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Arquivo da categoria Provas

19/01/2011

às 8:00 \ Provas

Música e performance na atividade física

Observo cada vez mais pessoas correndo nas esteiras, parques e ruas utilizando algum tipo de tocador de música. Diversos praticantes relatam que ouvir música durante a atividade fornece uma motivação extra. O notável fundista Haile Gebrselassie declarou que tira muita energia da música “The Scatman”, que o ajuda a superar-se. E podemos observar muitos atletas com headfones nos momentos que antecedem as competições.

Parece que existe alguma relação entre música e a performance esportiva. Há muitas pesquisas investigando seus efeitos sobre os praticantes. Um estudo já demonstrou, por exemplo, que ouvir música antes de uma sessão de musculação eleva o nível de força1. Em outra pesquisa, os participantes relataram que o exercício pareceu menos exaustivo quando ouviam música2.

Atualmente já é possível montar uma sequência de músicas compatível com a sessão de exercícios. O “ritmo” das músicas acompanha o das passadas, pedaladas e inclusive braçadas. Durante uma aula de spinning, por exemplo, a sessão inicia com um som mais suave e, à medida que o exercício vai se intensificando, as músicas ficam mais rápidas e as batidas mais freqüentes. Já no final da aula, o ritmo volta a se acalmar, induzindo um efeito de relaxamento.

Um alerta: é preciso ter muito cuidado com praticantes que usam headfones na rua. Há diversos casos de ciclistas e corredores que foram atropelados ou tropeçaram. Fato: ficamos mais distraídos e devemos utilizar esse recurso sob condições de segurança. Esteiras são mais seguras para curtir um som em alto volume. Parques são locais que demandam maior cuidado, por conta do grande número de pessoas que costumam freqüentá-los. De qualquer modo, acho interessante e recomendo o uso deste recurso para um ou dois treinos semanais.

Bibliografia:
1-Percept & Motor Skills 1996; 83:1347-1352.
2-J. of Sport Behavior 1997; 20:54-68

Por Renato Dutra

12/01/2011

às 14:33 \ Provas

O que esperar da nossa presidente?

Imagino que Dilma Rousseff terá enormes desafios à frente de seu governo. Melhorar a educação, transporte, saúde e muitas outras áreas. Só espero que não esqueça dar atenção a alguns setores que considero vitais para a qualidade de vida e a cidadania:

Repensar o papel da Educação Física na estrutura curricular das escolas – As aulas de Educação Física caíram de três para duas por semana. Quem perde são as crianças e os adolescentes, que terão menos oportunidades para praticar exercícios. A violência e o trânsito nas ruas obrigam nossas crianças a ficar cada vez mais dentro de casa, o que aumenta consideravelmente a chance de se tornarem adultos sedentários. A longo prazo isso elevará os custos para o país. Teremos de cuidar de um grande número de cidadãos com sobrepeso e obesidade e as doenças decorrentes desta condição. Além disso, a Educação Física é uma disciplina que não reprova, ou seja, tanto faz o grau de empenho do aluno nas aulas. Uma pena. Há estudos que apontam a importância do desenvolvimento motor no estímulo de conexões neurais, contribuindo para melhorar o raciocínio e outras áreas do cérebro.

Espalhar mais ciclovias e investir no transporte público de qualidade – Ao fazer isso, a nossa presidente, além de melhorar o trânsito que se encontra à beira do colapso, tornará nossos cidadãos mais saudáveis. Quem se locomove de bicicleta se exercita e atinge maior qualidade de vida. E mesmo quem usam o transporte público se movimentam muito mais, em comparação com quem usa o carro. Não podemos esquecer, também, que colocar menos carros nas ruas reduz a emissão de carbono, o que beneficiará o planeta e a qualidade do ar que respiramos.

E eu paro por aí. Se Dilma contemplar esses dois aspectos, já terá dado um grande passo. Será esperar demais da nossa presidente?

Por Renato Dutra

29/12/2010

às 17:11 \ Provas

São Silvestre poderia ser tombada

E se pudéssemos tombar a São Silvestre? Caro leitor, por favor acompanhe meu raciocínio. Os organizadores alegam que, devido ao tamanho da prova, não será possível a entrega de medalhas após o corredor concluir os 15km. Então pergunto: como a organização das grandes maratonas (Londres, Nova York, Paris, etc.) consegue entregar, após a conclusão do evento, para mais de 30 mil atletas a medalha?

E isso nos leva a outro ponto que considero igualmente importante: o preço das inscrições para a São Silvestre. Para uma prova que tem um apelo popular e que recebe corredores de todas as partes do nosso país, o valor das inscrições é meio salgado. E mesmo assim não consegue oferecer um serviço de entrega de medalhas após o término da prova?

Fico com a impressão de que este evento está perdendo sua “alma”, infelizmente. Já perdemos o charme de correr literalmente na virada do ano. Pagamos caro pela oportunidade de participar. Temos que nos espremer entre mais de vinte mil corredores. E agora receberemos a medalha sem nem sequer termos completado a prova. Há também rumores de que o trajeto será alterado, para acomodar ainda mais atletas.

Sem dúvida, a São Silvestre foi um evento importante para consolidar a corrida no Brasil. Só que, com tantas adaptações e alterações em seu formato, temo que torne-se apenas mais uma prova e que sua essência seja esquecida. Será uma pena se isso acontecer. Ah, se pudéssemos “tombar” a São Silvestre, assim como se faz com casas e outras obras arquitetônicas…Sim, porque somente este mecanismo garante que patrimônios de valor inestimável sejam perdidos, ainda que pudessem gerar muito lucro. Quem vai preservar este patrimônio para os corredores?

Por Renato Dutra

22/12/2010

às 16:09 \ Provas

O que seria da corrida no Brasil sem a São Silvestre?

E se não existisse a São Silvestre? O que seria da corrida no Brasil? Para os corredores menos experientes (eu corro desde 1988), tal pergunta pode parecer sem sentido. Afinal, há tantas outras provas espalhadas pelo Brasil e durante o ano todo. De fato, mas eu particularmente credito este crescimento e popularização à São Silvestre. Até porque, antes da corrida atingir seu estrondoso crescimento por aqui, nós só tínhamos a São Silvestre como referência. E foi graças a ela que muitos corredores brasileiros puderam aparecer, como Jose João da Silva, Ronaldo da Costa, Marilson e Franck Caldeira, para citar alguns nomes. E uma legião de adeptos do esporte (entre eles, eu) que se preparavam o ano inteiro pensando na subida da Consolação (sim, no começo nós subíamos a Rua da Consolação!) e cruzar a linha de chegada antes da meia noite. Foi sem dúvida uma época muito romântica e, ao mesmo tempo, importante para popularizar a corrida pelo nosso país.

Idealizada pelo jornalista Casper Líbero, a corrida teve o objetivo inicial de promover seu próprio jornal. Sua primeira edição aconteceu em 1925, em 31 de dezembro (dia de São Silvestre). Nunca houve uma única edição cancelada, nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial. Teve a participação de verdadeiras lendas do atletismo, como Emil Zatopek, Frank Shorter, Arturo Barrios e Paul Tergat.

Mesmo com a oferta abundante de corridas de rua no Brasil, a São Silvestre não perde seu status. Pelo contrário, pois neste ano teremos cerca de 20 mil corredores participando, cinco mil a mais do que no ano passado. É gente de todo o país que passa dias viajando, apenas para poder participar desta grande festa do atletismo mundial. Além disso, é uma prova certificada pela federação internacional que atrai grandes nomes do circuito. Aliás, muitos corredores de excelente nível vêm para o Brasil somente para tentar vencer esta prova, como os atletas etíopes e quenianos. Não estão aqui para responder à minha pergunta, com certeza, mas posso imaginar que a corrida não teria tanta graça sem a São Silvestre.

Por Renato Dutra

07/04/2010

às 20:00 \ Provas

As corridas de revezamento

AE
As provas de revezamento estão mudando uma característica da corrida, a de que correr é um esporte solitário, em que muitas vezes a interação ocorre somente com um mp3 player. No revezamento, uma prova consegue transformar uma competição individual em algo coletivo, em grupo.

Neste tipo de corrida, o participante corre por ele e também pela equipe. E isso faz muita diferença, pois acaba se tornando um incentivo a mais, porque desistir da prova significaria prejudicar os amigos. E não faltam provas, como a tradicional Volta à Ilha, em Florianópolis, ou o circuito de Revezamento Pão de Açúcar, em diversas cidades do país.

Há corridas em percurso urbano, geralmente em asfalto, em que os atletas se dividem em duplas, quartetos, octetos, etc. Quanto mais participantes na mesma equipe, menor a distância percorrida. Nestas provas uma boa estratégia é os mais lentos percorrerem os primeiros trechos, pois assim se poupam do calor – eles ficam mais tempo correndo, o que aumenta bastante o desgaste.

Também há a possibilidade de revezamento na categoria aventura, em percurso variado, com trilhas, praias e geralmente com mais subidas e descidas, como por exemplo a Volta à Ilhabela ou ainda a prova Bertioga-Maresias. Este tipo de prova exige mais planejamento, porque todos os corredores devem ir a cada posto de troca.

Além disso, a equipe precisa avaliar as reais possibilidades de cada um. Por exemplo, um participante iniciante deverá correr trechos mais curtos (entre 4 km e 6 km) e de preferência no plano, enquanto os trechos com mais subida e mais longos (entre 8 km e 12 km) são mais indicados para os mais condicionados fisicamente.

Por Renato Dutra

16/12/2009

às 23:10 \ Provas

Participar de uma prova não é mais tão barato

Getty
Quem corre e gosta de participar de provas sabe que atualmente não é mais tão barato pagar uma inscrição. Há provas com variadas taxas – que podem custar de 20 a 120 reais – e benefícios agregados que devem ser considerados na hora de selecioná-las.

Por exemplo, há corridas que podem custar quase 120 reais, com benefícios como estacionamento coberto e com seguro; número de corredores limitado a 2.500; e camiseta com tecido com tecnologia última geração. Dependendo da prova, pode haver até espaço destinado a quem quiser deixar o seu animal de estimação sob os cuidados da organização. É bom o corredor avaliar os benefícios oferecidos.

E há também boas provas espalhadas pelo Brasil e cujo valor da inscrição pode ser uma lata de leite em pó ou valores modestos, entre 20 reais e 40 reais, que incluem chip, medalha e camiseta, além de bem organizadas.

Mas pelo menos em uma prova a inflação chegou forte no preço da inscrição: São Silvestre, a prova de corrida de rua mais tradicional do país. Neste ano, as 20.000 inscrições para a prova do dia 31 de dezembro já estão encerradas. Mas o preço partia de 75 reais ( até 30 de agosto), subindo para 80 reais (até 30 de setembro), e 90 reais para quem fizesse inscrição depois de 30 de setemebro.

Apesar de ser uma prova importante, os aumentos ano a ano da taxa de inscrição da São Silvestre ficaram muito acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), entre 2004 a 2009. A inscrição subiu quase 60% no período enquanto o IPCA não chegou a 30%.

Por Renato Dutra

23/10/2009

às 5:41 \ Provas

Resposta ao leitor

GettyQuais os benefícios que obtenho se fizer 30 minutos de corrida ou transport e mais 30 de spinning? Ajuda a queimar calorias e manter a forma ou seria melhor apostar em mais tempo em  uma só modalidade?
(Renata)

Se o objetivo for treinamento de uma modalidade específica, o ideal é gastar mais tempo na atividade principal. Os triatletas, por exemplo, nadam, pedalam e correm. Mas ao compararmos os desempenhos deste grupo com o de atletas “especialistas” – praticantes de apenas uma das modalidades -, estes últimos apresentam melhores marcas.

Mas se o objetivo é condicionamento físico geral e elevação de gasto calórico, então é mais interessante diversificar as atividades. Ao realizar diferentes atividades no mesmo intervalo de tempo em que faria uma única modalidade, o praticante distribui o esforço por outros grupos musculares, o que ajuda a minimizar o desgaste articular, e diminui o risco de desenvolver lesões.

É bom lembrar as orientações dos orientadores em nutrição que indicam o consumo de isotônicos ou alguma ingestão de carboidratos a cada 30 minutos de atividade. E outra recomendação importante é que devemos aumentar gradativamente o tempo gasto em cada atividade a cada semana, no máximo em 10% em relação à semana anterior.

Por Renato Dutra

16/10/2009

às 5:59 \ Provas

Parque do Ibirapuera, para todos os tipos de corrida

corrida-ibirapuera
O Parque do Ibirapuera tem mais de cinqüenta anos, é muito bem cuidado, arborizado e tem na minha opinião, como melhores atrações, os caminhos para caminhar e correr. Abaixo uma breve descrição de cada um deles:

Pista de Cooper: É uma trilha com terra batida e pedriscos, muito arborizada e terreno totalmente plano. A volta tem 1.200 metros e há a possibilidade de aumentar o caminho, fazendo uma alça com 300 metros, dentro da própria pista. A marcação das distâncias acontece a cada 100 metros. É uma área interessante para “aumentar” treinos mais longos ou então para os iniciantes. Não recomendo para treinos intensos, pois apresenta grande número de curvas, o que exige bastante das articulações.

pista-cooper

Volta da Grade: Talvez seja o ponto forte de treino para diversos níveis de praticantes. É comum ter pessoas caminhando, correndo devagar ou fazendo treinos mais intensos. Há inclusive praticantes de mountain bike nesta trilha. É um caminho de aproximadamente 6 quilômetros, que percorre toda a periferia do parque, beirando seus “muros”. Quase toda a superfície é composta por terra batida e grama, mas tem trechos de asfalto. Para quem nunca passeou por esta trilha, recomendo uma volta correndo devagar ou então caminhando, apenas para contemplar a diversidade do parque e conhecer melhor o piso. Não recomendo a Volta da Grade para treinos intensos, exceto para os corredores veteranos, pois o risco de sofrer uma entorse de tornozelo ou tropeçar é grande. Os trechos apresentam subidas e descidas leves, mas boa parte é plana.

Volta do Lago: É o caminho mais utilizado no parque. Toda sua extensão é de asfalto e praticamente todo plano. Este percurso tem aproximadamente 3 quilômetros. Permite a realização de qualquer tipo de treino e para todos os níveis de praticantes. Fica bem congestionado durante os horários “nobres” pela manhã (entre 7h00 e 8h00) e à noite, principalmente em dias com clima mais quente. Nos finais de semana o percurso costuma ficar bem “congestionado”.

Praça da Paz: é um gramado bonito e pouco explorado. A Praça forma um grande “quadrado”, com aproximadamente 1 quilômetro de extensão, plano. A superfície é de grama baixa. Considero uma área “zen” do parque, pois tem atmosfera mais relaxante. Pouca gente explora este espaço. Recomendo para treinos leves e caminhadas ou para “aumentar” os treinos longos.

Áreas para treinos em subidas: A carência do parque se resume a trechos com subidas. Os aclives são uma parte importante do treinamento de corredores intermediários e avançados e ajudam a complementar o condicionamento físico. O Ibirapuera tem apenas duas áreas que servem este propósito.

Subida das rampas da Bienal - São três subidas de 10 metros, íngremes, que ficam na entrada da Bienal. É muito utilizada e indicada por corredores leves e em boa condição física, pois são íngremes e com superfície de concreto duro;

Subida da Volta do Lago - É uma subida média em curva, no sentido anti-horário, de aproximadamente 40 metros, em asfalto. É boa para corredores de nível intermediário e avançado, e serve para “sprints” para melhorar a força e resistência muscular.

Por Renato Dutra

 

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