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Eike Batista

09/12/2014

às 11:03 \ Humor

O segredo de Dirceu

Dirceu, o empresário de sucesso. Fonte: GLOBO

Calma, caros leitores, não farei aqui nenhuma revelação chocante sobre o mensalão, sobre o petrolão ou sobre a morte de Celso Daniel. O tema aqui é sobre negócios, mais especificamente o sucesso empresarial de Dirceu. Documentos da Operação Lava Jato revelaram que José Dirceu recebeu quase um milhão de reais da empreiteira Camargo Corrêa, prestando serviço de consultoria:

Assinado em 21 de fevereiro de 2010, o contato previa prestação de consultoria na “integração dos países da América do Sul” e análise de aspectos sociológicos e políticos do Brasil. Segundo o contrato, Dirceu deveria ainda divulgar o nome da empresa dentro e fora do Brasil, ministrar palestras e participar de conferências, além de estar à disposição da empreiteira sempre que solicitado para os serviços mencionados. O contrato, marcado como sigiloso, previa o pagamento de R$ 75 mil por mês. Os comprovantes apreendidos mostram que a JD Assessoria recebeu R$ 886,5 mil. O primeiro pagamento foi retroativo, equivalente a três meses de consultoria.

A firma de consultoria de Dirceu é um estrondoso sucesso. O ex-ministro já era consultor em 2008, e três anos depois de cassado tinha ao menos 15 clientes no Brasil e no exterior. Carlos Slim, o homem mais rico do mundo e empresário que quase não tem ligação com governos, era um dos clientes. O mexicano não ficou bilionário à toa: sabe reconhecer um talento nato, e aposta pesado na meritocracia.

Outro que contratou a peso de ouro os serviços de Dirceu foi Eike Batista. Foi na época em que teve problemas na Bolívia, pois Evo Morales queria tomar seus ativos por lá. O empresário do grupo X viu em Dirceu a capacidade de persuasão de que precisava, e resolveu bancar os R$ 70 mil mensais cobrados pelo petista.

Não conseguiu resolver o imbróglio, mas foi pura falta de sorte. Seu mapa astral mostrou que vivia em seu inferno astral, e uma “filósofa” apontou para a direção errada do sol no logo de sua empresa. Estava explicado o fracasso, que isentava o consultor de qualquer responsabilidade.

Otávio Cabral, em sua biografia sobre Dirceu, mostra que a consultoria amealhou ao menos R$ 40 milhões de faturamento em contratos com grandes grupos. Outros petistas poderosos se deram bem com consultorias também, como Palocci e Pimentel, mas nada perto da magnitude de Dirceu. Qual seu segrego?

Os jovens empreendedores leem muitos livros de autoajuda empresarial, ou de análises históricas dos casos de sucesso, como os bons livros de Jim Collins. Mas esqueçam isso! O meteórico sucesso de Dirceu coloca todos os demais casos como insignificantes. É Dirceu quem deveria escrever um livro sobre o xis da questão.

Mas vou ser legal com o leitor e lhe poupar o esforço de tentar descobrir que segredo é esse, até porque Dirceu tem usado o tempo na Papuda para ler e não escrever os seus “cadernos do cárcere”, como poderia fazer inspirado no guru Gramsci. Atenção, pois vou revelar agora o segredo empresarial de Zé Dirceu!

O amor pelos pobres. Isso mesmo! Vários consultores se digladiam no mercado competitivo, tentam conquistar bons clientes, cair nas graças das empresas grandes, mas não conseguem. E Dirceu fecha contratos com enorme facilidade. Pois ama os mais pobres!

Os petistas ainda o tratam como um herói nacional injustiçado, e a própria presidente Dilma não respondeu quando foi perguntada sobre o que achava da condenação do companheiro. Claro, em época de eleição não pegaria bem dizer a verdade: Dilma também admira Dirceu. Ele jamais foi expulso do PT, afinal de contas, o que demonstra que todos que continuaram no partido são solidários ao camarada.

Qualquer um que critique o ex-ministro petista o faz por pura inveja. Lamenta o fato de não conseguir clientes tão bons por mérito próprio ou talento, como faz Dirceu. Diz que não se trata de um consultor, e sim de um lobista, mas é pura intriga da oposição. Dirceu ganha milhões porque ama os pobres! Todo petista adora os mais pobres, eis a verdade que os “coxinhas” ignoram.

Querem outro exemplo? Leonardo Sakamoto, brilhante  jornalista, aquele que culpa o rico por ser assaltado, pois quem mandou usar coisas boas em um país desigual como o Brasil?, faturou mais de um milhão em sua ONG no ano. O rapaz trilha o caminho do sucesso. Inspira-se no mestre Dirceu: ama os pobres como a si mesmo.

Portanto, estimados leitores, fica aqui a dica para quem quer acumular fortuna: é preciso ser abnegado, altruísta, igualitário, desprezar a ganância dos capitalistas, rejeitar o lucro, odiar os banqueiros, e acima de tudo, amar muito os pobres. Ou seja, é preciso ser um petista. Assim se chega mais rápido aos milhões na era do lulopetismo…

PS: Viram só? Dessa vez nem precisei alertar que era ironia no primeiro parágrafo. Bastou marcar como humor o texto, que até os petistas sacaram o sarcasmo. Até os petistas…

Rodrigo Constantino

06/12/2014

às 13:07 \ Ciência e Tecnologia

O cientista do PT

Todos lembram da celeuma em torno do tetraplégico que daria o chute inicial na Copa do Brasil. Milhões foram gastos nas pesquisas e na divulgação, e seria um feito e tanto da medicina e da ciência, aguardado por milhões de espectadores. Mas tudo não passou de um constrangedor momento sem brilho, apagado, no canto do estádio, ao custo de R$ 33 milhões do “contribuinte”.

Por trás do espetáculo, estava o neurocientista Miguel Nicolelis. Ele tem despertado a revolta da comunidade científica ao conseguir verbas de pesquisa muito acima dos seus pares, montantes que chegam a representar metade do custo total das verbas para pesquisa do CNPq. É o que mostra uma reportagem na Veja desta semana, de Leonardo Coutinho.

Uma ONG comandada por Nicolelis arrancou do Ministério da Educação quase R$ 250 milhões com o objetivo de construir e equipar um centro de pesquisas no Rio Grande do Norte. O montante representa mais de um terço do que custou o fenomenal robô que pousou em um cometa há um mês e espantou o mundo. Coutinho conclui:

Nicolelis

Uma das marcas registradas do lulopetismo é justamente esse favorecimento dos “amigos do rei”, em detrimento ao mérito objetivo. Uma postura típica do tribalismo ou das máfias, que ajudam os seus independentemente dos resultados obtidos. Clientelismo e patrimonialismo são os termos técnicos que definem esses privilégios indevidos, em contraponto à meritocracia do livre mercado.

Nesse ambiente, mais vale ser um cientista bem relacionado, com as amizades certas, do que produzir mais resultados, ter textos mais citados nas revistas especializadas, etc. Nicolelis, nesse sentido, poderia ser visto como um “cientista do PT”, nos moldes dos já conhecidos “empresários do PT”.

Malu Gaspar, em Tudo ou nada, o livro-reportagem sobre a história do grupo X de Eike Batista, mostra como o empresário ficou obcecado com essa ideia de ser um dos “empresários do PT”, pois sabia como isso poderia lhe ajudar. Conseguiu, foi agraciado com bilhões subsidiados do BNDES, licenças mais rápidas e outros “favores”, em perfeita simbiose com o governo.

Mas Eike, como mostra Malu, também abandonou o conceito objetivo do mérito em seu conglomerado, para se cercar cada vez mais de bajuladores, de gente que o encantava por motivos banais que nada tinham a ver com o talento e o resultado nas empresas. O excêntrico chefe foi eliminando os melhores funcionários e dando mais e mais poder aos seus “camaradas”.

Agiu como um típico petista, enfim. Inclusive chegou a colocar numa diretoria um ex-funcionário público ligado ao PT, amigo de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que foi preso e fez acordo de delação premiada para entregar o esquema de corrupção na estatal. Deu no que deu: o grupo X veio à lona. É o que se espera quando o mérito é substituído pelo tribalismo.

Rodrigo Constantino

25/11/2014

às 10:50 \ Democracia, Economia

Ambição desmedida – artigo de hoje no GLOBO

Atuava no mercado financeiro, e acabara de sair de um almoço de um banco de investimentos que apresentou o case da primeira emissão de ações do grupo X, de Eike Batista. Ao término, conversando com investidores, quis saber quantos realmente acreditavam naquilo. Poucos. Era um tiro no escuro, uma grande aventura. Não obstante, a coisa toda viraria uma febre depois, e o empreendedor se tornaria o homem mais rico do Brasil.

O episódio me veio à memória ao ler o excelente livro-reportagem “Tudo ou nada” (Editora Record), em que a jornalista Malu Gaspar, de “Veja”, disseca a verdadeira história do mais excêntrico empresário brasileiro. Com mais de cem pessoas entrevistadas, a autora traz inúmeros relatos que reconstroem o dia a dia frenético da ascensão e queda do que foi o império de Eike.

Com espírito aventureiro e muita ousadia, o filho de Eliezer Batista, o poderoso ex-presidente da Vale, já havia tido uma experiência similar antes, no Canadá. Mas não absorveu lições importantes, ao menos não a ponto de impor maior cautela a um inveterado otimista disposto a “dominar o mundo”. É um típico caso em que megalomania pode ser confundida com autoconfiança.

De forma irresponsável, Eike foi ignorando alertas ao longo do caminho, e abraçando cada vez mais empreitadas em diversos setores diferentes. Malu chama a história do grupo X de “a epítome de um período do capitalismo brasileiro”. De fato, foi isso mesmo. Já fiz um paralelo, aqui nesse espaço, entre Eike e Lula em suas respectivas áreas. Se um virou o Midas da economia, o outro foi alçado ao patamar de gênio da política, ignorando-se que perdeu três eleições seguidas, duas delas no primeiro turno para Fernando Henrique.

Leia mais aqui.

Rodrigo Constantino

14/11/2014

às 11:04 \ Democracia, Economia

De Adam Smith para Dilma. Ou: A maldição do ouriço: um paralelo entre Eike Batista e Dilma

Eike e Dilma: vítimas da própria arrogância

Adam Smith nasceu em 1723 na Escócia, e é conhecido pelo seu estudo sobre a riqueza das nações. Entretanto, não foi apenas a economia que despertou o interesse do autor. Ele dedicou boa parte do seu tempo às reflexões sobre a natureza humana e seus aspectos morais. Em 1759, publicou Teoria dos Sentimentos Morais, sua obra-prima em termos filosóficos.

Os ensinamentos de Smith sobre economia seriam fundamentais para a presidente Dilma, que ignora inúmeras lições já disponíveis naqueles tempos. Mas é sobre o aspecto moral que Smith mais teria a falar com Dilma atualmente. Esse texto pode ser encarado como um recado de Adam Smith para Dilma.

“Nas cortes de príncipes, nos salões dos grandes, onde sucesso e privilégios dependem, não da estima de inteligentes e bem informados iguais, mas do favor fantasioso e tolo de presunçosos e arrogantes superiores ignorantes; a adulação e falsidade muito freqüentemente prevalecem sobre mérito e habilidades. Em tais círculos sociais, as habilidades em agradar são mais consideradas do que as habilidades em servir”.

Não há como ler esta passagem e ignorar que o governo Dilma loteou milhares de cargos levando em conta somente fatores ideológicos ou mesquinhos, distribuiu privilégios aos montes, garantiu o emprego de seus “camaradas” abandonando completamente os critérios de capacidade de gestão.

Dilma se cerca de bajuladores, aponta para cargos importantes figuras inexpressivas, alia-se aos “caciques” da velha política, aparelha o estado com seus companheiros de ideologia, acabando com o único critério que realmente deveria ser levado em conta: a meritocracia.

A presidente tem fama de durona, de intragável até, o que dificulta o diálogo com seus pares e também as críticas dos subalternos. O bom líder, porém, deve dar abertura para ouvir, para absorver críticas e sugestões, pois ninguém é onisciente. Quando equivocado, o líder deve ter humildade o suficiente para poder acatar recomendações e mudar.

Pessoas próximas dizem que esse foi o grande erro de Eike Batista. A hubris, a arrogância de quem realmente passou a se considerar um Midas, um gênio. Com tal postura, o empresário teria se arrogado um saber que não possui, e se cercado de bajuladores. Os críticos foram sendo eliminados, um a um. Restaram os puxa-sacos, aqueles que só elogiam o chefe, mesmo quando claramente errado.

Os líderes que se fecham como ouriços e atacam todos os críticos estão fadados ao insucesso. Um líder precisa ter a humildade para admitir equívocos, e jamais deve se cercar dos piores só para proteger seu ego, com medo da comparação. O bom líder, ao contrário, quer os melhores em torno de si, e por isso é um líder de verdade: pois sabe reconhecer o talento alheio que não possui.

Se Dilma não mudar – e é difícil mudar algo tão estrutural – é provável que vá cada vez se fechando mais, criando um “círculo de confiança” seleto, em que somente aqueles que concordam totalmente com ela podem entrar. Com tal atitude, vai insistir nos erros, dobrar a aposta, e afundar de vez nossa economia, como fez Eike Batista com seu “império”. Quem viver, verá…

Rodrigo Constantino

18/09/2014

às 7:48 \ Democracia, Economia, História

A queda de “gigantes”: Eike Batista e Lula tomam chá de sumiço

Eike Batista e Lula: arrogância fatal

Por onde andam Lula e Eike Batista? Há mais semelhanças entre ambos do que se poderia imaginar em um primeiro olhar. Os dois são filhos do mesmo fenômeno, um na política e o outro na economia. Os dois se julgaram mais poderosos e brilhantes do que são em suas respectivas áreas. Os dois se deixaram levar pela extrema arrogância. E agora, os dois saem de fininho de cena, tentam se manter enclausurados, resguardados das crises que os engoliram e expuseram suas reais fraquezas.

Eike, o “Midas”, teve seus bens bloqueados, e agora alega ter um patrimônio negativo de R$ 1 bilhão! Réu em ação penal, acusado de manipular as ações do grupo, ele luta para preservar alguma parte da fortuna que já teve, fruto da bolha Brasil. Sobre sua situação delicada de hoje, Eike disse: “Fui educado como um jovem de classe média. E a gente não perde isso”. Mas quem observava o empreendedor nos anos de euforia não via nada disso. Humildade e pé no chão eram coisas que passavam longe do arrogante que seria o “homem mais rico do mundo”, sem saber apenas se passaria Carlos Slim e Blll Gates pela esquerda ou pela direita.

Já Lula, o carismático “gênio” da política, andou bem sumido, e resolveu aparecer na Petrobras, com um macacão laranja como o da estatal, para um comício chapa-branca escancarado. A ideia era realizar um “abraço” simbólico em torno do prédio da empresa, mas pela quantidade minguada de “militantes” (essa gente é paga para estar ali), não deu nem para um aperto de mão. Lula não consegue mais encher comícios como antes. As pessoas cansaram dele. E de seus postes, então, nem se fala! Como já disse aqui, Lula vai conseguir destruir o PT e apagar todos os postes que acendeu com a ajuda da bolha Brasil.

Em julho de 2013, escrevi para o GLOBO um artigo fazendo um paralelo entre ambos. Vale reproduzi-lo aqui, quando a queda dos dois “gigantes” parece cada vez mais evidente e inevitável:

A queda

Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O “sucesso” de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.

Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

A demanda voraz da China por recursos naturais, que por sorte o Brasil tem em abundância, fez com que o valor de nossas exportações disparasse. Por outro lado, após a crise de 2008 os principais bancos centrais do mundo injetaram trilhões de liquidez nos mercados. Isso fez com que o custo do dinheiro ficasse muito reduzido, até negativo se descontada a inflação.

Desesperados por retorno financeiro, os investidores do mundo todo começaram a mergulhar em aventuras nos países em desenvolvimento. Algo análogo a alguém que está recebendo bebida grátis desde cedo na festa, e começa a relaxar seu critério de julgamento, passando a achar qualquer feiosa uma legítima “top model”.

Houve uma enxurrada de fluxo de capitais para países como o Brasil. A própria presidente Dilma chegou a reclamar do “tsunami monetário”. Os investidores estavam em lua de mel com o país, eufóricos com o gigante que finalmente havia acordado. Havia mesmo?

O fato é que essa loteria permitiu o surgimento dos fenômenos Eike Batista e Lula. Eike, um empresário ousado, convenceu-se de que era realmente fora de série, que tinha um poder miraculoso de multiplicar dólares em velocidade espantosa, colocando um X no nome da empresa e vendendo sonhos.

Lula, por sua vez, encantou-se com a adulação das massas, compradas pelas esmolas estatais, possíveis justamente porque jorravam recursos nos cofres públicos. A classe média também estava em êxtase, pois o câmbio se valorizava e o crédito se expandia. Imóveis valorizados, carros novos na garagem, e Miami acessível ao bolso.

O metalúrgico, que perdera três eleições seguidas, tornava-se, quase da noite para o dia, um “gênio da política”, um líder carismático espetacular, acima até mesmo do mensalão. Confiante desse poder, Lula escolheu um “poste” para ocupar seu lugar. E o “poste” venceu! Nada iria convencê-lo de que isso tudo era efeito de um fenômeno mais complexo do que ele compreendia.

Dilma passou por uma remodelagem completa dos marqueteiros, virou uma eficiente gestora por decreto, uma “faxineira ética”, intolerante com os “malfeitos”. Tudo piada de mau gosto, que ainda era engolida pelo público porque a economia não tinha entrado na fase da ressaca. O inverno chegou.

O crescimento chinês desacelerou, e há riscos de um mergulho mais profundo à frente. A economia americana se recuperou parcialmente, e isso fez com que o custo do capital subisse um pouco. Os ventos externos pararam de soprar. Os problemas plantados pela enorme incompetência de um governo intervencionista, arrogante e perdulário começaram a aparecer.

A maré baixou, e ficou visível que o Brasil nadava nu. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os “campeões nacionais”, entre eles o próprio Eike Batista. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

A liquidez começou a secar. O fluxo se inverteu. E o povo começou a ficar muito impaciente. Eike Batista se viu sem acesso a novos recursos para manter seu castelo de cartas. As empresas do grupo X despencaram de valor, sendo quase dizimadas enquanto as dívidas, estas sim, pareciam se multiplicar. A palavra calote passou a ser mencionada. O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro.

Já a presidente Dilma, criatura de Lula, mergulhou em seu inferno astral. Sua popularidade desabou, os investidores travaram diante de tantas incertezas, e todos parecem cansados de tamanha incompetência.

Eike e Lula deveriam ler Camus: “Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte”.

Rodrigo Constantino

15/04/2014

às 11:00 \ Corrupção, Investimentos

Caso Eike Batista: se fosse nos Estados Unidos isso dava cadeia!

Fonte: GLOBO

A atuação de Eike Batista na crise da petroleira OGpar (ex-OGX) vai ser investigada no Rio e em São Paulo. Uma associação que representa minoritários de empresas brasileiras, apresenta nesta terça-feira ao Ministério Público Federal (MPF) paulista uma queixa contra o empresário, contra a Bolsa de Valores de São Paulo e contra seu presidente, Edemir Pinto.

Entre as acusações está a omissão da identidade de Eike enquanto ele vendia ações da ex-OGX durante negociações na Bovespa entre 24 de maio e 10 de junho de 2013. O empresário só informou ao mercado que estava se desfazendo dos papéis em 10 de junho daquele ano. O anúncio derrubou a cotação em 9% naquele dia.

Em outra frente, o MPF no Rio de Janeiro solicitou que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar a suposta prática de crimes financeiros por Eike, enquanto controlador da petroleira. O pedido foi embasado nas conclusões do relatório de acusação elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), encaminhado ao MPF em 19 de março. O procurador que está à frente do caso é Marcio Barra Lima.

Crime financeiro é coisa muito séria em país sério. Quando houve as primeiras acusações e indícios de “insider trading” por parte de Eike Batista, escrevi sobre o assunto no meu antigo blog. À época, eis minha mensagem, que repito aqui:

O mercado só funciona com regras claras, e punição para quem as descumpre. Leiam Luigi Zingales sobre o assunto: seus dois livros são fundamentais para compreender a importância das instituições no bom funcionamento do capitalismo. Tem libertário que defende o “insider trading”, mas o fato é que esse tipo de atitude vai minando a credibilidade do próprio mercado. E ela é crucial para o progresso.

Fosse nos Estados Unidos, Eike Batista acabaria atrás das grades, caso fique comprovado o “insider trading”. Acho que os americanos não chegaram aonde chegaram à toa, ou porque são bobos. Eles entendem – ou ao menos entendiam – a relevância da confiança nas regras do jogo. O Brasil precisa trilhar esse caminho também.

Guardadas as devidas proporções, Bernard Madoff está preso até hoje, apesar de sua fortuna. No Brasil, ninguém acredita que Eike Batista possa parar atrás das grades. E isso diz muito sobre a diferença entre cada país…

Rodrigo Constantino

10/02/2014

às 23:00 \ Economia

Abílio Diniz recusa convite para pasta de desenvolvimento

Fonte: GLOBO

É, pelo visto está difícil o governo conseguir um “cavalo de Tróia” para enganar o mercado. Parece que finalmente os empresários acordaram! Mesmo os mais próximos do governo… Vejam notícia do GLOBO:

O empresário Abílio Diniz, presidente do conselho administrativo da BRF, foi convidado pelo Palácio do Planalto para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) no lugar de Fernando Pimentel, que deixará o cargo para se candidatar ao governo de Minas Gerais. Segundo fontes, o nome de Diniz surgiu há cerca de duas semanas, como alternativa a Josué Gomes da Silva, filho caçula do falecido vice-presidente José Alencar, que recusara o convite para assumir a pasta.

Diniz confirmou a pessoas próximas ter recebido o convite. E disse ter ficado lisonjeado com a lembrança de seu nome. Mas explicou que não aceitaria o convite por considerar que, neste momento, pode “colaborar mais com o país” ficando na iniciativa privada.

A substituição do novo titular do MDIC tem sido um desafio para a presidente Dilma Rousseff. Além de Abílio Diniz e Josué Gomes da Silva, também disseram não o atual ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif, e o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Que dureza, dona Dilma! Aceita um Dreher? Pelo visto não será tarefa trivial acalmar o mercado apenas no gogó e com algum troféu no ministério. Após tanta burrada e intervenção, a turma está como São Tomé: quer ver para crer. Ninguém tem coragem – ou insanidade – para se expor dessa maneira e virar bucha de canhão. Credibilidade é algo que se leva anos para construir, mas dias para destruir.

Como não sou da turma do “quanto pior, melhor”, vou tentar colaborar. Eis dois nomes de empresários que provavelmente aceitariam o convite: Benjamin Steinbruch e Eike Batista. O primeiro, pois basta ler seus artigos na Folha para ver como aplaude seu governo incompetente; o segundo porque deve (ou deveria) ter um sentimento de gratidão por toda a ajuda que recebeu do BNDES no governo do PT.

Só acho que nenhum dos dois nomes serviria para acalmar o mercado. Mas isso já é outra história…

Rodrigo Constantino

02/12/2013

às 11:41 \ Empreendedorismo, Filosofia política

A ironia de Gregorio Duvivier saiu pela tangente

Ao estilo de Antonio Prata, Gregorio Duvivier parte para a ironia em sua coluna de hoje na Folha, aparentemente tentando ridicularizar aqueles que delegam ao mercado a solução para todos os nossos males. Antes de entrar na questão, vale notar que não existem panaceias. NADA é solução mágica para nossos problemas!

Dito isso, várias coisas citadas pelo autor tem fundamento, mesmo que ele tenha tentado ser engraçado. Vejamos:

A gente não é a nova direita, até porque a gente não acredita nessa coisa de esquerda e direita. As pessoas dizem isso só porque a gente defende o Estado mínimo. É claro que a gente defende: tudo o que é privado funciona. Tudo o que é público é uma droga.

Nem tudo que é privado funciona, nem tudo que é público é uma droga. Mas quase sempre o setor privado vai ser melhor do que o setor público. Alguns serviços simplesmente não devem ficar a cargo da lei de oferta e demanda com base no lucro, como a polícia. Mas estado empresário é absurdo, e nunca funciona bem.

Pensa bem: o mundo não seria muito melhor se fosse uma grande empresa, com wi-fi, coffee break e um bom termostato? Não existe nada mais deprimente que uma repartição pública. Ou que o piscinão do Sesc.

Todo mundo sabe que os melhores hospitais são os privados: o médico ganha melhor e o paciente é mais bem tratado. Quem sai perdendo com a privatização da saúde? O PT, que ganha uma baba com essa festa da uva que é a saúde pública. Iam perder essa bocada. Pior para eles. E para os médicos da saúde pública, que hoje em dia estão de papo para o ar e do dia para noite teriam que trabalhar que nem todo mundo.

A educação é a mesma coisa. Só mesmo privatizando para acabar com a farra dos professores. Precisava de um bom Roberto Justus para dizer: você está demitido. Duvido que ia ser essa festa –você já viu a Coca-Cola entrar em greve? Não entra. O que falta na educação é alguém para fazer a limpa e deixar só quem presta.

A meritocracia sem dúvida é uma das principais armas do setor privado, uma grande vantagem em relação ao setor público. Demitir professores incompetentes e premiar os melhores seria um caminho fundamental para melhorar a qualidade do ensino no país. Realmente, a Coca-Cola não entra em greve, e seria bom o autor e seus leitores realmente refletirem sobre os motivos…

Aí vocês me perguntam: e aqueles que não podem pagar por educação ou por saúde? De repente, isso é bom para dar uma sacudida neles. O mundo é meritocrático. O que isso significa? Significa que eu não ralei a bunda por cinco anos numa faculdade privada das 9 às 5 da tarde pegando trânsito todo dia e tendo que fazer matérias que eu não queria, algumas inclusive de religião, para botar os meus filhos na mesma escola que o filho do motoboy que levou o meu retrovisor.

Agora, se o motoboy tiver que pagar caro pelos serviços, tudo muda. Ele pensa: “Eu tenho que trabalhar, senão não vou enriquecer, senão meu filho com leucemia não vai ter tratamento”. Resultado: desemprego zero. Crescimento a toque de caixa. Não adianta: sem a obrigação de trabalhar, o povo não trabalha.

Meritocracia é mesmo crucial, assim como a noção de responsabilidade individual. Não há dúvida de que é injusto forçar aquele que ralou, correu atrás, dedicou-se com afinco para subir na vida, a pagar pelas benesses do outro que seguiu outro caminho.

Claro que nem todos que ficam para trás são vagabundos. Há poucas oportunidades para essa gente, em boa parte por culpa do próprio governo intervencionista e paternalista. Em um ambiente liberal, haveria muito mais oportunidade para os mais pobres, como ocorre nos países mais capitalistas.

Mas a grande maioria dos liberais, ainda que saibam dos efeitos perversos do welfare state, não chegam a pregar a abolição total de uma rede de segurança para quem ficou para trás. Defendem, isso sim, um modelo descentralizado e com porta de saída, em vez de esmolas populistas que prejudicam a própria democracia.

Bom mesmo era entregar o país nas mãos de um puta empresário. Tipo o Eike. Ou o presidente da Gol. Esse daí é um gênio. “Acabou essa festa de todo mundo ganhar barrinha de cereal. Agora você tem que pagar por ela. E caro.” É disso que o Brasil precisa: de um bom CEO, com MBA no exterior, que manje de marketing, “people management” e Excel. Vou ligar para o Eike. Vai que ele topa. Acho que hoje em dia ele topa.

Aqui a ironia do autor fica mais aparente. Mas o tiro sai pela culatra. O mercado não funciona bem por causa de Eike Batista, e sim pelo seu mecanismo impessoal de incentivos. Eike, que acima de tudo é exemplo do capitalismo de estado, não do liberalismo, vai à bancarrota se não entregar os resultados prometidos. A eficiência está no processo, não na genialidade de um ou outro empresário.

Se o controle do país fosse colocado hoje nas mãos do melhor empresário do mundo, isso não resolveria nossos problemas. Ao brincar com tal hipótese, o autor, sem se dar conta, cai na falácia dos intervencionistas, em busca do messias salvador.

A solução não está em quem comanda a economia, mas em como ela funciona. É preciso muito mais liberdade econômica, pois somente assim as coisas funcionarão melhor. No exemplo bobo citado pelo autor, a Gol cortar a barrinha de cereal é parte do mecanismo de tentativa e erro do mercado.

Se o consumidor tiver alternativa, em ambiente de concorrência, ele poderá escolher o que lhe atende melhor: serviço mais simples e barato, ou mais luxuoso e caro. O mercado costuma atender com mais eficiência as diferentes preferências subjetivas dos clientes.

Portanto, o que o Brasil precisa não é de um “puta” empresário, com MBA em marketing no exterior; e sim de mais liberdade econômica, para que os melhores empreendedores possam emergir no processo de criação destruidora do mercado. Não sabemos ainda quem eles são e, uma vez no topo, não há garantia alguma de que lá permanecerão. Eis a grande vantagem da livre concorrência…

02/11/2013

às 11:29 \ Cultura, Democracia, Economia

Eike Batista, Lula e Camus: a empáfia e a queda

Juntando o centenário de Albert Camus, a bancarrota oficial da maior empresa do grupo X, de Eike Batista, e ainda o retorno de Lula ao cenário político, fazendo bravatas e falando besteira de cima de sua típica arrogância, resolvi resgatar esse meu artigo publicado no GLOBO, que mistura justamente Camus, Eike Batista e Lula. Divirtam-se:

A queda

Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O “sucesso” de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.

Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

A demanda voraz da China por recursos naturais, que por sorte o Brasil tem em abundância, fez com que o valor de nossas exportações disparasse. Por outro lado, após a crise de 2008 os principais bancos centrais do mundo injetaram trilhões de liquidez nos mercados. Isso fez com que o custo do dinheiro ficasse muito reduzido, até negativo se descontada a inflação.

Desesperados por retorno financeiro, os investidores do mundo todo começaram a mergulhar em aventuras nos países em desenvolvimento. Algo análogo a alguém que está recebendo bebida grátis desde cedo na festa, e começa a relaxar seu critério de julgamento, passando a achar qualquer feiosa uma legítima “top model”.

Houve uma enxurrada de fluxo de capitais para países como o Brasil. A própria presidente Dilma chegou a reclamar do “tsunami monetário”. Os investidores estavam em lua de mel com o país, eufóricos com o gigante que finalmente havia acordado. Havia mesmo?

O fato é que essa loteria permitiu o surgimento dos fenômenos Eike Batista e Lula. Eike, um empresário ousado, convenceu-se de que era realmente fora de série, que tinha um poder miraculoso de multiplicar dólares em velocidade espantosa, colocando um X no nome da empresa e vendendo sonhos.

Lula, por sua vez, encantou-se com a adulação das massas, compradas pelas esmolas estatais, possíveis justamente porque jorravam recursos nos cofres públicos. A classe média também estava em êxtase, pois o câmbio se valorizava e o crédito se expandia. Imóveis valorizados, carros novos na garagem, e Miami acessível ao bolso.

O metalúrgico, que perdera três eleições seguidas, tornava-se, quase da noite para o dia, um “gênio da política”, um líder carismático espetacular, acima até mesmo do mensalão. Confiante desse poder, Lula escolheu um “poste” para ocupar seu lugar. E o “poste” venceu! Nada iria convencê-lo de que isso tudo era efeito de um fenômeno mais complexo do que ele compreendia.

Dilma passou por uma remodelagem completa dos marqueteiros, virou uma eficiente gestora por decreto, uma “faxineira ética”, intolerante com os “malfeitos”. Tudo piada de mau gosto, que ainda era engolida pelo público porque a economia não tinha entrado na fase da ressaca. O inverno chegou.

O crescimento chinês desacelerou, e há riscos de um mergulho mais profundo à frente. A economia americana se recuperou parcialmente, e isso fez com que o custo do capital subisse um pouco. Os ventos externos pararam de soprar. Os problemas plantados pela enorme incompetência de um governo intervencionista, arrogante e perdulário começaram a aparecer.

A maré baixou, e ficou visível que o Brasil nadava nu. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os “campeões nacionais”, entre eles o próprio Eike Batista. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

A liquidez começou a secar. O fluxo se inverteu. E o povo começou a ficar muito impaciente. Eike Batista se viu sem acesso a novos recursos para manter seu castelo de cartas. As empresas do grupo X despencaram de valor, sendo quase dizimadas enquanto as dívidas, estas sim, pareciam se multiplicar. A palavra calote passou a ser mencionada. O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro.

Já a presidente Dilma, criatura de Lula, mergulhou em seu inferno astral. Sua popularidade desabou, os investidores travaram diante de tantas incertezas, e todos parecem cansados de tamanha incompetência.

Eike e Lula deveriam ler Camus: “Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte”.

01/11/2013

às 8:21 \ Economia, Empreendedorismo, Investimentos

A bancarrota da OGX e a conclusão absurda de Emir Sader

A bancarrota da OGX representa o que em termos de filosofia política e econômica? Que o livre mercado não funciona? Que o setor privado é ineficiente? Creio que somente alguém muito desprovido de lógica diria isso, não é mesmo? Pois foi exatamente o que fez o ícone da esquerda, Emir Sader. Vejam o que ele postou em seu Twitter:

Emir Sader OGX

São tantos erros que é difícil saber por onde começar. Mas vamos lá. Em primeiro lugar, uma andorinha só não faz verão. Seria absurdo pegar um caso de empresa privada fracassada para constatar que as “empresas privadas” são frágeis. Também seria absurdo pegar uma única estatal boa e concluir que estatais funcionam bem. Seria pegar uma exceção e extrapolar para uma regra.

Mas nem é esse o caso! Quem diria, nessa altura do campeonato, que a Petrobras é um sucesso? Só alguém muito desligado da realidade. A Petrobras é uma enorme decepção nos mercados nos últimos anos. Empresa politizada, que toma decisões com base em critérios políticos e não econômicos, envolvida em vários casos de corrupção, a única coisa que tem crescido nela é o endividamento. Que sucesso é esse?

No mais, observar a falência de uma empresa privada e concluir que todas são mais frágeis é algo patético. Será que Sader nunca ouviu falar de “destruição criadora”, expressão cunhada por Schumpeter? Ora, a grande vantagem do setor privado é justamente a possibilidade dos incompetentes irem à bancarrota!

É isso que coloca constante pressão pela busca de excelência, punindo os piores e premiando os melhores. A ausência desse mecanismo de incentivos no setor público é seu grande calcanhar de Aquiles. Sader, falando em nome de muitos esquerdistas, não se dá conta disso, o que prova sua ignorância acerca do funcionamento do livre mercado e suas vantagens.

Por fim, a falência da OGX não chega a ser um caso de fracasso do setor privado, não tanto quanto do setor público. É verdade que muitos investidores e bancos privados entraram na onda e inflaram a bolha do vendedor de sonhos. Mas o governo tem suas impressões digitais em todas as cenas do crime. O BNDES escolheu o grupo X como um dos “campeões nacionais”, e deu quase R$ 10 bilhões em crédito subsidiado para Eike Batista.

Como Sader pode ignorar isso? Eike Batista, na verdade, é o ícone do nosso modelo falido de capitalismo de estado. Já venho condenando isso há tempo, muito antes da situação de suas empresas chegarem a esse estado falimentar. Quem deveria ter vergonha com essa queda de Eike é o governo do PT! Mas cobrar dignidade e coerência dessa esquerda é demais da conta…

 

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