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esquerda caviar

16/04/2014

às 9:56 \ Filosofia política, Socialismo

Só resta ao desonesto Francisco Bosco me rotular de desonesto e monopolizar as boas intenções…

Francisco Bosco é daqueles que representam a esquerda jurássica, uma pessoa que prega o socialismo em pleno século 21, que defende os “black blocs”, que acha que piadas podem ser ofensivas apenas aos homens, brancos, heterossexuais e cristãos, enfim, um ícone da esquerda caviar que condeno. Costumo expor, com argumentos, suas falácias aqui no blog.

Incapaz de rebater minhas críticas com argumentos, Bosco usou sua coluna hoje no GLOBO (aquela imprensa “golpista” da elite capitalista, não custa lembrar) para me rotular de desonesto e tentar monopolizar as boas intenções. É o que lhe resta, na falta de bons argumentos: fingir-se de moderado enquanto prega o radicalismo de esquerda. Vamos lá, ao ping-pong (ele em vermelho e eu em azul, claro):

O mundo já é muito complexo e turvo para os que se propõem a compreendê-lo honestamente. Por compreensão honesta designo fundamentalmente a atitude intelectual que tem como princípio examinar quaisquer argumentos sem o preconceito ideológico que costuma obscurecer a construção coletiva do diagnóstico da realidade.

Percebam que Bosco já assume ser alguém totalmente desprovido de preconceitos ideológicos, como se apenas o seu oponente, de quem discorda, os tivesse. No mais, “construção coletiva” é daqueles termos bonitos, mas que não dizem nada. O raciocínio é sempre individual, assim como o pensamento. 

Todos têm, de modo consciente ou não, posições ideológicas prévias, mas essas devem ser sempre submetidas ao teste da realidade; são pontos de partida, não pontos de chegada. Infelizmente, a atitude intelectual de Rodrigo Constantino — como demonstrou Jean Wyllys, com a clareza devida, em artigo recente — é desonesta, procedendo por reduções, simplificações grosseiras, maniqueísmos sistemáticos, diversos procedimentos que agem no sentido de obscurecer o trabalho público e coletivo da compreensão da realidade (sem falar no abuso da dimensão imaginária das polêmicas — recorrendo sempre a argumentos ad hominem e ridicularizando pessoas famosas, a fim de produzir uma espécie de sensacionalismo intelectual).

Só posso presumir que Bosco não leu meu livro, tampouco acompanha meus artigos no GLOBO, na VEJA e no blog. Eu uso os famosos como ícones do fenômeno para ilustrar meus pontos, todos eles devidamente embasados em teoria e argumentos. Jean Wyllys não provou nada além da própria desonestidade e incapacidade de argumentar, como faz Bosco agora. Caiu em contradição o tempo todo, como mostrei aqui e aqui. Eu não ridicularizo essas pessoas; basta expor suas contradições e hipocrisias que elas fazem isso muito bem sozinhas…

Ao contrário, vou propor aqui uma leitura honesta do que considero, até onde li, seus argumentos principais na defesa da pertinência da expressão “esquerda caviar”, com tudo o que ela carrega de desqualificação. Vou fazê-lo porque julgo que por meio dessa expressão pode-se compreender melhor quais os sentidos e as possibilidades efetivas da esquerda no mundo atual.

Como eu disse, acho que leu pouco, e o que leu, não entendeu. Devem ser aqueles preconceitos citados acima, que Bosco tem apesar de acreditar que não.

O argumento principal de Constantino é o que a expressão sugere de cara: haveria uma contradição entre ser de esquerda e usufruir das benesses propiciadas pelo capitalismo às classes sociais mais altas. Admitida essa contradição, segue-se logicamente que os ricos autodeclarados de esquerda são hipócritas, apenas adotando o semblant de uma retórica socialmente valorizada — e que a sua diferença para os ricos de direita está tão somente em que esses últimos não capitulam a coerção social da hipocrisia.

É muito mais do que isso! A esquerda caviar age de forma diametralmente oposta ao que prega. Condena a ganância alheia e se mostra a mais gananciosa de todas. Cospe no capitalismo e no lucro, mas só quer viver sob o capitalismo, acumulando muito capital, e focando bastante no próprio lucro. Seus ícones são capazes de pregar a mudança radical no estilo de vida – dos outros – para “salvar o planeta”, enquanto circulam por aí em jatinhos particulares. E por aí vai… 

Comecemos então por nos perguntar: o que é ser de esquerda? Sem dúvida, ser de esquerda significa primordialmente considerar a redução das desigualdades econômicas e sociais um objetivo fundamental.

Pausa para mostrar a falácia mais importante do discurso de Bosco: a esquerda, sem argumentos, tenta sempre monopolizar as virtudes. Quem foi que disse que esquerda é desejar reduzir desigualdades sociais? Pergunto ao Bosco: onde há menos desigualdade social: na Austrália ou em Cuba? Na Suíça ou na Venezuela? Nos países mais esquerdistas, ainda mais na linha jurássica que Bosco prega, há enorme desigualdade, pois muitos continuam pobres e uma elite segue detentora de todo o poder e recursos. 

Isso, entretanto, não implica necessariamente adotar uma perspectiva anticapitalista utópica, seja nos moldes da experiência efetiva da esquerda no século XX ou de algum modelo a se inventar. Concordo com T. J. Clark, para quem, em vez disso, é preciso que a esquerda contemporânea faça profundamente a experiência da sua derrota, das catástrofes intoleráveis por ela produzidas, e se esvazie de sua dimensão utópica, engajando-se antes numa política moderada, operando no interior do capitalismo, “por pequenos passos”, “propostas concretas” agindo no sentido de produzir igualdade em diversos âmbitos.

Onde foi que tais experiências deram certo? Qual modelo Bosco defende? Por que elogia o PSOL e Marcelo Freixo? A Venezuela, adorada por essa esquerda caviar, seria um bom exemplo? E Cuba, até hoje elogiada por essa turma, é um bom exemplo desse modelo? Discursos vazios…

Provavelmente a experiência de esquerda mais bem-sucedida no mundo hoje é a dos países nórdicos, capazes de dirigir o capitalismo por meio de um Estado pequeno, porém eficaz no sentido de promover equilíbrio social, conciliando assim os princípios do mercado e da seguridade social, da individualidade e do coletivo, em suma, da liberdade e da igualdade (como mostrou ampla matéria da revista “The Economist”, recentemente).

E eu sabia que chegaríamos aqui, claro. A Escandinávia se tornou o refúgio dos socialistas. Será que Bosco sabe que a região ficou rica antes, com mais liberalismo, e só depois conseguiu bancar esse estado de bem-estar social enorme? Será que ele sabe que isso tem custado caro demais, e levado a vários problemas? Será que sabe que, mesmo assim, tais países ainda são bem mais liberais e capitalistas do que o Brasil (vide o Índice de Liberdade Econômica do Heritage). A Suécia e a Dinamarca sequer possuem salário mínimo! A abertura comercial é muito maior nesses países. O império das leis também. Enfim, tais países seriam vistos, por nossa esquerda caviar que ainda defende Cuba e Venezuela, como “neoliberais” ao extremo! Bosco não sabe disso ou finge não saber?

Ser de esquerda não implica portanto um anticapitalismo sistêmico e revolucionário — concordo ainda com T. J. Clark quando escreve que, nas condições atuais, a esquerda moderada é que é revolucionária —, cuja prova pessoal de coerência seria uma espécie de franciscanismo, de resto inútil. Mas sim engajar-se, seja por qual via for, na luta pela promoção da igualdade de direitos (conforme fazem, cada um a seu modo, as pessoas desqualificadas por Constantino como símbolos da “esquerda caviar”: Wagner Moura, Regina Casé e Gregorio Duvivier, entre outros).

E Bosco pretende se vender como esquerda moderada? Defensor do PSOL e dos black blocs? Que piada foi essa? Wagner Moura, defensor do terrorista comunista Marighella, é um moderado? Letícia Spiller, fã de Fidel Castro, virou defensora da Suécia agora? Igualdade de direitos? Isso é uma bandeira liberal, Bosco! Igualdade de direitos é colocar todos iguais sob as mesmas leis, o oposto do que vocês querem, com todas essas bandeiras de privilégios para as “minorias” (que, como você mesmo já disse, não precisam ser minoria numérica de fato). 

É oportuno desconstruir outra suposta contradição. Segundo Constantino, os membros da “esquerda caviar” costumam criticar instituições, notadamente a polícia, mas recorrer a elas quando necessário. Deveria ser escusado lembrar que a crítica é um princípio democrático de aperfeiçoamento, e não um instrumento de negação absoluta. Quando pessoas de esquerda criticam a polícia, não estão a defender sua extinção, ingênua ou irresponsavelmente; antes repudiam a sua ação hierarquizante, logo antidemocrática.

Aperfeiçoamento? Essa gente chama a polícia de “fascista”! Bosco, você consome muito óleo de peroba? Mais do que Lula e Dilma? A quem você quer enganar? Aperfeiçoar a polícia queremos todos nós, liberais e conservadores. Vocês querem jogar pedras e coquetéis Molotov nela, acusá-la de “fascista”, desarmar os policiais e enaltecer os bandidos, como se fossem “vítimas da sociedade”. Não querem sua extinção, “ingênua e irresponsavelmente”? Ou seja, querem, mas de forma gradual? Ação hierarquizante, logo antidemocrática? Que diabos é isso? A polícia precisa aplicar as leis, punir os crimes, essa é sua função. Antidemocrático é defender vândalos mascarados que não foram eleitos por ninguém e que atacam os representantes da lei. Como você é cara de pau, Bosco! Não tem vergonha? Papai não lhe deu educação, não disse que é feio mentir? 

O que nos leva a um último aspecto da expressão. Ao negar a possibilidade de cidadãos de classe média e alta serem de esquerda, é nada menos que a mediação social da solidariedade o que se está anulando. Parece ser impossível para Constantino assimilar a ideia de que há pessoas dispostas a defender causas igualitárias mesmo em detrimento de suas vantagens pessoais. Mas, pasme, é precisamente isso o que, como princípio, define a esquerda.

Novamente o monopólio dos fins nobres, o que lhe resta. Solidariedade não tem nada a ver com ser de esquerda! Aliás, as pessoas mais solidárias que conheci não eram de esquerda, mas liberais e conservadores. Os esquerdistas que conheci, muitos deles, eram insensíveis e egoístas, apesar do discurso contrário. Hipocrisia. No mais, se quer mesmo defender as “causas igualitárias”, igualdade aqui como resultado, por que não começar, então, reduzindo essa desigualdade doando a própria fortuna? Quer dizer que vai ficar apenas na retórica contra a desigualdade, enquanto o sujeito acumula mais e mais capital e lucro de forma bem desigual? E Bosco não vê hipocrisia e contradição nisso? Sério mesmo? O que define a esquerda, ou boa parte dela, é esse abismo intransponível entre discurso e prática.

Rodrigo Constantino

13/03/2014

às 15:39 \ Comunismo, Cultura, Lei e ordem, Socialismo

Carta aberta a Letícia Spiller

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Prezada Letícia,

Antes de mais nada, gostaria de dizer que admiro seu talento como atriz e também te considero muito bonita. Infelizmente, você tem endossado certas ideias um tanto estapafúrdias, aplaudido regimes nefastos como o cubano, e alegado que se arrepende de ter usado uma camisa com a bandeira americana no passado, chegando a afirmar que se fosse hoje usaria uma com o Che Guevara.

Ontem, sua casa no Itanhangá foi assaltada por bandidos armados, que lhe fizeram de refém enquanto sua filha dormia logo ao lado. Lamento o que você passou, pois deve ser, sem dúvida, uma experiência traumática. Nossa casa é nosso castelo, e se sentir inseguro nela é terrível, especialmente quando temos filhos menores morando com a gente. A sensação de impotência é avassaladora, e muitos chegam a decidir se mudar do país após experiências deste tipo.

O que eu gostaria, entretanto, é que você fosse capaz de fazer uma limonada desse limão, ou seja, que pudesse extrair lições importantes desse trauma que ajudassem a transformá-la em uma pessoa melhor, mais consciente dos reais problemas que nosso país enfrenta. Se isso acontecesse, então aquelas horas de profunda angústia não seriam em vão.

Como você talvez saiba, sou o autor do livro Esquerda Caviar, que fala exatamente de pessoas com seu perfil (aproveito para lhe oferecer um exemplar autografado, se assim desejar). Artistas e “intelectuais” ricos, que vivem no conforto que só o capitalismo pode oferecer, protegidos pela polícia “fascista”, mas que adoram pregar o socialismo, a tirania cubana ou tratar bandidos como vítimas da sociedade: eis o alvo da obra.

Essa campanha ideológica feita por esses artistas famosos acaba tendo influência em nossa cultura, pois, para o bem ou para o mal (quase sempre para o mal), atores e atrizes são formadores de opinião por aqui. Quando um Sean Penn, por exemplo, abraça o tiranete Maduro na Venezuela, ele empresta sua fama a um regime nefasto, ignorando todo o sofrimento do povo venezuelano. Isso é algo abjeto.

No Brasil, vários artistas de esquerda têm elogiado ditaduras socialistas, atacado a polícia, o capitalismo, as empresas que buscam lucrar mais de forma totalmente legítima, etc. Muitos chegaram a enaltecer os vagabundos mascarados dos black blocs, cuja ação já resultou na morte de um cinegrafista.

Pois bem: a impunidade é o maior convite ao crime que existe. Quando vocês tratam bandidos como vítimas da sociedade, como se fossem autômatos incapazes de escolher entre o certo e o errado, como se pobreza por si só levasse alguém a praticar uma invasão dessas que você sofreu, vocês incentivam o crime!

Pense nisso, Letícia. Gostaria de perguntar uma coisa: quando você se viu ali, impotente, com sua propriedade privada invadida, com armas apontadas para a sua cabeça, você realmente acreditou que estava diante de pobres vítimas da “sociedade”, coitadinhos sem oportunidade diferente na vida? Ou você torceu para que fossem presos e punidos por escolherem agir de forma tão covarde contra uma mãe e uma filha em sua própria casa?

Che Guevara, que você parece idolatrar por falta de conhecimento, achava que era absolutamente justo invadir propriedades como a sua. Afinal, o socialismo é isso: tirar dos que têm mais para dar aos que têm menos, como se riqueza fosse jogo de soma zero e fruto da exploração dos mais pobres. Você se enxerga como uma exploradora? Ou acha que sua bela casa é uma conquista legítima por ter trabalhado em várias novelas e levado diversão voluntária aos consumidores?

Nunca é tarde para aprender, para tomar a decisão correta. Por isso, Letícia, faço votos para que esse desespero que você deve ter sentido ontem se transforme em um chamado para uma mudança. Abandone a esquerda caviar, pois ela não presta, é hipócrita, e chega a ser cúmplice desse tipo de crime que você foi vítima. Saia das sombras do socialismo e passe a defender a propriedade privada, o império das leis, o fim da impunidade e o combate ao crime, nobre missão da polícia tão demonizada por seus colegas.

Te espero do lado de cá, o lado daqueles que não desejam apenas posar como “altruístas” com base em discurso hipócrita e sensacionalista, daqueles que focam mais nos resultados concretos das ideias do que no regozijo pessoal com as aparências de revolucionário engajado. Será bem-vinda, como tantos outros que já acordaram e tiveram a coragem de reconhecer o enorme equívoco das lutas passadas em prol do socialismo.

Um abraço,

Rodrigo Constantino

Obs: um PS foi escrito após tanta repercussão.

10/03/2014

às 20:08 \ Cultura, Socialismo

Sean Penn pensa que é Maduro, mas é apenas podre mesmo!

Sean Penn e Maduro

A imagem fala por si só. Enquanto a Venezuela mergulha no completo caos social por conta das atrocidades cometidas pelo governo Chávez e mantidas pelo governo Maduro, o ator Sean Penn, ícone da esquerda caviar hollywoodiana, viaja ao país para dar todo o seu apoio moral ao tiranete. Sean Penn acha que é Maduro, mas é apenas podre mesmo.

Segue o trecho do meu livro Esquerda Caviar sobre esta figura abjeta do “showbiz”:

Sean Penn

O grande ator e ex-marido de Madonna talvez seja “o” ícone da esquerda caviar em Hollywood. Causa progressiva é com ele mesmo! Filmes que enaltecem a vida simples na natureza, os gays oprimidos, ou qualquer visão antiamericana, eis o currículo do astro que adora Fidel Castro.

Penn é um pacifista também (apesar das acusações de que batia em Madonna), e por isso detestava Bush e a Guerra do Iraque. Seu paficismo, entretanto, nunca atravessou fronteiras. Ele não tem problema com a ditadura cubana; muito pelo contrário. Trata-se de uma luta justa contra os opressores. A América, claro!

Penn não gosta de armas. Exceto a sua própria. Quando seu carro foi roubado em um restaurante de Berkley, havia uma Smith & Wesson calibre 38 e uma Glock 9mm carregada em sua mala. Durante seu casamento com Madonna, um grupo de paparazzi sobrevoou a área, apenas para ser recebido por um noivo em fúria, que apontava uma arma para os fotógrafos abusados. Pacifismo assim só mesmo em Hollywood.  

É um igualitário também, defensor da “justiça social” (aquela existente em Cuba e na Venezuela). Mas isso não o impede de agir como um verdadeiro aristocrata, comportamento comum às celebridades mimadas. Certa vez obrigou um de seus assistentes a nadar no poluído East River, em Nova York, apenas para lhe conseguir um maço de cigarros! É aquela coisa: todos iguais, mas uns mais que os outros…

Quando a morte de Hugo Chávez foi finalmente divulgada, Sean Penn competiu com Oliver Stone para ver quem babava mais o ovo do defunto. Afirmou que o povo americano perdia um amigo (?), e que os pobres do mundo todo perdiam um “campeão”. Penn, em seguida, lamentaria a perda de um grande amigo pessoal, e desejaria sucesso na continuação da revolução bolivariana. Com amigos assim, os pobres venezuelanos sem dúvida não precisam de inimigos.

O ator encontrou tempo em sua agitada agenda para voar até a Venezuela e prestar homenagem ao caudilho amigo em seu funeral. Já quando o ator brasileiro Ariel Goldenberg, com síndrome de Down, fez uma grande campanha para trazer a celebridade ao Brasil e conhecê-lo, seu sonho na vida (cada um com suas manias), o astro de Hollywood ignorou o pedido e preferiu seguir com sua luta pela “justiça social”, aquela existente em Cuba e na Venezuela.

O garoto acabou tendo de viajar a Los Angeles para conhecê-lo, e foi recebido na praia particular do ator socialista. Assim é fácil defender Cuba, né? Talvez Sean Penn inveje o camarada Fidel, que tem várias praias particulares. Aliás,  que será que pensaria da letra revolucionária do Ultraje a Rigor, aquela do ”nós vamos invadir sua praia”? Acho que essa coisa de igualdade tem limites até para os igualitários…

Melhor assim: ganha o Brasil com a ausência do ator por aqui. Ninguém merece celebridades idiotas fazendo propaganda socialista. Guilherme Fiúza, um dos maiores combatentes dessa “marcha dos oprimidos”, escreveria um artigo no jornal O Globo pedindo: “Não vem, Sean Penn”. Afirma: “A esquerda festiva sempre foi ridícula em qualquer lugar, mas a de Hollywood é imbatível”. E acrescenta:

Assim são o chavismo e seus derivados: esconda-se atrás de um símbolo social (a mulher, o operário, a vítima da ditadura) e navegue à vontade no proselitismo. Pode mentir numa boa, pode afundar as empresas de energia para forjar uma conta de luz barata, pode ludibriar o contribuinte para adular o consumidor, pode maquiar as contas públicas para esconder a gastança eleitoreira, pode vampirizar a Petrobras e depois usá-la para soltar panfletos de “capacitação da mulher”, pode tudo isso que enche os olhos dos astros abobalhados de Hollywood.

Diante disso, só nos resta fazer coro ao colunista: não vem, Sean Penn! Fique em sua praia particular, longe do povão, curtindo sua fortuna. Mas, por favor: deixe os humildes trabalhadores dos países mais pobres em paz. Eles não precisam de amigos como você…

Rodrigo Constantino

24/02/2014

às 23:22 \ Humor

O bando: paródia sensacional da esquerda caviar

O músico Filipe Trielli, parceiro do vizinho virtual Felipe Moura Brasil na paródia “Águas de junho“, o videoclipe viral que satirizou o ano de 2013 no Brasil, traz agora “O bando”, uma sensacional paródia com argumento do humorista Danilo Gentili, da música “A banda”, de Chico Buarque.

Como disse Felipe Moura, a banda passou, como se sabe. Mas o cinismo do bando esquerdista não passa jamais. Deleitem-se!

21/02/2014

às 15:16 \ Cultura

Esquerda caviar quer salvar tartarugas e árvores cantando… com o nosso dinheiro!

Sei que o tema esquerda caviar acaba ficando repetitivo. Mas o que posso fazer se a esquerda caviar não para de avançar sobre nossos bolsos com toda a sua “consciência ecológica”? Vejam a última que recebi:

Projetos de turnês musicais que abordam temas ecológicos estão na lista de aprovados em fevereiro de 2014, pelo Ministério da Cultura, para captar recursos da Lei Rouanet. Milton Nascimento faz homenagem ao projeto ambiental Tamar em proposta de R$ 957 mil para shows e CD com o Dudu Lima Trio. Outra proposta, da banda de pagode Jeito Moleque, pede R$ 2,4 milhões para turnê e DVD “ambientalmente responsáveis”, que inclui plantio de 2 mil árvores para “emissões de gases do efeito estufa geradas com as realizações dos shows”.

Os dois projetos foram aprovados com poucos cortes de verba pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que se reúne mensalmente para avaliar propostas. Os artistas também podem contar com a renda extra de ingressos a preços populares, que se somam ao valor total liberado para captação de patrocínio pela Lei Rouanet.

Haja jeito moleque para tanta malandragem! Estamos vendo o nascimento da uma nova modalidade de subsídios: é só criar uma “turnê ecológica” que o MinC libera a verba. São as andanças bancadas com nossos tributos…

Tenho uma proposta e gostaria de saber se posso contar com o apoio do governo. Quero fazer uma “turnê ecológica” também, divulgando meu livro Esquerda Caviar. O leitor acha que brinco, que não falo sério?

Explico: ao combater o fenômeno, posso reduzir a quantidade de membros da esquerda caviar. Ao fazer isso, o consumo de óleo de peroba para lustrar tanta cara de pau vai se reduzir. E como ele é produzido à base de óleos e solventes vegetais e minerais, a queda no seu consumo tem claro apelo ecológico.

Espero ter sido convincente. Contento-me com a metade do que o Jeito Moleque teve aprovado. Marta?

Rodrigo Constantino

19/02/2014

às 16:43 \ Cultura, Filosofia política, Socialismo

Pode um socialista morar no Leblon?

Escrevi a sugestão de um esquete para o Porta dos Fundos e recebi uma saraivada de ataques e ofensas, que já rebati aqui, mostrando que a esquerda caviar não tem senso de humor quando é o alvo das piadas. Dois tipos de ataque merecem maior atenção, e aproveito para fazer isso agora.

O primeiro foi a acusação de que eu teria inveja ou recalque pelo local onde o comediante mora, o bairro com o metro quadrado mais caro do país. O segundo foi questionando qual o problema de morar no Leblon e defender a esquerda ou o socialismo. Vamos lá.

Não tenho inveja de gente rica ou de morador do Leblon, local que gosto muito e onde tenho vários amigos. Sou um defensor do capitalismo liberal, ou seja, sou o primeiro a enaltecer o papel de empresários e profissionais liberais que ficam ricos graças ao próprio mérito. Para mim, riqueza não é sinônimo de exploração.

Portanto, não tenho recalque de gente rica e honesta, e sim admiração, respeito, quando a riqueza é fruto de trocas voluntárias no livre mercado, quando é o reconhecimento de que o empreendedor ofereceu algo de valor em troca para a sociedade, que por escolha própria o fez rico. Só não aprecio aquele tipo de riqueza proveniente de subsídios do governo, barreiras protecionistas, privilégios, patrocínios culturais das estatais, etc. Cai por terra o primeiro ataque.

E que tem ligação direta com a incoerência do segundo ataque. Ora, qual o problema de defender o socialismo e morar no Leblon, e ser rico? Simples: o socialismo condena o capitalismo, que por sua vez permite o enriquecimento legítimo dessas pessoas. É cuspir no prato que comeu, para resumir.

Antes, vamos esclarecer o que é socialismo, pois fiquei espantado com a ignorância dos críticos. Socialismo não é “se importar com os pobres”, “combater a exploração”, “desejar que todos tenham melhores condições de vida”, etc. Quem “pensa” assim, sem se dar conta, já é vítima de lavagem cerebral e adota o monopólio das virtudes como estratégia pérfida.

Quer dizer que um empresário que defende o capitalismo, que o permitiu ficar rico, não liga para os pobres? Absurdo, e essa gente nem percebe. O que fazem é usurpar para a esquerda as boas intenções, e isso é desonestidade intelectual. Quem foi que disse para esse pessoal que para se importar com os pobres tem que ser de esquerda?

Socialismo é a defesa de um sistema, de um meio, e não do fim nobre em si. E qual é este meio? Ora, literalmente falando, a concentração dos meios de produção nas mãos do estado. Claro que esse grau “puro” de socialismo quase ninguém mais defende, à exceção de uns dinossauros que aplaudem Cuba e Coreia do Norte.

Mas mesmo um socialismo mais light, mais moderado, vai pregar, como meio, repito, mais concentração de poder no estado, vai condenar a “ganância” dos capitalistas, o próprio lucro muitas vezes. É, afinal, “igualitário” nos resultados, pretende tirar dos ricos para dar aos pobres, como se riqueza fosse um bolo de soma zero e fruto da exploração.

Portanto, quando essa turma questiona se para ser socialista é preciso fazer voto de pobreza, morar na favela, a resposta é: não necessariamente; mas, que fazer o contrário, ou seja, voto de riqueza com muita ganância e foco no lucro pessoal, é algo contraditório e incoerente, isso é óbvio!

Tem de ser cego para não perceber a incoerência de um George Soros, especulador bilionário e muito ganancioso, quando este se diz um membro da “esquerda limusine”. Quem aplaude os “socialistas” milionários está focando apenas nas supostas intenções e nos discursos, na retórica vazia, típico da esquerda caviar hipócrita, que ama Paris e odeia Cuba.

Ora, então o sujeito pode, na prática, fazer tudo exatamente igual aos mais gananciosos capitalistas, enriquecer e acumular mais e mais capital, comprar um apartamento de milhões na beira da praia de Ipanema ou do Leblon, ter um Porsche ou uma Ferrari na garagem, enfim, fazer tudo aquilo que os magnatas odiados pela esquerda fazem, e depois ser adorado pela mesma esquerda só porque prega a “justiça social” da boca pra fora e coloca uma camisa de Che Guevara? Haja ingenuidade!

Entendem o absurdo da coisa? Logo, claro que é um contrassenso o sujeito enaltecer as “maravilhas” do igualitarismo, do socialismo, e depois viver exatamente igual aos mais ricos da elite capitalista. Lógico que é incoerente cuspir no capitalismo que permitiu sua própria riqueza para começo de conversa. Não perceber isso é algo realmente incrível e espantoso. Quem melhor resumiu a coisa foi Roberto Campos:

É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola…

Rodrigo Constantino

10/02/2014

às 10:41 \ Cultura

Esquerda caviar em dose dupla: Wagner Moura e Sebastião Salgado

A coluna de Ancelmo Gois no GLOBO de hoje expõe a esquerda caviar em dose dupla. Vejam:

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Wagner Moura é aquele ator descolado que adora defender o PSOL, Marcelo Freixo e o socialismo. Ele detesta o capitalismo, o lucro, a ganância – a não ser quando é para negociar seu cachê em filmes bancados pelo capitalismo ou em comerciais de empresas multinacionais em busca do lucro.

O “capitão Nascimento” se recusa a dar entrevistas a Veja, pois a revista seria de “extrema-direita” (risos). Mas eis que o homem, já que ninguém é de ferro, curte um luxo bem burguês! O Marriot em Berlim não é para qualquer um. Uma diária não sai por menos de R$ 1 mil, bagatela que o povão, tão defendido pelo ator engajado, não tem para gastar nem no aluguel de um mês inteiro!

Marriot Berlin

Já Sebastião Salgado é aquele famoso fotógrafo, que recentemente fez uma série sobre índios Awá com a jornalista Míriam Leitão. Foi engajado na esquerda revolucionária e amigo do terrorista Marighella, que Wagner Moura também admira, a ponto de querer ser o homem nas telas de cinema, para mostrar seu lado “humano”.

O fotógrafo deu de presente para o então presidente Lula o livro “Trabalhadores”, como podemos ver abaixo:

Pois bem, este outro grande representante do povo oprimido possui um apartamento em Paris, onde dá festas ao som de Beatles, samba e forró. Pouco provável que algum índio Awá tenha sido convidado ou, caso positivo, ter podido ir. Já Chico Buarque… será que foi? Esquerdista comprar apartamento em Cuba ou na Venezuela? Nem pensar!

Ah, a doce vida da esquerda caviar… é que defender os pobres dá muito trabalho, sabe?

Rodrigo Constantino

06/02/2014

às 13:12 \ Humor

Totalmente esquerda caviar: a música

Agora sim, a esquerda caviar já pode contar com uma música feita sob medida para si. É da “banda” Jujuba com Limão, no seu estilo inovador chamado de Scraxé, que mistura esculacho com axé. Tem um quê de Mamonas Assassinas também. A letra é o hino da hipocrisia esquerdista. Enjoy it:

29/01/2014

às 11:46 \ Cultura

Meu presente aos 60 anos de Oprah Winfrey

Hoje a bilionária apresentadora Oprah Winfrey completa 60 anos de idade. Tida como uma das mulheres mais poderosas do mundo, Oprah é vista como a defensora dos “fracos e oprimidos”. Com autorização da editora, segue, então, meu presente de aniversário: o trecho sobre sua pessoa no meu livro Esquerda Caviar:

Oprah Winfrey

A lei das consequências não intencionais deveria ser ensinada a toda celebridade. Oprah precisava saber disso. Sua “escola para garotas”, criada na África, transformou-se em uma casa de horrores, com vários testemunhos de alunas –  inclusive perante a corte, na África do Sul – vítimas de abusos sexuais de parte das supervisoras. A realidade, esta ingrata!

Oprah é a rainha do politicamente correto, e fez verdadeira fortuna valendo-se disso (seu patrimônio é estimado em mais de US$ 2 bilhões). Seu programa, quase sempre voltado à vitimização, angariou enorme audiência, o que lhe concederia o título de uma das mulheres mais poderosas do mundo. A força de Oprah vem da exploração da fraqueza alheia. É um paradoxo que uma mulher tão poderosa seja identificada com a fragilidade feminina.

O sofrimento dos “oprimidos”, das “minorias”, das mulheres, quanto mais gente estiver disposta a chorar em público, a se lamuriar em busca de comiseração, mais força e mais dinheiro terá a apresentadora. Às vezes até uma celebridade como Tom Cruise encontra ali o palco perfeito para mostrar afetação patética, saltitando no sofá e declarando seu amor por Kate Holmes para desviar boatos de uma suposta homossexualidade. Oprah, que alguém mais duro poderia chamar de uma espécie de abutre do sofrimento alheio, sabe como poucos que o sensacionalismo barato vende, e muito caro!

A biografia não-autorizada da celebridade, escrita por Kitty Kelley, expõe várias das contradições e mentiras de Oprah. Ela adora exagerar sobre sua infância pobre, por exemplo, chegando a dizer que tinha duas baratas como bichos de estimação! A fantasia é negada por parentes, como sua meia-irmã e sua prima, que entregam diversas outras farsas da apresentadora, incluindo a confissão de que teria sido estuprada na adolescência.

Em agosto de 2013, Oprah ganharia as páginas dos principais jornais do mundo ao afirmar ter sido vítima de racismo em uma loja chique na Suíça. A dona da loja negou a acusação, alegando se tratar de um problema de comunicação. Que vendedora deixaria de vender uma bolsa de milhares de dólares? Após o estrago causado por sua vitimização, Oprah se desculpou pela proporção que tomou o suposto tratamento preconceituoso. O pedido de desculpas não teve, nem de perto, a mesma repercussão na imprensa.

Para uma “progressista” moderna, até que se mostra bem careta de vez em quando. Ela sempre fez de tudo para esconder que tinha um irmão homossexual, que viria a morrer de AIDS. Segredos fazem parte do cotidiano de Oprah, e todos que trabalham para ela precisam assinar um termo de confidencialidade. Tem paranoia com o controle de tudo, principalmente das informações sobre sua vida e seu passado.

A origem do fenômeno esquerda caviar ligada ao desejo enorme de ser querida por todos encontra em Oprah o ícone perfeito também. Ela mesma já declarou que precisa ser amada por todos, inclusive por aqueles de que não gosta. Carência afetiva? Provavelmente. Mas isso a levou a vestir sempre uma capa sensacionalista e dramática para conquistar a simpatia da multidão. Como Kitty Kelley bem resumiu, as ambições de Oprah foram gigantescas, e seu desejo por reconhecimento quase insaciável.

Confrontada pela “tia” Katharine certa vez sobre o motivo de tantas mentiras, teria respondido que é isso que as pessoas desejam ouvir. A verdade é entediante, e o povo não quer tédio, e sim drama. Seria bom, entretanto, que nos lembrássemos deste pendor de Oprah pela ficção  quando nos vier vender as maravilhas de um candidato político. Afinal, as donas de casa entediadas também votam!

Uma vez, comparando-se a Phil Donahue, Oprah afirmou que era menos intelectual que ele, e que apelava mais ao coração do público. Achava pretensioso tratar com profundidade um assunto em um programa de apenas uma hora. Faz algum sentido. Só não nos esquecemos de que não há algo mais esquerda caviar que isso: pura emoção, nada de razão!

Rodrigo Constantino

28/01/2014

às 23:44 \ Cultura, Filosofia política

A esquerda caviar e a direita Miami

Um ícone da direita Miami (à esquerda) com um ícone da esquerda caviar (à direita).

Um ícone da direita Miami (à sua esquerda) com um ícone da esquerda caviar (à sua direita).

Que preguiça! Alguns leitores me mandam textos de um sujeito que eu nunca tinha ouvido falar, que parece ter cunhado a expressão “Direita Miami”, em contraste ao “esquerda caviar”, título do meu último livro. Um amontoado de besteiras para Emir Sader nenhum botar defeito. Mas o dever me chama…

Antes, vale lembrar que foram os marxistas que cunharam o termo capitalismo, que acabou pegando. Capitalista sim, com muito orgulho. Portanto, aceitemos de bom grado a “alcunha” de “direita Miami”. O que exatamente seria isso?

Para começo de conversa, a direita Miami não acha que o socialismo acabou, como fingem os socialistas do século 21. Muito menos na América Latina da Venezuela. Sabem que o bolivarianismo é um risco bastante concreto.

Logo, ficam enojados com a tática de socialistas pagos para ridicularizar todos que alertam sobre o risco vermelho, como se fossem dinossauros saídos diretamente da década de 1960. Dinossauros são eles, os socialistas fingidos, que ainda não perceberam que a Guerra Fria terminou com um lado claramente derrotado: o socialista.

A direita Miami também tem perfeito conhecimento de que quem assume as falhas do comunismo, regime que trucidou mais de cem milhões de inocentes e só trouxe miséria e escravidão ao mundo, para logo depois também condenar igualmente o capitalismo, regime que tirou da miséria centenas de milhões de pessoas, não passa de um canalha. Os países mais pobres são justamente aqueles mais distantes do capitalismo!

Faz parte do rol de bandeiras da direita Miami, ainda, condenar todo tipo de privilégio, ou seja, de benesse estatal feita para ajudar “amigos do rei”. Isso inclui, naturalmente, os subsídios do BNDES e as barreiras protecionistas que, pasmem!, a esquerda caviar aplaude! Não dá para cobrar coerência dessa turma…

Deixar metade do que ganha com o próprio trabalho na mão do estado corrupto, inchado e ineficiente não faz parte das metas da direita Miami. A esquerda caviar, ao contrário, sofre de estatolatria, e tem orgasmos múltiplos quando fala em aumento de imposto para os “mais ricos” (leia-se classe média). Claro, ou a esquerda caviar é formada por consumidores de impostos, gente que mama na Lei Rouanet ou tem blog pago por propaganda estatal, ou por gente invejosa que quer simplesmente ver os outros em situação pior. Freud explica.

Che Guevara, para a direita Miami, é apenas o que é: um psicopata assassino, e não um herói que lutava pela paz (fuzilando inocentes?). Claro, isso não a impede de criticar ditadores de direita, como Pinochet, ainda que chame a atenção de todo membro da direita Miami a escandalosa hipocrisia de quem elogia as “conquistas sociais” cubanas, inexistentes, mas se nega a reconhecer o avanço infinitamente maior do Chile após a saída do socialista Allende e a implementação de reformas econômicas liberais.

Ser chamado de “lacerdinha” não é algo que incomode a direita Miami, que enxerga em Carlos Lacerda um dos poucos estadistas que o Brasil já teve. Grave mesmo seria alguém chamar um membro da direita Miami de “brizolinha” ou “lulinha”, ofensa que seria inaceitável para nós.

Shopping centers são vistos, pela direita Miami, como locais agradáveis para se fazer compras, passear, ir ao cinema, ou dar um “rolezinho” com os amigos – não confundir com baile funk na presença de mil baderneiros, coisa que apenas a esquerda caviar aplaude como “luta de classes” contra o preconceito (sim, somos preconceituosos quando se trata de falta de educação e arruaça, independentemente da renda ou cor).

Os que conhecem de economia na direita Miami sabem muito bem que ninguém mais, à exceção dos idiotas úteis da esquerda caviar, leva a sério gente como Paul Krugman, o sujeito que demandou uma bolha imobiliária em 2002 para salvar a crise de tecnologia. Neokeynesianos são apenas a nova roupagem dos antigos socialistas intervencionistas que pedem mais estado sempre.

Por fim, a direita Miami não tem vergonha de admitir que aprecia muitas coisas em Miami, como o funcionamento das leis, válidas para todos, a possibilidade de andar tranqüilamente pelas ruas decentes com carros decentes, comprados por um terço do preço brasileiro, as taxas de criminalidade significativamente menores do que as nossas, uma renda média quatro vezes a brasileira, etc.

Isso tudo, vale lembrar, com uma população predominantemente hispânica, provando que o problema da América Latina não está no DNA, mas na cultura, a mesma disseminada pela esquerda caviar, inclusive por blogueiros que pretendem falar em nome do povo, mas vivem como elite.

Enfim, a direita Miami, assim como a esquerda caviar, gosta de Miami mas, ao contrário desta, admite. Ou você pensa que a esquerda caviar viaja para Cuba nas férias? Faz-me rir…

Rodrigo Constantino

 

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