

    03/10/2010 às 19:22

    E voltando ao assunto de linguagem, será que em menos de cem anos teremos em português não apenas lobista (sem nada a ver com lobos, por mais que alguns deles ajam como tal), mas também *lobe, *lobear e *lobeagem?

  2. sergiorodrigues

    -

    29/09/2010 às 17:59

    Caro André: compreendo que, como lobista, você tenha todo o interesse em fazer o lobby do lobby, mas em momento algum eu disse que lobby é crime. Pelo contrário, é textual: “Vale lembrar que lobby não é sinônimo de atividade escusa”. Sua observação de que o lobby também pode ser feito entre esferas do poder público é interessante e eu a aceito como ampliação conceitual, não como correção da minha observação de que na “zona de fronteira não institucionalizada entre a esfera pública e a esfera privada” (é aí que mora o perigo) o terreno é fértil para falcatruas. Pois é mesmo. Cabe aos lobistas sérios trabalhar para defender o bom nome da atividade. Um abraço.

  3. André Guedes

    -

    29/09/2010 às 16:30

    Meu caro Sérgio,

    No jogo de significados você esqueceu os conceitos. Teu título afirma que o Lobby perdeu a inocência e no final do texto é colocado que ele é um terreno fértil para os desvaneios desconsiderados Lobby, conceitualmente. Tráfico de influência é crime e está no Código Penal. Lobby não é crime. O ato de defender interesses diante do Poder Público não é regulamentado apenas. Não pode-se dizer que o tráfico de influência acontece porque o Lobby abrir as portas.

    Ouro ponto que considero em desarmonia com os conceitos é quando você trata da fronteira do lobby entre o público e o privado. “Ato de defender interesses diante do Poder Público”, este é o conceito de Lobby. Exeutivo defende seus interesses no Legislativo e vice-versa. Desta forma, a zona de fronteira público com público também é existente.

    É tratado ainda da profissionalização do Lobby. Outro equívoco. Nosso Lobby ainda é amador e é necessário que se profissionalize isto. Agora, o que é profissional no Brasil é o tráfico de influência. Este profissionalismo sim tem que ser excluído. sds.

    André Guedes ( Jornalista, Especialista em Ciência Política e lobista. Leia-se lobista e não traficante de influência).

  4. Fernando Portilho

    -

    21/09/2010 às 14:47

    Curioso o fato de que o Houaiss carregue na negativiadde da expressão. Lobyy “pressão” é o que se mais conhece. Agora, existe o lobby informativo, praticado por grupos com interesses legítimos, sem pressão, favores e carga negativa. Há agências de comunicação que eleboram informativos que são entregues sem compromisso a políticos, para convencê-los a apoiar idéias e propostas (geralmente de entidades representativas, não de empresas diretamente).
    Talvez o Houaiss, tamanha a carga da palavra não considere essa segunda hipótes, ou talvez seus elaboradores não conheçam o lado positivo da prática.
    Nos EUA, doa-se dinheiro para campanhas em meio a festas, pratica-se o “bom” lobby abertamente. Aqui, não, é tudo feito de maneira tão silenciosa, que qualquer envolvimento com políticos mais parece um pecado mortal.
    Em tempo: segundo as denúncias contra a Erenice, fica patente o tráfico de influência, crime grave.

  5. matheus

    -

    18/09/2010 às 18:02

    O ex-petista Ivo Patarra narrou corretamente a máfia dos corruPTos no sei livro “O chefe”, leia gratuitamente no link http://www.escandalodomensalao.com.br

  6. luis carlos jacyzin

    -

    18/09/2010 às 17:34

    Minha dúvida e preocupação é o que pode ocorrer com a imprensa depois das eleições, já que ouvi por diversas vezes que querem estabelecerem limites.
    Mas, meus cumprimentos pela coragem e ousadia que fazem a diferença

  7. L

    -

    18/09/2010 às 16:43

    A P.I.G está desesperada huauhauhahuahuauhahu

  8. Marcos

    -

    18/09/2010 às 16:25

    O Brasil está correndo um grande risco na sua democracia. O povo vai pagar caro pela sua indulgência e pela sua falta de caráter que se vê nós dias de hoje. Uma posição política fraca nos poderes levará a ditadura esquerdista. O antro da corrupção acabará com o país!A mentira, hoje, é a verdade do amanhã. Estou muito triste em ver as forças do animalismo triufar na natureza humana.

  9. martha

    -

    18/09/2010 às 15:45

    Isso não é novidade .. Tudo no Brasil é trafico de influencias. Até nas consultorias de rh .Ficam com as vagas .Os conhecidos dos proprietarios das consultorias de rh .Uma pouca vergonha e uma sujeira muito grande .O PT entrou dissendo que era um partido serio .Que no partido existiam pessoas honestas e serias . kkkkkk .Sou uma ex Pt decepcionada até com seu lula .


 

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