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03/03/2011

às 13:46 \ Consultório

Responder a pergunta ou responder à pergunta?

“A dúvida ocorreu em meu trabalho, quando escrevia: ‘…você ganha o cupom e responde a pergunta… “. Escrevi assim, sem crase no ‘a’, pois achei que nessa situação o verbo responder fosse transitivo direto: responder o quê? Fui corrigido, e o ‘a’, craseado. Mas, insistente que sou, consultei duas professoras de português: uma confirmou a minha idéia inicial, a outra disse que a crase era sim necessária. Aí, fiquei sem saber mais nada.” (Luis Godinho)

Para simplificar um caso que não é tão simples, como veremos daqui a alguns parágrafos, diga-se logo que quem desejar seguir o padrão culto da língua deve, sim, tratar “responder” como um verbo transitivo indireto na frase citada por Godinho: responde-se à pergunta (ou a quem faz a pergunta).

Claro que também se intui o transitivo direto na mesma frase, como Godinho percebeu: responder o quê? Isso ou aquilo, que sim ou que não, mas sempre à pergunta. A confusão vem do fato de “responder” ser neste caso um verbo transitivo direto e indireto: “Estou respondendo ao leitor (transitivo indireto) que a crase é necessária (transitivo direto)”.

(Note-se que responder pode ser intransitivo também, como na seguinte frase: “Chamei, mas ninguém respondeu”. Mas isto não vem ao caso no momento.)

Até aqui estamos falando do uso clássico, com o qual qualquer falante estará a salvo da sanha corretora de chefes e professores. Porém…

Dito isso, é preciso deixar registrada a instabilidade sintática que torna frequente o emprego de “responder” como transitivo direto em construções parecidas com a de Godinho. Ao contrário do que pode parecer, tal instabilidade não é sequer um fenômeno restrito à língua informal. O conservador “Dicionário de Verbos e Regimes” de Francisco Fernandes declara sua predileção pela regência clássica, mas informa que o respeitável gramático Carlos Góis (1881-1934) considerava opcional escrever “responder a carta” ou “responder à carta”.

A posição de Góis era uma dissidência no mundo da gramática tradicional, mas parece indicar que o verbo está caminhando para um lugar já ocupado há tempos por “atender”, que pode ser transitivo direto ou indireto segundo o gosto do freguês: “atender ao chamado” ou “atender o chamado” são formas igualmente aceitas. Quando se diz que “a pergunta foi respondida”, uma frase de uso corrente, a voz passiva deixa clara a interpretação do verbo como transitivo direto.

Acho que isso explica o cisma entre as duas professoras de português consultadas por Godinho.

*

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21 Comentários

  1. MAURICIO DOS SANTOS

    -

    21/07/2014 às 7:40

    por que globalização planetária?
    por que falar uma língua terrestre?
    como eliminar as fronteiras do mundo?
    qual língua domina o planeta?
    …o mundo?
    …a terra?
    …o planeta terra?
    …a globalização?
    e qual devemos falar pra a caba a burocracia internacional?
    como fazer os terrestres se unirem pra construir uma nave exploradora?

  2. kauane vitória anselmini

    -

    13/04/2014 às 21:55

    esse site é muito legal amei acessam esse site vcs vão ver coisas bem legais.

  3. Amanda

    -

    13/12/2013 às 20:44

    O texto acima é um pouco chato.

  4. Daniel

    -

    30/10/2013 às 18:54

    Belo texto! Acho que se a sentença na voz passiva “soar bem”, é um indicativo de que o verbo poderá reger sem a preposição, podendo então ‘transitar’ entre as transitividades.

  5. jessica

    -

    20/08/2013 às 17:45

    nao e chato

  6. jessica

    -

    20/08/2013 às 17:44

    verdade

  7. victoria fonseca mantovani

    -

    31/07/2013 às 14:23

    chato

  8. gunther retz

    -

    04/07/2013 às 9:22

    Não tenho inveja nenhuma de quem precisa esclarecer um caso desses. Leva ou não leva? Se dois gramáticos acham coisas diferentes… o mundo que fala português está perdido. Palhaçada.

  9. EFRAIN

    -

    25/06/2013 às 13:58

    EU AMEEEEEEEEIIIIIIII ESSE TEXTO

  10. Luana Roberta Araújo Santos

    -

    17/06/2013 às 13:55

    oi tenho 10 anos e achei ótimo o texto

  11. alanis

    -

    23/04/2013 às 21:35

    eu gostei por que tem o texto mas presiso do exemplo!!!!

  12. Hugo Gomes

    -

    01/03/2013 às 13:58

    Facultativo.

  13. beatriz

    -

    02/01/2013 às 18:11

    sempri veiu aque pra tira minhas duvidas

  14. Carlos

    -

    29/09/2012 às 11:19

    Excelente imbróglio! Mas afinal, com ou sem a crase?

  15. vitoria ribas

    -

    10/09/2012 às 21:06

    achei muito legal em diana mario titia noiiii e lele

  16. vitoria ribas

    -

    10/09/2012 às 20:56

    achei muito legal vou tira minhas duvidas aqui

  17. nathalie

    -

    05/08/2012 às 17:45

    gostei e achei legal para pessoas que nem eu

  18. caio

    -

    27/07/2012 às 13:07

    o norte n tabém é chamado de setrinal

  19. caio

    -

    27/07/2012 às 13:05

    do comércio estabelecido entre europeus eorientasalém da questão economica teve grande relevãncia

  20. Marcinho

    -

    17/11/2011 às 4:16

    Apesar de eu saber que o Aurélio é uma referência, ele não aponta CISMA, em momento algum, como substantivo feminino. Vc poderia me indicar a fonte? Obrigado. Abraço.
    Aponta sim, seria um erro muito grande se não o fizesse. O problema é que, como o Aulete, o Aurélio registra o substantivo masculino e o feminino no mesmo verbete (este a partir da terceira acepção). Outros dicionários, como Houaiss, Michaelis e o da Academia de Lisboa, optam por uma entrada para cada um. Abraço.

  21. Beatriz Ozorio

    -

    11/10/2011 às 13:43

    Olá, Sérgio! Sou tradutora e eventualmente também reviso textos. Ao revisar um texto, me surgiu a mesma dúvida: responder à pergunta ou responder a pergunta. E ao pesquisar no Google, achei seu site. Concordo com tudo o que você escreveu, menos com o gênero da palavra “cisma”, pois esta palavra é um substantivo feminino. Portanto, “a cisma” é a forma correta. Espero que você não fique chateado com minha corerção. Um abraço e até mais!

    Olá, Beatriz. Obrigado pela mensagem. Quanto ao gênero de cisma, você está enganada. Usei o substantivo masculino, que significa desacordo, e não o feminino, que quer dizer mania. Um abraço.

 

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