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12/04/2011

às 9:06 \ Clássicos, Técnica

A Guerra Civil Americana

Em 12 de abril de 1861, há exatos 150 anos, começava a Guerra Civil Americana, ainda hoje, a guerra mais sangrenta dos Estados Unidos, com mais de 600 mil mortos. Durante os quatro anos de combate, o conflito foi documentado por vários fotógrafos e a Biblioteca do Congresso Americano preserva um acervo com mais de 7.000 fotografias da época.

Este post é ilustrado por uma dessas coleções, a da família Liljenquist, composta por 700 fotografias em ferrótipos e ambrótipos (fotografias em suporte de metal e vidro guardadas em estojos).

A família americana Liljenquist amealhou a coleção ao longo dos últimos 15 anos em feiras de antiguidades, leilões, mostras da Guerra Civil e até no site de compras e leilões online eBay. Em 2010, a Biblioteca do Congresso recebeu todo esse acervo em doação e uma exposição para relembrar os 150 anos da Guerra será aberta hoje em Washington.

Infelizmente, a autoria destas fotos não é conhecida. A Biblioteca se esforça para descobrir quem são os retratados e muitos soldados já foram identificados. Impressiona nesta coleção a qualidades das peças, todas em excelente estado de preservação. Muitas são coloridas à mão. Outra fatia expressiva ilustra a maneira como os cenários e fundos artificiais eram usados na época.

A coleção Liljenquist tem um recorte específico, que a diferencia de outras dedicadas ao mesmo tema. Ela é dedicada aos retratos de soldados – alguns, extremamente elaborados (Foto 10) – e seus familiares.

Dentre as centenas de imagens da coleção, uma foto chama a atenção: uma garota com roupa de luto segurando a foto de seu pai, que morreu (Foto 14). Fica claro que, poucas décadas depois do advento da fotografia, ela já não tinha apenas um caráter técnico ou documental, mas já tinha um papel importante na vida cotidiana e na preservação da memória afetiva das pessoas comuns.

Apesar dos suportes diferentes, ambrótipo e ferrótipo são semelhantes em muitos aspectos: apresentam a mesma tonalidade bege leitosa da superfície, o mesmo ligante (colódio) e a prata como substância formadora da imagem. Veja abaixo como se definem as duas técnicas:

Ambrótipo = Imagem positiva direta sobre placa de vidro. A placa já revelada era colocada no estojo com um fundo preto, geralmente tecido ou cartão de papelão.

Ferrótipo = Imagem positiva direta sobre placa de ferro de baixa espessura, recoberta com verniz dos dois lados. O lado da imagem recebia um recobrimento preto ou marrom-escuro.

Alexandre Belém

Veja outros posts com imagens da Biblioteca do Congresso Americano

Confira o infográfico Senhores da guerra

1.  John E. Cummins do Regimento Ohio de Infantaria, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

2.  Soldados do Regimento de Massachusetts, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

3.  Jovem soldado, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

4.  Os irmãos Henry Luther e Herbert E. Larrabee do Regimento de Massachusetts, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

5.  Sargento Robert Black e o soldado Herman Beckman, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

6.  Soldados, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

7.  Jovem George W. Weeks do Regimento de Infantaria do Maine fotografado com fundo mostrando uma praia e farol, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

8.  Solado fotografado em cenário, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

9.  Soldado Albert H. Davis do Regimento de Infantaria de New Hampshire, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

10.  Oficial no Point Lookout, Tennessee, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

11.  Soldado Samuel Ellsworth com seus irmãos (gêmeos) Bartlett and John Ellsworth do Regimento de Infantaria de New Hampshire, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

12.  Samuel W. Doble do Regimento de Infantaria do Maine, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

13.  Soldado com sua família, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

14.  Garota com roupa de luto segurando foto do seu pai, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

15.  Jovem soldado, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

16.  Jovem soldado, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

17.  Soldado do Regimento de Infantaria de New Hampshire com sua esposa, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

18.  Sargento B. F. Smith do Regimento de Cavalaria da Virgínia, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

19.  Soldados fotografados em cenário, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

20.  Sargento Edwin Chamberlain do Regimento de Infantaria de New Hampshire, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

21.  Soldado do Regimento de Infantaria da Virgínia, 1861-1865. (Liljenquist Family Collection/The Library of Congress)

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37 Comentários

  1. Teresinha

    -

    13/12/2011 às 22:24

    A qualidade das fotos é realmente impressionante mais o que esta me comovendo até agora são os olhos tristes trazendo mensagens que atravessam os tempos – seria bom se a humanidade percebesse isso.

  2. Tenente

    -

    17/07/2011 às 21:28

    Angola 1998 e Haití 2004. Só quem ja esteve em combate e sentiu os projéteis zunindo ao lado da cabeça, conhece a verdadeira face da guerra. Nas agruras do combate, se conhece a verdadeira coragem e solidariedade entre os homens…

  3. Ricardo Robson Santana

    -

    14/07/2011 às 22:04

    É possível que a ideologia puritana tenha produzido o espirito empreendedor e o nacionalista deste povo.

  4. rommel romanielo

    -

    09/05/2011 às 17:40

    o comentario de Adriana Dusso foi contundente, diz tudo.

  5. frederico elias smith

    -

    03/05/2011 às 8:53

    tambem sou descendente(basta ver o sobrenome)
    Temos boas lembranças.
    abraços a todos

  6. Adriana Dusso

    -

    01/05/2011 às 21:32

    Registros de guerra, com os olhares assustados, dispersos e distantes de cada personagem…Nada muda, inclusive na sexta imagem, vejo a discontração dos personagens como um ato de fuga…é o horror da guerra. Não há nada de belo, somente a dor e mesmo assim continuamos a reverenciar e a praticar a guerra.

  7. Luiz Arantes

    -

    28/04/2011 às 14:16

    Fantastica,maravilhosa a coletânia, apesar dos horres de uma guerra.

  8. aquiles fernandes durante

    -

    27/04/2011 às 17:14

    Fascinante e historicamente comentando,é um acervo cultural que pude apreciar graças a Veja…parabéns

  9. LAWRENCE WILLIAM

    -

    27/04/2011 às 15:14

    Simplesmente LINDA,essa coletânea de fotos da Guerra da Secessão.Enquanto professor de história encontro-me emocionado com tais fotografias.Porém a divisão, principalmente racial continua grande no sul dos EUA,estados como Alabama,Carolina do Norte,Carolina do Sul,Mississipi apresentam grande aversão aos negros,indígenas,espanhois que pra lá foram.Lamentavelmente as feridas dessa guerra ainda não sicatrizaram.

  10. Paulo Guilherme

    -

    26/04/2011 às 22:25

    Esse País passou por toda essa história de guerra com tantos mortos, inclusive já foi mais pobre q o Brasil..Como pode ter se tornado a maior econômia do mundo…será a abertura para dois oceanos ou a segunda guerra q proporcionaram tamanha riqueza?

  11. jorge borges

    -

    26/04/2011 às 11:05

    excelente visual. provoca viagens no nosso imaginario. pena que é bem dificil presenciar inloco uma mostra de tamanha riqueza. parabens e meus agradecimentos.

  12. GUILHERME SMITH

    -

    24/04/2011 às 21:41

    COMO DESCENDENTE DIRETO , É UM PRAZER VER ISSO

  13. J.Jeová Guedes

    -

    24/04/2011 às 18:57

    “GUERRA DE SECESSÃO 150 ANOS” – Estas fotos vem demonstrar quanto o Povo Americano preserva sua história, mantendo viva na memória de seus cidadões sua cultura e seu legado de liberdade.Parabens a VEJA por este tema. O futuro de uma nação, espelha-se em sua história, em sua memória.

  14. luiz a c caetano

    -

    24/04/2011 às 13:43

    É sempre comovente ver fotos do passado de pessoas que já faleceram há muito e que contribuiram para uma causa nobre, ajudando com sua parte à contrução de uma Nação; muitas vezes pagando com seu próprio sangue.

  15. Carlos César

    -

    24/04/2011 às 11:40

    Entre tantas virtudes que faz dos Estados Unidos uma grande nação, o espiríto de luta é apenas uma delas.

  16. João Antonio

    -

    23/04/2011 às 19:52

    De 1835 a 1845 tivemos a Guerra dos Farrapos, período que vigorou a República RioGrandense. Foi a mais longa e sanguinária guerra civil do Brasil. Os gaúchos lutaram bravamente contra o então Império do Brasil, até sua completa exaustão.

  17. Marcos

    -

    22/04/2011 às 19:07

    Fotos maravilhosas

  18. arydovaldo de almeida prado

    -

    18/04/2011 às 18:15

    Aquele evento ajudou a forjar a grande nação americana pela mão firme
    de Lincon foi possivel livrar os escravos das garras dos reacionários
    sulistas.

  19. Ana Domingues Julio Rosa

    -

    15/04/2011 às 8:46

    Uma reportagem e tanta informação!Gosto muito de história e fotografia.

  20. WAGNER DE AZEVEDO MARQUES

    -

    14/04/2011 às 23:42

    Uma coleção maravilhosa de fotos retratando o lado humano e comum da Guerra de Secessão. Infelizmente poucos sao os registros fotograficos dessa epoca no Brasil, e nao porque nao tivessemos revoltas e revoluçoes – elas ocorriam todos os dias nos mais diferentes pontos do país. O Brasil nunca foi um pais pacifico ! Isso foi uma lenda criada pela ditadura militar ! Apenas poucos sao os registros de sua história alem da censura a acontecimentos mais recentes e ate mais antigos como A Batalha de forte Estabelecimiento na Guerra do Paraguai ate hoje resguardada como segredo eterno !!! Por que ????

  21. Joaquim Romão Gomes

    -

    13/04/2011 às 16:04

    Parabéns um verdadeiro tesouro ( Nota Maxima)

  22. Danilo A.

    -

    12/04/2011 às 23:44

    Uma das coisas que mais respeito em relação aos Estados Unidos é sua capacidade de preservar o seu passado e mostrá-lo às pessoas, ao contrário do Brasil onde a cada dia o nosso é apagado (como se nunca tivesse acontecido).

  23. anatolio pereverzieff

    -

    12/04/2011 às 23:36

    Simplesmente fantástico. Ver imagens de 1865!!! Sou contra beligerância, mas o ser humano é e continua brigando.

  24. Astromar Berlinghieri

    -

    12/04/2011 às 20:45

    Os EUA preservam sua História. Sou estudioso da Guerra Civil Americana desde 1995. Já fui visitar os principais campos de batalha duas vezes, em 1997 e em 2001. É impressionante a quantidade de informações disponíveis. A maioria dos campos de batalha tem seu próprio museu. O silencio é ensurdecedor. Mas não tem preço conversar com os descendentes dos confederados na Festa Confederada de Santa Bárbara d’Oeste.

  25. Abilão

    -

    12/04/2011 às 17:12

    Nesta época os EEUU estavam com aproximadamente 100 anos de independência e tiveram q partir p uma guerra civil p ñ separar o país,o Brasil com todas as dificuldades ñ teve q paasar p isso,espero q ñ passe,este momento foi difícil p toda nação americana.Principalmete pq foi um país q inspirou os ideáis de liberdade,do iluminismo,dos direitos universais da pessoa humana,precussor da independência das colônias de todas as américas.
    Penso q ninguem imaginava q uma guerra interna pudece acontecer.Impressionante as fotos!……………

  26. Leonardo

    -

    12/04/2011 às 17:00

    Viver em sociedade é contribuir de alguma forma para a pressão social. Tensões são geradas por todos nós e, em dado momento, se tornam insuportáveis para alguns segmentos. A guerra é uma consequência do acúmulo de antagonismos sem solução, da vontade de impor o certo sobre o errado e da falta de tolerância. O garoto Wellington nos deu um aviso, as UPP’s dão outro, o caldo vai ferver!

  27. Claudio Silva

    -

    12/04/2011 às 16:08

    Muitos países que hoje são desenvolvidos tiveram que passar por lamentáveis e sangrentos episódios. Isso cala fundo na alma de qualquer povo, fazendo-o repensar seus conceitos. Espero que nosso triste Brasil não tenha que passar por tais traumas.

  28. Roberto Clay Norris Nelsen

    -

    12/04/2011 às 15:58

    Sem dúvida, estas fotos são fantásticas, estão muito bem conservadas. Sou descendente de americanos da região da Carolina do Sul, a minha família veio dos USA nesta época da revolução, eram sulistas, perderam a revolução e fugiram para o Brasil, fundaram com outros emigrantes sulistas as cidades de Americana e outras 2 cidades! Parabéns pelas fotos, nos temos livros da família que contem fotos desta época.

  29. paulo silveira

    -

    12/04/2011 às 15:48

    Eu sou sulista. a cidade de Americana-SP surgiu de refugiados confederados.

  30. Diego

    -

    12/04/2011 às 15:23

    Caraca, muito show!
    Chegou até a arrepiar, ficaram com uma ótima qualidade apesar do tempo!

  31. azul honduras

    -

    12/04/2011 às 15:18

    Acervo magnífico. É tocante como algumas pessoas pensam e agem bem a frente de seu tempo, no ato dos registros e na obstinada busca, organização e conservação de tais fontes.

    Foi um triste momento daquele povo, nada mais triste que irmãos lutando entre si, por ideologias, desconheço outro caso de guerra interna tão devastadora, nem mesmo a Revolução Francesa, francês x francês, produziu tantos mortos entre iguais. Mas apesar disso, ou talvez por isso mesmo, de tanto sofrimento nasceram nações que levam a bandeira da liberdade ao extremo. Começando pela liberdade de expressão. Os americanos deveriam estudar mais tal episódio, sobretudo os que costumam falar mal do próprio país a ponto de apoiar seus inimigos e detratores. São mais desunidos do que unidos. Devem tudo que são hoje a esses mortos, dos dois lados.Não uma coisa para se orgulharem, mas para lembrarem como a vida pode ser cruel, foi cruel com aqueles daquele tempo, para que tivesse a boa vida que têm. Esquecimento é a pior forma de ingratidão.

  32. DIRCEU DEL POSSO.

    -

    12/04/2011 às 15:14

    OTIMO,PODERIA TER TAMBEM FOTOS DE NOSSA HISTÓRIA , COMO POR EXEMPLO
    “LAMPIÃO” O REI DO CANGAÇO.

  33. Sandro Moreira Rossi

    -

    12/04/2011 às 14:58

    Na realidade o link que citei abaixo já consta da matéria. Apenas reforço que o conteúdo do mesmo é excelente e vale a pena dar uma passeada por lá, além de se cadastrar e ter a possibilidade de ser informado quanto a conteúdos novos.

  34. Sandro Moreira Rossi

    -

    12/04/2011 às 14:49

    Vocês podem ver essas e muitas outras fotos no seguinte endereço: http://www.loc.gov/pictures/

  35. SCF

    -

    12/04/2011 às 14:40

    Parabéns por mostrar essas magníficas fotos! Os americanos são um dos que mais investem em registro de sua história nacional, seja por relatos, fotos, estatísticas, etc.

  36. lucia

    -

    12/04/2011 às 14:01

    emocionante ver fotos de pessoas que há tanto tempo se foram, tantos sonhos e tanta dor.

  37. ivan mendes

    -

    12/04/2011 às 13:19

    AINDA HOJE EXISTEM GRANDES DIVISOES NO PAIS DO TIO SAM. O NOME CORRETO SERIA DIVIDED STATES OF AMERICA.


 

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