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Arquivo de março de 2012

29/03/2012

às 14:35 \ Saúde

Meias de compressão

(Foto: Thinkstock)

A moda é relativamente recente, e vem crescendo ultimamente, a ponto de se tornar comum encontrarmos corredores usando meias de compressão. Eu mesmo já abordei o tema aqui, mas volto a ele para trazer a opinião de um especialista, o doutor Kasuo Miyake, médico e cirurgião vascular que me foi apresentado pela professora Simone Lotito, pós-graduada em Fisiologia do Esporte. Reproduzo abaixo parte do bate-papo que tivemos, em que ele nos ajuda a entender como fazer o uso correto desse tipo de material.

O senhor costuma dizer que temos mais de um coração. O que isso significa? Temos cinco “corações”, dois nas panturrilhas e dois nos antebraços, além do conjunto de músculos e ossos da caixa torácica e abdome. Chamo esses grupos de “corações” porque eles também ajudam o sangue a circular pelo corpo. Podem evitar trombose em situações onde somos forçados a ficarmos parados, como em voos longos, por exemplo. Por isso é muito importante manter esses músculos em bom estado de saúde e usá-los durante o dia.

O senhor me submeteu a um ultrassom das pernas e constatou uma anormalidade no retorno venoso, ainda que assintomático. Qualquer pessoa deveria ser examinada? Entre 20% e 30% dos pacientes assintomáticos tem a safena anormal. Não é raro achar uma pessoa magra, ativa, que não sente qualquer dor nem apresenta edemas, mas que apresenta insuficiência de safenas. Eu acredito que todas as pessoas deveriam fazer a ultrassonografia de perna, porque ela nos ajuda a saber que temos de movimentar mais as pernas e evitar situações em que as deixamos paradas por longos períodos. Isso não quer dizer, claro, que todos os que apresentam essa anormalidade devem ser submetidos a cirurgias. A existência de sintomas continua sendo determinante na decisão sobre uma intervenção.

Como essa insuficiência de safena pode afetar um atleta? Ela pode causar perda de performance, recuperação mais lenta após o exercício, cicatrização mais lenta de microlesões, etc.

O que o senhor acha dessa moda do uso de meias elásticas entre os corredores? A meia pode ajudar, mas é preciso adotar alguns cuidados para comprar o modelo correto. Se for usada de forma errada, a meia, pode fazer mais mal do que bem.

Como escolher a meia ideal? A meia ideal deve comprimir de 15 a 20 mmHg na região dos tornozelos e dos pés. Na metade da panturrilha, ela deve comprimir 70% disso e, na extremidade superior, apenas 20% disso. Se a meia ficar frouxa no tornozelo e muito esticada na panturrilha ou no joelho, acaba tendo gradiente de pressão invertido e piora o retorno venoso e linfático. Além dessa questão da compressão, é importante que a meia seja leve, com alta taxa de respiração, e que seja feita em material de boa qualidade, que mantenha as características de compressão após o uso. Se ela ficar deformada depois do uso, deve ser descartada.

Por Renato Dutra

22/03/2012

às 17:07 \ Saúde

Barriga sarada é mais do que simples estética

(Foto: Thinkstock)

É praticamente unânime, entre homens e mulheres: ninguém gosta daquela “barriguinha”. Pelo contrário, o sonho de consumo das pessoas é o abdome do tipo “tanquinho”.

Estética à parte, o que mais preocupa em relação à gordura acumulada na região do abdome é a sua relação alguns fatores de risco para a saúde. Diversas pesquisas apontam, por exemplo, que ela pode indicar risco de desenvolver resistência à insulina (Diabetes Tipo II). E há também fatores de risco cardiovascular.

Para saber se você está mais predisposto a algum distúrbio metabólico (síndrome metabólica), basta usar a medida da circunferência de seu abdome.

Medindo a circunferência abdominal corretamente

Posicione uma fita métrica ao redor do seu abdome nu, na linha do umbigo. Certifique-se que a fita esteja justa, mas sem que comprima sua pele, e que esteja paralela ao chão. Relaxe, expire, e observe a medida.

As medidas consideradas de risco ou saudáveis variam entre alguns países. No Brasil, as entidades reguladoras recomendam o seguinte:

Homens: até 90 cm

Mulheres: até 80 cm

Em resumo, mais do que um corpo sarado, praticar exercícios com regularidade e adotar uma alimentação balanceada pode diminuir fatores de risco para a sua saúde.

E você? Sabe o tamanho da sua barriga? Responda à enquete.

Qual a sua circunferência abdominal?

Se você é mulher, vote aqui:

Ver resultado

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Se você é homem, vote aqui:

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Por Renato Dutra

14/03/2012

às 11:00 \ Treinamento

Corredores podem alongar ou não antes do treino?

foto: Thinkstock

O debate sobre alongamento pré-treino é algo que se arrasta há pelo menos quatro anos. Alunos e amigos estão sempre me perguntando se devemos alongar antes dos treinos. Outros são mais incisivos e dizem que essa prática pode prejudicar o  desempenho. Quem tem razão nessa discussão? O que fazer?

Há um estudo publicado no conceituado Medicine & Science in Sports and Exercise, em janeiro de 2012, sobre esse tema. Os pesquisadores chegaram a algumas conclusões que podem nos ajudar. Abaixo eu transcrevo as que considero mais importantes:

- O alongamento estático pode exercer algum efeito negativo sobre a força máxima e explosiva. Não há evidência de que atrapalhe o desempenho para esforços prolongados (típico da corrida, triatlo, etc.);

- A redução temporária da força máxima ou explosiva ocorre quando o alongamento estático ultrapassa 45 segundos. Não se observa este efeito quando o intervalo se limita a 30 segundos ou menos.

-106 pesquisas foram revisadas, sendo que 30% não apresentaram análises estatísticas confiáveis;

E a conclusão dos autores: “os efeitos negativos do alongamento estático acontecem quando se ultrapassa os 60 segundos, o que geralmente não ocorre em rotinas pré-exercício…”

A minha conclusão? Temos que cuidar da nossa flexibilidade, fundamental para garantir amplitude de movimento básica. A maioria de nós não fará uma sessão específica para isso em um outro momento do dia. Então, um recurso interessante é justamente usar uma parte do treino para cuidar um pouco da flexibilidade. Ficará melhor ainda ao incluirmos alguns alongamentos dinâmicos, melhorando principalmente a nossa mobilidade articular. E sempre limitando cada exercício a um intervalo máximo de 30 segundos!

Para saber mais:

Kay, A. D.; Blazevich, A. J. Effect of Acute Static Stretch on Maximal Muscle Performance: A Systematic Review. Medicine & Science in Sports & Exercise, vol.44, n.1, p. 154-164, 2012.

 

Por Renato Dutra

07/03/2012

às 15:32 \ Saúde

Movimentos explosivos ajudam a envelhecer com saúde

(Foto: Thinkstock)

Musculação já foi tema desta coluna – um dos textos mais comentados, aliás, tinha como título: “Vantagens da musculação: força e saúde”. Persiste, porém, uma questão para quem pratica os exercícios na academia: os movimentos, afinal, devem ser executados de forma lenta ou explosiva?

De acordo com uma revisão bibliográfica recém-publicada no Exercise and Sports Sciences Reviews, há muito a se ganhar com os movimentos explosivos. E os benefícios não valem apenas para os praticantes jovens, mas principalmente para os atletas da terceira idade.

De acordo com as pesquisas, com o passar dos anos perdemos força e capacidade de recrutar rapidamente os músculos. Esta segunda, porém, declina de forma mais veloz que a perda da força. Em outras palavras, somos capazes de levantar um peso, mas quando precisamos fazer isso de forma rápida (brincar com os netos, saltar uma poça d’água, etc.), sentimos dificuldade. E é aí que, muitas vezes, ficamos vulneráveis a lesões ou quedas. A musculação com movimentos explosivos ajuda a melhorar essa agilidade.

Isso quer dizer que os exercícios realizados lentamente estão condenados? De forma nenhuma. Eles são indicados para aqueles que ainda estão em adaptação, pois tendões, ligamentos e cartilagens demoram mais tempo para responder aos estímulos. Após 4 a 5 semanas de adaptação podemos ficar mais explosivos, pelo menos na sala de musculação.

Por Renato Dutra

 

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