Sobre Imagens - VEJA.com

Fotojornalismo, história da fotografia e algumas ideias sobre a imagem fotográfica.
Editado por Alexandre Belém
Fotojornalismo

Roger Fenton e a Guerra da Crimeia

02/02/2011 às 7:21

Um dos capítulos mais importantes da história da fotografia mundial é a Guerra da Crimeia (1853-1856). Para o fotojornalismo de guerra, é o primeiro capítulo. O conflito aconteceu na península da Crimeia, na atual Ucrânia, e contrapôs o Império Russo a uma aliança formada por França, Reino Unido, Itália e Turquia (na época, Império Turco-Otomano).

Enviado pelo governo inglês para registrar os acontecimentos, o fotógrafo Roger Fenton (1819-1869) tornou-se autor da primeira cobertura de uma guerra com enfoque jornalístico.

Advogado com vocação artística, Fenton pulou da pintura para a fotografia e se tornou conhecido na Inglaterra vitoriana fotografando, inclusive, para a realeza. Com o agravamento da guerra, ele foi contratado pelo governo para registrar o conflito.

Em pouco mais de três meses no campo de batalha, Fenton pegou cólera, quebrou costelas e sofreu com o calor, que danificou muito o seu material fotográfico, extremamente sensível, transportado numa carroça que servia como laboratório. Ainda assim, produziu cerca de 350 imagens em grande formato.

A cobertura de Fenton não foi imparcial. Sua missão era fazer um registro ameno do conflito, sem sangue ou tragédia – e que obviamente exaltasse o exército britânico. Independentemente disso, suas fotos são um rico documento histórico sobre as circustâncias da guerra, seus personagens, vestimentas e costumes.

Na prática, mesmo se quisesse, Fenton teria problemas para registrar cenas dinâmicas. Tecnicamente, era inviável registrar imagens instantâneas. Os filmes pouco sensíveis e as lentes escuras só permitiam imagens estáticas e de paisagens. Isso explica a predominância de retratos posados, que exigiam que os personagens permanecessem parados por segundos intermináveis para o registro perfeito da fotografia.

As fotos que ilustram este post do Sobre Imagens fazem parte da coleção de 263 fotografias da Biblioteca do Congresso Americano que foram compradas em 1944 da sobrinha do fotógrafo, Francisca M. Fenton.

Alexandre Belém

1 Acampamento da Cavalaria – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

2 Acampamento das tropas do Major Brandling – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

3 Estrada de terra coberta por balas de canhão. Uma das mais famosas fotos de Fenton que é conhecida como “O vale da sombra da morte” – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

4 Retrato de Henry John Wilkin – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

5 Retrato do Tenente Corolnel Seymour – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

6 Retrato do Tenente General Sir George De Lacy Evans – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

7 Retrato do Capitão Graham e Capitão Macleod – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

8 Retrato do Brigadeiro General Henry Frederick Lockyer (centro) junto com dois funcionários do 97º Regimento de Infantaria – 1855. (Roger Fenton/ The Library of Congress)

9 Dr. John Sutherland e Robert Rawlinson da vigilância sanitária – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

10 General Cissé e um ajudante de campo – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

11 Retrato de Marcus Sparling sentado na Photographic Van de Roger Fenton. A carroça carregava todo o equipamento de Fenton e servia como laboratório fotográfico – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

12 Oficiais do 71º Regimento – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

13 Oficiais do 68º Regimento de Infantaria – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

14 Oficiais do 90º Regimento de Infantaria – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

15 Oficiais do 13º Regimento – 1855. (Roger Fenton/The Library of Congress)

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16 Comentários

  1. amelia m. m. martins - 03/06/2014 às 20:38

    Encantam pelo realismo.

  2. Teresinha - 11/12/2011 às 19:55

    Eu me surpreendo que naquela época já tinha fotografia e que ainda estejam preservadas e nítidas.
    É um curioso registro, mas guerra é sempre triste.

  3. francisco adalton aleixo da mota - 15/04/2011 às 23:22

    são que graças a fotografia vão ficar perpetuada na nossa memoria,maravilha.

  4. Claudio Silva - 12/04/2011 às 16:59

    Belíssimo registro histórico-fotográfico. Não posso dizer o mesmo da tragédia na qual muitas dessas pessoas retratadas se envolveram, involuntariamente. Foram apanhadas na roda implacável da selvageria colonial-capitalista.

  5. Nilza Teresa Rotter Pelá - 09/02/2011 às 11:53

    Como enfermeira conheço a história dessa querra, pois foi nela que nasceu a enfermagem moderna com Florence Nightgale e sua nurses. Pena que não haja nessas fotos apresentadas a dessas valorozas mulheres, embora os médicos sanitarista foram fotografados

  6. Wagner Prates - 08/02/2011 às 23:16

    Quem nasceu na era digital, não imagina que essas fotografias foram feitas praticamente no começo da fotografia, com engenhocas chamadas de Daguerrotipos, que apesar das dificuldades executavam fotografias que ninguém imaginava na época e que hoje provalvelmente ninguém se arriscaria a produzir fotos numa aventura dessa.Só photoshop. Parabéns.

  7. Marcos - 07/02/2011 às 23:03

    O retrato ” O vale da sombra da morte ” me deixou muito impressionado. Uma imagem que vale por muitas palavras e,também, por muitas vidas desperdiçadas.
    Excelente trabalho! Valeu, VEJA!!!

  8. Carlos Eduardo Pires - 07/02/2011 às 9:44

    Trabalho maravilhoso. As dificuldades técnicas ficam evidentes na falta de profundidade de campo, a paisagem não está nunca em foco, mas podemos ver o passado por um olho mágico de muitas informações. Destaque também para a “Photographic Van”, um depósito/laboratório móvel, que em si já representava um grande desafio tecnológico.

  9. luiz antonio de castro caetano - 06/02/2011 às 13:08

    São realmene notáveis as fotos, tiradas em época tão remota, e com tantos sacrifícios.
    Pena que elas não mostram os verdadeiros e sofridos envolvidos, ou seja, os soldados rasos.

  10. Ademir Rezende - 06/02/2011 às 12:03

    A fotografia, mais que retratar um momento, revela um olhar para a História.Imagens de um passado importante de uma época de um colonialismo selvagem.

  11. Lucidio Naveira - 06/02/2011 às 4:36

    Assistam “A Carga da Brigada Ligeira”…filme que retrata esta sangrenta guerra..

  12. damiao santana - 05/02/2011 às 12:18

    Vou trazer meus alunos aqui nesta bela Mostra, Alexandre. :)

  13. José Benedito Tintori - 04/02/2011 às 21:59

    Excelentes fotografias, nos faz viajar ao passado, é só soltar o pensamento e dar asas à imaginação. Nota dez.

  14. Fabiana Sarti - 04/02/2011 às 15:14

    Meu tataravô era Italiano e lutou na Guerra da Criméia. Foi feito prisioneiro e desapareceu por muitos anos. Após o final da guerra um de seus filhos mais velhos o encontrou por lá, muito idoso e cego empurrando carrinhos numa mina de carvão. Foi levado de volta à Italia pela familia e faleceu em casa. É uma história de família incrível!

  15. joao marcos de oliveira dias - 03/02/2011 às 16:57

    Excelente, estas coisas realmente vale a pena ser visto. parabéns

  16. osvaldo Camargo - 03/02/2011 às 11:29

    muito bom