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esquerda caviar

Todo esquerdista precisa ser um franciscano?

“O vício intrínseco do capitalismo é a partilha desigual do sucesso; o vício intrínseco do socialismo é a partilha equitativa do fracasso.” (Winston Churchill)

A expressão “esquerda caviar”, que não inventei mas ajudei a popularizar, pegou e tem incomodado muita gente. Afinal, expõe a hipocrisia daqueles que defendem o socialismo de suas coberturas luxuosas, que pregam a igualdade material de cima de seus helicópteros, que defendem até o modelo cubano de Nova York ou Paris, que condenam a ganância enquanto juntam mais e mais dinheiro. Tamanha incoerência incomoda mesmo, quando exposta.

Pegos na contradição, vários desses ícones da esquerda caviar têm se defendido da seguinte maneira: então é preciso ser um franciscano para defender os mais pobres? Segundo eles, o que querem é distribuir melhor a riqueza, que todos se tornem igualmente ricos, tenham acesso aos mesmos bens materiais. Implícito nesse discurso está o monopólio da virtude típico da esquerda, e uma enorme falácia.

Para essas pessoas, ser de esquerda significa automaticamente se preocupar com os pobres. Ou seja, eles estão dizendo que os liberais capitalistas ou os conservadores de direita não ligam para os pobres, querem mantê-los na pobreza. Reparem que são as supostas intenções que eles atacam, justamente para não debater quais meios ajudariam, de fato, os mais pobres a sair da pobreza. O esquerdismo não seria, então, uma ideologia sobre meios de produção ou organização social, mas sim uma seita religiosa que concede de imediato o status de sensível abnegado ao membro.

Claro que não é nada disso. Claro que é possível ter tanto esquerdistas como direitistas legitimamente preocupados com os mais pobres. Por isso mesmo o debate sério, honesto, será voltado para quais meios devem ser adotados para mitigar a pobreza. Foi o capitalismo liberal americano ou o socialismo real cubano que beneficiou os mais pobres? Foi o livre comércio da globalização ou o protecionismo dos países fechados que melhorou a vida dos mais pobres?

Quando colocamos a coisa desta forma, fica claro o motivo pelo qual a esquerda caviar foge do debate. O problema não é ser mais rico e defender a esquerda, e sim ser um usuário de todas as benesses que só o capitalismo pode oferecer enquanto defende o socialismo, que jamais permitiu aos mais pobres algo parecido. Por essa falha de argumentos, a esquerda caviar precisa monopolizar os fins nobres: querem os pobres mais ricos, e ponto! Mas… como?

Criticando o livre mercado, o lucro, até mesmo a ganância, enquanto na prática foram sempre o livre mercado, o lucro e a ganância que possibilitaram o enriquecimento das sociedades capitalistas? Onde foi que a simples distribuição de riqueza melhorou de fato a vida dos mais pobres de forma sustentável? Qual modelo podem oferecer como exemplo disso?

A desigualdade material é indissociável da liberdade individual. Afinal, somos diferentes em muitas coisas, em nossas vocações, dons, habilidades, sorte, mérito, etc. Se pegarmos um milhão de reais e distribuirmos igualmente entre mil pessoas numa comunidade, em poucos meses haverá gente com muito mais dinheiro do que os outros. A única forma de preservar a igualdade é abolindo de vez a liberdade, impedindo as trocas voluntárias.

No mais, riqueza não é jogo de soma zero, onde João precisa tirar de Pedro para ficar rico. A história do capitalismo é a história do enriquecimento geral, só que com desigualdade. O ganho de produtividade permitiu a melhoria na qualidade de vida de praticamente todos, mas uns mais do que os outros. Quando Steve Jobs cria a Apple, beneficia a vida de milhões de pessoas, mas fica bem mais rico no processo, como deve ser.

A esquerda caviar ignora tudo isso, fala apenas em distribuir melhor as riquezas, como se caíssem do céu ou brotassem do solo, como se não houvesse escassez, como se bastasse o estado distribuir recursos para todos comprarem seu iPhone. Não funciona assim. Quem não sabe, é vítima de desconhecimento. Quem sabe e mesmo assim insiste na falácia, não tem honestidade intelectual.

Portanto, o sujeito não precisa ser um franciscano para ser de esquerda. Mas ele precisa ignorar como a economia funciona. E adotar doses cavalares de hipocrisia para condenar sempre a ganância alheia, o lucro dos outros, enquanto pensa só em acumular mais dinheiro para viver como os magnatas capitalistas, tudo isso enquanto repete que só quer mais igualdade material e ajudar os pobres. Não cola.

Rodrigo Constantino

26/05/2014

às 10:57 \ Filosofia política

“Esquerda Caviar” é citado no NYT e está como o mais vendido na Amazon Brasil

Caros leitores,

Gostaria de compartilhar com vocês duas boas notícias. A primeira é que meu livro Esquerda Caviar foi citado na coluna de Larry Rother no NYT. Virou The Caviar Left para Rother, aquele jornalista que chamou Lula de “bebum” e que, por isso, o bebum autoritário quis expulsá-lo do Brasil. Diz o trecho do artigo:

In Brazil, Rodrigo Constantino, the author of “The Caviar Left,” took an even harsher tone, blaming Mr. Galeano’s analysis and prescription for many of Latin America’s ills. “He should feel really guilty for the damage he caused,” he wrote on his blog.

A segunda é que, agora em promoção imperdível por apenas R$ 9,41 (uma pechincha!), o livro está há 3 dias como o mais vendido na Amazon Brasil, versão eletrônica para o Kindle:

Amazon Esquerda Caviar

É com muita satisfação que vejo a repercussão do árduo trabalho, ajudando a divulgar mais as ideias e valores liberais no combate ao avanço esquerdista. Tudo isso só é possível, claro, graças a vocês, leitores do blog. Portanto, digo apenas uma coisa: obrigado!

Rodrigo Constantino

07/05/2014

às 12:07 \ Comunismo, Cultura

O filósofo militante: não era mais barato fazer terapia?

Guilherme Boulos, o filósofo militante. Fonte: Folha

O fenômeno “esquerda caviar” não é simples, tanto que listei 20 potenciais origens dele em meu livro sobre o assunto. Uma delas fala não sobre os tradicionais artistas ricos que enaltecem o socialismo, mas de intelectuais de classe média que abraçam ideologias anticapitalistas, muitas vezes com o uso da violência. Escrevi:

Nem todos os membros dessa esquerda caviar são ricos canalhas, herdeiros culpados, madames e jovens entediados, ou preguiçosos, claro. Há uma categoria relevante formada por intelectuais que vivem bem, mas que não são necessariamente abastados. Esses precisam de alguma explicação também. E Raymond Aron forneceu uma boa dica em seu magistral O ópio dos intelectuais.

Para o pensador francês, o marxismo ou o comunismo viraram uma espécie de “religião secular”, prometendo o paraíso terrestre em vez de aquele pós-morte pregado pelo cristianismo. O título já é uma clara provocação ao ditado famoso repetido por Marx, de que a religião é o ópio do povo. Para esses intelectuais, o comunismo era o ópio, a droga capaz de fornecer a fuga para a falta de sentido em suas vidas.

Para o típico intelectual, a reforma é uma coisa chata, enquanto a revolução é emocionante. Uma é prosaica, a outra poética. A revolução fornece ao intelectual uma pausa bem-vinda ao curso diário dos eventos rotineiros e incentiva a crença de que todas as coisas são possíveis. Por que pensar em como melhorar algumas questões do cotidiano, sempre imperfeito, quando se pode abraçar a utopia revolucionária de que todos os males que assolam a humanidade terão finalmente uma solução?

Isso me veio à mente ao ler hoje, na Folha, que há um filósofo entre os líderes dos invasores de terrenos e propriedades em São Paulo:

Há 12 anos, Guilherme Boulos deixou o conforto de casa num bairro de classe média para ajudar a montar barracas em áreas invadidas na Grande São Paulo.

Formado em filosofia, ele ficou conhecido em 2003, quando participou da coordenação da invasão a um terreno da Volkswagem, em São Bernardo do Campo.

[...]

Filho do médico Marcos Boulos, professor da USP e um dos principais especialistas em doenças infecciosas e parasitárias do país, o líder sem-teto não fala de sua vida pessoal. Sempre dá entrevistas, mas só para falar de políticas de moradia, do MTST e da Frente de Resistência Urbana.

No ano passado, Boulos se aproximou dos jovens ligados ao Movimento Passe Livre -responsável pela série de protestos pelo país que resultaram na redução da tarifa de ônibus em várias cidades.

Um misto de alienação, de sensibilidade mal calibrada, de ignorância econômica e de desejo por ação revolucionária talvez explique seu caso. Posso estar fazendo uma “psicologização” barata, mas como explicar algo tão bizarro? A única alternativa que vejo é assumir que o filósofo é apenas um oportunista em busca de fama ou seguidores. Ser líder de movimentos e seitas é um entorpecente e tanto.

Ironia das ironias, seu pai é “um dos principais especialistas em doenças infecciosas e parasitárias do país”. A única doença bastante infecciosa e parasitária que o médico pelo visto não foi capaz de identificar, muito menos curar, é justamente a estupidez ideológica. O sujeito investe na educação do filho, que faz filosofia na universidade, para depois vê-lo virar um militante invasor de propriedades particulares, um parasita do esforço alheio?

Deve ser muito triste para o pai. Se for o caso de uma revolta contra o “sistema”, a Lei, toda forma de autoridade, tudo isso fruto de um problema mal resolvido com o próprio pai, fica aqui a minha pergunta e sugestão: não era mais barato fazer terapia? Ao menos seria muito melhor para aqueles que querem trabalhar e produzir riquezas e empregos e precisam aturar filósofos militantes que lideram grupos de invasores comunistas por aí…

Rodrigo Constantino

16/04/2014

às 9:56 \ Filosofia política, Socialismo

Só resta ao desonesto Francisco Bosco me rotular de desonesto e monopolizar as boas intenções…

Francisco Bosco é daqueles que representam a esquerda jurássica, uma pessoa que prega o socialismo em pleno século 21, que defende os “black blocs”, que acha que piadas podem ser ofensivas apenas aos homens, brancos, heterossexuais e cristãos, enfim, um ícone da esquerda caviar que condeno. Costumo expor, com argumentos, suas falácias aqui no blog.

Incapaz de rebater minhas críticas com argumentos, Bosco usou sua coluna hoje no GLOBO (aquela imprensa “golpista” da elite capitalista, não custa lembrar) para me rotular de desonesto e tentar monopolizar as boas intenções. É o que lhe resta, na falta de bons argumentos: fingir-se de moderado enquanto prega o radicalismo de esquerda. Vamos lá, ao ping-pong (ele em vermelho e eu em azul, claro):

O mundo já é muito complexo e turvo para os que se propõem a compreendê-lo honestamente. Por compreensão honesta designo fundamentalmente a atitude intelectual que tem como princípio examinar quaisquer argumentos sem o preconceito ideológico que costuma obscurecer a construção coletiva do diagnóstico da realidade.

Percebam que Bosco já assume ser alguém totalmente desprovido de preconceitos ideológicos, como se apenas o seu oponente, de quem discorda, os tivesse. No mais, “construção coletiva” é daqueles termos bonitos, mas que não dizem nada. O raciocínio é sempre individual, assim como o pensamento. 

Todos têm, de modo consciente ou não, posições ideológicas prévias, mas essas devem ser sempre submetidas ao teste da realidade; são pontos de partida, não pontos de chegada. Infelizmente, a atitude intelectual de Rodrigo Constantino — como demonstrou Jean Wyllys, com a clareza devida, em artigo recente — é desonesta, procedendo por reduções, simplificações grosseiras, maniqueísmos sistemáticos, diversos procedimentos que agem no sentido de obscurecer o trabalho público e coletivo da compreensão da realidade (sem falar no abuso da dimensão imaginária das polêmicas — recorrendo sempre a argumentos ad hominem e ridicularizando pessoas famosas, a fim de produzir uma espécie de sensacionalismo intelectual).

Só posso presumir que Bosco não leu meu livro, tampouco acompanha meus artigos no GLOBO, na VEJA e no blog. Eu uso os famosos como ícones do fenômeno para ilustrar meus pontos, todos eles devidamente embasados em teoria e argumentos. Jean Wyllys não provou nada além da própria desonestidade e incapacidade de argumentar, como faz Bosco agora. Caiu em contradição o tempo todo, como mostrei aqui e aqui. Eu não ridicularizo essas pessoas; basta expor suas contradições e hipocrisias que elas fazem isso muito bem sozinhas…

Ao contrário, vou propor aqui uma leitura honesta do que considero, até onde li, seus argumentos principais na defesa da pertinência da expressão “esquerda caviar”, com tudo o que ela carrega de desqualificação. Vou fazê-lo porque julgo que por meio dessa expressão pode-se compreender melhor quais os sentidos e as possibilidades efetivas da esquerda no mundo atual.

Como eu disse, acho que leu pouco, e o que leu, não entendeu. Devem ser aqueles preconceitos citados acima, que Bosco tem apesar de acreditar que não.

O argumento principal de Constantino é o que a expressão sugere de cara: haveria uma contradição entre ser de esquerda e usufruir das benesses propiciadas pelo capitalismo às classes sociais mais altas. Admitida essa contradição, segue-se logicamente que os ricos autodeclarados de esquerda são hipócritas, apenas adotando o semblant de uma retórica socialmente valorizada — e que a sua diferença para os ricos de direita está tão somente em que esses últimos não capitulam a coerção social da hipocrisia.

É muito mais do que isso! A esquerda caviar age de forma diametralmente oposta ao que prega. Condena a ganância alheia e se mostra a mais gananciosa de todas. Cospe no capitalismo e no lucro, mas só quer viver sob o capitalismo, acumulando muito capital, e focando bastante no próprio lucro. Seus ícones são capazes de pregar a mudança radical no estilo de vida – dos outros – para “salvar o planeta”, enquanto circulam por aí em jatinhos particulares. E por aí vai… 

Comecemos então por nos perguntar: o que é ser de esquerda? Sem dúvida, ser de esquerda significa primordialmente considerar a redução das desigualdades econômicas e sociais um objetivo fundamental.

Pausa para mostrar a falácia mais importante do discurso de Bosco: a esquerda, sem argumentos, tenta sempre monopolizar as virtudes. Quem foi que disse que esquerda é desejar reduzir desigualdades sociais? Pergunto ao Bosco: onde há menos desigualdade social: na Austrália ou em Cuba? Na Suíça ou na Venezuela? Nos países mais esquerdistas, ainda mais na linha jurássica que Bosco prega, há enorme desigualdade, pois muitos continuam pobres e uma elite segue detentora de todo o poder e recursos. 

Isso, entretanto, não implica necessariamente adotar uma perspectiva anticapitalista utópica, seja nos moldes da experiência efetiva da esquerda no século XX ou de algum modelo a se inventar. Concordo com T. J. Clark, para quem, em vez disso, é preciso que a esquerda contemporânea faça profundamente a experiência da sua derrota, das catástrofes intoleráveis por ela produzidas, e se esvazie de sua dimensão utópica, engajando-se antes numa política moderada, operando no interior do capitalismo, “por pequenos passos”, “propostas concretas” agindo no sentido de produzir igualdade em diversos âmbitos.

Onde foi que tais experiências deram certo? Qual modelo Bosco defende? Por que elogia o PSOL e Marcelo Freixo? A Venezuela, adorada por essa esquerda caviar, seria um bom exemplo? E Cuba, até hoje elogiada por essa turma, é um bom exemplo desse modelo? Discursos vazios…

Provavelmente a experiência de esquerda mais bem-sucedida no mundo hoje é a dos países nórdicos, capazes de dirigir o capitalismo por meio de um Estado pequeno, porém eficaz no sentido de promover equilíbrio social, conciliando assim os princípios do mercado e da seguridade social, da individualidade e do coletivo, em suma, da liberdade e da igualdade (como mostrou ampla matéria da revista “The Economist”, recentemente).

E eu sabia que chegaríamos aqui, claro. A Escandinávia se tornou o refúgio dos socialistas. Será que Bosco sabe que a região ficou rica antes, com mais liberalismo, e só depois conseguiu bancar esse estado de bem-estar social enorme? Será que ele sabe que isso tem custado caro demais, e levado a vários problemas? Será que sabe que, mesmo assim, tais países ainda são bem mais liberais e capitalistas do que o Brasil (vide o Índice de Liberdade Econômica do Heritage). A Suécia e a Dinamarca sequer possuem salário mínimo! A abertura comercial é muito maior nesses países. O império das leis também. Enfim, tais países seriam vistos, por nossa esquerda caviar que ainda defende Cuba e Venezuela, como “neoliberais” ao extremo! Bosco não sabe disso ou finge não saber?

Ser de esquerda não implica portanto um anticapitalismo sistêmico e revolucionário — concordo ainda com T. J. Clark quando escreve que, nas condições atuais, a esquerda moderada é que é revolucionária —, cuja prova pessoal de coerência seria uma espécie de franciscanismo, de resto inútil. Mas sim engajar-se, seja por qual via for, na luta pela promoção da igualdade de direitos (conforme fazem, cada um a seu modo, as pessoas desqualificadas por Constantino como símbolos da “esquerda caviar”: Wagner Moura, Regina Casé e Gregorio Duvivier, entre outros).

E Bosco pretende se vender como esquerda moderada? Defensor do PSOL e dos black blocs? Que piada foi essa? Wagner Moura, defensor do terrorista comunista Marighella, é um moderado? Letícia Spiller, fã de Fidel Castro, virou defensora da Suécia agora? Igualdade de direitos? Isso é uma bandeira liberal, Bosco! Igualdade de direitos é colocar todos iguais sob as mesmas leis, o oposto do que vocês querem, com todas essas bandeiras de privilégios para as “minorias” (que, como você mesmo já disse, não precisam ser minoria numérica de fato). 

É oportuno desconstruir outra suposta contradição. Segundo Constantino, os membros da “esquerda caviar” costumam criticar instituições, notadamente a polícia, mas recorrer a elas quando necessário. Deveria ser escusado lembrar que a crítica é um princípio democrático de aperfeiçoamento, e não um instrumento de negação absoluta. Quando pessoas de esquerda criticam a polícia, não estão a defender sua extinção, ingênua ou irresponsavelmente; antes repudiam a sua ação hierarquizante, logo antidemocrática.

Aperfeiçoamento? Essa gente chama a polícia de “fascista”! Bosco, você consome muito óleo de peroba? Mais do que Lula e Dilma? A quem você quer enganar? Aperfeiçoar a polícia queremos todos nós, liberais e conservadores. Vocês querem jogar pedras e coquetéis Molotov nela, acusá-la de “fascista”, desarmar os policiais e enaltecer os bandidos, como se fossem “vítimas da sociedade”. Não querem sua extinção, “ingênua e irresponsavelmente”? Ou seja, querem, mas de forma gradual? Ação hierarquizante, logo antidemocrática? Que diabos é isso? A polícia precisa aplicar as leis, punir os crimes, essa é sua função. Antidemocrático é defender vândalos mascarados que não foram eleitos por ninguém e que atacam os representantes da lei. Como você é cara de pau, Bosco! Não tem vergonha? Papai não lhe deu educação, não disse que é feio mentir? 

O que nos leva a um último aspecto da expressão. Ao negar a possibilidade de cidadãos de classe média e alta serem de esquerda, é nada menos que a mediação social da solidariedade o que se está anulando. Parece ser impossível para Constantino assimilar a ideia de que há pessoas dispostas a defender causas igualitárias mesmo em detrimento de suas vantagens pessoais. Mas, pasme, é precisamente isso o que, como princípio, define a esquerda.

Novamente o monopólio dos fins nobres, o que lhe resta. Solidariedade não tem nada a ver com ser de esquerda! Aliás, as pessoas mais solidárias que conheci não eram de esquerda, mas liberais e conservadores. Os esquerdistas que conheci, muitos deles, eram insensíveis e egoístas, apesar do discurso contrário. Hipocrisia. No mais, se quer mesmo defender as “causas igualitárias”, igualdade aqui como resultado, por que não começar, então, reduzindo essa desigualdade doando a própria fortuna? Quer dizer que vai ficar apenas na retórica contra a desigualdade, enquanto o sujeito acumula mais e mais capital e lucro de forma bem desigual? E Bosco não vê hipocrisia e contradição nisso? Sério mesmo? O que define a esquerda, ou boa parte dela, é esse abismo intransponível entre discurso e prática.

Rodrigo Constantino

13/03/2014

às 15:39 \ Comunismo, Cultura, Lei e ordem, Socialismo

Carta aberta a Letícia Spiller

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Prezada Letícia,

Antes de mais nada, gostaria de dizer que admiro seu talento como atriz e também te considero muito bonita. Infelizmente, você tem endossado certas ideias um tanto estapafúrdias, aplaudido regimes nefastos como o cubano, e alegado que se arrepende de ter usado uma camisa com a bandeira americana no passado, chegando a afirmar que se fosse hoje usaria uma com o Che Guevara.

Ontem, sua casa no Itanhangá foi assaltada por bandidos armados, que lhe fizeram de refém enquanto sua filha dormia logo ao lado. Lamento o que você passou, pois deve ser, sem dúvida, uma experiência traumática. Nossa casa é nosso castelo, e se sentir inseguro nela é terrível, especialmente quando temos filhos menores morando com a gente. A sensação de impotência é avassaladora, e muitos chegam a decidir se mudar do país após experiências deste tipo.

O que eu gostaria, entretanto, é que você fosse capaz de fazer uma limonada desse limão, ou seja, que pudesse extrair lições importantes desse trauma que ajudassem a transformá-la em uma pessoa melhor, mais consciente dos reais problemas que nosso país enfrenta. Se isso acontecesse, então aquelas horas de profunda angústia não seriam em vão.

Como você talvez saiba, sou o autor do livro Esquerda Caviar, que fala exatamente de pessoas com seu perfil (aproveito para lhe oferecer um exemplar autografado, se assim desejar). Artistas e “intelectuais” ricos, que vivem no conforto que só o capitalismo pode oferecer, protegidos pela polícia “fascista”, mas que adoram pregar o socialismo, a tirania cubana ou tratar bandidos como vítimas da sociedade: eis o alvo da obra.

Essa campanha ideológica feita por esses artistas famosos acaba tendo influência em nossa cultura, pois, para o bem ou para o mal (quase sempre para o mal), atores e atrizes são formadores de opinião por aqui. Quando um Sean Penn, por exemplo, abraça o tiranete Maduro na Venezuela, ele empresta sua fama a um regime nefasto, ignorando todo o sofrimento do povo venezuelano. Isso é algo abjeto.

No Brasil, vários artistas de esquerda têm elogiado ditaduras socialistas, atacado a polícia, o capitalismo, as empresas que buscam lucrar mais de forma totalmente legítima, etc. Muitos chegaram a enaltecer os vagabundos mascarados dos black blocs, cuja ação já resultou na morte de um cinegrafista.

Pois bem: a impunidade é o maior convite ao crime que existe. Quando vocês tratam bandidos como vítimas da sociedade, como se fossem autômatos incapazes de escolher entre o certo e o errado, como se pobreza por si só levasse alguém a praticar uma invasão dessas que você sofreu, vocês incentivam o crime!

Pense nisso, Letícia. Gostaria de perguntar uma coisa: quando você se viu ali, impotente, com sua propriedade privada invadida, com armas apontadas para a sua cabeça, você realmente acreditou que estava diante de pobres vítimas da “sociedade”, coitadinhos sem oportunidade diferente na vida? Ou você torceu para que fossem presos e punidos por escolherem agir de forma tão covarde contra uma mãe e uma filha em sua própria casa?

Che Guevara, que você parece idolatrar por falta de conhecimento, achava que era absolutamente justo invadir propriedades como a sua. Afinal, o socialismo é isso: tirar dos que têm mais para dar aos que têm menos, como se riqueza fosse jogo de soma zero e fruto da exploração dos mais pobres. Você se enxerga como uma exploradora? Ou acha que sua bela casa é uma conquista legítima por ter trabalhado em várias novelas e levado diversão voluntária aos consumidores?

Nunca é tarde para aprender, para tomar a decisão correta. Por isso, Letícia, faço votos para que esse desespero que você deve ter sentido ontem se transforme em um chamado para uma mudança. Abandone a esquerda caviar, pois ela não presta, é hipócrita, e chega a ser cúmplice desse tipo de crime que você foi vítima. Saia das sombras do socialismo e passe a defender a propriedade privada, o império das leis, o fim da impunidade e o combate ao crime, nobre missão da polícia tão demonizada por seus colegas.

Te espero do lado de cá, o lado daqueles que não desejam apenas posar como “altruístas” com base em discurso hipócrita e sensacionalista, daqueles que focam mais nos resultados concretos das ideias do que no regozijo pessoal com as aparências de revolucionário engajado. Será bem-vinda, como tantos outros que já acordaram e tiveram a coragem de reconhecer o enorme equívoco das lutas passadas em prol do socialismo.

Um abraço,

Rodrigo Constantino

Obs: um PS foi escrito após tanta repercussão.

10/03/2014

às 20:08 \ Cultura, Socialismo

Sean Penn pensa que é Maduro, mas é apenas podre mesmo!

Sean Penn e Maduro

A imagem fala por si só. Enquanto a Venezuela mergulha no completo caos social por conta das atrocidades cometidas pelo governo Chávez e mantidas pelo governo Maduro, o ator Sean Penn, ícone da esquerda caviar hollywoodiana, viaja ao país para dar todo o seu apoio moral ao tiranete. Sean Penn acha que é Maduro, mas é apenas podre mesmo.

Segue o trecho do meu livro Esquerda Caviar sobre esta figura abjeta do “showbiz”:

Sean Penn

O grande ator e ex-marido de Madonna talvez seja “o” ícone da esquerda caviar em Hollywood. Causa progressiva é com ele mesmo! Filmes que enaltecem a vida simples na natureza, os gays oprimidos, ou qualquer visão antiamericana, eis o currículo do astro que adora Fidel Castro.

Penn é um pacifista também (apesar das acusações de que batia em Madonna), e por isso detestava Bush e a Guerra do Iraque. Seu paficismo, entretanto, nunca atravessou fronteiras. Ele não tem problema com a ditadura cubana; muito pelo contrário. Trata-se de uma luta justa contra os opressores. A América, claro!

Penn não gosta de armas. Exceto a sua própria. Quando seu carro foi roubado em um restaurante de Berkley, havia uma Smith & Wesson calibre 38 e uma Glock 9mm carregada em sua mala. Durante seu casamento com Madonna, um grupo de paparazzi sobrevoou a área, apenas para ser recebido por um noivo em fúria, que apontava uma arma para os fotógrafos abusados. Pacifismo assim só mesmo em Hollywood.  

É um igualitário também, defensor da “justiça social” (aquela existente em Cuba e na Venezuela). Mas isso não o impede de agir como um verdadeiro aristocrata, comportamento comum às celebridades mimadas. Certa vez obrigou um de seus assistentes a nadar no poluído East River, em Nova York, apenas para lhe conseguir um maço de cigarros! É aquela coisa: todos iguais, mas uns mais que os outros…

Quando a morte de Hugo Chávez foi finalmente divulgada, Sean Penn competiu com Oliver Stone para ver quem babava mais o ovo do defunto. Afirmou que o povo americano perdia um amigo (?), e que os pobres do mundo todo perdiam um “campeão”. Penn, em seguida, lamentaria a perda de um grande amigo pessoal, e desejaria sucesso na continuação da revolução bolivariana. Com amigos assim, os pobres venezuelanos sem dúvida não precisam de inimigos.

O ator encontrou tempo em sua agitada agenda para voar até a Venezuela e prestar homenagem ao caudilho amigo em seu funeral. Já quando o ator brasileiro Ariel Goldenberg, com síndrome de Down, fez uma grande campanha para trazer a celebridade ao Brasil e conhecê-lo, seu sonho na vida (cada um com suas manias), o astro de Hollywood ignorou o pedido e preferiu seguir com sua luta pela “justiça social”, aquela existente em Cuba e na Venezuela.

O garoto acabou tendo de viajar a Los Angeles para conhecê-lo, e foi recebido na praia particular do ator socialista. Assim é fácil defender Cuba, né? Talvez Sean Penn inveje o camarada Fidel, que tem várias praias particulares. Aliás,  que será que pensaria da letra revolucionária do Ultraje a Rigor, aquela do ”nós vamos invadir sua praia”? Acho que essa coisa de igualdade tem limites até para os igualitários…

Melhor assim: ganha o Brasil com a ausência do ator por aqui. Ninguém merece celebridades idiotas fazendo propaganda socialista. Guilherme Fiúza, um dos maiores combatentes dessa “marcha dos oprimidos”, escreveria um artigo no jornal O Globo pedindo: “Não vem, Sean Penn”. Afirma: “A esquerda festiva sempre foi ridícula em qualquer lugar, mas a de Hollywood é imbatível”. E acrescenta:

Assim são o chavismo e seus derivados: esconda-se atrás de um símbolo social (a mulher, o operário, a vítima da ditadura) e navegue à vontade no proselitismo. Pode mentir numa boa, pode afundar as empresas de energia para forjar uma conta de luz barata, pode ludibriar o contribuinte para adular o consumidor, pode maquiar as contas públicas para esconder a gastança eleitoreira, pode vampirizar a Petrobras e depois usá-la para soltar panfletos de “capacitação da mulher”, pode tudo isso que enche os olhos dos astros abobalhados de Hollywood.

Diante disso, só nos resta fazer coro ao colunista: não vem, Sean Penn! Fique em sua praia particular, longe do povão, curtindo sua fortuna. Mas, por favor: deixe os humildes trabalhadores dos países mais pobres em paz. Eles não precisam de amigos como você…

Rodrigo Constantino

24/02/2014

às 23:22 \ Humor

O bando: paródia sensacional da esquerda caviar

O músico Filipe Trielli, parceiro do vizinho virtual Felipe Moura Brasil na paródia “Águas de junho“, o videoclipe viral que satirizou o ano de 2013 no Brasil, traz agora “O bando”, uma sensacional paródia com argumento do humorista Danilo Gentili, da música “A banda”, de Chico Buarque.

Como disse Felipe Moura, a banda passou, como se sabe. Mas o cinismo do bando esquerdista não passa jamais. Deleitem-se!

21/02/2014

às 15:16 \ Cultura

Esquerda caviar quer salvar tartarugas e árvores cantando… com o nosso dinheiro!

Sei que o tema esquerda caviar acaba ficando repetitivo. Mas o que posso fazer se a esquerda caviar não para de avançar sobre nossos bolsos com toda a sua “consciência ecológica”? Vejam a última que recebi:

Projetos de turnês musicais que abordam temas ecológicos estão na lista de aprovados em fevereiro de 2014, pelo Ministério da Cultura, para captar recursos da Lei Rouanet. Milton Nascimento faz homenagem ao projeto ambiental Tamar em proposta de R$ 957 mil para shows e CD com o Dudu Lima Trio. Outra proposta, da banda de pagode Jeito Moleque, pede R$ 2,4 milhões para turnê e DVD “ambientalmente responsáveis”, que inclui plantio de 2 mil árvores para “emissões de gases do efeito estufa geradas com as realizações dos shows”.

Os dois projetos foram aprovados com poucos cortes de verba pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que se reúne mensalmente para avaliar propostas. Os artistas também podem contar com a renda extra de ingressos a preços populares, que se somam ao valor total liberado para captação de patrocínio pela Lei Rouanet.

Haja jeito moleque para tanta malandragem! Estamos vendo o nascimento da uma nova modalidade de subsídios: é só criar uma “turnê ecológica” que o MinC libera a verba. São as andanças bancadas com nossos tributos…

Tenho uma proposta e gostaria de saber se posso contar com o apoio do governo. Quero fazer uma “turnê ecológica” também, divulgando meu livro Esquerda Caviar. O leitor acha que brinco, que não falo sério?

Explico: ao combater o fenômeno, posso reduzir a quantidade de membros da esquerda caviar. Ao fazer isso, o consumo de óleo de peroba para lustrar tanta cara de pau vai se reduzir. E como ele é produzido à base de óleos e solventes vegetais e minerais, a queda no seu consumo tem claro apelo ecológico.

Espero ter sido convincente. Contento-me com a metade do que o Jeito Moleque teve aprovado. Marta?

Rodrigo Constantino

19/02/2014

às 16:43 \ Cultura, Filosofia política, Socialismo

Pode um socialista morar no Leblon?

Escrevi a sugestão de um esquete para o Porta dos Fundos e recebi uma saraivada de ataques e ofensas, que já rebati aqui, mostrando que a esquerda caviar não tem senso de humor quando é o alvo das piadas. Dois tipos de ataque merecem maior atenção, e aproveito para fazer isso agora.

O primeiro foi a acusação de que eu teria inveja ou recalque pelo local onde o comediante mora, o bairro com o metro quadrado mais caro do país. O segundo foi questionando qual o problema de morar no Leblon e defender a esquerda ou o socialismo. Vamos lá.

Não tenho inveja de gente rica ou de morador do Leblon, local que gosto muito e onde tenho vários amigos. Sou um defensor do capitalismo liberal, ou seja, sou o primeiro a enaltecer o papel de empresários e profissionais liberais que ficam ricos graças ao próprio mérito. Para mim, riqueza não é sinônimo de exploração.

Portanto, não tenho recalque de gente rica e honesta, e sim admiração, respeito, quando a riqueza é fruto de trocas voluntárias no livre mercado, quando é o reconhecimento de que o empreendedor ofereceu algo de valor em troca para a sociedade, que por escolha própria o fez rico. Só não aprecio aquele tipo de riqueza proveniente de subsídios do governo, barreiras protecionistas, privilégios, patrocínios culturais das estatais, etc. Cai por terra o primeiro ataque.

E que tem ligação direta com a incoerência do segundo ataque. Ora, qual o problema de defender o socialismo e morar no Leblon, e ser rico? Simples: o socialismo condena o capitalismo, que por sua vez permite o enriquecimento legítimo dessas pessoas. É cuspir no prato que comeu, para resumir.

Antes, vamos esclarecer o que é socialismo, pois fiquei espantado com a ignorância dos críticos. Socialismo não é “se importar com os pobres”, “combater a exploração”, “desejar que todos tenham melhores condições de vida”, etc. Quem “pensa” assim, sem se dar conta, já é vítima de lavagem cerebral e adota o monopólio das virtudes como estratégia pérfida.

Quer dizer que um empresário que defende o capitalismo, que o permitiu ficar rico, não liga para os pobres? Absurdo, e essa gente nem percebe. O que fazem é usurpar para a esquerda as boas intenções, e isso é desonestidade intelectual. Quem foi que disse para esse pessoal que para se importar com os pobres tem que ser de esquerda?

Socialismo é a defesa de um sistema, de um meio, e não do fim nobre em si. E qual é este meio? Ora, literalmente falando, a concentração dos meios de produção nas mãos do estado. Claro que esse grau “puro” de socialismo quase ninguém mais defende, à exceção de uns dinossauros que aplaudem Cuba e Coreia do Norte.

Mas mesmo um socialismo mais light, mais moderado, vai pregar, como meio, repito, mais concentração de poder no estado, vai condenar a “ganância” dos capitalistas, o próprio lucro muitas vezes. É, afinal, “igualitário” nos resultados, pretende tirar dos ricos para dar aos pobres, como se riqueza fosse um bolo de soma zero e fruto da exploração.

Portanto, quando essa turma questiona se para ser socialista é preciso fazer voto de pobreza, morar na favela, a resposta é: não necessariamente; mas, que fazer o contrário, ou seja, voto de riqueza com muita ganância e foco no lucro pessoal, é algo contraditório e incoerente, isso é óbvio!

Tem de ser cego para não perceber a incoerência de um George Soros, especulador bilionário e muito ganancioso, quando este se diz um membro da “esquerda limusine”. Quem aplaude os “socialistas” milionários está focando apenas nas supostas intenções e nos discursos, na retórica vazia, típico da esquerda caviar hipócrita, que ama Paris e odeia Cuba.

Ora, então o sujeito pode, na prática, fazer tudo exatamente igual aos mais gananciosos capitalistas, enriquecer e acumular mais e mais capital, comprar um apartamento de milhões na beira da praia de Ipanema ou do Leblon, ter um Porsche ou uma Ferrari na garagem, enfim, fazer tudo aquilo que os magnatas odiados pela esquerda fazem, e depois ser adorado pela mesma esquerda só porque prega a “justiça social” da boca pra fora e coloca uma camisa de Che Guevara? Haja ingenuidade!

Entendem o absurdo da coisa? Logo, claro que é um contrassenso o sujeito enaltecer as “maravilhas” do igualitarismo, do socialismo, e depois viver exatamente igual aos mais ricos da elite capitalista. Lógico que é incoerente cuspir no capitalismo que permitiu sua própria riqueza para começo de conversa. Não perceber isso é algo realmente incrível e espantoso. Quem melhor resumiu a coisa foi Roberto Campos:

É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola…

Rodrigo Constantino

10/02/2014

às 10:41 \ Cultura

Esquerda caviar em dose dupla: Wagner Moura e Sebastião Salgado

A coluna de Ancelmo Gois no GLOBO de hoje expõe a esquerda caviar em dose dupla. Vejam:

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Wagner Moura é aquele ator descolado que adora defender o PSOL, Marcelo Freixo e o socialismo. Ele detesta o capitalismo, o lucro, a ganância – a não ser quando é para negociar seu cachê em filmes bancados pelo capitalismo ou em comerciais de empresas multinacionais em busca do lucro.

O “capitão Nascimento” se recusa a dar entrevistas a Veja, pois a revista seria de “extrema-direita” (risos). Mas eis que o homem, já que ninguém é de ferro, curte um luxo bem burguês! O Marriot em Berlim não é para qualquer um. Uma diária não sai por menos de R$ 1 mil, bagatela que o povão, tão defendido pelo ator engajado, não tem para gastar nem no aluguel de um mês inteiro!

Marriot Berlin

Já Sebastião Salgado é aquele famoso fotógrafo, que recentemente fez uma série sobre índios Awá com a jornalista Míriam Leitão. Foi engajado na esquerda revolucionária e amigo do terrorista Marighella, que Wagner Moura também admira, a ponto de querer ser o homem nas telas de cinema, para mostrar seu lado “humano”.

O fotógrafo deu de presente para o então presidente Lula o livro “Trabalhadores”, como podemos ver abaixo:

Pois bem, este outro grande representante do povo oprimido possui um apartamento em Paris, onde dá festas ao som de Beatles, samba e forró. Pouco provável que algum índio Awá tenha sido convidado ou, caso positivo, ter podido ir. Já Chico Buarque… será que foi? Esquerdista comprar apartamento em Cuba ou na Venezuela? Nem pensar!

Ah, a doce vida da esquerda caviar… é que defender os pobres dá muito trabalho, sabe?

Rodrigo Constantino

 

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