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31/08/2011

às 16:47 \ Outras

Brasil Campeão Mundial! E de Atletismo!

Fabiana Murer exibe a bandeira após a conquista inédita no Atletismo (Foto: Diego Azubel/EFE)O país do futebol foi surpreendido pela inédita conquista no Mundial de Atletismo realizado na cidade de Daegu, na Coréia do Sul. Fabiana Murer obteve, pela primeira vez na história do Brasil, uma medalha de ouro em uma etapa do campeonato mundial de atletismo. Ela alcançou um feito jamais igualado por nenhum outro atleta brasileiro – nem mesmo os campeões João do Pulo, Ademar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz conseguiram tal êxito. E o mais impressionante: no salto com vara, uma prova em que não temos tradição.

Por esse motivo, Fabiana assume o posto de destaque de nossa “seleção brasileira” e marca um verdadeiro “gol de placa”. Que Neymar, Ganso, que nada! Vamos exaltar esta conquista única em nossa história! Além do futebol, deveríamos torcer para um time de basquete, voleibol e até mesmo uma equipe de atletismo. Pena que o brasileiro só tenha olhos para o futebol.

Infelizmente, o êxito de Fabiana é fruto mais de sua dedicação e talento do que propriamente de investimento em equipes de atletismo. Essa modalidade, que já nos trouxe tantas alegrias, vive uma época de investimentos escassos. E que venham os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Será que vamos conquistar medalhas? Será que o povo brasileiro se importa, ou está mais preocupado com a Copa do Mundo de 2014?

E não podemos nos esquecer de que sediaremos os Jogos Olímpicos em 2016, na cidade do Rio de Janeiro. A meu ver, a coisa vai mal. Deveríamos repensar nossa política de investimentos em atletas. O salário de um único jogador de futebol pode pagar uma equipe inteira de atletas de diversas modalidades: judô, atletismo, handebol, etc. E quantas medalhas o futebol já nos trouxe? Quantas crianças não poderiam ter sido campeãs em outras modalidades? E se Fabiana Murer somente tivesse tentado a sorte como jogadora de futebol?

Parabéns, Fabiana, porque você marcou um golaço!

Por Renato Dutra

03/08/2011

às 17:47 \ Outras

O (mau) exemplo do ‘Capitão América’

Capitão América, mais recente sucesso nos cinemas, conta a história de Steve Rogers, um rapaz franzino que não mede esforços para fazer parte do exército. Recusado no alistamento, Steve declara sua intenção de aceitar qualquer coisa para lutar na guerra e é recrutado para um experimento. O “Projeto Supersoldado” administra um soro especial e radiação ao fracote e o transforma num superatleta musculoso, forte, veloz e ágil. Alguém vê semelhança entre a ficção e a realidade de alunos de academia em busca do corpo perfeito? Infelizmente sim.

Quem não gostaria de se livrar de suas fraquezas e debilidades e, sem esforço, ficar sarado, ágil e veloz? Muitos praticantes de esportes gostariam de ser o Capitão América e sonham com uma solução rápida para “problemas” como excesso de gordura, flacidez, falta de disposição, dores nas costas… A lista parece não ter fim. Um dia desses uma amiga me disse: “Se existisse um remédio para me dar tônus muscular e cuidar da minha barriga e do meu braço seria muito mais fácil. Era tomar e já ter o corpo mais durinho!”

Todos nós somos programados para buscar a solução mais rápida, prática e, se possível, indolor para nossas necessidades. Essa busca, porém, pode ser perigosa. É preciso lembrar que os super-heróis só existem nas histórias em quadrinhos e nos filmes e, quando a história termina, voltamos vida real, onde a melhor maneira de se cuidar é praticar exercícios de forma regular, respeitando o seu corpo.

Afinal, você não precisa saltar sobre casas ou levantar carros. Basta andar, subir escadas, talvez pular uma poça d’água, e já será visto como um super-herói pela maioria dos seus amigos sedentários.

Por Renato Dutra

11/05/2011

às 15:31 \ Outras

Nunca é tarde

Marcelo é um velho amigo cuja história pode ser inspiradora. Como muitos homens na vida adulta, ele abandonara quase que completamente a atividade física, após de ter sido muito ativo na infância e adolescência. Seu exercício se limitava a uma partida de futebol, vez ou outra. Fumava e tomava uma cervejinha nos finais de semana, combinação cujo resultado se materializava na gordura acumulada no abdome e na falta de disposição generalizada.

Um dia Marcelo me surpreendeu: queria começar a correr. “Preciso que você me ajude a elaborar um treino”, pediu.

Desconfiei daquele ímpeto, admito, principalmente vindo de alguém que sempre me dizia: “Renato, não sei como você gosta de correr. Eu só corro atrás de bola!”. Não sabia se estava diante de uma real mudança de estilo de vida ou se era apenas uma empolgação passageira que duraria uma ou duas semanas.

Na dúvida, elaborei a planilha. E tive a grata surpresa de ver o meu amigo mudar de vida. Hoje, Marcelo corre três vezes por semana e acaba de completar sua primeira prova de 10 quilômetros. Além disso, parou de fumar. Trocou o vício do cigarro pelo da corrida!

Marcelo merece meu reconhecimento, porque mudar hábitos não é uma coisa simples. Exige paciência e persistência. Os resultados acontecem, mas não na velocidade e magnitude que esperamos. Justamente por isso muita gente desiste nas primeiras semanas.

Há quase vinte anos na área da saúde, posso afirmar que vi muito mais vezes a preguiça vencer a força de vontade. Raros foram os que realmente abandonaram o cigarro e o sedentarismo. Mas eles existem, o Marcelo está aí para comprovar.

E você, conhece histórias semelhantes, de gente que mudou seu estilo de vida para melhor? Espero que você faça parte desse grupo.

Por Renato Dutra

27/04/2011

às 15:42 \ Outras

A lesão sofrida pelo Adriano

A lesão sofrida pelo Adriano, atualmente jogador de futebol do Corinthians e com passagens por clubes da Europa e Seleção Brasileira é mais freqüente do que imaginamos. E é por isso que decidi discutir esse caso com você, caro leitor.

Para aqueles que não acompanham o futebol, Adriano sofreu uma ruptura total do tendão calcâneo (popularmente conhecido como tendão de Aquilles). Não é muito comum que o tendão calcâneo se rompa sem já estar lesionado, isto é, desgastado, inflamado e dolorido. Não cabe aqui à Chegada questionar sobre a lesão sofrida pelo Adriano, mas entendo que podemos aprender com o episódio.

Como os próprios médicos recomendam, é sempre melhor investir na prevenção. Em outras palavras, precisamos realizar práticas que previnam o aparecimento de lesões. Em se tratando da tendinite do tendão calcâneo, um estudo realizado em 2004 pelo Departamento de Trauma e Cirurgia Ortopédica da Universidade de Keele (Reino Unido), a incidência da tendinite no tendão de Aquilles é DEZ VEZES MAIOR em corredores, quando comparados a um grupo de indivíduos da mesma faixa etária e que não pratiquem corrida. E outras modalidades como os esportes de raquete, voleibol e futebol também apresentam uma incidência expressiva para essa lesão.

O tendão serve para transmitir a força gerada pelos músculos até os ossos. Do ponto de vista mecânico, durante a corrida a força gerada nos tendões corresponde a 12,5 vezes o peso corporal, enquanto na caminhada essa força é de 4,8 e no ciclismo de apenas 0,08 vezes o peso do corpo. Acredito que fica fácil entender a importância dos exercícios que ajudam a diminuir o risco de desse tipo de tendinite.

Eu mesmo sofri mais de um ano com essa lesão, justamente por não ter realizado o cuidado preventivo. Fiquei afastado da corrida e de outras atividades e aqueles que já passaram por isso sabem bem como é frustrante não poder praticar a atividade de que tanto gostamos.

Abaixo, um vídeo mostra um exercício muito simples e que pode e deve ser realizado entre uma e duas vezes por semana para diminuir a chance de surgimento de tendinite do tendão calcâneo.

Por Renato Dutra

09/03/2011

às 15:59 \ Outras, Treinamento

Carros e bicicletas poderão algum dia viver em paz?

O caso do atropelamento de um grupo de ciclistas em Porto Alegre me deixou extremamente irritado. As pessoas costumam esquecer casos graves como esse com o passar do tempo. A verdade é que eles vivem acontecendo. Eu mesmo já fui atropelado por um veículo. Não contente com o atropelamento, o motorista não prestou socorro e ainda ficou nervoso por eu estar “ocupando” a rua. Como argumentar com alguém que pensa desta forma?

Moro na cidade de São Paulo. Aos sábados, centenas de corredores e ciclistas realizam seus treinos na Cidade Universitária, no campus da zona oeste. Sempre que há algum acidente envolvendo ciclista e motorista a briga é a mesma: um acusa o outro de negligência, pressa e imprudência. Ninguém para para pensar que não precisa ser assim. A convivência civilizada é possível. E mais do que possível, ela é necessária numa cidade como Sao Paulo, que constata a cada dia o esgotamento de sua malha viária.

No texto “O que esperar da nossa presidente”, discuti a importância de se investir em ciclovias, diminuindo o fluxo de automóveis. Dilma iniciou seu mandato há poucos meses e ainda terá tempo de incluir a questão das ciclovias como um projeto para o Ministério dos Transportes. É uma aposta na mobilidade segura e racional, uma chance de estarmos preparados até sediarmos a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

E fica aqui o meu protesto contra os motoristas que acham que as ruas pertencem apenas aos carros.

Por Renato Dutra

03/02/2011

às 18:22 \ Outras

Obstáculos

Vou começar esse texto com a lembrança de um filme de que gosto muito para falar de uma coisa que acontece em esportes e sempre me deixa entusiasmado.

O filme é O Náufrago. Antigo, eu sei, a maioria já viu, mas ele tem tudo a ver com o nosso tema de hoje. Nele, o ator Tom Hanks faz o papel de Chuck Noland, funcionário de uma empresa de entrega de correspondências. Seu trabalho depende de prazos e ele, portanto, é um escravo do relógio. Como tantos de nós. Após um acidente aéreo, Noland acaba isolado em uma ilha no sul do Pacífico. Claro, tudo muda.

No início do filme, vemos um indivíduo visivelmente acima do peso, daqueles sem tempo para cuidar do corpo e da saúde (como tantos de nós). Isolado em uma ilha, porém, Chuck se vê obrigado agir para sobreviver. Constrói barracas, sobe em árvores, faz trilhas, fogueiras… vai ficando cada vez mais magro. E, claro, também é obrigado a alimentar-se com o que tem à mão: frutas e peixes, quando consegue pescar. Chuck, uma pessoa comum, aprende na marra que sobreviver física e mentalmente depende de superar obstáculos.

Por que esse filme agora?  Porque eu queria falar sobre histórias de superação e gostaria de destacar a espetacular campanha de nossa equipe de atletas paraolímpicos que disputaram o mundial de atletismo adaptado. Obtivemos a terceira colocação, a melhor de nossa história. Estes sim sabem o que é superar obstáculos. O que é superar dificuldades para atingir um objetivo. Agem e conquistam êxito apesar das limitações – como o náufrago obrigado a sobreviver.

Enquanto isso, a maioria de nós encontra sempre uma desculpa ou outra para não praticar atividade física. Parabéns, atletas paraolímpicos e muito obrigado pela lição!

Por Renato Dutra

19/05/2010

às 20:42 \ Outras

Cultura do futebol x Rio 2016


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei que estipula um prêmio no valor de 100.000 reais aos jogadores brasileiros que foram campeões do mundo em 1958, 1962 e 1970 e auxílio mensal, extensivo aos descendentes de 3.416,54 reais. Os custos sairiam dos cofres públicos, do Ministério do Esporte e da Previdência Social.

Enquanto lia sobre este projeto não pude deixar de me perguntar se os grandes campeões mundiais e olímpicos, como João do Pulo, Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, Aurelio Miguel, Maurren Maggi e tantos outros também não merecem este benefício? E os investimentos destinados para as categorias de base?

Fui criticado quando escrevi Apenas sediar a Olimpíada não ajuda o esporte  por acreditar que estamos muito atrasados no investimento nas categorias de base das modalidades olímpicas. Adoro futebol, mas essa cultura excessivamente focada numa única modalidade esportiva é o maior obstáculo para destinar recursos e divulgação para os demais esportes. E 2016 se aproxima…

Por Renato Dutra

07/10/2009

às 5:47 \ Outras

Rio 2016: já é hora de começar a trabalhar

renato-06-10-2009
Bem, é hora de começar a trabalhar na formação de atletas para 2016. Um bom exemplo a ser seguido é a China, que preparou seus atletas investindo forte em centros de excelência esportiva antes de sediar os Jogos. Trabalharam duro na formação de milhares de praticantes de diversas modalidades, extraindo o máximo do potencial e talento para criar equipes de 12 a 18 anos, que estavam no topo de sua forma na época dos Jogos, em 2008. O resultado: 51 medalhas de ouro, superando os EUA.

No nosso caso, podemos aproveitar para formar uma massa de bons esportistas, de onde sairão alguns mais talentosos para representar o país nos Jogos. Creio que primeiro fosse o melhor oferecer peneiras pelo país e dar algum incentivo para os pais levarem a garotada aos testes. Por exemplo, na corrida de longa distância -  em que o sucesso depende muito mais de capacidade e potência aeróbia -, um simples teste de 12 minutos numa pista de atletismo já serve para detectar aqueles que têm potencial diferenciado. Em um único dia é possível realizar peneiras com mais de duzentos atletas mirins. Em uma semana é possível avaliar mais de mil candidatos.

Claro que, após esta triagem – que poderia ser feita também em escolas -, é preciso oferecer um período mais longo de treinamento e avaliação, com testes mais refinados, inclusive psicológicos – aí neste caso nas equipes especializadas. De qualquer modo, é uma aposta que pode trazer boas surpresas.

Olheiros – As equipes de ponta do atletismo nacional têm olheiros, mas geralmente prestam mais atenção naqueles que já estão se destacando. Há muitas crianças e adolescentes que não sabem do potencial que têm. Estão jogando ou brincando nas ruas, nas escolas, etc.

As poucas que investem na base trabalham com número muito pequeno de jovens, o que torna quase impossível tirar do grupo algum atleta que se destaque numa olimpíada. Ter entre 50 e 100 atletas entre 14 e 18 anos é pouco. Em outros esportes o número de atletas na base é muito superior em clubes.

Apesar de as provas de rua ajudarem a revelar alguns corredores de elite, o ideal é invistir nas provas de pista, nos 5.000 e 10.000 metros. É neste setor que o Brasil é carente, pois não investe em circuitos de provas de pista para atletas juvenis e adultos. Entre corredores fundistas é comum ouvir que “prova de pista no Brasil não dá futuro. O dinheiro está nas provas de rua!”

Isso vai totalmente contra o que acontece nos Estados Unidos e Europa, onde os grandes corredores fundistas iniciam a carreira na pista e depois migram para as ruas, como o queniano Paul Tergat (cinco vezes vencedor da São Silvestre), o etíope Haile Gebrselassie e o mexicano Arturo Barrios (bicampeão da São Silvestre).

Técnico – A base brasileira tem bons profissionais. É fundamental que tenha o curso de mais alto nível da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), e de preferência que tenha passado pelo menos uma temporada nos Estados Unidos ou  Europa, acompanhando atletas. É importante estar atualizado, participar de congressos e cursos, no Brasil e no exterior.

Por Renato Dutra

 

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