Blogs e Colunistas

08/05/2012

às 10:47 \ Curiosidades etimológicas

Da mulher-gorila ao gorila

Sigourney Weaver no filme "Na montanha dos gorilas"

O navegador cartaginês conhecido em português como Hanão, que viveu aproximadamente entre os anos de 500 e 440 a.C., fez uma viagem pioneira à costa ocidental da África em cujos relatos, gravados no idioma púnico em artefatos de pedra que viriam a desaparecer, constavam diversas maravilhas. Entre elas, o avistamento de uma raça de mulheres peludas numa ilha indeterminada, que – na versão da história que sobreviveu, em tradução para o grego – eram chamadas de Gorillai.

É impossível saber se Hanão se referia a pessoas cobertas de peles ou a alguma raça de macacos, mas, segundo o dicionário etimológico Merriam-Webster, quando o missionário americano Thomas Staughton Savage travou em 1847 contato com o gigantesco gorila da África central, um animal até então não registrado pela ciência, foi à velha história cartaginesa que ele recorreu para batizá-los.

O nome científico proposto por Savage, Troglodytes gorilla, acabou suplantado por outro, o pleonástico Gorilla gorilla, mas à parte esse pequeno incidente seu batismo vingou. É curioso observar como o mito das mulheres peludas de Hanão encontra eco até hoje na cultura popular, numa atração circense como a “mulher-gorila”.

06/05/2012

às 15:33 \ Crônica

A coisa sem nome e o nome da coisa

Quando a coisa sem nome apareceu no mundo das palavras, infundiu a todos uma sensação parecida com o pânico.

Não era bem pânico, pânico era uma aproximação tosca. No entanto, como o mundo das palavras não admite que coisa alguma fique sem nome por mais de alguns segundos – daí, precisamente, um exemplar do gênero provocar reações emocionais tão extremas – adotou-se a solução provisória de chamar a coisa de pânico mesmo. Enquanto alguém não aparecesse com uma ideia melhor.

Muitos tentaram. Os neologistas saíram-se com propostas esdrúxulas como râmnico, umbilurismo e ajojocaba. Este último vocábulo, com sua simpática sonoridade indígena, chegou a ser adotado por um influente canal de TV, que passou a martelá-lo dia e noite em seus noticiários.

Ao fim de alguns meses, contudo, nenhum dos neologismos havia caído no gosto do público, que continuava a chamar a coisa de pânico – com aspas gráficas ou entoadas, conforme o modo de expressão fosse escrito ou oral.

Que fique “pânico” mesmo então, passaram a defender os realistas. Ao que os metafóricos acrescentavam: e sem aspas!

Bem que o mundo das palavras tentou. A essa altura, porém, um novo e imprevisto problema havia se instalado: aquele tempo de convivência tinha levado todo mundo a se sentir à vontade com “pânico”. Do pânico inicial que a coisa havia inspirado, não sobrava o menor resquício. Na verdade, se fossem escolher agora uma palavra para nomear, numa aproximação tosca, a sensação que a coisa infundia, seria “conforto”.

Não era bem isso, mas chegava perto. Naturalmente, chamar algo tão confortável de “pânico” era muito desconfortável, o que não demorou a provocar novamente um princípio de pânico no mundo das palavras. Isso, claro, inviabilizou as tentativas de rebatizar a coisa como conforto. Nessa sinuca de bico estamos até hoje.

Não é preciso ser uma autoridade em assuntos de língua para imaginar o potencial destrutivo de tal situação para o mundo das palavras. Mais um pouco e os niilistas começarão a cantar vitória para suas teses de arbitrariedade total do sentido, e aí sim vocês vão ver o que é pânico – sem aspas!

Encontrar uma palavra que nomeie essa coisa de uma vez por todas é tarefa grave e urgente. De preferência com três sílabas ou menos, o resto é livre. Cartas para a redação.

05/05/2012

às 9:00 \ Palavra da semana

A surpreendente história da palavra poupança

A palavra da semana, poupança, nasceu no século 19, a princípio com sentido negativo, o de sovinice, e só um pouco mais tarde como nome de uma prática valorizada, a da parcimônia. Se a poupança é um termo oitocentista de origem clara, o verbo poupar (“juntar dinheiro, gastar moderadamente, evitar que se desgaste”), do qual se fez o substantivo, tem cerca de sete séculos e uma história bem mais animada.

A etimologia tradicionalmente aceita de poupar é surpreendente, além de ligeiramente polêmica: filólogos de prestígio como Antenor Nascentes e José Pedro Machado não tiveram dúvida em situar sua origem no latim palpare, isto é, “apalpar, tocar com delicadeza, acariciar”.

E o que poderia ter o ato de poupar em comum com o de apalpar? Nada além de uma metáfora: basicamente a ideia de, como se diz hoje, pegar leve, ou seja, tocar (o bolso ou a bolsa) com delicadeza. Nas palavras de Antenor Nascentes, a pessoa que controla bem seus gastos tem “cautelas de quem apalpa”.

Hmm, será? Nascentes e Machado têm crédito, mas etimologia não é ciência exata. Que a explicação soa um tantinho forçada, soa, mas isso não quer dizer que o seja. O Houaiss lembra que outro filólogo, Antônio Geraldo da Cunha, preferiu considerar a ligação entre poupar e palpare como apenas “provável”, sem no entanto apresentar uma tese alternativa. Talvez seja o caso, portanto, de poupar o ceticismo.

03/05/2012

às 9:10 \ Consultório

Camarões: o que os crustáceos têm a ver com o país?


“Gostaria de saber se há ligação entre o nome do país africano Camarões e o próprio crustáceo. Obrigado.” Jener Sapia

Sim, há uma ligação direta entre os dois: o nome do país – Cameroon em inglês e Cameroun em francês, suas duas línguas oficiais – é derivado do português Camarões, uma palavra descendente, pela via do latim, do grego kámmaros. Foi como “rio dos Camarões” que os exploradores lusitanos batizaram o rio Wouri ao chegar à sua foz, em 1472, e topar com uma grande quantidade de Lepidophthalmus turneranus, um crustáceo típico da África Ocidental que vive em bandos “numericamente prodigiosos”, nas palavras do naturalista inglês James Aspinall Turner.

A primeira descrição científica da espécie, que está mais para uma lagosta pequena, seria feita em 1861 por Adam White, acompanhada da ilustração acima. Segundo a fórmula curiosamente cautelosa do holandês Lipke Holthuis, considerado o maior especialista em crustáceos (carcinologista) de todos os tempos, esse saboroso bichinho africano é “provavelmente o único crustáceo… que deu nome a um país”.

Contribuiu para isso o fato de que por alguns séculos, embora mantivessem comércio com povos da costa, os europeus – a não ser por missões cristãs esparsas – evitaram se embrenhar de forma significativa no continente africano naquele ponto, com medo da malária. Assim, pouco souberam do lugar além daquilo que os portugueses tinham visto e batizado primeiro, o que levou o nome Rio dos Camarões a passar primeiramente ao inglês, como “Cameroons River”, e daí ao francês, ao alemão e ao holandês.

Em 1884, a Alemanha proclamou Kamerun sua colônia. Com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, França e Reino Unido dividiram os despojos camaroneses. O processo de independência do país se estendeu de 1960 (no território francês) a 1961 (no britânico), dando origem à República Federal dos Camarões.

01/05/2012

às 9:00 \ Curiosidades etimológicas

Trabalho, tortura e outras lutas: viva o Primeiro de Maio!

Ano passado vimos aqui na coluna a curiosa etimologia da palavra trabalho: descendente do termo latino tripalium (foto), um instrumento de tortura, o trabalho nasceu como castigo e obrigação, algo bem diferente – mas, pensando bem, nem tanto assim – daquele que “enobrece e dignifica”, como diz o chavão. No Dia do Trabalho, vale revisitar aquele texto para lembrar como se deu esse desenvolvimento semântico:

Quando o verbo trabalhar desembarcou primeiro numa língua românica – no francês do século 12 – as ideias que expressava eram duas: submeter a padecimentos físicos ou morais e sofrer terrivelmente (vem daí a expressão “trabalho de parto”).

(…)

Para que fossem surgindo gradualmente as acepções modernas, positivas e relativamente indolores ligadas ao exercício de uma profissão, porém, seria preciso esperar alguns séculos. Data de 1600, segundo o ‘Trésor de la Langue Française’, o primeiro registro de ‘travail’ como “atividade profissional cotidiana necessária à subsistência”.

*

Alguns dos sinônimos de trabalho também carregam histórias interessantes, ainda que não tão dramáticas. Labuta (“trabalho pesado e perseverante”) tem origem obscura, mas considera-se provável que esteja ligado ao vocábulo de origem latina labor – talvez, na hipótese do etimologista Antônio Geraldo da Cunha, em cruzamento com a palavra luta.

Em resumo, seria o seguinte: labor + luta = labuta. Não passa de uma tese – de difícil comprovação, aliás – mas depois disso convém tratar com mais respeito neologismos brincalhões contemporâneos como pescotapa e aborrecente.

Labor e lavor, do latim labor, laboris, são palavras pouco usadas hoje em dia, mas é provável que estejam na origem de um termo de ampla circulação: lavoura. O vocábulo faina, outro sinônimo culto de trabalho, é mais um que apresenta conexões rurais: teve origem no espanhol faena (“o que deve ser feito”), vindo por sua vez do catalão fahena, derivado do latim facienda – a mesma fonte onde o português foi buscar a palavra fazenda.

29/04/2012

às 13:39 \ Crônica

Como ser desonesto com as palavras

Há muitas formas de ser desonesto com as palavras. Uma parte substancial delas envolve a tentativa de engambelar ou intimidar o interlocutor dando-lhe a impressão de que não alcança aquilo que dizemos quando, na verdade, aquilo que não dizemos é tudo o que queremos dizer. Trata-se de um truque especialmente caro à alma brasileira, e existem três caminhos básicos para lográ-lo: por meio do vocabulário preciosista, do raciocínio tortuoso ou de ambos.

Vocabulário: “Uma precipitação pluviométrica potencial dá mostras de se abrigar nos alvéolos plúmbeos daqueles cúmulos-nimbos a boreste”. Tradução: “Vai chover”.

Raciocínio: “A manifestação da aparência nos acena com um vazio de bom tempo onde, a rigor, o que está sendo gerado é uma plenitude de tempo ruim”. Tradução: “Vai chover”.

O hermetismo de vocabulário é mais popular nos meios jurídicos, enquanto o de raciocínio faz muito sucesso em círculos acadêmicos. Quando o vocabulário preciosista se une ao raciocínio tortuoso, temos o juridiquês terminal ou o academiquês cascudo, ambos de efeitos devastadores para a inteligência. Em respeito à sacrossanta paz de espírito do domingo, o leitor será poupado de exemplos.

Nem sempre, porém, a desonestidade com as palavras consiste em fazê-las passar por cima da cabeça do outro. Não é menos desonesto o expediente de baratear a mensagem, vendê-la no saldão demagógico da ignorância. Graciliano Ramos acusava certos escritores modernistas de cometer tal crime ao agredir propositalmente a língua para afetar, de forma paternalista, uma origem popular que não era a deles, fazendo jus a um estranho elogio: “Como eles sabem escrever mal!”.

Entre a altitude rarefeita e o fundo do poço, entre o hermetismo e a liquidação, a sintonia fina da honestidade com as palavras deve ser buscada. Não é tarefa fácil, mas de seu sucesso talvez dependa mais que uma virtude moral: há quem diga que o próprio futuro da civilização está em jogo. E o pior é que nem todos os perigos residem aí. Há casos em que a desonestidade com as palavras, expressa em português claro, é só desonestidade mesmo:

“Nunca vi essa mulher mais gorda. Essa mancha é do seu batom, querida. Não, esta cueca não é minha. Nem do meu tamanho é, repare. Eu já disse que não sabia de nada!”

28/04/2012

às 10:00 \ Palavra da semana

Cota: em quantas partes?

A palavra cota – ou quota, numa grafia alternativa e de emprego minoritário – transformou-se, movida por uma legítima tendência da língua à concisão, na senha que identifica a política de reserva racial para estudantes de origem negra nas universidades brasileiras, que o Supremo Tribunal Federal aprovou esta semana por unanimidade.

Como se sabe, tal metonímia tem origem no fato de que uma cota (ou seja, fração, parte, parcela) do total de vagas nos exames de acesso a instituições de ensino superior – 20% no caso da Universidade de Brasília, que motivou a ação julgada agora – é reservada a candidatos que se declararem negros e assim forem confirmados por uma comissão.

A curiosidade pouco sabida é que o substantivo cota, tão identificado com uma das políticas abrigadas sob o guarda-chuva da chamada “ação afirmativa”, teve origem numa expressão interrogativa do latim. Quot queria dizer “quantos”. Hora quota est?, por exemplo, era “que horas são?”. Nosso substantivo cota, uma palavra do século 16, veio da interrogação quota pars?, isto é, “em que número de partes?”.

26/04/2012

às 13:06 \ Consultório

Noticioso x noticiário, oficioso x oficial


“Caro Sérgio, sou leitor assíduo de sua coluna, inclusive já participei com perguntas. Agora me surge outra dúvida que gostaria que fosse esclarecida. Tenho lido/ouvido nos últimos tempos ‘noticioso’ ao invés de ‘noticiário’, ‘oficioso’ em lugar de ‘oficial’ etc. Qual a diferença entre eles?” (Luis Cesar Voytena)

A consulta de Voytena é ao mesmo tempo interessante e enganadora. Tem interesse porque abre uma oportunidade para o esclarecimento de questões que realmente confundem muita gente, mas pode enganar e induzir ao erro quem acreditar que o caso do par de palavras “noticioso/noticiário” tenha algum parentesco com “oficioso/oficial”. Trata-se de duas histórias inteiramente diferentes, ligadas apenas pela coincidência de ambas envolverem o sufixo de origem latina oso, que tem papel intensificador.

Entre noticioso e noticiário não existe diferença semântica significativa, estamos falando de sinônimos – desde que se entenda noticioso como substantivo, naturalmente, o que é o caso aqui, como deixa claro o leitor. A palavra nasceu no século 17 como adjetivo, com o significado de “relativo a notícia, que contém muitas notícias”, mas acabou por adquirir no Brasil a acepção alternativa de “programa de notícias, especialmente radiofônico ou televisivo” – ou seja, noticiário. É fácil ver como isso ocorreu: o que era adjetivo na expressão “programa noticioso” terminou substantivado pela elipse do termo programa, em processo idêntico ao que deu em (cirurgia) plástica e (exame) vestibular, entre tantos outros vocábulos de uso cotidiano.

A relação entre oficioso e oficial é mais complicada. Aqui, não estamos falando de sinônimos, mas de dois adjetivos (embora oficial também possa ser substantivo, como em “oficial de justiça”, o que não vem ao caso aqui) que têm sentidos sutilmente diversos. A acepção original de oficioso – “prestativo, empenhado em ajudar” – data do século 15 e é hoje pouco usada, mas desdobrou-se numa outra que se legitima por curiosa oposição ao sentido de oficial: oficioso é aquilo que não é oficial, mas que se relaciona de alguma forma com o que é ou dele ganha chancela. Informações oficiosas são as que emanam não oficialmente de fontes oficiais, por exemplo. Trata-se também de um adjetivo de grande atualidade para qualificar aqueles noticiosos (olha a palavrinha aí de novo!) que, não pertencendo ao governo, trabalham em sua defesa como se pertencessem.

*

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Toda quinta-feira o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

24/04/2012

às 16:40 \ Curiosidades etimológicas

O que o inocente ‘tchau’ tem a ver com escravidão

Quem não sabe que a interjeição de despedida mais usada no português brasileiro, tchau, veio do italiano ciao – uma palavra ambivalente que, em sua língua original, pode ser empregada tanto com o sentido de “olá” quanto com o de “adeus”?

Consta que essa importação se deu no início do século 20, com possível influência da forma chau usada no espanhol sul-americano: a grafia aportuguesada “tchau” data de algum momento em torno de 1925, segundo o Houaiss – que curiosamente, contrariando seus padrões, não fornece a fonte dessa informação.

Se é famoso o parentesco de tchau com ciao, muito menos conhecida – na verdade, praticamente secreta – é a relação direta que existe no italiano entre as palavras ciao e schiavo, isto é, tchau e escravo. Ciao vem a ser uma variação dialetal de schiavo surgida no Norte da Itália.

A palavra schiavo não é mais nem menos semanticamente pesada do que o português escravo e o inglês slave, entre outros termos da mesma família que se espalharam pelas línguas ocidentais. Todos derivam, naquilo que uma sensibilidade contemporânea classificaria como o mais alto grau da incorreção política, do latim medieval slavus, sclavus. Trata-se da mesma origem do termo eslavo, nome genérico dos habitantes da Europa central e oriental que os povos germânicos escravizaram maciçamente na Idade Média.

Sendo assim, como foi que o termo schiavo, com suas conotações sombrias, veio a se tornar uma saudação jovial e despreocupada em italiano? O que à primeira vista não faz o menor sentido é na verdade de solução simples: ciao é o produto final de uma série de abreviações efetuadas na expressão de cortesia sono suo schiavo (“sou seu escravo”), equivalente à nossa formula “sou seu criado”.

22/04/2012

às 13:25 \ Crônica

Tautológicos

– Quando se escreve sobre palavras, gafanhoto, embarca-se numa espécie de tautologia: para dar conta de uma, usa-se outra, e depois desta, outras mais, que por sua vez continuam a demandar novas explicações, analogias, ressalvas, perspectivas, parâmetros. E como fabricamos toda essa ilusão de tridimensionalidade? Lançando mão de mais e mais palavras, não tem outro jeito. As palavras são os tijolinhos espelhados dessa catedral infinita que não esconde, em sua exuberância de sentidos e formas, o fato de ter suas fundações plantadas no vazio, no nada. Basta um sopro para que tudo venha abaixo feito…

– Tá bom, mestre, acho que peguei o espírito da coisa. Mas o que é tautologia?

– Arrá, eu não disse? Podemos ficar nisso a tarde inteira sem jamais chegar ao âmago da questão. Porque as palavras…

– Mas eu não quero chegar ao âmago da questão, só quero saber o que é tautologia.

– Percebo, gafanhoto. Você quer saber aquilo que ignora.

– É.

– E se ignora, é porque não sabe. Entendeu?

– Se ignoro, como posso entender?

– Se não entende, falta-lhe a compreensão. Está no escuro porque lhe falta a luz. Entendeu agora?

– Entendi o quê?

– Tautologia, ora. Isso é tautologia, tautologia é isso.

– Isso o quê? Tá me enrolando, mestre?

– Demorou, gafanhoto!


 

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