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05/08/2013

às 17:41 \ Educação, Intervencionismo

Residência pedagógica

Fonte: Senado

Deu no portal do Senado: Residência pedagógica poderá ser obrigatória para formação de professores da educação básica

A realização de uma residência pedagógica, semelhante à residência médica oferecida aos estudantes de Medicina, pode tornar-se obrigatória para formação dos professores de educação básica. A proposta consta do Projeto de Lei do Senado (PLS) 284/2012, que deve ser votado pelos senadores da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) na reunião desta terça-feira (6), às 11h.

De autoria do senador Blairo Maggi (PR-MT), o projeto acrescenta um parágrafo ao artigo 65 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996), com objetivo de melhorar a qualificação dos professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental. A residência pedagógica funcionaria nos mesmos moldes da médica: uma etapa posterior à formação inicial, com duração mínima de 800 horas e bolsa de estudos.

Para justificar a medida, Blairo Maggi argumentou que parte da dificuldade de alfabetização das crianças brasileiras com até oito anos de idade se deve às condições estruturais na formação dos professores. Dentre elas, o senador destacou o aumento de instituições de ensino de qualidade discutível.

Assim é o Brasil: o governo não consegue fornecer o básico do que se propõe com um mínimo de qualidade, e vai estendendo seus tentáculos internvecionistas para “curar” os males que ele mesmo criou. Que nossos professores têm péssima qualidade na média, ninguém discorda. Mas será que isso se resolve com “residência pedagógica”? E quem vai supervisionar esses professores recém-formados?

Corremos o risco de dois lados diferentes nessa medida: 1) transformar professores recém-formados em escravos do governo, para suprir com mão de obra barata sua deficiência, obrigando-os a trabalhar para o estado depois de formados; 2) doutrinação ideológica, para impor por meio desses professores uma mentalidade socialista em todo país.

Quando surgiu o debate por conta da proposta do governo de estender por dois anos o tempo de residência dos médicos, obrigatoriamente no SUS, escrevi um artigo que alertava para o “caminho da servidão”. Eis um trecho que vem a calhar:

A liberdade de escolha do profissional desaparece, dando lugar ao pretexto de, em nome do “interesse nacional”, o estado escravizar as pessoas para suprir suas carências. Esqueça fazendeiros que não conseguem preencher 252 itens das leis trabalhistas; o verdadeiro trabalho escravo é esse: ser obrigado a trabalhar por dois anos para o governo!

A premissa por trás disso deve ser questionada: ela é coletivista e autoritária. Ela parte da idéia de que as demandas “sociais” são mais importantes do que as escolhas individuais. Sim, é verdade que precisamos de mais médicos no interior do país. Mas isso não pode ser resolvido obrigando-se estudantes a prolongar seu já custoso e longo investimento na carreira de medicina. Isso seria tratá-los como meios sacrificáveis por um “bem-geral”. Abre-se uma brecha perigosa.

Hoje são os médicos, mas e amanhã? O que vai impedir o governo de decretar que todo professor tem de ficar dois anos dando aulas em escolas públicas do interior para conseguir seu diploma? Ou forçar engenheiros a atuarem por dois anos nas obras do PAC Brasil adentro, para só depois terem acesso ao certificado de conclusão de curso? Ou obrigar dentistas a atenderem na selva amazônica antes de finalizarem a faculdade? Percebem o risco?

Pois é. O risco é grande. Essa residência pedagógica, definitivamente, não é a solução para nossa péssima educação.

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15 Comentários

  1. Guilherme Frederico

    -

    18/08/2013 às 16:23

    o Estado nos quebra as pernas e depois oferece muletas

  2. Eduardo Gouveia Gonçalves

    -

    07/08/2013 às 14:31

    Caro Rodrigo

    Eu olhei a proposta do Senador Blairo Maggi (PR-MT) ela define, até onde entendi, que a residência pedagógica seria uma formação ulterior com diploma e beneficiado com a possibilidade de bolsas. Não seria portanto pré-requisito para a diplomação dos alunos de licenciatura, apesar de sugerir aos municípios que utilizem esta formação nos processos de avaliação de concursos, o que seria altamente razoável. As condições de acompanhamento deste bolsista devem, ao meu ver, ser posteriormente, definidas pela CAPES, e com certeza isto garantirá algum tipo de zelo e cuidado pelo acompanhamento da formação do licenciado.

  3. Odilon Rocha

    -

    06/08/2013 às 9:09

    A Maria José aí abaixo disse tudo e deu banho de lógica!
    Parabéns!

  4. Maria Jose

    -

    06/08/2013 às 0:23

    E os políticos, não vão cumprir residência nas periferías das cidades para vivenciar as reais necessidades do povo?
    Antes de tomar posse teriam que morar por 1 ano na perfiferia e viver com s recursos com os quais o povo vive, nas mesmíssimas condicões.
    Só então estariam aptos para no mandato, se aprovados pela comunidade
    com a qual conviveu.

  5. Maurício Goldberg Neto

    -

    05/08/2013 às 22:25

    Prezado Rodrigo,

    Comentarei o seguinte trecho de teu artigo:
    “Corremos o risco de dois lados diferentes nessa medida: 1) transformar professores recém-formados em escravos do governo, para suprir com mão de obra barata sua deficiência, obrigando-os a trabalhar para o estado depois de formados; 2) doutrinação ideológica, para impor por meio desses professores uma mentalidade socialista em todo país.”

    Comento:
    Asseguro-te que a segunda hipótese ocorrerá, pois faz parte da estratégia Gramsciana dessa cambada que governa o país.
    Sou médico e fiz minha primeira especialização em Medicina de Família e Comumidade em um hospital federal que é comsiderado referência nesta área no Brasil. Digo-te com todas as letras: passei grande parte de minha especialização sendo exposto a uma doutrinação disfarçada de residência médica, onde preocupava-se mais em instilar nos residentes uma mentalidade coletivista do que em aprimorar seus conhecimentos médicos. Depois, durante um ano ainda trabalhei com a Estratégia Saúde da Família e novamente me vi submetido ao discurso de esquerda nas atividades que se pretendiam atividades de “educação em saúde”.
    Digo com todas as letras: o território damsaúde pública,foi totalmente dominado pela ideologia marxista e, pelo visto, o mesmo acontecerá com a educação básica se esse projeto for adiante.

  6. Ary Magalhães

    -

    05/08/2013 às 21:29

    Marxismo cultural levado ao extremo.
    Se isso passar, aconselho homeschooling.

  7. Geraldo

    -

    05/08/2013 às 20:47

    Constantino, é pior do que tu pensas!
    Monte uma estrutura para criar um curso na área tecnológica e te farão brutais exigências; depois, tente criar um curso de pedagogia que terás plena facilidade e já terão até a grade curricular pronta onde não faltarão disciplinas da área sociológica em profusão.

  8. Nelson

    -

    05/08/2013 às 19:16

    Mais intervencionismo do estado em nosso País em progressiva comunização. Felizmente ví ontem na internet, pessoas protestando contra o Foro de São Paulo. Já é um começo.

  9. Memyself

    -

    05/08/2013 às 19:13

    No Brasil, tudo que é pedagógico é doutrinação de esquerda. Não serve para coisa alguma, a não ser perpetuar a ignorância.

  10. PAULO BOCCATO

    -

    05/08/2013 às 19:09

    somos uma nação de “capilés”.

  11. Eduardo

    -

    05/08/2013 às 18:54

    Como ex-professor, posso opinar. Nenhum Governo (com “G” maiúsculo) resolveu seus problemas educacionais inventando “moda”. Fizeram o básico de todos os básicos. Inicialmente ensinaram os professores a ensinar e a partir daí cobraram, Mas cobraram mesmo!!!. Estipularam metas a cumprir e direcionaram os recursos da educação para as salas de aula. O segredo e esse – meritocracia e cobrança.

  12. Marco Balbi

    -

    05/08/2013 às 18:48

    E vai ajudar a afugentar os candidatos ao magistério!

  13. André Meira

    -

    05/08/2013 às 18:42

    “2) doutrinação ideológica, para impor por meio desses professores uma mentalidade socialista em todo país.”
    Rodrigo, acertou na mosca!
    Não lhe parece coincidência que exijam que os pais sejam obrigados a colocar seus filhos cada vez mais cedo nas escolas(aos 4 anos)?

  14. ehgatti

    -

    05/08/2013 às 18:33

    seria interessante aplicar o mesmo p4ocedimento para todos os cargos publicos, tais como presidente,governaqdores,prefeitos,senadores,deputados,etc.e tal.

  15. J. Freire

    -

    05/08/2013 às 18:00

    Coronel,
    mais uma medida sem sentido. Esse pessoal ainda não entendeu que foi com a assunção dos petralhas ao poder que o ensino foi pro beleléu. Claro, com os “especialistas” na educação moderna, o ensino já estava descendo a ladeira. O PT veio para empurrar.

 

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