07/10/2009
às 5:47 \ OutrasRio 2016: já é hora de começar a trabalhar

Bem, é hora de começar a trabalhar na formação de atletas para 2016. Um bom exemplo a ser seguido é a China, que preparou seus atletas investindo forte em centros de excelência esportiva antes de sediar os Jogos. Trabalharam duro na formação de milhares de praticantes de diversas modalidades, extraindo o máximo do potencial e talento para criar equipes de 12 a 18 anos, que estavam no topo de sua forma na época dos Jogos, em 2008. O resultado: 51 medalhas de ouro, superando os EUA.
No nosso caso, podemos aproveitar para formar uma massa de bons esportistas, de onde sairão alguns mais talentosos para representar o país nos Jogos. Creio que primeiro fosse o melhor oferecer peneiras pelo país e dar algum incentivo para os pais levarem a garotada aos testes. Por exemplo, na corrida de longa distância - em que o sucesso depende muito mais de capacidade e potência aeróbia -, um simples teste de 12 minutos numa pista de atletismo já serve para detectar aqueles que têm potencial diferenciado. Em um único dia é possível realizar peneiras com mais de duzentos atletas mirins. Em uma semana é possível avaliar mais de mil candidatos.
Claro que, após esta triagem – que poderia ser feita também em escolas -, é preciso oferecer um período mais longo de treinamento e avaliação, com testes mais refinados, inclusive psicológicos – aí neste caso nas equipes especializadas. De qualquer modo, é uma aposta que pode trazer boas surpresas.
Olheiros – As equipes de ponta do atletismo nacional têm olheiros, mas geralmente prestam mais atenção naqueles que já estão se destacando. Há muitas crianças e adolescentes que não sabem do potencial que têm. Estão jogando ou brincando nas ruas, nas escolas, etc.
As poucas que investem na base trabalham com número muito pequeno de jovens, o que torna quase impossível tirar do grupo algum atleta que se destaque numa olimpíada. Ter entre 50 e 100 atletas entre 14 e 18 anos é pouco. Em outros esportes o número de atletas na base é muito superior em clubes.
Apesar de as provas de rua ajudarem a revelar alguns corredores de elite, o ideal é invistir nas provas de pista, nos 5.000 e 10.000 metros. É neste setor que o Brasil é carente, pois não investe em circuitos de provas de pista para atletas juvenis e adultos. Entre corredores fundistas é comum ouvir que “prova de pista no Brasil não dá futuro. O dinheiro está nas provas de rua!”
Isso vai totalmente contra o que acontece nos Estados Unidos e Europa, onde os grandes corredores fundistas iniciam a carreira na pista e depois migram para as ruas, como o queniano Paul Tergat (cinco vezes vencedor da São Silvestre), o etíope Haile Gebrselassie e o mexicano Arturo Barrios (bicampeão da São Silvestre).
Técnico – A base brasileira tem bons profissionais. É fundamental que tenha o curso de mais alto nível da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), e de preferência que tenha passado pelo menos uma temporada nos Estados Unidos ou Europa, acompanhando atletas. É importante estar atualizado, participar de congressos e cursos, no Brasil e no exterior.







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