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24/04/2011

às 9:00 \ Crônica

Gimme a break, nobre deputado!

Por dois votos (26 a 24), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na terça-feira uma lei que proíbe o uso de palavras estrangeiras. Trata-se de uma versão regional da mesma ideia torta que, em nível nacional, fez o projeto Aldo Rebelo despertar marolas alguns anos atrás. O deputado gaúcho Raul Carrion, autor do projeto, compartilha com Rebelo não apenas a sigla partidária, PC do B, mas também uma peculiar mistura de demagogia e ignorância sobre o funcionamento das línguas.

A demagogia vem do apelo fácil aos brios nacionalistas de uma grande parte da população, que não tem por que aprovar o uso indiscrimado de jequices linguísticas como sale nas vitrines de lojas em liquidação ou vanilla nas embalagens de sorvete de creme.

A ignorância linguística fica atestada no momento em que se acredita – ou se finge acreditar – que uma lei possa dar jeito nisso. Que o Estado se meta a regulamentar a ortografia, como ocorre no Brasil, pode-se contestar, mas vá lá: ortografia é verniz, a parte mais superficial de um idioma. Mas o vocabulário?

Não é tudo. Ainda que fosse possível controlar a língua a canetadas, isso estaria longe de ser desejável. Ou será que, junto com os anglicismos recentes e tolinhos que julga “desnecessários”, o legislador pretende abolir também o habeas corpus, o sushi, a Cuba Libre, o scarpin, o sabor tutti-frutti, enfim, o Zeitgeist inteiro? E o que fazer com as incontáveis palavras estrangeiras que se disfarçaram de nativas, como futebol, abajur, vitrine, xampu, uísque, quibe e espaguete, para citar uma fração ínfima delas?

Se somos um povo culturalmente deslumbrado com o que vem de fora – dos Estados Unidos, melhor dizer logo –, isso tem apenas um remédio: educação, educação, educação. Em doses diárias e maciças. Mas pode ser que esse tratamento nossos ilustres representantes tenham medo de aplicar, pois acabaria por nos curar deles também.

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33 Comentários

  1. Ignacio

    -

    13/05/2011 às 19:55

    Caro Paulo Antonio
    A demarcação da fronteira tem um protagonista castelhano, Rivera, que doou grande parte do atual território do RS ao Brasil. Rivera, o primeiro presidente que tivemos no Uruguai. Falou genuninamente brasileiro, mas isso talvez só caiba aos índios e não aos portugueses que, por sua vez, tinham uma língua cheia de arabismos…
    Tira o bigodão, tchê

  2. Paulo Antonio

    -

    13/05/2011 às 4:59

    Sr. MC Kawaka, pelo seu sobrenome sua origem tem raízes genuinamente brasileiras. Talvez por isso o Sr. conheça bem a história deste país, porém acho que lhe escaparam alguns “detalhes”:
    Se o Brasil é, hoje este país enorme e unificado, agradeça muito a este “povo bairrista e atrasado”. Foi o sangue deste povo que demarcou nossas fronteiras no sul.
    Quanto a “ATÉ inventaram um hino próprio”,seu Estado possui um hino? E sua cidade? Senão, quais são os símbolos que usam para identificá-lo?
    Uma bandeira pelo menos deve ter, ou não?

  3. MC Kawaka

    -

    10/05/2011 às 16:47

    Gaúcho pensa que é diferente do Brasil. Até inventaram hino próprio. E pior elegeram o Tarso Genro de governador, o ministro da injustiça !!! Meu Deus !!!!São uns comédia mesmo. Eita, povo bairrista e atrasado !

  4. Arlindo charuto

    -

    07/05/2011 às 19:41

    Esquerdista quase comunista(com os salario dele, quem não queria ser comunista?)acha que o povo deve fazer o que ele julga certo. Isso é falta de discernimento, falta do que fazer.A pirracinha desse tiririca 2 é contra as palavras em ingles. atem uma palavra brasileira que cabe bem a ele: impixe!

  5. MARIA

    -

    05/05/2011 às 16:54

    CONCORDO QUE A ÚNICA MANEIRA DE SE ACABAR COM ESTA FEBRE DE SE USAR PALAVRAS ESTRANGEIRAS,SERIA MESMO A EDUCAÇÃO,TEMOS QUE VALORIZAR NOSSA CULTURA, NOSSO IDIOMA,MAS É BEM VERDADE,QUE AO DARMOS BOA EDUCAÇÃO AS NOSSAS CRIANÇAS,ESTARÍAMOS CRIANDO SERES PENSANTES,O QUE NÃO É NO CASO, O QUE QUEREM.

  6. Paulo Antonio

    -

    29/04/2011 às 10:17

    Sr. Sidnei Bissacot. A discussão do problema é coisa muito mais séria do que o sr. pensa. Não a rebaixe ao nível de tolas e imbecis controvérsias futebolísticas. Além disso, um povo que não cultua seu passado não tem a mínima idéia do que será seu futuro.Mando-lhe uma mensagem, que acho que o Sr. não tem a mínima idéia de onde veio…..Pesquise!!!
    “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra.”

  7. pedro curiango

    -

    27/04/2011 às 15:07

    A solução, como você diz, é só uma: EDUCAÇÃO. Nos EUA a média de alunos que terminam a escola secundária leu pelo menos três peças de Shakespeare. Gostaria de saber, aqui no Brasil, quantos universitários de letras (língua nacional e literatura) terão lido “Os Lusíadas” ao terminarem o curso.

  8. Marcinha

    -

    26/04/2011 às 0:45

    Tanto se fala em preconceito e o que é isso? Preconceito puro e descarado ao anglicismo!
    Que proíbam os pais de registrarem os Maícon’s, as Suélen’s ( e Suélio’s), as Ashylley’s, etc. Isso não é desrespeito à língua também? E eu me refiro à língua inglesa!

  9. Everton Vilhena Cardoso

    -

    25/04/2011 às 19:17

    Mais um imbecil(nobre deputado) tentando fazer com que o povo pobre e sofrido desse nosso pais varonil continue na mazela da sociedade perante o mundo. Viva a de democracia!!

  10. Angelo

    -

    25/04/2011 às 17:50

    Não sou petista, mas peço às pessoas que leram esta crônica que procurem saber o que realmente foi aprovado. Não é nada disso de proibição de uso de palavras estrangeiras, e sua aplicação é bem limitada. Também peço ao Senhor Sergio Rodrigues que verifique isso para não sair falando besteira dissiminando a ignorância sobre o assunto.

    Angelo, disseminar (atenção para a grafia) a desconversa é feio. A amplitude da aplicação não está em questão. O que a lei pretende é proibir palavras estrangeiras.

  11. Ulysses Da Costa Paula

    -

    25/04/2011 às 16:52

    É cada coisa que me inventam…

  12. Leonardo Andriolo

    -

    25/04/2011 às 16:45

    “pois acabaria por nos curar deles também”
    Se não disse tudo, disse mais que o suficiente.

  13. Edilson Anunciação

    -

    25/04/2011 às 16:43

    Correção: meu sobrenome é Anunciação, e não Anunciãção.

  14. Edilson Anunciãção

    -

    25/04/2011 às 16:40

    Tantos problemas precisando de soluções urgentes, e os nossos nobres políticos vão se preocupar é com a discriminação liguística?

  15. Fernando

    -

    25/04/2011 às 16:39

    Acho saudável que alguns estabelecimentos deixem de usar palavras como “sale”, “off”, “vanilla” e coisa e tal. Mas isso são palavras de alguns estabelecimentos; o povo, parte mais afetada disso tudo, não adota esses termos. Portanto, fazer isso por decreto é uma idiotice. Me lembra muito o rei da Tontolândia, no Chapolin, que cria um decreto dizendo que está terminantemente proibido chover às quartas. Enfim… demagogia e ignorância, a gente vê por aqui.

  16. Roberto Alves

    -

    25/04/2011 às 16:38

    Bem, a minha pergunta sobre o tema é : E esperar mais o quê do pessoal lá dos “pampas”?
    “Jeguice” também tem limites!!! Coisas de gaúcho sem ter o que fazer!

  17. Lyane R

    -

    25/04/2011 às 16:30

    A língua é viva!
    Parecem que esqueceram de dizer isso a esse deputado gaúcho.

  18. Eduardo Passaia

    -

    25/04/2011 às 16:16

    João, então é só começar a escrever seiou ao invés de sale? Medida puramente idiota da época dos Yanks Go Home. Coisa de imbecil. Só podia ser comunista mesmo.

  19. João B. L. Ghizoni

    -

    25/04/2011 às 13:50

    Correção: leia-se “temos” em vez de “tempos” no meu comentário anterior.

  20. João B. L. Ghizoni

    -

    25/04/2011 às 13:48

    O que se pretende, certamente, é evitar o abuso de estrangeirismos (Estrangeirismo = palavra não aportuguesada); como o próprio blogueiro escreveu, o uso de “sale” em vez de “liquidação”, por exemplo. Também acho que não se deve usar palavras estrangeiras quando tempos palavras da nossa língua à nossa disposição. Já quanto a abajur, vitrine, futebol… bem, elas estão aportuguesadas! E não é disso que trata a lei, é? Todo exagero é ruim…

  21. Nícolas

    -

    25/04/2011 às 13:06

    Os Gaúchos não poderaõ ir ao shopping, mas sim ao centro de compras (y) Sentá lá Cláudia.

  22. Sidnei Bissacot

    -

    25/04/2011 às 9:05

    Medida clássica de um povo que parou no tempo. Província que ainda vive os tempos da guerra dos farrapos. Cultua conceitos antigos e retrógrados. Que faz de Kleiton & Kledir tocarem sempre as mesmas músicas de há 20 anos. Dos gremistas que celebram títulos do tempo das fitas VHS. Lamentável. E esse tal de Raul Carrion não deve ter o que fazer mesmo! A gaúchada tá toda perdida, tchê! De bom e evolutivo, parece-me só o tal de Inter da Beira-Rio!

  23. Adrimar

    -

    25/04/2011 às 0:54

    Quanta bobagem. O idioma é sempre dinâmico. Experimentem ler a carta original de Caminha para o rei português. Parece outro idioma. Então melhor deixar a língua livre, no bom sentido, claro.

  24. Risa

    -

    25/04/2011 às 0:26

    E isso! Demagogo,ignorante e mal intencionado!O Rio Grande do Sul vive um retrocesso politico como ha muito nao nao se via. Lastimavel! A conta vira para alguem pagar depois.

  25. Rodrigo

    -

    24/04/2011 às 22:12

    Semana passada assisti a “Una Giornata Particolare”, e fiquei abismado com a medida ridícula e absurda do fascismo de proibir o uso de palavras estrangeiras (tipo “pompom”).

    Aí, no dia seguinte, deputados gaúchos fizeram… a mesma coisa!

    Comunistas gaúchos: copiando o regime fascista de Mussolini. Só que com 75 anos de atraso.

  26. Rafaella Braga

    -

    24/04/2011 às 20:30

    Infelizmente nossos “ilustres” representantes ainda não encontraram nada melhor para fazer, como por exemplo corrigir esse processo educacional falido que o Brasil ainda consegue seguir. Go to work Mr.!!!

  27. Nelson Henrique Corrêa Nepomuceno

    -

    24/04/2011 às 19:38

    Proibir é bobagem.
    Mas considero o abuso dos estrangeirismos, que poderiam ser perfeitamente substituídos por palavras apropriadas do nosso idioma, soa como pobreza de linguagem. Feito de propósito então, é muito brega!

  28. Sebastian Sastre

    -

    24/04/2011 às 16:42

    Isto ficou ótimo:”o legislador pretende abolir também o habeas corpus, o sushi, a Cuba Libre, o scarpin, o sabor tutti-frutti, enfim, o Zeitgeist inteiro”

    Que coisa ridículamente retrógrada.

    Agora, vamos pensar a favor do pais a ver…

    Pensemos em inovação e empresas que possam fazer uma diferença além do mercado nacional.

    Pensemos na web 2.0 (ah não… certo que web não se pode…)

    Pensemos em startups (ah não… certo que startups não se pode…)

    Pensemos em startups mesmo sem seed money (ah não… certo que seed money não se pode…)

    Pensemos em startups que por falta de seed money fazem boostrapping (ah não… certo que bootstrapping não se pode…)

    Então tá. Como não temos como nomear, não temos como falar nem pensar nisso, nem sonhe com fazer qualquer coisa ao respeito.

    Gimme a freaking break legisladores de mente reduzida.

    Por um momento passei um susto mas logo lembrei que ainda bem que estou boostrapping no Paraná ;)

  29. ABEL

    -

    24/04/2011 às 16:36

    jeca é jeca, mesmo!

  30. Carlos

    -

    24/04/2011 às 16:27

    Esse Raul Carrion não passa de um déspota linguístico. E o que dizer de Tarso Genro, nada menos do que o homem que permitiu que o terrorista Cesare Batisti ficasse no Brasil. Mas, se tantas leis brasileiras acabaram não pegando, não será essa que conseguirá emplacar. Eles farão o quê, interditar as empresas que continuarem a usar o estrangeiro? Not possible.

  31. caio

    -

    24/04/2011 às 16:22

    vou falar inglês quando eu quiser, o tanto que eu quiser, e quero gringos por aqui tbm!

  32. Marcelo Dourado

    -

    24/04/2011 às 16:14

    Que provincianismo!! Como um Estado com tantos imigrantes italianos e alemães e em que cidades inteiras ainda usam muito os idiomas estrangeiros vão viver? Inclua-se o uso de tais idiomas em pequenos comercios locais, como por exemplo na Feira de Colonos de Gramado onde geléia é chimia…


 

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