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05/02/2012

às 10:00 \ Crônica

Sete

Acordo de um pesadelo composto de uma palavra. Ela enche a noite inteira, transborda por toda a vida.

De manhã, pergunto à xícara que palavra será essa. Mas a única resposta vem do caminhão do lixo, que passa batendo lata.

Não faz sentido a palavra, se bem me lembro do sonho. É só um certo arrepio: o eco do seu silêncio no avesso do sussurrado sinônimo do seu oco. Passa como um raio e fica para sempre na retina, pré-estado de dicionário, caçoando de rima e ritmo.

Meio poesia em prosa, meio prosaica poesia, meio ainda grito ou senha, meio metrificadinha, que quantos meios houver serão quantos usaremos para tentar descrever aquilo que, sendo inteiro, são diversas inteirezas, podendo ser muitos meios e infinitas quartas partes.

Pré-linguística, pós-morte, ralo lógico, voragem, ela tudo funda e nada, nada, nada significa.

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3 Comentários

  1. cris

    -

    06/02/2012 às 1:18

    que lindo…

  2. Marcelo ac

    -

    05/02/2012 às 11:46

    Legal a crônica, a la Rubem Braga, dando nó em pingo d’água (a rima fica por conta da poesia do seu texto: bom começar o domingo assim…)


 

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