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02/08/2013

às 14:42 \ Intervencionismo, Paternalismo

Baco estatal no Uruguai

Fonte: Wikipedia

A legalização da maconha no Uruguai foi celebrada de forma precoce pelos libertários. Em primeiro lugar, não era uma legalização em si, mas uma estatização. O governo, que é sempre incapaz de atuar de forma eficiente como empresário, quer ser o controlador da oferta da erva. Estatal da maconha: alguém acha que isso pode realmente funcionar? Só se estiver muito chapado…

Agora, ao que parece, vem o resto da fatura: a extensão dos tentáculos estatais sobre o setor de bebida alcoólica. Como relata o jornal O Globo, o presidente Mujica quer colocar todo o setor sob os cuidados do governo:

O texto prevê a proibição da venda de bebidas alcoólicas em todo país entre 22h e 8h, à exceção de estabelecimentos que tenham licença. Se aprovado, o projeto também impedirá a comercialização em “centros educativos, locais onde haja eventos esportivos ou espetáculos culturais”. Promoções capazes de alavancar o consumo, como as feitas no chamado happy hour (os clássicos encontros após o horário de trabalho) e incentivos como o refil – sistema pelo qual o cliente paga apenas uma bebida e pode repeti-la quanta vezes que quiser – também ficariam proibidas.

- A proposta causou surpresa e muitos já se perguntam até onde chegará esta onda de reformas e interferência do Estado na vida das pessoas – comentou o jornalista Dario Isgleas, do diário uruguaio “El País”.

[...]

Se o projeto se tornar lei, também serão reforçadas as medidas para impedir a venda de álcool a menores de idade e diferenciar claramente as bebidas não alcoólicas nos supermercados. Através de uma Unidade Reguladora de Bebidas Alcoólicas, o Estado uruguaio regularia “as atividades de distribuição, comercialização, consumo, promoção, patrocínio e publicidade de bebidas alcoólicas”.

Esse avanço estatal é muito preocupante. Não só ele tende a aumentar muito a corrupção e a ineficiência, como ele ameaça a liberdade individual. O excesso de tutela paternalista representa um poder tirânico nas mãos dos governantes, sempre em nome do “bem-geral”.

O álcool é ingerido há pelo menos sete mil anos pelos homens, e até deuses foram criados para representá-lo. Mujica, o excêntrico esquerdista que preside o Uruguai, quer bancar o Baco agora, e comandar as orgias etílicas de seu povo. Quando o governo quer controlar até a bebida do povo, a ressaca costuma ser terrível.

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18 Comentários

  1. Ubirajara Menezes

    -

    03/08/2013 às 20:26

    Os proibicionistas estão espumando de raiva com o posicionamento de Mujica. Essa é a melhor parte – assistir de camarote a ira inócua dos idiotas. Legalizar não significa tornar obrigatório. Usa quem quer e quem não quer não queira que quem quer não possa usar. Como disse o ex-presidente Lula – cada macaco no seu galho. Chega dessas mentes bitoladas querendo impor às demais pessoas suas tacanhas visão de mundo

  2. J. Freire

    -

    03/08/2013 às 10:46

    Constantino,
    pelo menos, agora, os adeptos da esquadrilha da fumaça podem migrar para o Uruguai.

  3. Luiz

    -

    03/08/2013 às 7:34

    No fundo essa eh a idéia dos grandes governantes da america latrina, controlar a vida dos cidadãos em todos os níveis. Eh o fórum SP sendo colocado em pratica por vias mais sutis.

  4. Questionador

    -

    03/08/2013 às 1:09

    Rodrigo,

    Faço o questionamento principal a ti, você não acha que a legalizaçao da maconha, abre uma porta, rua larga, avenida, via-expresa, auto-estrada, para o individuo SE VICIAR EM DROGAS MAIS PESADAS ??!!

    VALE RESSALTAR QUE NOSSA JUVENTUDE ESTÁ SE ACABANDO NAS DROGAS, E ISSO NÃO É PAPO DE REACIONÁRIO NÃO.

    E MAIS, QUAL A GARANTIA DA LEGALIZAÇÃO, DE QUE ACABARÁ O TRÁFICO ILEGAL, E A VIOLÊNCIA ASSOCIADOS A TAL ???

    Ficam os questionamentos no ar.

  5. luiz

    -

    02/08/2013 às 21:06

    Este Mujica é outro palhaço que se promoveu às custas de mentiras, assim como o APEDEUTA.
    O Próximo passo é a liberação da cocaína
    PT, PARTIDO DA ÉTICA E DA MORAL.
    FORA LULA, FORA DILMA, FORA PT,

  6. Zébob

    -

    02/08/2013 às 21:00

    Vamos combinar metade dos moradores hollywood são usuarios de drogas.
    Sem dúvida não seria uma resposta dos governos ajudar as pessoa á ajudar as pessoas que não veem mais sentido para a vida.As respostas satisfatórias viriam que, as pessoas embora nesta vasta Terra se enclausuraram por medo.Foram alvos do sistema e dos seus medos,Procurando respostas na dor que sentem experimentando outras piores condições para ter sentido suas vidas.Sem querer ser dono da verdade…mas, qual seria outro objetivo que mesmo sabedores da dor,
    e da tragédia e mesmo a saúde mental que será abalada, se ligam em buscar um sentido para sobreviver no mundo nas piores condições.

  7. patricia m.

    -

    02/08/2013 às 19:12

    Vampiro, eu nao gosto do termo liberal. Aqui nos EUA liberal eh esquerdalha. Eu como conservadora me oponho totalmente ao comercio de drogas, seja ele feito pelo Estado, seja por entes particulares.
    .
    Mas eu tenho um que de ideais libertarios… Se o Estado fosse capaz de liberar as drogas mas fazer com que os malditos drogados nao atrapalhassem ninguem – e isso implica ate mesmo em nao usar o MEU dinheiro de impostos para se tratar ou comprar drogas ou comprar remedio de AIDS – dai eu ate poderia ser favoravel, ne. Afinal, se mata quem quer, eu nao tenho nada com isso. Quanto menos gente inutil no mundo melhor.

  8. Sergio Corrêa

    -

    02/08/2013 às 18:16

    Rodrigo,
    Sobre a questão da estatização da produção, acredito que o governo está preocupado em evitar, sobre um ambiente de vasta produção, um canal de exportação via mercado negro. É perigosa a presença de mercados ilegais ricos e poderosos, conhecemos o efeito nefasto de violência e corrupção de carteis no México e na Colômbia. É fundamental pensar qual seria a melhor forma de evitar o perigo de um mercado negro para o Brasil, por exemplo, que possui o número de usuários de 1,5 milhões de pessoas, quantidade equivalente a metade da população do Uruguai(3,3 Milhões). Tenho minhas duvidas se a justiça de um pais de pequena economia como o uruguaia, seria eficiente diante de um mercado negro bilionário.

  9. O Vampiro de Curitiba

    -

    02/08/2013 às 17:31

    Patrici m. (02/08/2013 às 16:04), eu evitei usar os termos “Esquerda” ou “Direita” por achar que são conceitos meio que desatualizados, pra dizer o mínimo. Optei por “Liberal” ou “Conservador”, mas a confusão se abateu sobre nós da mesma maneira (rs). Vamos combinar assim: eu sou um liberal-liberal. Reinaldo Azevedo (declarado) e Rodrigo Constantino (presumo) são liberais-conservadores.

  10. Eva

    -

    02/08/2013 às 17:27

    Aco que a liberalizaçao da machonha (ou marijuana como dizem no Uruguai) é a pior barbaridade que puderam fazer. Se sabe bem que da maconha se passa a drogas mais fortese estas estariam prohibidas. Este Presidente Mujica teria ele que aprender a falar espanhol, pois ele é uma barbaridade e nunca esclareceu queal é sua escolaridade… E agora com suas idéias atravessadas se poem a regimentar a bebida alcoholica. Além disso durante sua presidencia conseguiu que se votasse a lei que autoriza o aborto. Querem mais barbaridades? poi para mim, já chega…

  11. Pepe legal

    -

    02/08/2013 às 16:55

    Po Rodrigo, claro q estatizacao da maconha nao é ideal. Mas é um grande comeco. Entre nao ser legalizada e ser regulada pelo Governo, fico com a ultima.
    E a partir da experiencia uruguaia possa talvez o mundo ter ideia se de fato a liberacao diminui a violencia oriunda das drogas e tantos outros questionamentos.

  12. patricia m.

    -

    02/08/2013 às 16:04

    “é tarefa do liberal lutar pela descriminalização de qualquer e toda droga!”
    .
    Do liberal ou do libertario? Segundo Constantino, do libertario.
    .
    A esquerda gosta de uma populacao encabrestada, nem que seja pelas drogas. Jogam no “quanto mais burro melhor”, mais facil de controlar.

  13. roby

    -

    02/08/2013 às 16:02

    Pode apostar que esse será um dos próximos passos do “nosso governo de esquerda”. Pois se até a propaganda de biscoitos e docinhos os valentes querem controlar! Ou será que é a imprensa em si que a canalha quer intimidar”?
    Alguém se lembra do referendo sobre a proibição de armas (de 2005), do seu resultado e o que o governo lulopetista tem feito a respeito? Apenas a título de exemplo, alguém já se deu conta do poder de que está investida a Anvisa — e do quanto isso é prejudicial ao interesse popular decorrente de suas atividades?
    Precisamos de menos Estado em nossas vidas. Muito menos.
    Espero estar errado, mas acho que o Uruguai vai ser um ótimo laboratório para as questões que envolvem a descriminação das drogas. Pobre povo!

  14. Amaral Neto

    -

    02/08/2013 às 15:50

    Nossos traficantes agora poderão exportar a erva para o exótico Mujica.
    Vamos aguardar os procedimentos do governo para produzir a maconha, pelo que conheço nossos traficantes vão dominar este mercado.
    Onde o governo interfere sempre causa desordem e corrupção. Os próximos passos do líder Mujica serão hilariantes podem acreditar.

  15. João

    -

    02/08/2013 às 15:37

    Não sou contra a legalização da maconha, mas sou contra essa ideia de colocar o Estado como fornecedor.

  16. Marcos Jr.

    -

    02/08/2013 às 15:29

    Se isso vingar no Brasil teríamos uma Maconhobras…Ou Cannabisbras…Tá bom, forcei a barra nessa.

  17. O Vampiro de Curitiba

    -

    02/08/2013 às 15:28

    Constantino, sobre a questão da liberação da maconha, uma questão:

    Como liberal, não aceito que o Estado diga o que eu posso ou não consumir. Como liberal, vejo o futuro melhor da Humanidade com a diminuição do Estado – já que a história nos ensina que quanto mais forte for o Estado, mais fraco se torna o Indivíduo. Não somos Estado, não somos rebanho, não somos coletivo. Somos Indivíduos!

    Sendo assim, claro para mim está que, a quem se pretende “liberal”, necessária se faz a defesa da liberdade de escolha do consumo de qualquer substância, entorpecente ou não, sem a permissão do “Grande Irmão”. Também escrevo apenas o que penso e o que desejo: é tarefa do liberal lutar pela descriminalização de qualquer e toda droga!

    Sei, sei… não estamos numa sociedade libertária, ideal. Seria irrepsponsável, nessa triste conjuntura atual, alguém pregar, por exemplo, a liberação do crack. Não concordo. Mas entendo. Fiquemos, então, na questão da maconha e deixemos as demais drogas para outra discussão. No caso uruguaio a “descriminalização” (correta a meus olhos liberais) foi feita com a estatização (errado) da Cannabis pelo socialista presidente. A questão que me move é a seguinte: por que a questão da liberação das drogas – eu disse “liberação”, não “estatização”- vem sendo defendida até por adoradores do Estado, como os petistas, e não pelos defensores do Indivíduo, os liberais?
    Eu tenho meus pensamentos a respeito, óbvio, mas deixo, por ora, a questão em aberto à analise de Constantino e dos leitores.

  18. Wesley Lourenço

    -

    02/08/2013 às 14:52

    O conforto, se é que pode ser dito dessa forma, reside em saber que os despautérios do estatistas sempre tem um praso de validade… embora seja a um custo extremamente elevado.

 

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