Blogs e Colunistas

Xico Sá

19/10/2014

às 11:28 \ Liberdade de Imprensa

Sobre a “demissão” de Xico Sá: a Folha mereceu a repercussão negativa!

Xico Sá

Não havia comentado nada sobre a “demissão” de Xico Sá da Folha porque simplesmente não sabia quem ele era até o episódio ganhar as redes sociais. Já tinha escutado seu nome, pois gente da esquerda caviar gostava de citá-lo por aí. Mas nunca tinha lido nada dele. Parece que escrevia no caderno de “Esportes”, o que explica minha ignorância: não costumo ler tal caderno, por um misto de falta de tempo e de interesse.

O resumo: Xico Sá queria declarar seu voto em Dilma, o jornal “não deixou”, disse que seu espaço ali não era para isso, tem sua política interna da casa, e recomendou que escrevesse para o caderno de “Opinião”. O homem não gostou da “censura”, pediu demissão, e espalhou por aí que foi demitido e censurado, gerando uma comoção da elite burguesa contra o jornal “golpista” da elite burguesa.

Antes de continuar: posso não conhecer Xico Sá, mas se declara voto em Dilma já desconfio automaticamente ou de sua inteligência ou de sua honestidade, quiçá de ambos. É que, parafraseando Meira Penna, “os marxistas (petistas) inteligentes são patifes; os marxistas (petistas) honestos são burros; e os inteligentes e honestos nunca são marxistas (petistas)”. Até hoje não encontrei prova contrária.

Mas voltemos ao Xico Sá. A ombudsman atual da Folha, Vera Guimarães Martins, escreveu hoje sobre o assunto. Seu tom é mais crítico para o lado do jornal, especialmente sobre sua política de não permitir a abertura dos votos, uma vez que o viés de cada um fica bastante evidente para o leitor. Seria hipocrisia, portanto, impedir essa declaração de voto. O jornal tem seus argumentos:

A Secretaria de Redação diz que a regra foi estabelecida para prevenir que as colunas regulares do jornal se transformem em palanques em época de eleição. “Foi instituída também com a finalidade de estimular seus autores a estabelecer um diálogo qualificado com leitores de todos os matizes ideológicos e partidários, inclusive com aqueles, majoritários no público que lê a Folha, que não demonstram afinidades político-partidárias.”

Mas isso escapa ao principal, em minha opinião: jornal é propriedade particular, tem dono. E quem tem o direito e a liberdade de decidir os critérios de aprovação de textos é o proprietário. Censura é um termo bem mais adequado para ações do governo. No mercado, se não gosto de um produto, sou livre para simplesmente evitá-lo. Ninguém é obrigado a comprar a Folha ou a escrever para o jornal.

Os veículos de imprensa buscam pluralidade de olho na própria demanda. Claro que podemos ter veículos de nicho, como certas revistas que só vendem – e pouco – para a turma de esquerda, e precisam compensar a falta de verba de anunciantes com verbas estatais, defendendo o governo em troca. Mas a pluralidade é uma escolha, ainda que normalmente acertada.

O problema é que alguns proprietários de jornal levaram isso ao extremo do absurdo. Em nome da pluralidade, passaram a dar espaço para gente que literalmente odeia e abomina o próprio jornal em que escreve. Qual o sentido disso? Qual a lógica de abrir sua casa para quem te odeia e quer te destruir? Tentando manter uma aparência de plural e tolerante, esses proprietários atraíram a intolerância para dentro de sua casa, e deram voz a quem pretende difamá-los.

Por que a Folha contratou um sujeito como Guilherme Boulos, por exemplo? O líder do MTST é, para começo de conversa, um defensor do crime, pois da última vez que chequei o código penal, ele ainda condenava as invasões de propriedade. Boulos cospe na propriedade privada, na “imprensa burguesa”, na “elite”, e escreve no jornal burguês de elite? Por que abrir seu canal para gente que te acusa de “golpista”? Para não parecer golpista? É uma concessão covarde aos fanáticos de esquerda.

Vejam o que a ombudsman disse sobre o caso:

Xico é uma pessoa querida, mas não posso deixar de mencionar duas atitudes que me incomodaram no episódio de sua saída.

A primeira é que sua “saraivada de posts de escárnio e maldizer nas redes sociais”, como ele definiu em longa nota no Facebook, embolou na mesma vala de suspeição e descrédito todos os jornalistas. No seu “espasmo de ira”, retratou os colegas como pusilânimes que se sujeitam a contar mentiras para produzir um “jornalismo safado”.

A segunda foi escrever que mentiu muito quando era repórter de Folha e “Veja” e que um dia vai contar “tudo o que sabe” sobre assuntos que os grandes jornais não deixam publicar. Conte mesmo, Xico. Insinuações vagas não melhoram o jornalismo, pioram a política e mancham sua biografia. 

Bom, aqui o escritor parece ter confessado que mentia muito, o que já resolve a dúvida que levantei acima, sobre inteligência ou honestidade. Escrevo para o blog da Veja e posso afirmar com a maior tranquilidade de consciência que não adoto a mentira como meio de vida. Talvez por isso eu tenha tanto asco do PT, enquanto Xico Sá é seu eleitor.

Cabe perguntar: o que leva alguém que julga um jornal ou uma revista um instrumento “golpista” e “safado”, “mentiroso” e “manipulador”, a escrever nesse mesmo jornal ou revista? Eu não aceitaria, por exemplo, ser colunista de certas revistas ou blogs que possuem apenas propaganda estatal. Questão de princípio: pratico aquilo que prego.

Por fim, acho que em certo sentido a Folha mereceu a repercussão negativa do caso, colando no jornal a pecha de “censurador”. Afinal, quem mandou contratar, para começo de conversa, esse tipo de gente, que cospe no próprio patrão?

Rodrigo Constantino

18/01/2014

às 20:56 \ Cultura, Politicamente Correto

Mulheres são seres superiores?

Sobre superioridade e inferioridade, creio já ter escrito meu texto definitivo aqui. O título é apenas uma provocação, com base em uma frase solta na coluna de Xico Sá na Folha de hoje. Diz ele: “Por estas e por outras é que as mulheres são mesmo seres superiores”.

Veja bem: não tenho nada contra tal afirmação. E talvez até seja verdade (acredito que não, pois acho muito mais provável haver indivíduos superiores, sejam homens ou mulheres, e não um gênero inteiro melhor). Mas meu ponto é outro.

É o eterno duplo padrão da esquerda politicamente correta. Caberia perguntar: pode isso, Arnaldo? E se fosse o contrário? E se um texto. ainda que de humor, trouxesse a afirmação de que os homens são seres superiores? Alguém tem alguma dúvida de que haveria uma reação imediata?

Quando o presidente de Harvard, Larry Summers (de quem não nutro simpatia alguma, pela arrogância), declarou que considerava possível haver diferenças naturais entre os sexos em termos cognitivos, já que os homens demonstravam melhores aptidões em matemática, foi um escarcéu total.

Muitos acham que essa declaração infeliz foi decisiva para a escolha de Janet Yellen para o Fed no lugar de Ben Bernanke, uma vez que ambos eram os mais cotados. Vejam o custo pessoal dessa afirmação!

O que eu penso disso tudo? Que o mundo está um lugar muito chato, graças aos igualitários pentelhos. Então não posso mais levantar a hipótese de que, talvez, os negros tenham mais habilidades naturais em basquete, uma vez que observo a enorme predominância de negros na NBA?

Talvez isso eu ainda possa fazer. O que não é mais permitido é sempre o contrário: se alguém colocar o grande vilão do universo em posição de destaque, aí é que fere a sensibilidade alheia. Homem, branco, ocidental, heterossexual e cristão, esse carrega o fardo dos males da humanidade nas costas.

As “minorias” podem ser melhores. Mulheres (minoria?), gays, negros, islâmicos, gente da periferia, esses podem ser colocados como superiores em algum critério qualquer. O que não pode ser feito, jamais!, é o oposto. Nem mesmo em forma de piada, viu?!

Mas, como eu não seria quem sou se aceitasse a patrulha do politicamente correto, seguem alguns aforismos de Karl Kraus para apimentar a noite de sábado:

Nada é mais insondável do que a superficialidade da mulher.

Gosto de monologar com as mulheres. Mas o diálogo comigo mesmo é mais interessante. 

Nada é mais tacanho do que o chauvinismo ou o ódio racial. Para mim, todos os seres humanos são iguais; há idiotas em toda parte e tenho o mesmo desprezo por todos. Nada de preconceitos mesquinhos!

A força mais enérgica não chega perto da energia com que alguns defendem suas fraquezas. 

O homem imagina preencher a mulher. Mas é apenas um tapa-buraco. 

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados