Sérgio Rodrigues Sobre Palavras

Sobre Palavras

Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

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Mineiro radicado no Rio de Janeiro, é escritor e jornalista. Tem diversos livros publicados, entre eles “What língua is esta?”, sobre o português brasileiro contemporâneo, e “O drible”, romance vencedor do prêmio Portugal Telecom 2014. Assina também a coluna Todoprosa de VEJA.com.

Risco de vida ou risco de morte?

Por: Sérgio Rodrigues

Ver comentários (335)

“Vejo (inclusive na revista VEJA) e ouço falar muito na seguinte expressão: ‘Ele corre risco de vida’. O certo não seria ‘Ele corre risco de morte’? Qual é o correto?” Adriano Frederico, de Congonhas (MG).

Entende-se a angústia de Adriano. A pressão social pelo uso de “risco de morte”, expressão emergente, como se houvesse algo errado no consagrado “risco de vida” que herdamos de nossos tataravós, é uma questão com que se defronta qualquer pessoa menos distraída no Brasil de hoje. É também o maior exemplo de vitória do besteirol sabichão que temos na língua.

A questão tem cerca de dez anos, talvez quinze. O certo é que quando Cazuza cantou, em 1988, “o meu prazer agora é risco de vida” (na canção Ideologia), ainda não passava pela cabeça de ninguém corrigi-lo. Mais tarde, professores de português que exerciam o cargo de consultores em redações conseguiram convencer os chefes de determinados jornais e TVs de sua tese tolinha: “Como alguém pode correr o risco de viver?”, riam eles.

Era um equívoco. Julgavam ter descoberto uma agressão à lógica embutida no idioma, mas ficaram na superfície do problema, incapazes de fazer uma análise linguística mais sofisticada e compreender que risco de vida é risco para a vida, ou seja, risco de (perder a) vida. O que, convenhamos, nem teria sido tão difícil.

Muita gente engoliu desde então o risco de morte. De tanto ser martelada em certos meios de comunicação, inclusive na TV Globo, a nova forma vai sendo adotada por multidões de falantes desavisados. O que era previsível, mas não deixa de ser meio constrangedor.

Não se trata de dizer que risco de morte seja, como alegam seus defensores a respeito de risco de vida, uma expressão “errada”. Não é. De gabinete, sim, mas não errada. Pode-se usá-la sem risco para a adequada comunicação de uma mensagem. Se seus adeptos se contentassem em fazer tal escolha de forma discreta, sem apontar agressivamente o dedo para quem não concorda com ela, a convivência das duas formas poderia ser pacífica.

Se não pode ser pacífica é porque o risco de morte, mais que um caso linguístico, apresenta-se como um problema cultural, criação artificial de gente que mal ouviu o galo cantar e saiu por aí exercitando o prazer de declarar ignorante quem, mergulhado no instinto da linguagem de que fala Steven Pinker, já nasceu sabendo mais do que eles.

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Comentários

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  1. Abdias Neves de Melo Filho

    O correto, para mim, é risco de vida. No momento em que vc coloca algo em risco, esse algo é o que vc tem, ou seja a sua vida! Inclusive, a forma verbal é arriscar a vida. Vc arrisca o que vc tem (a vida). A morte vc ainda não tem.

  2. Prof. Paulo Roberto da Costa

    Acabei de dar minha opinião através do Google+; podem ver. Em suma, eu digo: desde que nascemos, corremos risco de morte (ou seja, podemos morrer até mesmo acidentalmente como morreram as vítimas da passarela que caiu em cima de alguns carros esta semana no Rio de Janeiro.
    Por outro lado, uma pessoa que, por exemplo, está sendo operada de um coágulo no cérebro, corre risco de vida – basta uma problema qualquer que ocorra durante a cirurgia e lá se vai a vida do coitado. Durante a cirurgia, ele correu seríssimo risco de vida. Entretanto, desde que ele nasceu, ele podia morrer a qualquer momento por qualquer coisa. Ou seja, gente, basta estar vivo para correr risco de morte.

  3. änønīmō Gømï

    Isto sø faz me ridicularizar…. ømg

  4. Obrigatorio

    Discussao tao ignorante quanto querer chamar “americano” de “estadunidense”. Nao e de se assustar, considerando a degradacao da cultura e educacao desse pais nas ultimas decadas…

  5. Cristiano Rafael

    No Michaelis, define-se: “Correr risco: estar exposto a…”
    Portando, corre risco de vida, seria estar exposto a vida, já corre risco de morte, seria estar exposto a morte.
    Acho que para passar a mensagem lógica, o correto seria “Corre risco de morte”, já que você que está vivo, não tem como se expor a vida.

  6. Roberto

    Quanta filosofia! Quantos filósofos! Sempre vou disser “risco de vida”, pois só ela, a vida, poderei colocar em risco. A morte é uma consequência. Como dizem: só se perde aquilo que se tem (não é verdade?). Se estamos vivos o que temos, a vida ou a morte? Simples não é? Lembrem-se: só perdemos o que temos. A confusão criada deve ter sido mais um teste da Rede Globo para verificar sua influencia na mentalidade do povo. E não é que ela exerce mesmo! “Tai” o resultado!

  7. Roberto

    Cristiano Rafael, depende do seu ponto de vista e de sua análise. Se no Michaelis, define-se: “Correr risco: estar exposto a…” o que esta exposta a…”, a vida ou a morte? Não seria o mesmo que disser que a morte teria chance de correr risco?

  8. Dowglasz

    Nossa, mas o Sérgio Rodrigues ficou nervosinho! Que meda!

    Eu me lembro de, um belo dia – ainda antes de 2010, eu tenho certeza – ter entrado em contato, com uma mensagem bem sarcástica, com um jornalista ou redação de telejornal muito apreciado em Salvador. Uma pessoa havia sofrido um acidente grave e, felizmente, não corria “risco de vida”. Afinal de contas, (esse foi o meu argumento) ruim seria viver depois daquilo, com todas as sequelas. Que bom que a pessoa está morta, bem morta, e não corre esse risco.

    Eu tão ou mais exagerado que o Cazuza, mas eu só me lembrei desse episódio tempos depois (dois ou três anos), quando eu ouvi de novo um outro jornalista dizer na TV “risco de vida”. Daí eu pensei e me lembrei que nunca mais um jornalista digno teria usado essa expressão de novo. E, na visão, a mudança foi tão sutil que… sei lá, ninguém viu. Não houve revolução, revolta, tumulto. É como dizer que a cor de fonte A sobre fundo B deixa o texto ilegível, ao que o webdesigner vai lá, escolhe uma tonalidade mais densa ou mais suave para mesma cor, você dá F5 na página e nunca mais se fala sobre esse assunto de novo.

    Muito me admirou agora eu ter encontrado o seu artigo, Sérgio. Em outros tempos ele nem teria sido publicado, muito menos contendo tanta arrogância e argumentos sem fundamentos técnicos.
    Mas venhamos e convenhamos, jornalistas trabalham com evento e não com técnica.

  9. Dowglasz

    Forneço-lhes mais dados para estudar:

    atenção: risco de lesão grave
    circuito elétrico: risco de choque
    não expor a calor intenso: risco de expansão e vazamento
    produto tóxico: risco de contaminação
    não perfurar: risco de explosão
    manusear com cuidado: risco de queimadura
    não inalar: risco de dano cerebral

    Resposta
    1. sergiorodrigues

      Douglas (simplifiquei seu nome, desculpe), suas mensagens são agressivas mas bem-vindas, por corporificarem uma espécie de apoteose do sabichonismo contra o qual me volto neste e em outros posts desta coluna. A surpresa que você confessa diante do meu artigo é prova eloquente de sua ignorância das questões da língua. O que sustento não é tão original, trata-se de uma análise até simples e de resto já feita por linguistas mais sofisticados do que os consultores gramaticais de ocasião que difundiram a voga do “risco de morte” (hoje em refluxo, aliás, até na TV Globo que a capitaneou: o pior parece ter passado). Como alfabetizado e até bem articulado você é – um bom começo -, recomendo-lhe mais leitura e alguma serenidade, reflexão e bom senso. Acredite: sabichonismo tem cura. Um abraço.

  10. Cláudio

    Acabei de ler a matéria, e li também alguns comentários. Na minha humilde opinião, digo humilde por não ter nenhum título em linguística, o correto é ‘risco de morrer’, ‘risco de morte’ ou ‘risco de perder a vida’. Na expressão em questão corre-se um risco. Ai eu pergunto: risco de que? De viver ou de morrer? Usando um pouco de sarcasmo, diria que só corre risco de vida quem esta morto. Gosto de substituir a palavra para ver como fica a expressão. Aqui vai um exemplo: “Não chegue na beirada: risco de queda” Viu só? O risco que se corre é que algo aconteça, e o que pode acontecer é a queda. Assim como na expressão tão discutida o risco é de morte. E claro que qualquer leitor ou interlocutor vai entender o significado de “risco de vida”, nem por isso a expressão é correta.Vejo nos diligentes comentários dos que defendem a expressão “risco de vida” uma outra coisa. Uma coisa inerente a grande maioria dos seres humanos, principalmente dos ocidentais: uma aversão exacerbada da morte. Ninguém quer falar em morte. Os mais místicos até acham que falar trás mal agouro. É curioso, pois por mais que evitemos falar, tanto eu que escrevo como você que me lê agora um dia morreremos. Pense nisso…

  11. Claudio

    Roberto Disse, 5 comentários abaixo:
    “Cristiano Rafael, depende do seu ponto de vista e de sua análise. Se no Michaelis, define-se: “Correr risco: estar exposto a…” o que esta exposta a…”, a vida ou a morte? Não seria o mesmo que disser que a morte teria chance de correr risco?”

    Roberto, entenda; definição do Michaelis: “Correr risco = estar exposto a…” você pergunta: “o que esta exposta a…, a vida ou a morte?” Sua pergunta esta errada não é o que. É quem esta exposto a o que? Alguém esta exposto. A que? À morte. Logo o risco é de morte.

    Seu outro comentário é tão confuso que prefiro nem comentar. Isso sem falar no diser com dois ‘s’

  12. Claudio

    Detalhe: eu também sou um asno, pois corrigindo o Roberto, que escreveu ‘dizer’ com dois ‘s’, escrevi dizer com um ‘s’ que também esta absolutamente errado, ora que dizer se escreve com ‘z’.

  13. DERLISE

    Quando dizem o “fulano” foi encontrado morto!!! Já levo um choque prece que ele foi assassinado.
    Porque não dizem “O Sr Fulano de tal” venho a falecer
    não fica melhor a expressão???

  14. Cantarella

    Encontrei nesse texto a paz no coração que à tempo se esvaiu com a expressão “risco de morte”. Não por ser errada, mas por ter aparecer com ares de superioridade lógica. No meu limitado conhecimento gramatical entendia perfeitamente que a quase fuzilada expressão “risco de vida” sempre foi, é, e será correta com uma simples pergunta: O quê ou quem está em risco? A resposta sempre me pareceu óbvia. Agora, sabem quem é que inventou a expressão “risco de morte”? “Bento Carnero, o vampiro brasileiro, aquele que vem do aquém do além, adonde que véve os morto.”

  15. Itamar Castro

    Conheço a expressão “risco de vida” desde 1973. Ela esta incrustada nas Leis estaduais que tratam do risco que correm os policiais. Ganhávamos uma gratificação pelo risco de vida, ou seja, de perdê-la num confronto. Diferentemente das profissões insalubres que certamente causam danos a saúde das pessoas. Faz muito tempo que o galo canta, pelo menos no Rio Grande do Sul. Poderia ser “risco à vida” ou “risco de morte”. Risco de vida parece um risco de viver e não de morrer.

  16. ADY JUNIOR BUENO

    O CORRETO É RISCO DE VIDA,NÃO DE MORTE!SE VC TRABALHA NUMA PROFISSÃO EM QUE UMA VIGA PODE CAIR EM CIMA DE VC,O QUÊ ESTA CORRENDO RISCO?A VIDA OU A MORTE?É A VIDA NÃO É?DA MESMA MANEIRA SE UMA PESSOA ESTÁ QUASE MORRENDO O QUE ESTÁ EM RISCO É A VIDA.

  17. Henrique Pimentel

    Fiquei muito feliz com a matéria, dói nos meus ouvidos a expressão “risco de morte” e não aceitava de forma alguma que ela estivesse correta!!! Me sinto feliz em saber que meus avós estavam corretos!!! Não sou um estudioso da língua portuguesa, muito pelo contrário, mas sempre interpretei a expressão “risco de vida” como, risco em perder a vida!!! Bom saber que estou correto!!!

  18. Jáder dos Reis Sampaio

    Risco de vida é uma elisão, uma figura de linguagem na qual há uma palavra suprimida facilmente subentendida. Qualquer um que escuta sabe que se trata do risco de perder a vida… Está faltando leitura de bons autores em nossa sociedade brasileira!

  19. André Luiz L.

    Risco = aquilo que “é arriscado acontecer”:
    * Risco de lesão – arriscado (probabilidade de) ocorrer uma lesão.
    * Risco de incêndio – arriscado ocorrer um incêndio.
    * Risco de explosão – ” ” explosão.

    Bom, o verbo diz tudo.
    Risco de morte – é arriscado ocorrer a morte.
    (corre risco de) = (é arriscado ..) = (tem a possibilidade de) morrer

    Ou, melhor ainda, como disse o Cláudio, “estar exposto a”
    Funciona com todas as outras expressões.

    Agora, no case de: (risco) = (risco de perder a/o) não funciona.
    Risco de incêndio = risco de perder o incêndio?????

    O outro argumento: “o quê está em risco, a vida ou a morte?” valeria no caso de “a vida está em risco” e não o contrário:

    (o que ou quem) está em risco = (a vida) está em risco

    Enfim, podemos dizer que a expressão “risco de vida” seja uma exceção. Que esteja subentendido “risco de perder a vida”. É válido. Mas a expressão “risco de morte” é a mais correta. Não precisa de outro termo.

  20. Dativo Matques

    Professor, concordo em gênero, número e grau.

  21. Moacir Lopes

    Risco de vida é o risco que corre casal que faz sexo com preservativo de má qualidade.

  22. Leandra Camille

    RISCO é normal acontecer !

  23. Dirceu Kuhn

    Nem há motivo para se discutir. Risco à vida está correto (risco de que algo aconteça a…). Risco de vida está correto (elipse subentendida da palavra “perder”, pois todo risco aponta para uma possível perda de…, então é risco de perder a vida). Risco de morte está correto (todo risco pode ocasionar o que não se deseja, então risco de morte). E assim: risco às finanças, risco de emprego, risco de queda na bolsa. E mais não me arrisco por correr o risco de que alguém faça no meu comentário um enorme risco!

  24. Cláudio

    Opa galera, voltei. Como disse no comentário anterior: “Vejo nos diligentes comentários dos que defendem a expressão “risco de vida” uma outra coisa. Uma coisa inerente a grande maioria dos seres humanos, principalmente dos ocidentais: uma aversão exacerbada da morte. Ninguém quer falar em morte. Os mais místicos até acham que falar trás mal agouro. É curioso, pois por mais que evitemos falar, tanto eu que escrevo como você que me lê agora um dia morreremos.”
    morte, morte, morte, morte, morte,morte, morte, morte, morte, morte,morte, morte, morte, morte, morte,morte, morte, morte, morte, morte,morte, morte, morte, morte, morte

  25. Hudson Reis

    Risc_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________o de vida_____________ _____ ___ __ _ _ _ _ _ morte

  26. eduardo de sbc

    O menino Cláudio em 22/08/2014 comenta acertadíssimo a origem principal da elipse considerada no tema (modestamente por mim criada). Foi também o que apurei, sendo uma das expressões mais antigas da linguagem humana coloquias, de sua razão construtiva. Mera superstição no temor, medo do léxico morte. Poderia recair na cabeça, azar incorrido do risco, como do raio, o tornaram nos mitos um deus verdadeiro por temerário e poderoso na incompreensão cultural da época, evidentemente. As bruxas de salém mais recentemente (Salém cidade yankee americana) exemplos clássicos. Bem lembrando ao irmão Cláudio, perspicaz!
    Abraços do irmão eterno Eduardo de SBC, do coloquial risco de morte.

  27. DORA SANTORO

    Me senti muito satisfeita com a explicação, embora eu prefira dizer risco de vida, ainda que ambas as frases possam conviver harmoniozamente.

  28. Gustavo Farias

    Sérgio, teu “artigo” parece mais uma resposta de um aluno de 5ª ou 6ª que não sabe da resposta para uma questão feita por um professor em uma prova de história ou geografia, ou seja, escreve muito e enrola muito mais, mas no fundo ele não sabe de nada do que está falando.
    Gustavo, você só pode ter lido superficialmente o meu artigo, como faria o tal aluno que você menciona, ou não escreveria uma bobagem dessas. Recomendo ler de novo, que o papo aqui é bem sério.

  29. Paulo

    Concordo plenamente com o texto acima.

  30. Gilberto

    Não concordo quando se diz q ambas podem ser consideradas corretas. Risco é algo q pode vir a prejudicar. Qual o risco? RISCO DE MORTE. Se fosse usar “vida”, dever-se-ia dizer RISCO À VIDA. Para entender mais facilmente, basta ver outra frase: RISCO DE CHOQUE, RISCO DE RADIAÇÃO, etc! Tem o mesmo sentido.

  31. Luiz Francisco

    Concordo com o professor, mas não posso deixar de ironizar um pouco… Há certas pessoas que correm o ‘risco de vida’ quando, por exemplo, contraem (ou desenvolvem) um câncer de laringe. Neste caso, o risco de vida pode ser prejudicial para centenas de milhões de compatriotas.

  32. Sergio Carneiro

    Na minha interpretação “risco” – dentro desse contexto – remete a possibilidade de algo acontecer ou deixar de acontecer. “Risco de choque” deveria, então, ser interpretada como: a possibilidade de sofrer(ou não sofrer) um choque.

    Risco de vida ou Risco de morte? Acredito que as duas formas estão corretas. “Risco de vida” seria a possibilidade de perder, ou não perder a vida e no mesmo caminhar “Risco de morte” seria a possibilidade de morrer ou não morrer.

  33. Charles A.

    Hehehe.Segundo um comentário, a argumentação do blogueiro está errada pela seguinte lógica: risco de choque(elétrico, hipovolêmico, cardiogênico ou neurogênico?,hehehe), risco de radiação(solar?),risco de levar pedrada, risco de tomar tiro, risco de derrapar,risco de cair na ribanceira,daí,segundo o raciocínio do comentarista, “risco de vida” seria o risco de se adquirir ou sofrer vida naquele local,hehehe.Só se for vida após a morte! Impagável o comentário!Certíssimo o blogueiro! Hoje,com a oportunidade de comentar, as pessoas dizem o que pensam sem estudar um mínimo que seja o assunto.Quanto mais superficial e ridículo o raciocínio,mais ele “pega”. A maioria das pessoas, nos dias de hoje, possuem a cultura do Tiririca e a arrogância de Zeus!

  34. José Fonseca

    Boa noite. Sou mais o Cazuza. Essa postura policialesca dos novos descobridores do idioma é bem cansativa.

  35. Adrimar

    Entendo que a expressão está enraizada no idioma e passe a mensagem exata de que a vida de alguém está em perigo. Entretanto, do ponto de vista puramente gramatical não tem muito sentido. A preposição “de” não se encaixa bem na frase. Aliás, eu gosto muito mais das expressões que terminam com verbo, por exemplo risco de morrer. Afinal, fica melhor dizer que fulano corre risco de morrer na profissão de policial.

  36. eduardo de sbc

    Risco é a questão levantada.
    Por que prender-se ao Risco de seu complemento, como dizem os comentários abaixo?
    Isto alerta para o fato ser mais importante na pauta, o complemento em ser da Vida ou da Morte. O Risco pode ser qualquer um, existente no Cosmo das possibilidades linguísticas, e todos os idiomas, incluindo os mortos. Aí estaria a razão de ser a origem mais lógica quando se cria a linguagem, o Vivo que se usa na atualidade, do Morto, que se abandonou no desuso dela. Quando vivo, ou só quando vivo se tem o risco, e morto já o perdeu o sentido de ser. Assim, construindo-se, o risco está quando ainda não se morreu ou perdeu ou poderá perder que é o correto, no futuro. O risco é sempre presente, eterno enquanto se vive, mas só se concretiza se caso o pior vier, que é a própria morte. Então a morte é mais importante, onde se não existisse a possibilidade de morrer, não haveria o risco!
    Abraços de seu irmão eterno e imortal, Eduardo de sbc, do coloquial risco de morte.

  37. Denis Martins

    Reitero aqui que a expressão risco (ou perigo) de vida existe em diversos idiomas. Como exemplo a expressão alemã Lebensgefahr, que é dicionarizada, significa perigo de vida. Realmente não querer ver a figura de sintática, no caso uma elipse, na expressão “risco de vida” é de fato quer jogar uma das belezas da última flor do Lácio fora. Daqui a pouco caçam as metáforas e metonimias…

  38. Denis Martins

    Perigo de vida ou perigo de morte?

    Evanildo Bechara

    Mais complexa, porém não menos interessante, é a explicação para entendermos a infundada rejeição que modernamente se tem feito entre brasileiros à tradicional advertência‘ perigo de vida’, que se quer desbancada pela expressão ‘perigo de morte’, também correta, ouvida e lida vitoriosa na mídia. Para bem entendermos este interessante fato semântico, temos de recordar uma preciosa lição do teórico Eugenio Coseriu acerca da distinção que se deve fazer na terminologia científica da linguística entre os três tipos de conteúdo:o significado, a designação e o sentido. Entende-se por significado o conteúdo dos signos e  das construções de uma língua;  a designação é a referência à realidade ou à situação extralinguística como pensada e nomeada por esses signos e construções da língua, isto é, pelos significados dados pela língua; e o sentido é o conteúdo que corresponde à intenção ou ao objetivo comunicativo do discurso,  do nosso texto.Tomemos um exemplo da  nossa atividade linguageira cotidiana: ‘Bom dia!’ O significado de ‘bom’ neste contexto não é o mesmo de ‘bom’ dado no dicionário em ‘bom rapaz’; usamos de ‘bom dia!’ ainda que esteja chovendo. ‘Bom dia!’ tem aqui uma unidade  de sentido do discurso ou texto que se usa como cumprimento matinal entre pessoas que se encontram pela primeira vez nessa manhã.  Entendida a distinção entre  significado e sentido, estaremos habilitados a perceber que têm significados de língua diferentes — e até opostos!—  vida e morte, mas que entram em expressões de discurso com o mesmo sentido, isto é, a mesma intenção comunicativa,  e vale dizer que ‘perigo de vida’ e ‘perigo de morte’ são discursos ou textos que aludem a uma mesma  situação de periculosidade  a que alguém está exposto, se não tomar as precauções devidas. Em outras palavras:  são discursos equivalentes  quanto ao sentido, mas  construídos com signos linguísticos não sinônimos (vida/ morte), isto é, sem o mesmo  significado. A opção por usar vida ou morte vai depender da norma ou uso normal em cada comunidade linguística.Entre brasileiros aparece  documentado no primeiro  dicionário monolíngue da língua portuguesa, o de Morais (Antônio de Morais Silva), de 1789. O ‘Vocabulário Português e Latim’, de Bluteau, que serviu de fonte ao Morais, no volume editado em 1720, registra “pôr-se a perigo de vida, perder a vida”,  mas faz acompanhar das  equivalentes latinas vitae ou  mortis periculumadire ousubire, que atribui a Cícero. A norma em alemão prefere ‘vida’ (Lebensgefahr), enquanto portugueses—embora estes também conheçam ‘vida’ —, espanhóis, italianos e franceses  preferem ‘morte’: ‘perigo  de morte, peligro de muerte, pericolo di morte, danger  de mort’. Machado de Assis preferia ‘perigo’ ou ‘risco de vida’: “Se não fosse um homem que  passava, um senhor bem vestido, que acudiu depressa,  até com perigo de vida,  estaria morto e bem morto’,  “—Nada? Replicou alguém. Dê-me muitos desses nadas. Salvar uma criança com risco da própria vida…” (‘Quincas Borba’); “[…] impossível a quem não fosse, como ele, matemático, físico e filósofo, era fruto de dilatados anos de aplicação, experiência e estudo, trabalhos e até perigos de vida […].”, “Tu não  tens sentimentos morais?  Não sabes o que é justiça? Não vês que me esbulhas descaradamente? E não percebes que eu saberei defender o que é meu, ainda com risco de vida?” (‘Páginas avulsas’).Condenar ‘perigo de vida’ em favor de ‘perigo de morte’ é empobrecer os meios de  expressão do idioma — que  conta com os dois modos de  dizer —, além de desconhecer a história do seu léxico, em nome  de um descartável fundamento lógico.Nota:Todos os exemplos citados nos três últimos artigos foram extraídos do Banco de Dados da Literatura Brasileira dos séculos XIX a XXI da ABL.O Dia (RJ), 11/12/2011ala a ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS:

  39. Paulo Campos

    De tantas postagens e comentários, não li nada se referindo à “risco de vida” como relativo à vida. Risco de vida = risco vital. NÃO SE TRATA DE RISCO DE VIVER, MAS SIM RELATIVO A VIDA.

  40. Paulo Campos

    De tantas postagens e comentários, não li nada se referindo à “risco de vida” como relativo à vida. Risco de vida = risco vital. NÃO SE TRATA DE RISCO DE VIVER, MAS SIM RELATIVO A VIDA. Que põe risco a vida. O “de vida” no caso parece relativo a ela, a vida. Portanto risco de vida é corretíssimo. Seria o mesmo que “risco vital”(relativo à vida). E “risco de morte”? Risco de morte, risco mortal…Porque necessariamente o “de” tem que ser “para” e não qualitativo. Apesar de constar em ambas as expressões duas palavras antagônicas, têm o mesmo significado. “Pois é” não significa “sim”, e “pois sim” nao significa “não”. Parece-me que nem o blogueiro percebeu isso. A preposição “de” tem várias ideias(procedência, daquilo que a coisa é feita, posse, etc). Então “risco de vida” ou “risco vital” é a mesma coisa.

  41. Luiz Carlos

    É risco de perder a vida(verbo), ação de perder a vida ou é risco de morrer (verbo), significa ação de morrer.
    Risco de vida e risco de morte , isto não existe.

  42. Pedro Jungbluth

    Falar “risco de morte” apesar de não ser tecnicamente errado, é no mínimo deselegante. Se vejo essa expressão em um livro, o fecho na hora e parto pra outra. É preciso ter um senso de estética.
    Se corre o risco de morrer, é porque está com a vida em risco. Risco de morte parece significar que existe o medo de se perder a morte. É de mal gosto.

  43. Leandro

    Pode-se dizer que tecnicamente isso não é errado baseado em que técnica ? Como duas coisas diferentes pode significar a mesma coisa? Ele não corre risco de morte é igual a ele não corre risco de vida. Tenham paciência. Se risco de vida é igual a não ter a vida em risco em risco de morte é igual a não ter a sua morte em risco. No 1º caso sua vida esta assegurada e no 2º caso sua morte esta assegurada.

  44. Célia Maria Barros Mendonça

    Grave acidente na Dutra, o motorista foi socorrido e não corre risco de morte.(correto na minha opinião). Embora ferido, os sinais vitais dele dão mostra de que estão respondendo.
    Grave acidente na Dutra, o motorista foi socorrido e não corre risco de vida. (aí não seria uma linguagem clara, mas, sim, implícita) = Não corre o risco de perder a vida. Para que complicar, se a linguagem é tão simples? Os nossos estudiosos têm receio de não acompanhar as mudanças que ocorrem, ao longo do tempo, e apostam de forma dúbia nas duas formas. Tenho visto muito isso.

  45. ANA MARIA DOBNER

    Caro colega, não concordo com você, pois se eu digo que fulano “corre risco de vida”, ela já está vivo e o único risco que ele corre é de morrer, portanto fico com a expressão “risco de morte”, ele está vivo e corre o risco de morrer.
    Um abraço

  46. ADY JUNIOR BUENO

    Significado de Risco

    s.m. Perigo; probabilidade ou possibilidade de perigo: estar em risco.Se alguem está com a vida correndo perigo,esta pessoa pode morrer não é verdade?Então o que está correndo risco ou perigo é a vida!

  47. […] de morte” para substituir a tradicional locução “risco de vida” (leia mais sobre isso aqui), começou a circular há algum tempo a tese de que o provérbio “Quem tem boca vai a Roma” […]

  48. Gerson Augusto Gastaldi

    Amigos! A princípio de se estabelecer um parâmetro nesta regra esdrúxula para o risco de vida ou risco de morte, compreendamos que antes de tudo é necessário definir o que seja um “risco” propriamente dito. Tal verbete pode ser classificado como um traço, uma linha ou sinal, sendo compreendido como um substantivo. Mas adjetivamente, um risco é uma probabilidade futura, visto que todos morreremos. Quando se diz que alguém corre o risco, isto não quer dizer que tal aconteça no presente. Sendo assim, o risco seria uma probabilidade temporal. Mas se colocarmos um complemento adverbial ao risco, por exemplo: (de) morte, isto significa que o risco seja agregado ao substantivo vida. Portanto, nesse caso pressupõe-se que, alguém ou algo, esteja exposto a um perigo que possa sofrer um dano ou uma perda importante, ou seja: a vida. Então o risco seria de se perder a vida. No caso do risco “de” vida, não seria possível, visto que a vida não pode sofrer risco algum, mesmo porque ela não depende da morte. Isso quer dizer que a morte não agrega esse adjetivo de probabilidade. Por conseguinte, ela é que incorre no risco de renascer, sofrendo a imposição da vida que pode ressuscitá-la. Como exemplo temos a história de Lázaro morto. Ele não corria o risco de vida e morreu. Porém, ele readquiriu a vida sem risco algum, visto que a morte não pode se contrapor à vida. Igualmente, Jesus Cristo vivo, que ao morrer subjugou a morte, pois ressuscitou à vida. Isto quer dizer que a morte não ofereceu risco algum à vida. Já um feto no ventre da sua mãe correria o risco de vida com a probalidade de não ser gerado. Ora, se o feto gerar e formar-se uma criança e nascer, ele não corre risco algum, pois tornou-se vida latente. Mas se o feto abortar ele já é considerado morto, portanto sem o risco de morte também. Estas patologias são alquímicas e possuem um grande mistério que está além da nossa compreensão no Santo Graal da eternidade.

  49. Stéphane

    O ridículo de todas as baboseiras em volta da expressão “risco de vida” reside no simples facto dos praticantes da língua de Camões serem sempre preguiçosos. Passo a explicar: se se utilizasse a expressão “risco para a vida” não existia qualquer dúvida e talvez se atingisse o equilíbrio mencionado. Scribi…

  50. Geones Laguna

    Na minha opinião Risco e ruim: Risco de quebrar a perna, de cair, de ficar doentr