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Arquivo de maio de 2012

30/05/2012

às 21:22 \ Treinamento

A música ajuda no desempenho do corredor?

(Foto: Thinkstock)

Muitos corredores vêm utilizando tocadores de MP3 durante treinos e provas. E pelo visto, a legião dos usuários desses aparelhos só tende a crescer. Os adeptos buscam tornar a experiência de correr mais agradável ou então “disfarçar” a dificuldade imposta pelo exercício. Quanto ao aspecto motivacional, isso não se discute. Todavia, me pergunto se a música exerce alguma influência sobre o desempenho do corredor, seja ela positiva ou negativa.

Recentemente, um grupo de pesquisadores brasileiros comparou a performance na distância de 5km sob duas condições: com e sem música. Para isso, 15 corredores amadores do sexo masculino realizaram duas provas simuladas de 5km em um esteira, cada uma acontecendo em dias diferentes e com intervalo mínimo de 2 dias e máximo de 7 dias.

Os resultados?

Realmente a música influenciou positivamente o desempenho dos corredores. O teste de 5km realizado sem música foi em média 24 segundos mais lento. Além disso, a percepção do esforço com música também foi menor. Em outras palavras, os tocadores de MP3 melhoram o rendimento e ainda aliviam um pouco o sofrimento. E vale destacar que esse estudo também cita outras pesquisas que encontraram resultados semelhantes.

Particularmente, não sou adepto do MP3, pois prefiro escutar a “música” dos parques, mas a ciência vem demonstrando o seu valor para os corredores amadores.

Então podemos investir em tocadores de MP3? Parece que sim. Basta não esquecer dos cuidados com a segurança, evitando usar esses aparelhos em locais por onde circulam veículos, e sem abusar dos decibéis.

Para saber mais: Carnaúba, C.; et all. EFEITOS DA MÚSICA SOBRE RESPOSTAS PERCEPTIVAS E ESTRATÉGIA DE CORRIDA. Brazilian Journal of Biomotricity, vol. 5, núm. 3, 2011, pp. 210-220.

Por Renato Dutra

23/05/2012

às 15:39 \ Saúde

Crianças podem fazer musculação?

(Foto:Thinkstock)

Notei em algumas academias e clubes uma frequência de praticantes cada vez mais jovens, alguns ainda no início da adolescência. Isso me fez lembrar toda a controvérsia a respeito do tema, pois muitos médicos são contrários à prática de musculação nessa faixa etária. Mas afinal, o que os estudos têm a dizer a respeito?

Uma revisão feita por dois médicos de Salvador (BA) e publicada na Revista Paulista de Pediatria traz informações importantes para pais que querem estimular a prática da atividade física sem provocar efeitos negativos sobre o crescimento e o desenvolvimento de seus filhos.

Abaixo, cito as principais recomendações dos pesquisadores:

1 – O exercício físico leve a moderado, de forma geral estimula, o crescimento e deve ser incentivado. A atividade física extenuante, principalmente quando associada à restrição dietética, afeta o crescimento, o desenvolvimento do adolescente na fase puberal, a função reprodutiva e a mineralização óssea. O treinamento de alto rendimento deveria acontecer somente para os adolescentes mais velhos, que já apresentam estágio de maturação óssea finalizado.

2- Quanto à prática de musculação por crianças e no início da ado­lescência, algumas pesquisas a consideram prejudicial. Outras, porém, sustentam que ela pode ser benéfica, desde que seja bem supervisionada. Aqueles que são contrários à prática alertam sobre o potencial risco de lesão da cartilagem de crescimento e de fechamento precoce dessas estruturas, como resultado de sobrecarga excessiva. Isto é particularmente importante em crianças com baixa estatura que, na tentativa de compensar a baixa altura com o aumento da massa muscular, podem prejudicar ainda mais seu potencial de crescimento.

O efeito benéfico e seguro da musculação em crianças se observa em progra­mas experimentais que utilizam pesos sob supervisão de instrutores, com freqüência de duas a três vezes por semana. Nesses casos, mesmo em crianças pré-adolescentes, ocorre um aumento de força e resistência muscular em resposta a adaptações neuromusculares, na ausência de hipertrofia muscular, com baixo risco de lesão e sem afetar negativamente o crescimento.

Em resumo, é preciso muito cuidado ao permitir que pré-adolescentes façam musculação. Apenas cargas moderadas, com dois ou no máximo três treinos semanais, e sempre supervisionados por profissionais qualificados. Na ausência destas condições, o ideal é esperar pelo término da fase de crescimento dos filhos, para evitar danos aos jovens esportistas.

O seu filho pratica atividade física regularmente?

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Seu filho pratica musculação?

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Para saber mais:

Alves, C. & Villas Boas Lima, R. :  Impacto da atividade física e esportes sobre o crescimento e puberdade de crianças e adolescentes.  Rev Paul Pediatr 2008;26(4):383-91.

Por Renato Dutra

16/05/2012

às 19:18 \ Emagrecimento

Gordura no inverno? O jeito é acelerar o ritmo

(Foto: Thinkstock)

Fui convidado a dar uma palestra para um grupo e o assunto, adivinhem, é o mesmo que tantos comentários rende aqui na Chegada: como queimar gordura?

Sim, todo mundo vive preocupado com a gordura. E com a proximidade do inverno, quando tendemos a consumir alimentos mais calóricos, essa preocupação aumenta. Por isso, compartilho a seguir um resumo do que vêm apontando os estudos mais recentes:

1-    Não pense só na gordura queimada DURANTE o exercício. Para queimar um quilo de gordura é preciso gerar um déficit de 7700 calorias. Em outras palavras, fica bem mais difícil emagrecer apenas com atividade física;

2-    Além do tempo gasto durante o exercício, faça o máximo para manter-se ativo. As pesquisas indicam que o tempo que passamos sedentários está diretamente relacionado à engorda e ao emagrecimento. Mais tempo parado, mais chance de engordar, e vice-versa.

3-    Faça treinos e atividades que acelerem a taxa metabólica de repouso (TMR). Muita gente culpa o metabolismo pelos resultados insatisfatórios e isso é verdade. Temos que acelerar a nossa TMR. Como fazer isso? Até o momento, os, melhores resultados foram obtidos com musculação (principalmente nos treinos para aumento da massa muscular) e de treinos e atividades mais intensas (treino intervalado de bike ou corrida, futebol, basquetebol – atividades intermitentes). Num estudo recente, apenas o grupo de corredores que fez treinos de alta intensidade conseguiu reduzir a gordura corporal; a turma que treinou mais leve não emagreceu nada.

Em resumo, aquela corrida preguiçosa de 1 hora, em baixa intensidade, pouco ajudará na lutar contra o peso extra que ganhamos com as comidas mais calóricas dos meses frios que estão chegando.

O jeito é acelerar o ritmo!

Para saber mais:

E. G. Trapp, D. J. Chisholm, J. Freund, and S. H. Boutcher,“The effects of high-intensity intermittent exercise training on fat loss and fasting insulin levels of young women,” International Journal of Obesity, vol. 32, no. 4, pp. 684–691, 2008.

Por Renato Dutra

09/05/2012

às 19:18 \ Saúde

Mortes no esporte

Corredores disputam a Maratona de Londres, no último dia 22 de abril (Foto: Reuters)

Imagino que o leitor, assim como eu, tenha levado um susto. Num espaço de quinze dias em abril, três atletas morreram de parada cardíaca. Piermano Morosini, jogador de futebol do Livorno, morreu no dia 14, aos 25 anos; Claire Squires, maratonista britânica, no dia 22, aos 30 anos; e Alexander Dale Oen, melhor nadador da história da Noruega, no dia 30, aos 28 anos. Todos jovens e, supostamente, em ótimas condições físicas.

O caso específico da maratonista britânica Claire Squires traz questionamentos importantes para amantes de corridas, como nós, porque as maratonas têm se popularizado bastante, com diversas provas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Somando-se o número total de participantes apenas das principais maratonas internacionais (Berlim, Boston, Chicago, Londres e Nova Iorque), chegamos a um universo de mais de cem mil pessoas correndo a distância de 42 quilômetros. Será que todos esses corredores estão bem preparados e bem assistidos? Qual o risco de morte súbita em corredores? Devemos ficar preocupados?

Uma pesquisa recente*, publicada por um grupo de médicos norte-americanos no New England Journal of Medicine traz dados que nos levam a acreditar que não há motivo para tanta preocupação. Segundo os dados levantados nos EUA, para cada 10,9 milhões de praticantes de corrida, ocorreram apenas 59 episódios de parada cardíaca. A média entre as vítimas da ocorrência é de 42 anos. Dos 59 atletas afetados, 51 eram homens. E das 59 ocorrências, 42 foram fatais.

O número de paradas cardíacas é pequeno para o universo pesquisado, mas o estudo alerta para o fato de que a incidência destas ocorrências praticamente dobrou em maratonas (42 km), quando comparadas com a meia maratona (21,1km). Outra informação bem relevante: as paradas cardíacas acontecem com frequência mais alta no terço final da maratona, como no caso da britânica Claire, que entrou em colapso metros antes da linha de chegada.

Essas três fatalidades servem como alerta a todos nós que praticamos esportes para a importância de termos um médico que nos acompanhe e com quem devemos realizar consultas periódicas preventivas. E temos que ter cuidado com a preparação para estas provas de corrida, principalmente para maratonas. Se é que devemos correr distâncias tão longas.

E você, se cuida como deveria? Responda à nossa enquete abaixo.

Com que freqüência você consulta seu médico para saber se está apto à prática esportiva?

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Para saber mais:

Kim, J. H. et. all Cardiac Arrest during Long-Distance Running Races.  New England Journal of Medicine, 366:130-40, january 12, 2012

P.S: Agradeço ao amigo, médico e corredor Dr. Ophir Irony, pelo importante estudo que destaco neste texto.

Por Renato Dutra

02/05/2012

às 16:39 \ Saúde, Treinamento

Correr descalço. A polêmica continua

Thinkstock

Sei que já abordei o assunto antes, mas a polêmica sobre o tema só aumenta. Além disso, fabricantes investem cada vez mais em modelos de tênis conhecidos como minimalistas, aquele com menor nível de proteção contra os impactos da corrida. As grandes marcas perceberam que os corredores estão consumindo e acreditando no conceito minimalista.

Por que correr descalço? Existe fundamento nisso?

A teoria desta prática sugere que correr com menos proteção torna a pisada mais “natural” e ajuda a fortalecer os músculos intrínsecos dos pés. O médico americano Daniel E. Lieberman, em estudo publicado na Exercise and Sports Sciences Reviews, sugere, no entanto, que até agora há mais perguntas do que respostas em relação à prática. Não há como sabermos – por enquanto –  se correr descalço é melhor para curar ou prevenir lesões. Lieberman argumenta que, apesar dos grandes investimentos feitos pela indústria de calçados para corrida nas últimas décadas, o índice de lesões em corredores permanece muito alto.

O que fazer diante de tanta incerteza? Correr ou não descalço? Devemos usar modelos minimalistas ou não?

Confesso que sou adepto do conceito minimalista, mas faço o uso deste tipo de calçado muito mais para andar do que correr. Também faço uma “corridinha” descalço, mas na grama de um campo de futebol e por apenas 15 minutos, uma vez por semana. Adotei esta prática há alguns anos, após ler alguns estudos e ouvir a opinião de médicos e fisioterapeutas que também se interessam pelo assunto.

Você é adepto do conceito minimalista para correr?

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Para saber mais: Lieberman, Daniel E. What can we learn about running from barefoot running: na evolutionary medical perspective. Exercise & Sport Sciences Reviews. 40(2):63-72, April 2012.

 

Por Renato Dutra

 

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